quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Easy - Capítulo 17 - MARATONA

Eu não tinha participado de eventos gregos desde a festa de Halloween, e só tinha visto Buck de passagem desde o incidente na escada sempre dentro de um grupo, e sempre em público. Quando ele se aproximou, eu me afastei, como se seu próprio ser me repelisse, o que era verdade. O simples pensamento dele ainda fez a minha boca secar e formar um nó no meu estômago.
No quarto, Selena voltou depois de sua checada final no espelho.
— É melhor que ele fique bem longe de você ou eu vou arrancar o cortador de grama pelo seu traseiro. — Ela declarou.
— Esse movimento não é para ser usado no traseiro. — Eu brinquei, odiando o tremor que passou através de mim com o pensamento de Buck, com os braços em volta de mim em faixas. Eu esperava que Selena estivesse pronta para ter uma sombra, porque eu não tinha a intenção de sair do seu lado. Seu braço rodeando meus ombros, ela virou nós duas para enfrentar o espelho de corpo inteiro.
— Nós parecemos quentes, amiga. — Seus olhos se encontraram com o meu no espelho. — Obrigada por fazer isso. As garotas têm sido de real apoio, mas não são você. Eu me sinto mais forte sabendo que você estará comigo. — Eu sorri e a abracei. Nós parecíamos quentes. No vestido de prata cintilante, com seus saltos de tiras de prata, Selena era seu próprio globo de discoteca.
O meu vestido de cocktail era azul simplesmente curto na frente, parecia básico se não maçante ao lado de Selena, até que eu virei. A combinação de tocar contrabaixo e fazer yoga me deu costas tonificadas, e o vestido apresentava um “V” cortado quase até a cintura. O nível de altura das evidentes sandálias pretas nos meus pés contradisse bastante a indiferença toda por conta própria. Selena fez um par de movimentos de dança.
— Vamos fazer Nick desejar nunca ter nascido! — Revirei os olhos e ri. — Oh, Selena. Estou tão feliz que você esteja do meu lado.
— E não se esqueça disso, cadela — Ela bateu no meu traseiro e nós pegamos nossos casacos.
Em um acordo silencioso, nós passamos a porta da escada e descemos a ampla escadaria da frente para cumprir nosso percurso. Passando por um calouro magricela tropeçando em um degrau, seus olhos se movendo entre Selena e eu. Felizmente, ele estava indo para cima, de forma que ele caiu em ambas as mãos, praticamente aos pés de Selena.
— Uau! — Ele respirou fundo.
Ela bateu em sua cabeça ao passar por ele, cantando:
— Aww, como é doce! — Como se fosse um cachorro. Sua expressão de adoração ao toque dela indicou que aqui tinha um cara disposto a colocá-la em um pedestal e tratá-la como uma deusa. Eu suspeitava que Selena não queria isso de um cara quase tanto como ela insistiu que ela queria.

