terça-feira, 3 de setembro de 2013

Easy - Capítulo 14


Depois de três meses fora, a casa cheirava engraçado. Como o cachorro... Combinado com a colônia Chanel que mamãe sempre usava, além de alguns outros indefiníveis perfumes que minha mente classificou como casa. Mesmo assim, foi estranho. Eu não pertencia mais inteiramente aqui, e meu corpo sabia.
Eu arrastei meu baixo dentro, ainda aninhado em segurança no seu estojo com rodas de viajar. Sem meus pais e sem Coco, havia pouca razão para movê-lo mais longe do que a sala de estar. Eu coloquei-o contra a parede, onde ficou como outra peça de mobiliário. As luzes da casa estavam marcadas pelo temporizador, uma vez que mamãe e papai já tinham ido embora. Eu decidi deixá-los ir e ficarem fora à vontade, com exceção da iluminação da cozinha e as lâmpadas no meu quarto, que provavelmente não estariam de outra maneira.
Havia comida na despensa e freezer, mas quase nada na geladeira. Meus pais tinham limpado todas as coisas perecíveis antes de sua viagem, não sabendo que eu estava voltando para casa hoje à noite, já que eu nunca disse a eles. Mamãe me mandou um SMS anterior que estavam embarcando em seu avião, acrescentando: “Divirta-se com Selena. Vamos nos ver no mês que vem.” Sem nunca ter verificado novamente meus planos, ela de alguma forma, chegou à conclusão que eu estava indo para casa com a minha companheira de quarto.
Eu aqueci uma caixa de lasanha vegetariana orgânica para o jantar, e tirei uma empada de peru do congelador e coloquei na geladeira para o meu almoço de Ação de Graças. Havia meio pacote de salgadinhos no freezer, também, e eu encontrei uma garrafa fechada de coquetel de cranberry na despensa. Coloquei-a na geladeira. Tah-Dah! Ação de graças para um.
Depois de assistir a algumas reprises de comédia, eu desliguei a televisão, deslizei a mesa de centro de nogueira de seu ponto perfeitamente centrado no tapete tibetano feito à mão, e desembalei meu baixo. Improvisando com uma estante de plantas quando eu não conseguia encontrar minha estante para partitura, eu corri para o início de uma peça Prelúdio que eu tinha começado a compor para o meu solo de fim de ano.
A última coisa que eu esperava ouvir enquanto escrevia uma anotação pessoal era a campainha. Eu nunca tive medo de ficar em casa sozinha, mas depois eu nunca tinha estado tão completamente sozinha aqui antes. Eu debati fingir que ninguém estava em casa, mas é claro que quem estava lá me ouviu tocando, e ouviu-me parar. Eu coloquei o baixo de lado e me arrastei até a porta sólida, ficando na ponta dos pés para olhar pelo olho mágico.
Kennedy estava de pé, sorrindo diretamente para mim, iluminado pelo brilho das luzes duplas da varanda. Ele não podia me ver, é claro, mas ele respondeu muitas vezes esta porta e sabia a visão do interior quase tão bem quanto eu. Destravei e abri a porta, mas nada se moveu.
— Kennedy? O que você está fazendo aqui?
Ele olhou para trás e ouviu o silêncio absoluto da casa.
— Os seus pais estão fora?
Eu suspirei.
— Eles não estão aqui.
Ele franziu a testa.
— Não estão aqui esta noite, ou não estão aqui no feriado?
Eu tinha esquecido o quão prontamente Kennedy poderia apontar o que não foi dito. Essa característica provavelmente era responsável pela maior parte das vitórias nos seus debates.
— Eles não estão aqui de qualquer forma, mas por que você está aqui?
Ele se inclinou com um ombro no batente da porta.
— Eu mandei primeiro um SMS, mas você não respondeu. — Eu provavelmente não tinha ouvido o alerta de texto. Pouco podia ser ouvido sobre o som do meu baixo, uma vez que eu comecei a tocar. — Durante o jantar, a mamãe lembrou-me de ter a certeza de que eu pegue você antes da 13h00min, e sim, isso significa que eu nunca disse a eles que terminamos. Comecei esta noite, e então eu pensei que poderia ter um refúgio com Evelyn e Trento. Onde eles estão afinal?
Eu ignorei sua pergunta. Eu não pude deixar de notar que ele disse que terminamos como se o nosso rompimento foi uma decisão mútua. Como se eu não tivesse sido a idiota pega de surpresa na equação.
— Você quer que eu vá para o almoço de Ação de Graças e finja que está tudo bem, só assim você não tem que contar a seus pais que terminamos?
Ele sorriu apenas o suficiente para fazer a covinha aparecer.
— Eu não sou esse grande covarde. Eu posso dizer-lhes, se quiser, e dizer que eu te convidei para vir como uma amiga. Mas não temos que revelar qualquer coisa a eles, se você não quiser. Confie em mim, eles são muito esquecidos para pegar qualquer coisa. Meu irmão pequeno teve o hábito de fumar maconha por mais de um ano, festejou tanto que ele ia deixar a maior parte da irmandade com vergonha, e eles não têm ideia.
— Você não está preocupado com ele?
Ele deu de ombros.
— Suas notas ainda são decentes. Ele está apenas entediado. Além disso, ele não é meu filho.
— Mas ele é seu irmão mais novo. — Eu só entendia relacionamentos entre irmãos na teoria, já que eu nunca tinha tido um, mas eu assumi que a lógica ditaria algum senso de responsabilidade. Kennedy parecia sentir nenhum.
— Ele não ouviria nada do que eu tenho a dizer.
— Como você sabe? — Eu pressionei.
Ele suspirou.
— Eu não sei. Talvez porque ele nunca ouve. Vamos lá. Venha amanhã. Eu vou buscá-la logo antes das 13h00min. Vai ser melhor do que... Qualquer coisa que seja congelada que você tinha planejado para microondas?
Revirei os olhos e ele riu.
— Eu ainda não entendo por que você não disse a eles. Já faz mais de um mês.
Ele deu de ombros novamente.
— Eu não sei. Talvez porque eu sei o quanto minha família te ama. — Isso foi besteira. Eu levantei uma sobrancelha para e ele riu. — Ok, bem, eles estavam acostumados com você, acostumados a nós. Eu acho que você disse a seus pais?
Eu enrolei meus dedos dos pés no chão de mármore frio, o frio do lado de fora penetrando na entrada.
— Eu disse à mamãe. Eu suponho que ela disse a meu pai. Pareciam vagamente irritados, embora eu não saiba se o aborrecimento foi dirigido a você por terminar comigo ou por eu não ter conseguido segurar você. — Eu queria me beliscar pelas palavras desanimadas que fez soar como se eu estivesse ansiando por ele.
Na realidade, minha mãe e eu tínhamos revisto a briga que tivemos quando eu disse a ela meus planos para a faculdade. Ela não tinha aprovado, alegando que as garotas inteligentes forjam seus próprios caminhos educacionais, não seguem seus namorados do ensino médio para a faculdade. “Mas faça o que quiser. Você sempre faz”, ela disse, me seguindo até meu quarto. Nós não havíamos discutido novamente até Kennedy romper comigo. “Eu acho que não faz nenhum bem agora salientar que eu estava certa sobre ele”, ela suspirou ao telefone. “E sua decisão imprudente de segui-lo até aí.” Sempre que eu parecia ter ganhado um argumento, mamãe diria algo como: “Até os relógios quebrados estão certo duas vezes por dia”.
Eu tinha jogado este pedaço de sabedoria de volta em seu rosto, e, assim como ela tinha quando eu anunciei meus planos para a faculdade, ela deu um suspiro como se eu fosse irremediavelmente ignorante e largou o assunto. Mal ela sabia que, naquele momento, eu concordei com ela completamente, por uma vez. Seguindo o meu namorado para a Estadual foi, possivelmente, a coisa mais estúpida que eu já tinha feito.
Kennedy ficou com os polegares enganchados através do passador de seu cinto, olhar arrependido.
— Eu suponho que você não tenha planos para ter a ceia de Ação de Graças com a família de Dahlia, ou Jillian, ou você já teria dito isso.
Preferindo esperar até que as festividades do feriado acabassem, eu ainda não liguei para meus amigos da escola para que eles soubessem que eu estava em casa. Jillian tinha reprovado da LSU no final do primeiro ano, depois que ela se mudou para casa para treinar para a gestão na Forever 21 e ficou noiva de um cara que conheceu numa joalheria do shopping. Dahlia estava no segundo ano de seu curso de enfermagem em Oklahoma. Nós todos crescemos à parte desde a graduação. Era estranho, sentir-me alheia a cada uma delas agora, quando fomos inseparáveis durante quatro anos de ensino médio.
Recentemente Dahlia teve sua reunião de graduação de enfermagem em um estado vizinho, e Jillian tinha uma listra azul no cabelo, um trabalho de tempo integral e um noivo. Ambas ficaram chocadas quando Kennedy e eu terminamos. Elas estavam entre os primeiros SMS e chamadas, solidarizando ou tentando, mesmo que não tivéssemos estado perto em mais de um ano. Eu esperava que pudéssemos sair e esperava que não discutíssemos de forma repugnante sobre Kennedy.
— Eu não tenho planos com ninguém. Eu pensei que seria bom estar em casa sozinha. — Eu enfatizei a última palavra, olhando para ele.
— Você não pode ficar aqui sozinha na Ação de Graças.
Eu odiava a pena subjacente à sua hipótese, e eu olhei para ele.
— Sim, eu posso.
O verde-escuro de seus olhos examinaram meu rosto.
— Sim, você pode. — Ele concordou. — Mas não há nenhuma razão para que você fique. Podemos ser amigos, certo? Você sempre será importante para mim. Você sabe disso.
Eu então não sabia disso. Mas, se eu dissesse que não, se eu insistisse em ficar na casa dos meus pais sozinha e comer uma empada de peru do microondas na Ação de Graças, isso seria como se eu não pudesse esquecê-lo. Como se estivesse tão danificada que não pudesse estar perto dele.
— Tudo bem. — Eu disse, quase imediatamente lamentando.

***

— Então, você e o pedaço inútil de merda do meu irmão voltaram, ou o quê? — Carter perguntou, em voz baixa.
Se ele não fosse tão grande, Carter teria sido uma cópia carbono de seu irmão mais velho, mesmos olhos verdes e juba de cabelo loiro sujo. Mas enquanto Kennedy era alto e magro, Carter surgiu com a mesma altura, mas com a cintura e músculos de um running back. Tendo o conhecido desde que ele era um magrelo de 14 anos de idade, quando Kennedy ainda se erguia sobre ele, sua transformação foi alucinante. Lembrei-me dele como um garoto quieto e carrancudo, eclipsado por seu irmão mais velho. Ele tinha claramente acabado com aquela fase.
Olhei para trás de nós quando fomos pôr a mesa, aliviada que não havia mais ninguém por perto.
— Não.
Ele seguiu atrás de mim, colocando garfos em cima dos guardanapos que eu dobrava.
— Muito ruim para ele. — Meus olhos se arregalaram um pouco com isso, e quando eu olhei para ele, ele sorriu. — O quê? Qualquer um pode ver que você é muito boa para ele. Então, por que você está aqui?
— Hum, obrigada! É que os meus pais foram para Breckenridge.
Ele recuou, espantado.
— Porra, você está falando sério? E eu pensei que meus pais eram os maiores idiotas nesta cidade!
Eu não podia deixar de sorrir, embora eu reprimi tanto o quanto possível. Carter sempre pareceu próximo ao incontrolável e emocional para o resto de sua lógica e racional família. Eu nunca tinha pensado o tão estranho que ele deve ter se sentido com eles, o filho do meio entre o impetuoso Kennedy e sua irmã mais nova, Reagan, que deu a impressão de que ela tivesse nascido uma contadora de 30 anos de idade.
— Linguagem, Carter. — Kennedy disse, dobrando a esquina.
— Foda-se, Kennedy! — Carter respondeu, sem perder uma batida.
Foi totalmente impossível conter minha reação. Meu queixo estava como pedra na tentativa, mas escapou um pequeno suspiro, que ganhei um grande, sorriso cheio de potência de Carter. Ele piscou para mim antes de se dirigir apressadamente para a cozinha para ajudar sua mãe. Eu pisquei, imaginando que as pobres garotas na minha antiga escola secundária devem entrar em colapso contra os armários quando ele acaba de passar.
Kennedy estava carrancudo.
— O que aconteceu com “ele não é meu filho”? — Eu perguntei, colocando a última colher antes de me virar para ele. — É bom para repreendê-lo por falar “porra”, mas você lava suas mãos em ajudá-lo chutar um suposto problema com drogas? — Eu definitivamente estava pedindo por isso. Discutir com Kennedy era insuperável.
Ele inclinou a cabeça.
— Bom ponto.
Eu pisquei de novo, pensando que os meninos Moore estavam indo me chocar até a morte na hora que eu sair da cidade.
Grant e Bev Moore foram tão alheios como Kennedy tinha prometido. Eles não pareceram detectar o ar tenso entre seu filho e eu as quatro horas que passei com eles, ou a ausência de nossas habituais demonstrações públicas de afeto. Ele não colocou um braço nas costas da minha cadeira durante a refeição, e embora tenha empurrado a minha cadeira quando me sentei, como ele tinha sido criado para fazer, ele não beijou meu rosto ou pegou minha mão. Quando Reagan com seus acentuados 13 anos de idade estreitou os olhos em nós, eu fingi não perceber seu escrutínio. Carter, claro, riu e flertou comigo escandalosamente, tentando me fazer rir e irritar seu irmão. Ele foi bem sucedido em ambos os casos, enquanto seus pais não discerniram nada.
Não nos tocamos, exceto pela pressão de sua perna contra a minha, Kennedy e eu sentamos lado a lado para ver um jogo de futebol na tela plana de alta definição na parede, que deixou Carter tão furioso que ele levantou-se e amaldiçoou a tela algumas vezes, que sua família inteira, todos os quatro, com calma repreendeu-no. Na segunda vez, ele saiu da sala e se foi por vários minutos. Do jeito que ele flexionou sua mão quando ele voltou, eu tive a sensação de que ele foi para o seu quarto bater em alguma coisa.
Assim quando Kennedy entrou no estacionamento da minha casa para me deixar, eu pulei para fora do carro, agradecendo-lhe por me convidar e deixando claro que eu ia para dentro sozinha. Ele sorriu com força.
— Deveríamos sair sábado. Eu vou te ligar. — Felizmente, ele não fez nenhum movimento para sair do carro.
Como se ele não tivesse sugerido nada, agradeci-lhe novamente e disse adeus. Uma vez dentro, eu o observei de uma janela com cortinas. Ele olhando pensativamente para a porta da frente fechada por um minuto antes de arrancar o telefone e ligar para alguém quando ele se afastou dirigindo.