***

Os homens da fraternidade de Nick tinham ido todos para fora, pendurar um globo de discoteca real e contratar uma banda. Equipados com ternos, gravatas e um nível perigoso de confiança, todos pareciam mais quentes que o inferno e cada um deles sabia. Dois rapazes da fraternidade estavam na porta, um pendurava os casacos, o outro tomando os convites de Selena e dando para cada uma, uma tira de bilhetes para o 'bar' criado na cozinha e um bilhete de rifa para a tabela de prêmios que outro rapaz vigiava. Os prêmios eram em sua maioria dispositivos eletrônicos — de iPods com sistemas de jogo para uma tela plana 42.
— Rapazes!— Selena zombou. — Onde está um dia no spa? Ou uma farra de compras na Victoria Secret?
Os olhos do guarda da mesa se arregalaram em aprovação evidente da última ideia.
— Olá, Selena! — disse uma voz profunda. Nós viramos, e lá estava Nick, incrível em um terno lápis cinza de perfeito corte e gravata vermelha, de alguma forma perfeitamente combinando com o cabelo de Selena. Ele olhou para mim, seus olhos calorosos e amigáveis. — Oi, Demetria! — Eu não senti nenhuma censura sobre o fato de que sua relação com Selena tinha sido detonada por minha causa.
— Oi, Nick! O lugar parece incrível! — Eu respondi por nós duas, enquanto Selena balançava com a música e acenava para os amigos, como se seu ex não existisse.
O tema da festa deste ano foi Embalos de Sábado à Noite. A banda passou de tocando um cover de Keith Urban para uma canção dos Bee Gees, algo popular, quando meus pais estavam na escola, talvez. Nick olhou ao redor superficialmente, os olhos voltando para mim.
— Obrigado! — Ele disse, e então ele só tinha olhos para Selena. Observando as pessoas já dançando, ela pegou um copo cheio vermelho de um cara passando com um punhado deles. Ele começou a protestar, mas Nick olhou, desafiando-o a dizer uma palavra para ela. Ele fechou a boca dele e continuou se movendo.
Enquanto ela bebia e fingia estar alheia à sua presença, ele olhou para ela. Era óbvio que ele queria que isso continuasse, e o fato de que Selena estava visivelmente olhando para qualquer lugar menos a ele me disse que não era nada imune. Eles não se moveram da órbita um do outro pelo resto da noite, mas ele não tentou falar com ela, também. Eu sabia que Nick era um cara bom, embora equivocado e ingênuo. Ele engoliu o lado de Buck sobre o que aconteceu entre nós, tinha discutido com Selena que talvez eu estivesse bêbada naquela noite, e que eu não me lembrava de tudo claramente. Ele era, provavelmente, um desses garotos para quem estupradores eram homens feios que saltavam de arbustos, atacando garotas aleatórias. Estupradores não eram o seu colega gente boa, ou seu irmão de fraternidade, ou o seu melhor amigo.
Talvez nunca lhe ocorreu que seu melhor amigo era capaz de rasgar uma garota e sua autoconfiança fora, no espaço de cinco minutos. Que ele poderia ferir alguém inocente para ferir um rival. Que ele poderia violá-la em uma distorcida tentativa para destruir a sua própria impotência. Que podia fazê-la sentir-se constantemente ameaçada, e não dar à mínima. A única vez que me senti completamente segura foi quando estava com Joseph.
Maldição.
Dez minutos mais tarde, eu estava assistindo a dança de Buck com uma sênior da irmandade de Selena. Ele sorriu e riu, e ela também. Ele parecia tão... Normal. Pela primeira vez, eu me perguntava se eu era a única garota que ele já tinha aterrorizado, e se sim, por que. Eu pulei quando ouvi a voz de Kennedy em meu ouvido.
— Você está deslumbrante, Demetria! — Minha bebida derramou sobre a borda do copo na minha mão, felizmente não no meu vestido. Ele pegou o copo da minha mão. — Ah, eu peço desculpas por te assustar! Vamos lá, deixe-me pegar uma toalha.
Fiquei desconcertada o suficiente pelo seu braço guiando-me no meio da multidão, com a mão nas minhas costas nuas, que eu não fiquei ciente da separação de Selena até que estávamos na cozinha com meu braço em cima da pia como se eu tivesse um ferimento mortal, em vez de uma mão encharcada com cerveja. Ele lavou e secou minha mão, e eu a retirei de suas mãos quando ele não a soltou de imediato. Ele ignorou minha retirada, sorrindo para mim.
— Como eu estava tentando dizer antes, você está linda esta noite. Estou feliz que você veio. — A música era alta, e a conversa nos obrigou a estar mais perto do que eu queria estar.
— Eu vim pela Selena, Kennedy.
— Eu sei. Mas isso não diminui a minha satisfação por você estar aqui.  
Ele estava usando sua habitual colônia Lacoste, mas já não me fez querer inclinar contra ele e inalar. Mais uma vez, ele ficou em direto contraste com Joseph, cujo cheiro não era qualquer coisa além de sua jaqueta de couro e sua loção pós-barba, a refeição que ele cozinhou para mim e o cheiro sutil, mas afiado de grafite em seus dedos depois de ele ter desenhado, o escape de sua Harley e o cheiro de shampoo mentolado em seu travesseiro. Kennedy ergueu uma sobrancelha, me olhou de perto, e eu percebi que ele provavelmente disse ou perguntou algo.
— Me desculpe, o que? — Eu inclinei o meu ouvido para ele para que eu pudesse ter um segundo para empurrar Joseph da minha mente.
— Eu disse: Vamos dançar.
Incapaz de livrar-me dos meus pensamentos errantes, eu concordei e deixei meu ex me levar para a designada pista de dança, bem na frente da banda. Uma área que foi desobstruída de móveis bem sob o globo de discoteca motorizado, que pendia perigosamente baixo para alguns dos caras mais altos. Girando lentamente, a sua superfície espelhada jogou flashes de luz em ondas ao redor da sala, iluminando rostos e corpos girando e cintilando fora de qualquer superfície reflexiva de maçanetas à joias e para o vestido prata de Selena.
Suas mãos estavam fechadas por trás do pescoço de um Pi Kappa Alpha sênior, um copo vazio pendurado na ponta dos seus dedos. Seu parceiro de dança, sem saber, era receptor de um olhar mortal de Nick. Selena tinha notado, porém, e ela se apertou mais perto dele, olhando-o nos olhos com muita atenção. Pobre Nick. Eu deveria estar com raiva dele também, mas ele estava claramente infeliz.
— Eu ouvi sobre Nick e Selena. O que aconteceu? — Kennedy tinha seguido o meu olhar.
— Você deveria perguntar a ele. — Eu me perguntava o que Kennedy faria pelo comportamento de Buck. Eram civilizados, um com o outro, mas aquela competitiva fixação tinha estado entre eles desde o primeiro dia.
— Eu perguntei, mais ou menos. Ele não parecia querer falar sobre isso. Disse ter sido uma grande briga, ela não estava sendo razoável, blá, blá, você sabe, o caras dizem coisas estúpidas quando querem foder algo bom.
Só então, a música mudou para algo rápido, permitindo-me restabelecer a minha bolha de espaço pessoal e felizmente terminando a conversa sobre rompimentos e foder. Fiquei tão aliviada para acabar com esse intercâmbio que eu não prestei atenção para onde Selena foi. Eu não prestei atenção para onde Buck foi.
Em um período de calmaria entre as músicas, ele caminhou para atrás de mim.
— Hey, Demetria! — E eu pulei pela segunda vez naquela noite. — Você terminou de dançar com esse perdedor? Venha dançar comigo. — O cabelo em meus braços ficaram em pé, cada nervo do meu corpo em alerta máximo, e eu me aproximei de Kennedy, que colocou o braço em volta dos meus ombros. Eu não queria seu braço em mim, mas dada a escolha entre eles, não havia escolha.
Sorrindo, Buck estendeu a mão. Olhei para ele incrédula e me encolhendo mais perto de Kennedy, cujo corpo ficou rígido, alinhado com o meu.
— Não.
Com seu sorriso habitual indolente, Buck olhou para mim como se meu ex não estivesse lá. Como se estivéssemos sozinhos.
— Tudo bem então, talvez mais tarde.
Eu balancei a cabeça e me concentrei na palavra que eu tinha falado repetidas vezes essa manhã. A palavra que precedeu cada chute.
— Eu disse que não. Você não entende o que é não? — Do canto do meu olho, eu vi o olhar de Kennedy estalar para o meu rosto. Os olhos de Buck se estreitaram e sua máscara de indiferença caiu por uma fração de segundo. E então, ele se recuperou e o disfarce estava de volta no lugar. Eu soube naquele momento que ele não ia desistir. Ele estava apenas passando o tempo.
— Claro! Eu ouço você. Demetria. — Seus olhos se voltaram para Kennedy, cuja expressão guardada estava em desacordo com a rigidez desperta em seu corpo. — Kennedy. — Ele balançou a cabeça e Kennedy respondeu na mesma moeda, e então ele caminhou para longe.
Eu caí contra o meu ex, e depois saí de seu alcance, meus olhos procurando pelo vestido prata de Selena entre a multidão de pessoas na pequena casa.
— Demetria, o que está acontecendo entre você e Buck? — Eu ignorei sua pergunta.
— Eu preciso de Selena. Eu preciso encontrar Selena. — Eu comecei ir na direção oposta que Buck tinha ido e Kennedy agarrou meu braço para me puxar de volta. Eu o torci, e então percebi que as pessoas estavam olhando. Ele se aproximou, sem me tocar. — Demetria, o que está acontecendo? Eu vou ajudar você a encontrar Selena. — Sua voz era baixa, nos meus ouvidos. — Mas, primeiro, me diga. Por que está tão zangada com Buck? — Eu olhei para ele e meus olhos ardiam.
— Não aqui.
Ele comprimiu os lábios.
— Vem comigo? Para o meu quarto? — Quando hesitei, ele acrescentou, — Demetria, você está pirando? Vem falar comigo. — Eu concordei e ele me levou até as escadas. Ele fechou a porta e sentou-se em sua cama.
Seu quarto, como de costume, estava limpo e organizado, embora a cama não estava feita, e havia jeans e camisas jogada sobre sua cadeira. Eu reconheci os lençóis e edredons que havíamos escolhido antes de voltar para o campus no outono, porque ele queria algo novo. Eu reconheci sua estante e seus romances favoritos, seus livros de direito, sua coleção de biografias presidenciais. O conteúdo deste quarto era familiar. Ele era familiar.
 — O que está acontecendo? — Sua preocupação era genuína.
Eu limpei minha garganta e disse a ele o que aconteceu na noite da festa de Halloween, deixando Joseph de fora da história. Ouvindo em silêncio, levantou-se e andou, respirando profundamente, com os punhos fechados. Quando terminei, ele parou e se sentou, com força.
— Você disse que conseguiu fugir. Assim, ele não fez...?
Eu balancei a cabeça.
—Não.
Um silvo saiu dele.
— Maldição! — Ele tirou a gravata solta e desabotoou o primeiro botão da camisa branca. Seus dentes estavam presos com tanta força que as cordas do seu pescoço saltaram debaixo de sua pele, como tubos escorrendo de sua mandíbula. Ele balançou a cabeça e bateu o punho em sua coxa. — Filho da puta! — Kennedy não era, normalmente, muito de amaldiçoar, certamente nenhuma dessas palavras era parte de seu vocabulário padrão. Ele me olhou de perto. — Eu vou lidar com isso.
— Já passou, Kennedy. Eu só... Eu só quero que ele me deixe em paz. — Eu estava curiosamente sem lágrimas, o que era estranho. Eu senti como se tivesse ganhado força por dizer a ele, assim como eu me senti mais forte depois de dizer a Selena.
Sua mandíbula apertou novamente.
— Ele o fará! — Ele pegou meu rosto nas mãos e repetiu: — Ele vai te deixar em paz. Eu vou ter certeza disso! — E então ele me beijou.
A sensação de sua boca era tão familiar quanto os itens que eu tinha catalogado quando entrei em seu quarto.
Os livros na estante. O edredom sob a minha mão. O equipamento de escalada no canto. O moletom com capuz que eu costumava pegar emprestado. O cheiro de seu perfume. Inconscientemente, eu registrei a sensação de seus lábios, movendo-se um pouco demasiado rude. Ponderei que sua raiva por Buck fez seu beijo menos suave, mas eu sabia mais. Porque isso, também, era familiar. Este beijo era como ele sempre me beijou. Sua língua serpenteava em minha boca, possessivamente, e foi familiar e bom e não Joseph. Eu empurrei de volta. Suas mãos caíram.
— Deus, Demi, me desculpe, isso foi tão impróprio!
Ignorei seu deslize.
—Não. Está tudo bem, eu só... Eu não... — Eu formulei em minha cabeça, tentando definir o que eu não queria. Nós estávamos separados por sete semanas. Sete semanas, e eu estava realizada. Eu olhei para minha mão, virando-a no meu colo, a realização e a finalidade foram uma espécie de choque.
— Eu entendo. Você ainda precisa de tempo. — Ele se levantou, e eu estava querendo sair do quarto familiar e desta conversa.
O tempo não mudaria o que eu estava sentindo ou não sentindo. Eu tinha tempo, e apesar de a dor do seu abandono não ter desaparecido, foi diminuindo. Meu futuro estava embaçado, sim, mas eu estava começando a imaginar um futuro em que eu já não sinto falta dele em tudo.
— Vamos encontrar Selena para você. E eu vou ter uma conversa com Buck.
Eu congelei, a meio caminho da porta.
— Kennedy, eu não esperava que você... — Ele se virou.
— Eu sei. Não importa. Eu estou lidando com isso. Confrontando-o.
Eu respirei fundo e o segui para fora do quarto, esperando que suas intenções tivessem surgido a partir de uma determinação de fazer a coisa certa, e não apenas porque ele queria me ganhar de volta.
Selena e eu observamos da janela como Buck e Kennedy se enfrentaram no estacionamento atrás da casa. Estava frio demais para qualquer um ficar do lado de fora, então eles estavam sozinhos. Não ouvimos as palavras, mas a linguagem corporal era inconfundível. Buck era mais alto e maior, mas o meu ex possuía uma superioridade inata que se recusava a ceder ao controle de qualquer um que ele considerasse indigno.
O rosto de Buck era um verniz de aborrecimento sobrepondo fúria absoluta quando Kennedy falou, apunhalando um dedo para ele uma, duas, três vezes, nunca tocando-o, mas sem mostrar medo. Eu invejava essa capacidade. Eu sempre invejei. Nos afastamos da janela quando Kennedy virou para voltar para a casa, mas não antes de Buck olhar para a janela e fixar em mim um olhar de puro ódio.
— Jesus H. Cristo! — Selena murmurou, tomando meu braço. — Tempo para uma bebida.
Encontramos Maggie em um grupo de pessoas jogando quarters — Seleeeeeeena!— Ela disse arrastada. — Vem ficar na minha equipe!
Selena curvou uma sobrancelha.
— Estão jogando em equipes?
— Sim. — Ela agarrou o braço de Selena e puxou-a para seu colo. — D, você faz par com Mindi aqui! Selena e eu vamos chutar o traseiro de vocês!
Mindi era uma das garotas da irmandade, delicada e loira. Ela sorriu e piscou os grandes olhos verdes, incapazes de se concentrar em mim.
— Seu nome é Dê? — Seu sotaque era muito nítido e seus cílios vibraram para cima e para baixo como um personagem de desenho animado, fazendo-a parecer mais jovem e mais vulnerável do que 18. Ela era o inverso do comportamento sarcástico e escuros olhos de duede de Maggie.
Os caras do outro lado da mesa riram e Maggie revirou os olhos com desgosto. Ficando claro por que ela queria que eu fosse sua parceira.
— Hum, não. D como em Demetria.
Um dos garotos pegou duas cadeiras dobráveis contra a parede, colocando em cada lado de Mindi e Maggie. Tomei uma ao lado Mindi e Selena deslizou para a outra.
— Oh! — Mindi franziu a testa e piscou. — Então, eu posso apenas te chamar de Demetria?
Meu nome estava quase irreconhecível entre o sotaque e a pronuncia embriagada. Maggie começou a resmungar baixinho, então eu disse:
— Claro, isso é ótimo! — E olhei em volta da mesa. — Então, estamos vencendo?
Os garotos do outro lado da mesa sorriram. Nós definitivamente não estávamos vencendo.