***

Depois de fazer planos para sexta-feira à noite com Dahlia e Jillian, eu pratiquei meu baixo na sala de estar até a lâmpada programada do temporizador desligar pouco antes de 11 horas.
Rindo na escuridão, apoiei meu instrumento contra a parede por instinto, e coloquei o arco em uma prateleira de uma estante próxima. Meu telefone se iluminou no estande de plantas, sinalizando um SMS, e eu fiquei no escuro, lendo e respondendo.

Joseph: Quando você vai estar de volta no campus?
Eu: Provavelmente domingo. Você?
Joseph: Sábado.
Eu: Drama familiar?
Joseph: Não. Minha carona precisa voltar logo.
Joseph: Deixe-me saber se você estiver de volta mais cedo. Eu quero ver você.
Joseph: Eu preciso desenhar você novamente.
Eu: Ah?
Joseph: Tenho feito por um par de memórias, mas elas não estão à mesma coisa.
Joseph: Não consegui obter a forma de sua mandíbula. A linha de seu pescoço.
Joseph: E seus lábios. Eu preciso passar mais tempo olhando para eles e menos tempo provando-os.
Eu: Eu não posso dizer que concordo com esse conceito.
Joseph: Mais de ambos, então. Mande-me um SMS quando você voltar.

Ok, então dormir estava fora de questão.
Reli o texto enquanto lembranças furtivas de seus lábios ondulavam através de mim, acendendo pequenas chamas de desejo que cresceram e se fundiram com as minhas lembranças da noite de sábado reproduzidas em detalhes gráficos. Em pé no escuro, eu fechei os olhos.
Eu deveria estar furiosa ou pelo menos desconfiada, com que Joseph/Jace estava interessado, mas tentar desenvolver alguma indignação com seu pecado de omissão, eu simplesmente não podia. Concluí que eu estava com sobrecarga de ressentimento entre Kennedy e Buck, e em comparação, Joseph parecia mais um enigma do que um risco. Meu plano para ele, afinal, tinha sido usá-lo como, Operação Fase Bad Boy, e não era como se eu tivesse sido totalmente clara sobre isso.
Tentando conseguir lidar com as minhas reflexões voláteis, peguei uma garrafa de água na geladeira e subi as escadas para o meu quarto, o único lugar ainda aceso em toda a casa.
Quando eu chequei o meu e-mail, vi que havia um de JMaxfield entre as ofertas de crédito e informações listserv, e meu coração deu um salto aumentando o ritmo. Ele enviou esta tarde, horas antes de nossa troca de SMS. Fora da faculdade, eu estava começando a ligar o meu tutor com Joseph, o Joseph que falou comigo através desse pseudônimo de Jace. Eu queria saber por que, mas eu não queria perguntar, queria que ele me dissesse.

Demetria,
Eu descobri que o Bait & Tackle adicionou café e Wi-Fi, juntamente com um novo nome para promover esses recursos inovadores. O proprietário não se preocupou em fazer uma placa nova, ele apenas fixou uma placa caiada antiga com a original. Agora na placa pintada à mão lê-se:
Bait & Tackle & Coffee, e em “café”, diz “& Wi-Fi”.
Eles têm três pequenas mesas e algumas irregulares cadeiras estofadas em floral, como no Starbucks, como se tivesse sido decorado com móveis de venda de jardim da avó de alguém. É o único lugar na cidade que está aberto hoje, por isso está lotado. O café não é realmente horrível, mas essa é a melhor recomendação que eu posso honestamente dar. E, previsivelmente, o lugar inteiro cheira a peixe, tipo que deprecia o ambiente do pretendido bistrô.
Será que o seu dia saiu como o planejado?
Você está trancando e ligando o alarme da sua casa toda noite, certo? Eu não quero ser insolente, mas você disse que estava indo para casa sozinha.
JM

Jace,
Sim, eu sou amplamente qualificada em trancar à noite. O sistema de alarme de última geração está totalmente ligado. (E eu não estou ofendida. Agradeço a preocupação.)
Passei o dia no meu ex. Seus pais não têm ideia de que terminamos, ele nunca disse a eles, por algum motivo. Foi estranho. Eu não sei por que eu deixei ele me convencer a ir. Ele quer me ver sábado para “conversar”. Posso voltar para o campus cedo. Eu ainda não decidi.
Eu vou sair com minhas amigas amanhã, assim deve ser mais divertido.
E a sua família? O que você fez?
DL

Eu não tinha certeza de quando receberia a minha resposta, desde que ele precisava do Bait & Tackle & Coffee & Wi-Fi para o sinal. Depois de uma noite agitada que se arrastou, deixando-me mais esgotada, fiz café e olhei meu e-mail da faculdade. Sem surpresa, não havia nada de novo de JMaxfield na minha caixa de entrada. Eu pensei sobre o SMS de Joseph, mas o que eu posso dizer? Que eu me virava na cama à noite toda, pensando em suas mãos em mim?

Easy - Capítulo 13

Estalando minha boca fechada, eu girei para passar meu cartão e entrar no dormitório, e Kennedy seguiu-me pela porta. Virei-me para dizer-lhe que não queria falar e vi Joseph agarrando a porta antes que ela estalasse fechada. Pisando ao meu lado, ele olhou para o meu ex e o ar estava carregado entre eles no momento que Kennedy virou e o notou.
— Você está bem, Demetria? — Joseph perguntou, seus olhos nunca vacilando do meu ex.
— Joseph... — Eu comecei a reiterar verbalmente que Kennedy não era uma ameaça física para mim quando ele bufou uma risada arrogante, olhando para Joseph.
— Espera, você não é aquele cara da manutenção? Aquele que reparou o ar condicionado na casa? — Ele olhou para mim, e de volta para Joseph. — O que a administração pensaria de você farejando os alunos?
O olhar no rosto de Joseph era assassino, mas ele se manteve firme, sem reação, ignorando a pergunta de Kennedy como se ela não tivesse sido feita. Ele virou os olhos para mim, esperando pela minha resposta.
— Eu estou bem! Eu prometo. — Eu segurei minha respiração, esperando que ele acreditasse em mim. Pessoas perto da porta já estavam empurrando uns aos outros e sussurrando.
— Você está ficando com esse cara, também? — Kennedy interveio.
— Também? — Eu perguntei, mas eu sabia o que ele queria dizer antes que ele confirmasse.
— Além de Buck.
Os limites da minha visão se fecharam.
— O quê?
Kennedy pegou meu braço logo acima do cotovelo, como se quisesse acompanhar-me para longe, e a mão de Joseph disparou, agarrando-lhe o pulso e tirando sua mão de mim facilmente.
— Que porra é essa? — A voz de Kennedy era um rosnado baixo quando ele puxou seu braço das mãos de Joseph. Ele colocou-se um pouco na minha frente, enfrentando Joseph, e todos, avaliando o espetáculo em desenvolvimento e olhando ainda boquiabertos. Os dois pareciam equilibrados, mas eu sabia da competência de Joseph em primeira mão, Kennedy ia perder, e Joseph seria expulso.
Dei um passo em volta do meu ex e coloquei a mão em seu antebraço. Estava duro como uma rocha sob meus dedos.
— Kennedy, saia.
— Eu não vou deixar você com esse...
— Kennedy, saia!
— Ele é um homem de manutenção, Demi!
— Ele é um estudante, Kennedy! — Eu decidi não assinalar que Joseph estava na nossa turma de Economia, caso ele o reconhecesse como o tutor de turma e relatasse que ele estava comigo.
Kennedy inclinou a cabeça, sua expressão transformando em preocupação, ligeiramente a testa franzida, os olhos procurando os meus.
— Nós vamos conversar na próxima semana. Quando estivermos em casa. — Seu significado foi claro e dirigido a Joseph. Nós dois estávamos prestes a passar vários dias em nossa cidade natal, onde ele teria acesso irrestrito a mim, sem o incômodo de interferência.
Eu queria dizer a ele que eu não tinha nada para lhe dizer, não agora ou depois, mas a minha mandíbula estava apertada com tanta força que eu não podia falar. Ainda insegura do que eu estava fazendo, mesmo durante as férias de Ação de Graças, eu ignorei sua implicação de que estaria sozinha em seguida. Judiciosamente, ele não tentou me tocar de novo, embora sua expressão letal combinado com a de Joseph quando eles se encararam. Eu não soltei o ar até que ele passou pela porta.
Curiosa decepção era palpável. Alguns pendurados em volta para ver se não haveria consecutivo bônus entre Joseph e eu. A adrenalina estava claramente ainda bombeando através dele, seu corpo estava tenso, como o fio rígido de minhas cordas do contrabaixo, e quando coloquei uma mão em seu antebraço, estava como granito sob camadas de couro e flanela.
— Eu estou bem, sinceramente.
Eu suspirei pesadamente.
— Bem, como quão bem eu posso estar depois disso. — Eu olhava para ele. — Exatamente quantos empregos você tem, afinal? Barista, guru de autodefesa, o cara da manutenção, oficial de fiscalização de estacionamento e, a propósito, isso significa que você me deu o bilhete que eu tenho da primavera passada por dois míseros minutos de estacionamento duplo quando eu corri para a biblioteca para devolver um livro?
Seus ombros relaxaram com o meu tom de provocação, e fui recompensada com o fantasma sorriso.
— Eu não testemunho contra mim mesmo. Eu escrevo um monte de bilhetes de estacionamento. A, hum, coisa de manutenção é raro. E eu ofereço o tempo para a aula de autodefesa.
O que eu tinha deixado fora desta lista, e que ele não acrescentou: tutor de economia.
— Eu acho que devemos acrescentar mais um, hein? — Eu disse, olhando-o de perto. Ele tinha um rosto soberbo de jogador de poker. Nenhum tipo de reação. — Defensor pessoal de Demetria Lovato? — O leve sorriso apareceu novamente. — Outra posição voluntária, Joseph? — Eu perguntei timidamente, sobrancelhas subindo. — Como você vai ter tempo para estudar? Ou qualquer coisa divertida?
Suas mãos me alcançaram, segurando meus quadris e me puxando para frente. Ele olhou para mim, sua voz baixa.
— Há algumas coisas que eu arranjo tempo para fazer, Demetria. — Inclinando-se, beijou o local bem em frente da minha orelha, o local que fez a minha respiração ir curta. E, em seguida, virou-se e correu para sua moto, deixando-me de pé na entrada. Uma vez que ele estava fora da piscina de luz ao redor do prédio, eu não poderia vê-lo. Virei-me e caminhei para o meu quarto num torpor.