Easy - Capítulo 16 - MARATONA

— Srta. Lovato, por favor, me encontre por um momento, depois da aula. — Olhei para cima para encontrar o olhar do Dr. Heller, no final da segunda palestra, e acenou com a cabeça para o meu assentimento.
— Ooohhh! — Benji disse. — Encrenca para você. — O sorriso dele caiu quando ele viu meu rosto. — Qual é o problema? Você não está realmente em apuros não é? — Ele olhou para a parte de trás da sala de aula, focalizando a única razão que eu poderia estar em apuros com o professor. — Será que ele descobriu que você sabe? — Ele inclinou a cabeça na direção de Lucas.
— Sim.
Seus olhos se arregalaram e ele baixou a voz.
— Oh, merda, você está falando sério? Como?
Eu balancei a cabeça.
— Isso não importa. Ele descobriu, e acabou.
Fixando os lábios, ele enfiou o notebook em sua mochila e suspirou.
— Oh, cara. Sinto muito! — Seus olhos castanhos estavam cheios de simpatia. — Alguma coisa que eu possa fazer?
Eu balancei a cabeça novamente, a necessidade de redirecionar a conversa.
— Eu vou ficar bem. Como foi a grande revelação?
Com um largo sorriso, ele segurou os braços.
— Como você pode ver, eu ainda estou em um único pedaço, com todas as partes essenciais contabilizadas. — Ele balançou as sobrancelhas, jogando sua mochila sobre o ombro depois que eu dei-lhe um empurrão. — Foi bom. Ficando tudo em aberto, foi um alívio para nós dois, eu acho.
— Ótimo! — Eu estava feliz por ele, embora eu não tivesse tido a mesma experiência com as recentes revelações públicas. Eu não olhei para trás para Joseph. Ele tinha olhado para o seu caderno quando eu tinha entrado na sala de aula, decididamente contra até mesmo a olhar para mim.
— Hey, Demetria! — Kennedy sorriu quando passamos no corredor, como se ele estivesse orgulhoso de si mesmo para, finalmente, lembrar meu nome.
— Oi! — Voltei, escorregando por ele no meu caminho até a frente da sala de aula.
Quando parei no degrau mais baixo, o Dr. Heller olhou por sobre as cabeças dos alunos agrupados em torno dele e pediu que eu fosse durante seu horário no escritório à tarde para pegar o meu trabalho. Sua expressão inabalável disse que não era um convite, tanto quanto uma diretiva. Com o meu rosto quente, eu disse-lhe que estaria lá.

***

— Você não fez nada de errado, então você não tem nada que se preocupar. Provavelmente ele só quer ter certeza de Joseph-Jace. Quem diabos ele é não tirou vantagem de você.
Apreciei as garantias de Selena, tão erradas quanto poderiam ser. Encostada em minha cama, botas penduradas no final, eu olhava para o quadrado de chumbo, o céu visível da nosso janela de quatro-por-quatro única. Mesmo no nosso quarto excessivamente quente, eu tremi. Selena e eu descobrimos no último inverno que o antigo aquecedor central iria bombear ar quente em nosso pequeno quarto, até que ficasse uma sauna, só clicar desligar e retomar uma lenta queda de volta ao frio antes de reiniciar de volta a sauna. Foi uma maravilha que ambas não tínhamos terminado com pneumonia em fevereiro.
— Jace era o tutor perfeito. O que há entre Joseph e eu, não é da conta de ninguém.
— Exceto a minha. — Selena brincou.
Virei à cabeça e dei um meio sorriso.
— Exceto a sua.
Ela acrescentou os toques finais a um cartaz temático da irmandade coberto com glitter.
— A que horas você deve estar lá?
— Entre 03h30min e 04h30min.
— É melhor você correr. Eu estou indo para o trabalho assim que eu terminar essa coisa. Me mande um SMS e deixe-me saber se eu preciso chutar o traseiro de alguém. Não se esqueça, amanhã estamos indo atrás de vestidos para a festa neste fim de semana.
Minha companheira de quarto tinha capacidade de mudar rapidamente de assuntos, era lendária.
— Eu me lembro.
Dr. Heller me olhava do lado oposto da mesa, pela segunda vez neste semestre, e eu lutava para não me contorcer na cadeira. Eu nunca tinha sido uma garota que ganhou a desaprovação dos professores, encontrar-me nesta posição por duas vezes, em questão de semanas, foi inacreditável. Ele não olhou para mim desde que me convidara para sentar. Vasculhando uma pilha de pastas e papéis, ele puxou o meu trabalho de pesquisa com um murmuro, “Ah-ha.” Minhas mãos cerradas no meu colo quando ele leu e folheou as páginas grampeadas. Eu me perguntei se ele já tinha escrito uma nota sobre o meu trabalho, ou se o que eu dissesse ou não dissesse nos próximos minutos iria influenciá-lo. Ele limpou a garganta e eu vacilei.
— Eu falei com o Sr. Maxfield, que eu suponho que você sabe. — Eu respirei nervosa.
— Não, senhor. Nós não temos nos falado.
Suas sobrancelhas subiram, olhos arregalados.
— Eu vejo. — Ele franziu a testa como se estivesse confuso. — Bem. Vou perguntar-lhe o que perguntei a ele, e eu apreciaria a sua honestidade, por favor. Ele ajudou você a fazer esse trabalho?
Retornei seu perplexo cenho franzido, sem saber o que, exatamente, ele estava perguntando.
— Ele me deu algumas pistas sobre as fontes de pesquisa. E leu e completou o trabalho e apontou alguns erros que eu precisava corrigir antes de terminá-lo. Mas o trabalho é meu!
Ele balançou a cabeça e suspirou.
— Tudo bem. Há também uma questão de um teste que pode ter sido dado algum... Vamos dizer aviso de... Antes dos outros estudantes?
Eu engoli.
— Ele sugeriu que eu fizesse a planilha que ele enviou. — Dr. Heller me examinou com um olhar direto elevando uma sobrancelha espessa, e eu emendei. — Sugeriu fortemente que eu fizesse isso. Mas ele nunca me disse que ia ser um teste, e, francamente, eu pensei que ele estava sendo mandão, nem sequer peguei qualquer dica!
— Ele assumiu totalmente a responsabilidade por seu erro de julgamento, Srta. Lovato.
Eu não conseguia respirar, meus pensamentos tumultuados. Desde o primeiro momento que o vi, — enfrentado Buck no estacionamento depois, posso supor, puxando-o de cima de mim — ele estava me protegendo. Ele estava em perigo de ser demitido de seu emprego por causa do nosso relacionamento, o que quer que tenha sido? Aproximei-me, a minha mão sobre a mesa.
— Joseph não..., ele não se aproveitou de mim de qualquer forma. Ele foi muito útil como um tutor. Eu tenho outra turma durante as sessões de seu grupo, então eu não poderia assistir a elas, mas ele enviou as planilhas para mim. — Respirando, eu parei, não querendo fazer isto pior do que já era. Eu não poderia parecer uma garota apaixonada ou minhas declarações não carregariam peso de modo algum. — Ele não deve estar com problemas por minha causa.
Meu professor olhou para o meu trabalho, ainda em suas mãos. Embora todas as coisas, ele parecia mais preocupado do que ele teve momentos atrás. Franzindo a testa, ele levantou os olhos e olhou para mim um momento.
— Ele também diz que você não estava ciente do fato de que o rapaz que estava vendo... Era seu tutor. Que seu relacionamento acadêmico foi realizado através de e-mail apenas. — Eu balancei a cabeça, não querendo contradizer nada do que Joseph disse. Ele suspirou de novo, envolvido em seus pensamentos, uma mão cobrindo a boca. Finalmente, ele colocou o papel em cima da mesa para mim. — Sua pesquisa e as conclusões foram impressionantes para uma não graduada. Bom trabalho, Sra. Lovato! Se você se sair bem no final, o seu grau no curso não deve sofrer com os, hum, transtornos emocionais que você enfrentou meados do semestre. Uma palavra de conselho, no entanto. Esta não será a última vez que você terá que lidar com algo na vida que joga você fora de seu jogo. Em cursos futuros, bem como no mundo real, tal como ela é, professores e empregadores nem sempre vão estar confortáveis. Nós todos temos que..., como diz à terminologia que a minha filha usa — engolir e lidar com isso?
Eu resisti a virar para a última página para verificar a minha nota.
— Sim, senhor. — Eu sabia que deveria me levantar, agradecer a ele, e cair fora de seu escritório, enquanto ainda estava em seu lado bom. Eu não poderia fazer isso. — E o Joseph? Ele está em apuros? Será que ele... Ele vai perder o emprego?
Ele balançou a cabeça.
— Não parece ter havido qualquer dano real feito, embora eu tenha lembrado Jace — er, Joseph, — que, às vezes, como uma situação é vista tem mais peso do que a realidade da questão. Com isso em mente, eu sugeri que ele se limite a apropriadas interações de tutoria pela duração do semestre.
Joseph não tinha mencionado a possibilidade de futuras interações. Sua resposta para saber se era ou não foram conclusivas, e ele não tinha me mandado um e-mail ou um SMS para contradizê-la, nem tinha me olhado na aula de hoje que eu soubesse.
— Obrigada, Dr. Heller! — Eu esperei até que eu estava fora para verificar a nota que recebi 94. Inquestionavelmente melhor do que eu teria feito no exame parcial, se eu tivesse estado presente para ele.