***

Demetria,
O seu trabalho é bom. Pesquisa sólida. Acho que o Dr. H ficará satisfeito com ele. Eu notei algumas pequenas inconsistências, e um lugar que você pode ter deixado de fora uma citação. Fora isso, eu acho que é válido, o argumento bem fundamentado.
Anexei a planilha para a sessão de amanhã. Você está recuperada agora, e parece que você tem uma boa compreensão sobre o novo material, mas vou continuar a enviar as planilhas para as duas últimas semanas de aula, se você quiser. Eu suponho que você está indo para casa durante as férias? Eu vou para casa quarta de manhã. Não há Wi-Fi lá, então eu vou estar fora de comunicação até domingo.
JM

Jace,
Parece que posso conseguir me sair bem neste trabalho, o que é um alívio. Agradeço pela ajuda. Sim, por favor, continue a enviar as planilhas.
Meus pais estão indo esquiar nas férias, mas eu prefiro ir para casa por alguns dias e sair com velhos amigos do que ficar aqui no campus. Eles estarão embarcando com Coco, o cachorro da mamãe é um pouco mal-humorado, assim deve ser tranquilo e pacífico.
Você está voando para casa? Me lembro de você dizer que estava sem carro.
DL

Demetria,
Seus pais vão esquiar e não levarão você? Você vai ficar em casa sozinha no dia de Ação de Graças?
Estou pegando uma carona com alguém com um carro. Minha casa não é longe, mesmo que pareça em outro mundo, às vezes.
JM

Jace,
Meus pais pensaram que eu estaria no meu ex. Nós tínhamos equilibrado os últimos dois anos em vez de tentar juntar as duas refeições familiares; este era o seu ano. A família da minha melhor amiga estará na cabana de seus avós fora de Boulder, e eu não estou com vontade de ser mais um fardo para qualquer um. Eu prefiro ficar sozinha. Isso é estranho, né?
DL

Demetria,
Não é estranho para mim. Mas talvez eu seja apenas estranho, também, e eu não sabia. Eu vou sentir falta dos seus e-mails.
JM

Jace,
Idem. Tenha um bom descanso.
DL

***

Eu não podia olhar para Joseph durante a aula de segunda-feira sem pensar na noite de sábado. Seus olhares disfarçados me fizeram pensar que ele estava tendo o mesmo problema. Depois que eu peguei ele com um olhar penetrante na parte de trás da cabeça de Kennedy, não me virei de volta. Quando a aula acabou, Kennedy virou e sorriu para mim. Eu forcei meus lábios em uma linha e me virei de costas para ele para arrumar minhas coisas. Esta classe, este semestre não poderia terminar tão cedo, por razões demais para contar.
— Posso apenas dizer: seu ex é lindo, mas ele parece um ignorante vaidoso. — Benji amontoou seu caderno em uma mochila que parecia que poderia entrar em erupção com papéis soltos a qualquer momento.
Eu fechei a minha mochila.
— Sim, ele realmente é. — Esperamos por Kennedy antes de seguir para o corredor, e eu evitei fazer contato com os seus olhos. Eu estava mais do que um pouco preocupada com a sua afirmação de que iríamos conversar enquanto estivéssemos em casa, eu não poderia imaginar o que ele poderia ter para dizer que eu gostaria de ouvir.
Seguindo nossos colegas até os degraus, todos animados com a antecipação do longo fim de semana, Benji me disse que estaria voando para casa em Geórgia e saindo com seu pai, o único membro de sua família que ele não tinha contado.
— Mamãe soube que eu era gay desde que eu tinha 13.
Eu estava preocupada por ele.
— Será que o seu pai está... Chateado?
Ele sorriu.
— Eu acho que ele sabe. Ele apenas não tem certeza se isso significa que eu estou indo mostrar-me em um vestido ou algo assim. — O pensamento de Benji em um vestido não era uma imagem bonita, e eu não conseguia segurar minha risada. Ele também riu, acrescentando: — Eu sei, certo?
Joseph tinha ido embora, ou assim eu pensei, até Benji e eu sairmos para o corredor ocupado e vermos ele encostado na parede, perto da porta do lado que eu geralmente tomo para escapar do prédio. Ele nos viu aproximar, mas ele parecia perfeitamente consciente de todos os outros também. Imaginei-o olhando para o Dr. Heller.
— Você ainda não disse a ele que você sabe, não é? — Benji perguntou, falando do canto de sua boca. — Eu balancei a cabeça. — Não o faça sofrer muito. Ele parece meio que vulnerável.
Eu ri.
— Certo. Um cara durão, musculoso assim, que é treinado para bater nas pessoas e mente sobre quem ele é para as meninas, é tão vulnerável!
Ele apertou meu braço um pouco acima do cotovelo e sorriu.
— Ou ele é um babaca para disputar com todos os babacas antes dele, ou há uma razão para essas mentiras.
Eu suspirei.
— Eu queria ser um leitor de mente.
— Você não iria depois de saber o que tem lá dentro.
— Se eu soubesse.
Benji deu de ombros de acordo e desviou-se para o longo corredor que leva à saída sul, voltando-se para me chamar:
— Tenha um bom descanso, Demetria!
— Você também!
Cheguei até Joseph e ele virou-se para me seguir, inclinando-se para empurrar a porta aberta.
— Posso te ver hoje à noite? — Ele murmurou.
Eu me perguntava se eu estava virando um booty call¹. Ou se isso é tudo o que sou para ele, se esse era o seu motivo para não me dizer que ele era Jace Maxfield.
— Eu tenho um teste amanhã de astronomia. Nós temos um grupo de estudo em nosso quarto hoje à noite.
Olhei para ele, caminhando ao meu lado, com as mãos enfiadas nos bolsos da frente da calça jeans. Seu olhar varrendo continuamente ao longo da multidão de pessoas, como se ele estivesse em guarda.
— Amanhã à noite? — Ele olhou para mim quando nos aproximávamos do prédio, e notei que ele parecia saber exatamente onde eu estava indo.
— Eu tenho um ensaio de conjunto amanhã. Eu costumo passar as manhãs de domingo na sala de música, mas eu perdi ontem. — Eu não tinha contado para Joseph que tocava baixo. Eu tinha dito a Jace.
— Você dormiu? — Eu balancei a cabeça. — Eu também.
Chegamos à entrada e parei ao lado da porta.
— Eu tenho que começar a embalar meu baixo, também, porque estou levando para casa comigo. — Esperando para ver se ele reagiria, eu vi seus olhos, que combinava com a cor azul cinzento do céu nublado quando seu olhar vagou sobre os rostos que nos cercavam. — Eu vou ter muito tempo para ensaiar durante as férias.
— Quando você vai sair da cidade? — Ele sacudiu o cabelo de seus olhos, evitando o assunto do meu instrumento completamente.
— Quarta de manhã. Você?
— O mesmo. — Ele mudou de posição, nervoso, o lábio inferior preso entre os dentes, e então, de repente, ele se estabeleceu e se acalmou. Seus olhos encontraram os meus, inabalável. — Me mande um SMS se você tiver terminado cedo. Ou se mudar de planos. Caso contrário, eu vou te pegar depois das férias. — Ele levantou o ombro sobre o qual a sua mochila estava pendurada, e acrescentou: — Até mais tarde, Demetria. — Antes de virar e se misturar com o fluxo de alunos, sua cabeça escura ressaltando-se da maioria deles.

***

— Espera aí. Então, o cara-tutor Jace e o gostoso OFBB Joseph são o mesmo cara? — Os olhos de Maggie estavam tão redondos com o choque que eu podia ver todo o caminho branco em volta da sua íris marrom clara.
— O que eu não entendo é por que você não o chama nessa merda imediatamente. — Selena tinha o rosto de participante de talk-show. A qualquer momento, ela iria me chamar de cabeça dura e começar a contar o chute na bunda que ela daria se estivesse no meu lugar. Desde que ela tinha terminado com Nick, ela era muito menos tolerante com caras pisando fora da linha. Ou parecendo.
Eu bufei um suspiro e desejei nunca ter contado a elas.
— O que aconteceu com amordaçá-lo-em-um-saco², o rebote e a fase de operação bad boy? — Nós três sentamos em um edredom no chão do quarto, bebendo café e comendo biscoitos, textos de astronomia e notas espalhadas por toda a nossa volta, intocados pela última meia hora conforme discutimos Jace/Joseph em vez de gigantes de gás e navegação celestial.
— Ele deveria ser seu sexo sem compromisso. Não o contrário. — A voz de Selena ressoou com autoridade.
— Sim. — Maggie opinou. — Por que você não manda um SMS a ele dizendo que você quer se encontrar mais tarde?
Revirei os olhos.
— Porque eu tenho um exame às 09h30min da manhã, que nós deveríamos estar estudando agora. E também, eu acho que preciso de um pouco de distância...
Selena olhou para mim.
— Oh não, você está ficando emocionalmente envolvida, não é?
Deitei-me com as mãos cobrindo o rosto.
— Ughhhh!
— A propósito, falando de sexo sem compromisso, o que é isto que ouvi sobre você e Buck? Ele é definitivamente o material bad boy, — Maggie refletiu. — Você adicionou ele ao estábulo de OFBB sem nos dizer?
Eu dei um olhar suplicante para Selena entre meus dedos.
— Buck é cheio de merda. Você sabe disso, Maggie. — Ela zombou.
Maggie assentiu.
— Verdade... Além disso, fiz sexo com ele no ano de caloura. Ele não era muito bom, desde que me lembro. Muito babão. — Ela estremeceu. — O que há com beijadores babões? Eles estão tentando afogar-nos na saliva? Quer dizer, Jesus, ora, então engula!
Sua mão apertando meu ombro, Selena riu, e enquanto eu podia ouvir o toque artificial nela, Maggie não o fez. Eu sabia onde a mente de Selena estava indo. Eu não tinha lhe dado muitos detalhes, e ela não tinha pedido qualquer. Foi difícil o suficiente para falar sobre aquela noite em generalidades. O ponto era o que tinha acontecido, e o que quase tinha acontecido, não os detalhes dele.
— Então você não está saindo com ele? — Maggie pressionou. Ela estava apenas curiosa, mas irritou ter o meu nome junto com Buck de qualquer forma.
— Como Selena disse, ele é cheio de merda! — Eu estava curiosa. Tão mórbido, talvez. — Por quê? Ele está dizendo alguma coisa sobre mim?
Ela encolheu os ombros.
— Trisha disse que o namorado de sua irmã mais nova, disse que Buck está incomodando Kennedy sobre isso. Esses dois são como aquelas cabras grandes que batem cabeças sobre as cabras garotas. Eu acho que Buck ainda está irritado que ele era legado e Kennedy mesmo assim venceu-o para presidente da fraternidade.
Essa foi a complicação que não conseguia me lembrar antes, o conflito inicial mais importante entre eles. O início de sua fraternal estranha rivalidade. Eu fiz uma careta.
— Mas Kennedy era legado, também.
Maggie lambeu migalhas de biscoito de seus dedos.
— Sim, mas Buck era legado e seu pai era presidente da fraternidade. Ele pensou que estava obrigado a isso.
Sentei-me, tornando-me furiosa quando as motivações de Buck ficaram mais claras. Suas razões para me machucar eram nada mais do que provocar o meu ex.
— E que se traduz na necessidade de Buck em espalhar mentiras que eu estou transando com ele? — Sem mencionar o fato de que ele realmente me agrediu.
— Eu não disse que fazia qualquer sentido.
Selena puxou as notas em seu colo.
— Ok senhoras, quais as constelações que nós pensamos que vamos ter de traçar na parte do gráfico estrela deste teste?
Dando a minha melhor amiga um olhar grato pela mudança de assunto, eu empurrei os pensamentos sobre Buck tão longe de minha consciência como eu poderia conseguir fazer.

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1- Booty call: Sexo casual ou uma chamada para o sexo.  
2- Amordaçá-lo-em-um-saco: Do original "gag-him-and-bag", expressão usada quando há um garoto atraente mas repulsivo quando abre a boca, então tem vontade de amordaçar ele para não ter de ouvir suas besteiras  