***

Eu ignorei Joseph no meu caminho para o meu lugar antes da aula na quarta-feira e sexta-feira, e o ignorei novamente quando eu saí, especialmente porque eu encontrei Kennedy esperando no corredor para me acompanhar ambos os dias. Na quarta-feira, o meu ex me perguntou como a tutoria estava acontecendo.
— O que? — Eu tropecei sobre o próximo passo e ele pegou meu cotovelo. — Foram dois da oitava ou dois do nono ano do ensino fundamental que tiveram uma grande queda por você? — Ele riu, virando a cabeça para olhar duas garotas que foram para fora; era típico de Kennedy, ele não parecia notar. — Ou eles todos têm uma queda por você agora?
Ah, aulas de baixo, não de tutoria de economia. Eu coloquei meu queixo no meu cachecol felpudo e puxei o zíper do meu casaco até minha garganta quando dobrava a esquina do edifício e uma rajada de ar frio nos atingiu, e ele virou seu colarinho e enfiou as mãos nos bolsos do casaco.
— Eu não tenho ideia do que eles estão pensando, a maior parte do tempo. Eles são todos um pouco grosseiros.
Ele olhou para mim e sorriu, a fascinante covinha retendo a minha atenção, como fizeram desde a primeira vez que eu vi, e de lá, seus belos olhos verdes. Ele bateu-me de leve com o cotovelo.
— Mau humor é prova o suficiente de que eles estão todos caídos por você.
Carrancuda, eu olhei para frente e aumentei o passo. Eu não poderia imaginar onde ele estava indo com isso, mas eu não estava seguindo.
— Eu te vejo mais tarde, Kennedy. Eu tenho que ir para o espanhol.
Ele pegou meu braço.
— Maggie disse que estava vindo para a festa no sábado?
Eu balancei a cabeça. Selena e eu passamos quatro horas fazendo compras de vestidos e sapatos na noite de terça-feira. Ela estava fazendo tudo com intenção de fazer Nick se arrepender de qualquer decisão que ele tinha tomado, que não incluísse adorar a seus pés. “O que aconteceu com: Eu amo a caça” Eu perguntei conforme ela descartou o décimo vestido de cocktail ou décimo primeiro não-muito-perfeito antes dançando em um pedaço de tecido prata com uma divisão alta na coxa. Sorrindo para o espelho com predatória determinação, ela esperou por mim para fechá-lo e examinou o reflexo do corpo dela no vestido que realçou seu cabelo vermelho como se estivesse em chamas. “Oh, eu estou caçando, certo.” Ela ronronou.
Eu fui para longe de Kennedy sem olhar para trás, e ele chamou:
— Te vejo mais tarde, Demetria. — Eu considerei e rejeitei todas as desculpas que eu poderia inventar até por que eu precisava me retirar, tardiamente desejando que eu nunca tivesse concordado em acompanhar Selena na festa anual. Minha companheira de quarto normalmente sã estava determinada a tornar a vida de seu ex-namorado um inferno por pelo menos uma noite.
No jantar de sexta-feira, ela disse: “Eu tenho que fazer isso. Para o encerramento.” Maggie arqueou uma sobrancelha para mim do outro lado da mesa. Entre o drama Selena/Nick, as tentativas de Kennedy para reverter nosso rompimento, e a provável presença de Buck, sábado à noite não poderia acabar breve o suficiente para mim.

***

Evitar contato visual durante a aula de autodefesa na manhã de sábado provou ser mais difícil do que se esquivar um do outro durante economia, mas Joseph e eu conseguimos isso pela primeira hora. O mais estranho da semana passada foram as planilhas que ele continuou enviando, mas sem qualquer nota além. O e-mail inteiro consistia em: “Nova planilha em anexo, JM.”
— Quando um chute é mais provável de ser mal calculado pela vítima ou evitado pelo criminoso, uma joelhada de ataque é de curto alcance e mais facilmente executada, então vamos focar nesta defesa primeiro. — A voz de Ralph me trouxe de volta para a aula de autodefesa. — E eu assumo que as senhoras sabem o que vocês estão visando com o joelho.
Dividindo-se em dois grupos, como fizemos duas semanas atrás, eu fui para ficar no grupo de Don e Selena me seguiu. Ele segurava uma almofada grossa com alças no seu antebraço musculoso para mantê-lo no lugar, explicando o básico do ataque de joelhada e pedindo a um voluntário para ajudar a demonstrar, ao qual Selena prontamente respondeu. Fiquei orgulhosa de seu sonoro NÃO! Quando ela agarrou os ombros de Don e bateu com o joelho no bloco. Eu reconheci o movimento que Joseph usou em Buck, embora ele o atingiu no queixo, em vez da virilha. Buck tinha ido direto para o chão. E lá ficou.
Quando foi a minha vez, minha autoconsciente hesitação desapareceu com os gritos de incentivos do meu grupo e de Don “Mais!” entre cada ataque. Alegre, eu caminhava de volta para Selena com os olhos arregalados e tremendo pela adrenalina. Ela riu e disse:
—Eu sei, certo?
Nós evoluímos para chutes, e cada vez que conseguia um e ouvia o grunhido gratificante de Don, meu medo de que nunca pudesse replicar estes na vida real diminuiu. Vickie, a mulher de cabelos brancos que tinha, sem saber, me dado coragem de permanecer na aula, há duas semanas, perguntou como, mesmo se bater no lugar certo, com bastante força, poderíamos ganhar contra um homem do seu tamanho. Don nos lembrou que não tem que ganhar uma luta que só tinha de fugir.
— A cada segundo, você compra tempo para correr.
Quando Ralph anunciou uma pequena pausa, eu roubei uma olhada em Joseph. Sobre as cabeças de duas meninas, uma das quais estava falando com ele, seus olhos estavam em mim, o seu gélido cinza-azulado quase incolor do outro lado da sala iluminada. Após a atividade física da manhã, a minha resposta foi avassaladora. Minha respiração estava superficial e rápida, nenhum de nós se afastou até que Selena enganchou seu braço no meu e puxou.
— Vamos lá, garota apaixonada. — Ela murmurou, inaudível para ninguém além de mim.
Eu corei enquanto a deixava me levar para o corredor, em direção ao vestiário. Inclinando-se sobre a pia, joguei água no meu rosto e olhei para o espelho, perguntando o que Joseph viu quando ele olhou para mim. O que Kennedy viu. O que Buck viu.
— Você está perdidamente apaixonada, não tá? — Selena me entregou uma toalha de papel e franziu os lábios, inclinando a cabeça, quando ela examinou meu rosto no espelho, também. Seus olhos escuros encontraram os meus. — Eu deveria ter sabido que ligar você à terapia não iria funcionar. Se isso faz você se sentir melhor, ele não parece menos tenso do que você está.
Revirei os olhos, batendo a água do meu rosto.
— Acredite ou não, isso não me faz sentir melhor. — Ela arqueou uma sobrancelha, o olhar dela se moveu para o seu próprio reflexo quando ela alisou uma imperfeição imaginária sobre o lábio e ajustou seu selvagem rabo de cavalo.
— Mmm-hmm.

***

— Estamos prontos para aprender os últimos movimentos durante a próxima hora ou então, defesa contra apertos e sufocamentos. Na próxima semana, vamos integrar tudo o que aprenderam em potenciais cenários. — Batendo palmas, Ralph acrescentou: — Dividam-se e vamos começar. — Após os 12 de nós automaticamente se separar em nossos grupos anteriores, Ralph abordou os homens, que estavam parcialmente acolchoadas, incluindo-se capacete. — Don, Joseph, vamos ter que mudar vocês dois para esta parte. Misturar um pouco as táticas agressoras.
Oh, Deus! Tanto para evitar um ao outro.
Embora eu soubesse que não havia como evitar isto, meu cérebro procurou por qualquer forma de escapar dos braços de Joseph travados em torno de mim na frente de todos. O primeiro ataque foi chamado de abraço de urso, e Vickie, a intrépida de cabelos brancos, se ofereceu para ajudar a demonstrar em câmera lenta a defesa contra ele.
Eu assisti com Erin e as outras três senhoras no meu grupo, minha respiração irregular e meu coração batendo como se estivesse tentando sair da minha caixa torácica. Ele não tinha sequer me tocado ainda. A necessidade do capacete tornou-se óbvia quando ele explicou o uso de cabeçadas na parte traseira da cabeça da vítima quebrando dentro da boca ou do nariz do atacante. Houve também pisada no peito do pé (todos riram quando Joseph pediu que evitassem realmente pisar em seu pé, que ele ficaria feliz em reagir como se tivéssemos feito isso com força), cotovelada na região do abdômen, e um movimento chamado de cortador de grama por Ralph, quem veio para verificar o nosso progresso. Movendo-se para ficar na frente de Joseph, ele disse:
— Este vai ser outro movimento que nós preferimos não tentar fazer a sério em nossos valentes instrutores. — Ele virou-se e bateu no ombro de Joseph. — Nós não queremos tornar nossos meninos incapazes de paternidade. — Com essa as senhoras riram, Joseph corou ligeiramente e olhou para o chão, com os lábios torcidos em um sorriso desconcertado. — Em um ataque na vida real, se você tem uma mão livre e baixa, você vai chegar para trás e agarrar “os bens”, torcendo e puxando para fora como se você estivesse ligando um cortador de grama.
Ele demonstrou, completando com efeito de som a partida de um cortador de grama, e até mesmo o grupo de Don estava assistindo e rindo. Joseph mordeu o lábio e sacudiu a cabeça. Um por um, as seis de nós fomos ficar na frente dele e de frente para o grupo, esperando por ele para nos pegar para que pudéssemos praticar as técnicas. O cortador de grama foi o favorito das mulheres mais velhas, e todos eles usados juntamente com o efeito de som. Com os olhos brilhando, Selena usou cada única defesa que nós acabamos de aprender, um após o outro, cabeçada, pisar no pé, bater na canela, cotovelo no abdômen com um braço e cortador de grama com o motor funcionando. As senhoras em nosso grupo aplaudiram e Joseph disse:
— Bom trabalho! Ele vai ficar no chão implorando para fugir a este ponto.
— Devo chutá-lo primeiro? — Ela perguntou, completamente séria.
— Uh... Se ele não está fazendo um movimento em direção a você, então corra. Você não quer que ele pegue o seu pé e puxe-o para baixo.
Selena assentiu e caminhou de volta para mim, apertando minha mão quando ela chegou ao meu lado.
Ele olhou em meus olhos quando me aproximei. Eu olhei para trás, dando as costas para ele quando o alcancei, tentando me concentrar no que eu deveria fazer a seguir. De repente, seus braços estavam em volta de mim, como faixas, mas mais suave do que qualquer agressor jamais seria. Seus braços musculosos eram sólidos e inflexíveis. Incomodada, esqueci todas as defesas que eu acabei de aprender e lutei ineficazmente contra a sua força.
— Me bata, Demetria! — Ele disse no meu ouvido. — Cotovelo. — Eu dei uma cotovelada em seu abdômen coberto com a almofada e ele grunhiu. — Ótimo! Pise no pé. — Eu agi, com cuidado. — Mais forte. — O topo da minha cabeça mal chegou a seu queixo acolchoado, mas eu bati nele. — Cortador de grama.  
Sua voz era suave, ofegante, e eu não poderia, mesmo recorrendo a cada pedaço de imaginação que eu possuía, visualizar tocá-lo lá para prejudicá-lo. Eu fiz o movimento, sem o efeito de som, corando completamente, e ele soltou. Tropeçando em direção a Selena, eu teria me sentido tola, mas pelo fato de que toda mulher na sala estava fazendo exatamente o que eu tinha acabado de fazer. Exceto que não era com um cara cujo toque fazia suas entranhas ir para quente e líquido. Não com um cara que as fazia querer voltar e ser envolvida naqueles braços.
O meu grupo sorriu e afagou meus ombros e elogiou-me como se eu não tivesse completamente congelada no começo. O abraço de urso de frente era pior, mas a forma como os olhos de Joseph dilataram um pouco quando eu olhei para ele, meu peito pressionado contra o seu. Como Selena disse, ele também estava afetado, um conhecimento que me fez sentir tanto melhor e pior. O estrangulamento era mais fácil, e eu o fiz sem suas sugestões verbais. E então a aula acabou, com Ralph incentivando-nos a praticar cuidadosamente ao longo da semana que vem.
— Na próxima semana os caras vão estar equipados de corpo inteiro, e você vai poder espancar a luz do dia fora deles, sem barreiras. — Selena e Vickie bateram as mãos juntas, e Ralph sorriu para as duas, esfregando as palmas das mãos. — Sanguinário e impiedoso. Exatamente o que eu quero ver.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobre a Maratona