domingo, 1 de setembro de 2013

Easy - Capítulo 12

Deitando minha cabeça contra seu ombro, ambas as mãos deslizavam por meus quadris, encorajando-me a aproximar até que não houvesse espaço entre nós. Seus lábios continuaram o movimento contra mim, duro e doce, e minha cabeça flutuou enquanto ele passava sua língua pela minha boca, sua mão agarrou minha coxa, mergulhando entre as dele para que nossas pernas estivessem cruzadas juntas. Eu me inclinei contra ele e ele gemeu, uma mão massageando meu quadril e a outra se elevando contra meu suéter, dedos quentes se espalharam em minhas costas.
Um dos meus braços esmagado entre nós, eu coloco o outro contra o seu peito, dedilhando a abertura da frente de sua blusa de flanela, secretamente deslizando os botões pelos buracos, sentindo a variação entre a superfície lisa e a textura irregular da camisa de malha térmica abaixo dela. Camisa desabotoada, tirei-a de lado e deslizei minha mão contra seu quente e duro abdômen. Ele prendeu a respiração e me afastei para me apoiar no meu cotovelo e olhar para baixo para ele.
— Quero ver suas tatuagens.
— Você quer, hein? — Seus olhos queimaram nos meus. Quando eu acenei, ele retirou sua mão do meu suéter e sentou-se, levantando uma sobrancelha para mim quando ele olhou para sua camisa desabotoada. Meu rosto se aqueceu com seu sorriso e ele riu, tirando a camisa e jogando-a de lado.
Alcançando atrás de seu pescoço, ele removeu a camisa de malha térmica branco da forma como os garotos fazem, empurrando para frente por cima de sua cabeça, sem se preocupar se a maquiagem se arruinaria, ou se o blush iria manchar. Ele deixou cair sua camisa, do avesso, em cima da de flanela, e deitou novamente no chão, oferecendo-se para minha inspeção.
Sua pele era macia e bonita, seu torso dividido com definições de músculo e ornamentado com as duas tatuagens que tinha visto no meu quarto, um confuso design octogonal no lado esquerdo, e quatro linhas escritas na direita. Havia outra, uma rosa em cima de seu coração, as pétalas em vermelho escuro, o caule verde levemente curvado. Em seus braços eram a maioria desenhos e padrões, finos e negros como trabalhado em ferro.
Corri meus dedos por cada uma, mas ele não se virou e eu não pude ler as linhas do poema que se contorciam por seu lado esquerdo. Parecia com um poema de amor, e senti ciúmes pelo que quer que tenha inspirando-o a tamanha devoção, que o fez deixar tais palavras permanentes. Imaginei que a rosa representasse ela também, mas eu não podia perguntar.
Quando meus dedos trilharam por seu abdômen para a linha de pelos descendo seu umbigo, ele se sentou.
— Sua vez, eu acho.
Confusa, eu disse:
— Eu não tenho nenhuma tatuagem.
— Eu já sabia. — Ele se levantou e me alcançou uma mão em minha direção. — Você quer ver o desenho agora?
Eu senti que deveria voltar com algo inteligente, como devo chamá-lo de Joseph ou Jace na cama? Mas eu não pude dizer. Me estiquei e peguei sua mão, e ele me levantou com facilidade. Sem soltar minha mão, ele se virou em direção ao quarto, e o segui.
A tênue luz externa do quarto iluminava os móveis e a parede adjacente a sua cama, onde pelo menos vinte ou trinta desenhos estavam grudados. Ele acendeu a luz e eu vi que a superfície inteira da parede estava coberta com cortiça. Eu imaginei se ele teria instalado, ou se estava aqui quando ele esteve procurando um lugar para morar, ele soube imediatamente que aquilo devia ser para ele.
As duas paredes cortinadas estavam pintadas com um cinza claro simples, e seus móveis eram negros e em nada como um típico garoto universitário, da cama Queen-size até a sólida mesa e cristaleira.
Movi-me em direção ao espaço entre sua cama e a parede de desenhos, procurando por mim, mas distraída pelos outros, cenas familiares como horizonte do centro da cidade, rostos desconhecidos de crianças e homens idosos, e alguns de Francis descansando.
— São incríveis!
Ele veio para ficar ao meu lado quando meus olhos encontraram o meu rosto entre os outros. Ele escolheu um comigo de costas, olhando para ele. Seu posicionamento estava a baixo, no lado direito da parede. Aparentemente, este local de exibição indicaria menor importância, mas eu estava agudamente consciente de onde ele estava localizado em relação à sua cama — em frente ao seu travesseiro.
— Quem não gostaria acordar e olhar para isso? — Ele disse.
Eu sentei em sua cama, olhando para isso, e ele se sentou também. Eu estava abruptamente ciente de seu peito nu, e seu relato no outro quarto: “Sua vez, eu acho.” Me virando para ele, eu vi que ele estava me observando.
Eu estive tão certa de que esse tipo de momento iria conjurar memórias debilitadas de Kennedy, de seu beijo, de nossos anos juntos. Mas a verdade era que eu não sentia sua falta. Eu não podia cavar uma única causa de dor. Eu imaginei se eu estava anestesiada pelo pesar de perdê-lo, que seria preocupante ou se eu tinha chorado tanto e sofri tão profundamente no passado nas últimas semanas que tinha acabado. Acabado com ele.
Joseph se inclinou para mim e a bolha de Kennedy estourou inteiramente. Sua respiração em meu ouvido, ele correu sua língua pela beira curvada, sugando o lóbulo e meu pequeno brinco de diamante, e meus olhos se fecharam enquanto eu murmurava um som de lembranças nostálgicas. Tocando o nariz em meu pescoço, ele deixou um gentil beijo, sua mão vindo para segurar o peso da minha cabeça, que tinha caído para o lado. Seu peso deixou a cama enquanto ele se ajoelhava no chão e retirava minhas botas antes de tomar seu lugar e tirar as suas próprias.
Seus lábios brincaram com os meus, e ele me puxou para o centro da cama me deixando reta. Eu abri meus olhos quando ele recuou e me encarou.
— Diga para parar, a hora que quiser parar. Entendeu? — Acenei. — Você quer parar agora?
Minha cabeça se moveu para os dois lados do travesseiro.
— Graças a Deus! — Ele disse, sua boca retornando para a minha, sua língua mergulhando para dentro enquanto eu cavava meus dedos por seus braços sólidos. Eu acariciei sua língua com a minha, sugando-a profundamente contra minha boca, e ele gemeu, puxando o suficiente para me levantar levemente e tirar meu suéter. Provocando um dedo por meu sutiã, ele seguiu a curva com seus lábios.
Quando eu empurrei contra seu ombro, ele parou, seus olhos sem foco. Empurrei-o de costas e montei-o, sentindo-o duro e pronto através de nossas calças jeans. Suas mãos alisaram a minha cintura e me puxaram para baixo, e nos beijamos profundamente enquanto eu balançava contra ele. Minutos mais tarde, ele arrancou as presilhas de meu sutiã e puxou as alças pelos meus braços. Não tinha saído completamente antes que ele me deslizasse para cima e pegasse um mamilo com a boca.
— Oh! — Eu arfei, ficando mole em seus braços.
Nós rolamos de novo e eu estava debaixo dele, suas mãos traçando e circulando, seguido por sua boca. Então ele desabotoou minha calça e tocou o zíper e tudo caiu em torno de mim.
Eu tirei minha boca da dele.
— Espere.
— Parar? — Ele ofegou me observando.
Mordi meu lábio e acenei.
— Parar com tudo, ou simplesmente não ir mais longe?
— Apenas... Não mais. — Sussurrei.
— Feito. — Ele reuniu-me em seus braços e me beijou, uma mão enrolada no meu cabelo e a outra acariciando as minhas costas, nossos corações pulsando uma cadência que o músico em mim traduziu como um concerto de luxúria.