Pretendo fazer a Maratona amanhã (quinta-feira). Não sei quantos capítulos, verei isso na hora. Talvez 5... hahaha

See y'all later. xo

domingo, 8 de setembro de 2013

Easy - Capítulo 15

Quando eu parei para abastecer na metade do caminho para o campus, enviei um SMS para Kennedy dizendo-lhe que eu decidi voltar mais cedo. Meu telefone tocou antes mesmo de eu sair para a interestadual. Kennedy. Eu respirei fundo e desliguei o rádio antes de atender.
— Você já saiu? Eu pensei que você fosse embora amanhã. Eu pensei que nós íamos conversar esta noite.
Eu suspirei, querendo bater a cabeça no volante, o que não era a melhor ideia dirigindo a mais de 100 km/h.
— Eu não entendo do que é que você quer falar, Kennedy. — Eu me perguntei se ele tinha sido cego para quantas vezes eu estava pronta e disposta a falar, e as inúmeras de chances que ele descuidadamente ignorou.
— Eu acho que eu cometi um erro, Demi. — Interpretando errado o meu silêncio atordoado, ele acrescentou: — Eu quero dizer Demetria. Desculpe, acho que vai levar um tempo...
— O que você quer dizer com cometeu um erro?
— Nós. Terminarmos.
Fiquei em silêncio de novo, as palavras grudando em mim enquanto eu tentava entendê-las, engolindo-as em seco. Eu tinha evitado as fofocas do campus, tanto quanto possível, mas eu ouvi e vi o suficiente para saber que Kennedy não tinha sido nenhum santo nas semanas que passamos separados. Ele também não tinha falta de candidatas dispostas. Mas garotas dispostas a partilhar a sua cama não são iguais às garotas dispostas a suportarem o seu instável humor de merda, ouvirem seus exaustivos pareceres jurídicos, ou apoiarem os objetivos da sua vida, da maneira que alguém que ama você faria. Não, esse tinha sido o meu papel. E eu tinha sido demitida dele.
— Por quê?
Ele suspirou e eu imaginei o que eu sabia que ele estava fazendo, olhando para o teto, penteando o cabelo da testa e deixando a mão lá, cotovelo dobrado. Ele não conseguia esconder seus maneirismos habituais de mim, mesmo ao telefone.
— Por que eu cometi um erro, ou por que eu acho que foi um erro? — Eu sabia, também, que responder a uma pergunta com outra pergunta era a sua maneira de ganhar tempo enquanto ele considerava sua saída de uma situação problemática. — Essa conversa teria sido mais fácil pessoalmente...
— Nós estávamos juntos há quase três anos e você terminou comigo, mesmo sem... Não havia... — Eu estava esbravejando. Eu parei e respirei fundo. — Talvez não tenha sido um erro.
— Como você pode dizer isso? — Ele se atreveu a soar magoado.
— Oh, eu não sei! — Retruquei. — Talvez da mesma forma que você terminou tão facilmente em primeiro lugar.
— Demi...
Meus dentes rangeram.
—Não. Me. Chame. Assim!
Ele ficou em silêncio, e tudo o que eu ouvia era o ruído da estrada enquanto a minha caminhonete comia os quilômetros de nada entre a última cidade e a próxima. A maioria dos campos de ambos os lados da estrada estavam inativos, dada à época do ano, mas uma enorme colheitadeira verde estava fazendo o seu caminho através de um campo de algodão, e eu olhava para ela. Não importa o que aconteceu a qualquer indivíduo, a vida estava acontecendo em outros lugares. Na primeira vez que Kennedy me beijou, era lógico que ao mesmo tempo, outras pessoas estavam se separando. E na noite que Kennedy partiu meu coração, em algum lugar, talvez lá mesmo no meu dormitório, outras pessoas estavam se apaixonando.
— Demetria. Eu não sei o que você quer que eu diga.
Em questão de segundos, eu tinha passado por uma cidade que ostentava um Shopping Center de tamanho considerável e pouco mais. Cada quilômetro me levava mais longe de Kennedy. Mais perto de Joseph. Eu estava inquieta com a noção de que Joseph era alguém para quem voltar, antes de perceber que ele havia sido aquela zona de segurança para mim desde o momento que nos conhecemos.
— Nada! — Eu respondi. — Eu não quero que você diga nada!
Meu ex tinha o bom senso de saber quando ele chegava a um impasse. Ele me agradeceu por ter vindo na quinta-feira e disse que ele entraria em contato assim que ele voltasse para o campus, o que eu não correspondi.

***

Demetria,
Parece que ele quer você de volta, ou pelo menos, ele quer algo mais do que amizade. A questão é, o que você quer?
Minha família é só meu pai e eu. Tivemos velhos amigos conosco no Dia de Ação de Graças, então ele estava mais conversador do que teria sido sem isso. Quando somos apenas nós dois naquela casa, temos a tendência de ficarmos horas sem falar. Se você não contar o tipo de coisas como “com licença” e “passe o sal”, o silêncio pode abranger dias inteiros.
Meu pai é dono de um barco de pesca de aluguel. Não há muito acontecendo nesta época do ano na baía, apesar dele organizar viagens de pesca de alto mar ou passeios para a observação de aves nativas durante o inverno. Ele tinha agendado um para hoje, então nos despedimos às 05h00min, e aqui estou eu, de volta à minha casa logo após o meio-dia.
JM