***

Mantive meus olhos abertos no caminho de volta. Olhando por cima do ombro de Joseph, eu vi o cenário voar e era estimulante, não assustador. Eu confiei nele. Eu tinha, desde a primeira noite, quando eu o deixei me levar para casa.
Kennedy não teria parado dessa forma. Não que ele tivesse me forçado ou chegado perto de fazer. Se eu pedisse que parasse, ele pararia e se afastaria, com a mão cobrindo seu rosto, se acalmando e dizendo: “Deus, Jackie, você vai me matar!” Depois disso, não haveria atividade física, sem beijar, sem tocar. E eu sempre me sentia culpada.
Eu pensei que a culpa iria embora uma vez que estávamos dormindo juntos, porque era raro quando eu pedia um adiamento do sexo, mas de qualquer coisa, minha auto repreensão era pior. Ele pararia, abruptamente, como se o machucasse. Era tudo ou nada. Ele respiraria fundo, colocaria em um jogo ou canal de surf, ou iria arranjar algo para comer. E eu iria me sentir como a pior namorada do mundo.
Joseph continuou o amasso por mais uma hora. Antes que tivesse acabado, ele deslizou sua mão entre minhas pernas, por cima dos jeans.
— Está tudo bem? — Ele perguntou, e com a minha resposta afirmativa sem ar ele acariciou seus dedos lá enquanto nos beijávamos profundamente, e de alguma forma me fez gozar através do tecido grosso. Eu estava chocada, e um pouco envergonhada, mas um olhar em seu rosto me disse que saboreou a resposta do meu corpo, e sua habilidade de estimular isso. Ele não iria me deixar retornar o favor.
— Me deixa com algo por esperar. — Ele sussurrou.
Agora ele estava me deixando na frente do meu prédio, totalmente acordada pela estrada fria, embora ele tenha posto minhas mãos embaixo de sua jaqueta durante a viagem, para que não congelassem. Ele colocou os capacetes e suas luvas de lado e me puxou para mais perto, suas mãos embaixo da minha jaqueta, por cima do meu suéter.
— Você gostou do desenho?
Eu assenti.
— Sim. Obrigada por me mostrar seus desenhos... E o movimento de defesa.
Descansando sua testa na minha, ele fechou os olhos.
— Mmm-hmmm. — Ele beijou a ponta do meu nariz, e então moveu seus lábios nos meus.
Quase doeu beijá-lo, quase. Suspirei em sua boca.
— É melhor você entrar antes... — Ele me beijou de novo, mais faminto, e enrolei minhas mãos entre nós contra seu peito duro.
— Antes...?
Ele inalou e exalou, sua boca em uma linha apertada, suas mãos agarrando minha cintura.
— Exatamente. Antes.
Beijei a margem de sua mandíbula e me afastei.
— Boa noite, Joseph!
Ele permaneceu inclinado contra a Harley e me observou.
— Boa noite, Demetria!
Subi as escadas, e assim que cheguei à porta olhei para cima e vi Kennedy parado lá no topo das escadas, ele estreitou os olhos curiosos piscando entre eu e Joseph.
— Demi. — Ele me encarou enquanto me aproximava dele. — Eu vim, pensei que pudéssemos conversar. Mas Selena disse que você não estava, e que não tinha certeza se você iria voltar.
Eu tinha deixado um bilhete dizendo a Selena onde eu estava. Ela deve ter esfregado minha noite contra a cara de Kennedy. Ele olhou em direção ao meio-fio, mas eu não me virei para ver se Joseph ainda estava lá ou tinha ido.
— Porque não mandou SMS antes? Ou ligou?
Ele deu os ombros, penteando seus cabelos da testa com uma mão, a outra estava no bolso da frente de seus jeans.
— Eu estava no prédio.
Angulei minha cabeça.
— Você estava no prédio, e pensou em passar e que eu estaria em meu quarto? — Eu tinha planejado estar no meu quarto, mas isso não vinha ao caso.
— Não, claro que não assumi que você estaria lá. — Ele recuou. — Eu esperava que estivesse. — Olhou para o meio-fio de novo. — Esse... Cara está esperando você ou algo assim?
Virei-me então e vi Joseph, os braços cruzados em seu peito, ainda inclinado contra sua moto. Eu não podia distinguir seus traços faciais dessa distância, mesmo com as luzes em torno do dormitório. Mas sua linguagem corporal falava muito. Levantei uma mão e acenei, para deixá-lo saber que eu não estava em perigo.
— Não. Ele estava me deixando.
Após um sorriso de desdém em direção a Joseph, Kennedy virou seus afiados olhos verdes para mim.
— Ele não olha como se ele entende o conceito de “cair fora” se você me perguntar.
— Bem, não te perguntei. O que você quer, Kennedy?
Algum garoto indo para dentro chamou.
— K-Moore!
E Kennedy o cumprimentou levantando o queixo antes de me responder:
— Eu disse a você, eu queria conversar.
Cruzei meus braços, começando a sentir o frio no ar que não tinha sentido pressionada contra Joseph.
— Sobre o que? Você já não disse o que tinha que ser dito? Você quer me desvalorizar mais? Porque eu tenho que te dizer, eu não estou realmente passível para isso.
Ele suspirou como se tolerasse algum tipo de desabafo desesperado, uma consequência familiar de eu ser inflexível, suas palavras, que eu tinha visto muitas vezes nos últimos três anos. Eu tinha esquecido isso até vê-lo novamente.
— Não há necessidade de ser inflexível. — Ele disse então, como se estivesse lendo minha mente.
— Sério? Eu acho que há várias razões pela minha inflexibilidade. Ou teimosia. Ou obstinação. Ou determinação.
— Eu entendo, Demi.
Minhas mãos ficaram feito punhos em meus quadris.
— É Demetria.
Ele se aproximou, seus olhos chamejando. Por um segundo, pensei que ele estava com raiva, mas não era raiva em seus olhos. Era desejo.
— Eu entendo, Demetria. Eu te machuquei. E eu mereço tudo que está dizendo, e tudo o que sente. — Ele levantou sua mão para meu rosto e eu recuei, fora de seu alcance, meus pensamentos caóticos. Deixando sua mão cair, ele adicionou: — Sinto sua falta!

~*~

Eu peguei um gripe horrível e estou me sentindo mais do que destruída.
Quem poderia me trazer uma xícara com chá bem quente? haha

Espero que estejam gostando da fic :)
Obrigada pelos comentários, amores <3
Até depois o/