Joseph estava a dez minutos de mim. Eu lutei contra o desejo de enviar um SMS e dizer a ele que eu estava de volta, também. Eu sabia que não iria ganhar esta batalha por muito tempo.
Eu desfiz as malas e lavei minha roupa. As máquinas em nosso andar eram de fácil acesso, apesar de haver tão poucos de nós de volta, mas isso não seria o caso amanhã, quando todos voltariam. Eu estava escolhendo a lavanderia que não exigisse que fosse para cima ou para baixo. Evitar completamente as escadas tornou-se uma das minhas manias. Eu não ia por ela absolutamente, mesmo em um grupo. Meu subterfúgio funcionou com todos menos com Selena, que me olhou de perto na segunda vez que usei: “eu esqueci alguma coisa no meu quarto, eu te encontro lá embaixo”.
Uma noite, ela me perguntou abertamente: “Você está com medo de ir pela escada, não é?”.
Eu estava pintando minhas unhas dos pés de vermelho sangue, e eu olhava para o pequeno pincel e tentava manter minha mão firme. Comece na cutícula, espalhe para cima. Comece na cutícula, espalhe para cima. “Você não está?”
“Sim”, ela respondeu.
Nas outras vezes, era Selena dizendo: “Oh merda, eu deixei minha bolsa no meu quarto. D, vem comigo pegar, sim?” Virando-se para os outros, ela disse: “Hey, vamos encontrar todos vocês lá embaixo em 5 minutos.”

Eu: Eu estou de volta.
Joseph: Eu pensei que você não ia voltar até amanhã.
Eu: Eu mudei de ideia.
Joseph: Então, percebi. Livre esta noite?
Eu: Sim.
Joseph: Jantar?
Eu: Sim.
Joseph: Eu vou te buscar às 7.

— Eu nunca tive um cara cozinhando para mim antes.
Ele sorriu do outro lado do balcão, cortando vegetais crus e chuviscando algo sobre eles que ele havia misturado.
— Ótimo! Isso deve efetivamente reduzir suas expectativas. — Ele colocou os ingredientes num pedaço de papel alumínio, enrolou-os, e colocou-os no forno com o resto do jantar.
Eu inalei pelo nariz.
— Mmm, não, isso cheira bem. E parece que você sabe o que está fazendo aí atrás. Eu tenho medo que minhas expectativas estejam de forma estranhamente alta.
Ele regulou um timer, lavou e secou as mãos, e deu a volta no balcão, tomando minha mão e me levando para o sofá.
— Temos 15 minutos. — Sentamos lado a lado, e ele examinou minha mão, as pontas de seus dedos frios enquanto ele traçou as unhas curtas que não interferiam com a prática do baixo, seu polegar acariciando a palma da minha mão. Girando-a suavemente, o dedo indicador traçou para cima e para baixo, dentro dos vales sensíveis entre meus dedos. Ele desenhou uma espiral na palma da minha mão, movendo-se lentamente para o centro, e eu estava hipnotizada, observando e sentindo-o me tocar tão suavemente.
Seus dedos deslizaram entre os meus, palma com palma, e ele estendeu a mão para me puxar para o seu colo, seus lábios na base da minha garganta. Quando o cronômetro soou minutos mais tarde, eu estava além de ser capaz de ouvi-lo.
A refeição que ele preparou estava fechada em pacotes de alumínio individuais, legumes, batatas assadas e pargo que ele pescou dois dias atrás.
Francis miou como um alarme de incêndio até ter sua própria porção do último.
— Então, eu acho que você está acostumado a cozinhar para um? — Eu perguntei quando nos movemos para a pequena mesa encostada contra a única parede vazia.
Ele acenou com a cabeça.
— Durante os últimos três anos. Antes disso, cozinhava para dois.
— Você cozinhava? Não a sua mãe ou seu pai?
Ele limpou a garganta, brincando com sua batata com o garfo.
— Minha mãe morreu quando eu tinha 13. Antes disso, sim, ela cozinhava. Depois... Bem, era aprender a cozinhar ou viver de torradas e peixe, o que eu suspeito que meu pai faça quando eu não estou em casa, apesar de eu tentar levá-lo para comprar frutas ou algo verde ocasionalmente.
Oh. Sua história se alinhava com a de Jace, viver com seu pai, sem irmãos, e ele deve estar consciente disso. Ele também era um menino que tinha perdido sua mãe, e eu estava muito consciente de que não era hora de criticá-lo pela duplicidade.
— Eu sinto muito.
Ele acenou com a cabeça uma vez, mas não ofereceu mais nada.
Depois que comemos, ele deixou o gato sair, voltou para a mesa e pegou a minha mão e me levou para seu quarto. Nós nos deitamos de lado no centro de sua cama, de frente um para o outro, sem dizer nada. Seu toque era quase insuportavelmente leve, sussurrando sobre meu queixo, arrastando para o lado do meu pescoço antes de liberar os botões da camisa branca que eu tinha escolhido, um por um. Deslizando-a do meu ombro, ele tocou os lábios na pele nua, e eu fechei os olhos e suspirei. Minhas mãos se empurraram sob sua camisa até que ele se sentou, puxou-a sobre a cabeça, e com um movimento a arremessou, deitando em cima de mim e me beijando.
Sua boca era exigente, seus lábios separando os meus, sua língua dirigindo-se para minha boca. Eu pensei ter sentido um tremor se movimentar por ele quando minha mão agarrou o lugar no seu lado onde as palavras estavam inscritas. Ele me rolou por cima dele e empurrou a camisa do meu ombro oposto, deixou lá, meio removido, enquanto ele mudava a sua atenção para a pele nua acima do sutiã cor da pele, meu corpo todo tenso em direção ao seu como uma carga estática que me atraía para ele.
Sem causa ou explicação, ele parou na linha que eu tinha desenhado na semana passada. As palavras estavam limitadas a “nossa” e “Deus” e “oh”. E então nada além de sussurros e gemidos e sons ininteligíveis que só poderiam ser interpretados como sim, sim, sim.
— Eu deveria levar você de volta.— Sua voz era rouca. Nós não tínhamos falado em pelo menos uma hora. O relógio em sua mesa mostrava que o tempo tinha se arrastado até perto de meia-noite.
Ele me entregou o sutiã descartado e puxou sua camisa sobre a cabeça. Quando eu fiquei de pé, ele segurou minha camisa enquanto eu deslizei meus braços nas mangas, e então ele me virou, abotoando os botões e inclinando-se para me beijar quando terminou, as mãos emoldurando meu rosto.
Em pé perto de sua moto, eu estava puxando minhas luvas quando a porta de trás da casa do outro lado do quintal se abriu e um homem surgiu, segurando um saco de lixo cheio da cozinha. Ele abriu o tambor de lixo com rodas e o jogou dentro, quando ele se virou para ir para dentro, notei que Joseph estava imóvel, congelado, olhando para ele. Como se sentisse os olhos sobre ele, o homem se virou sob a lâmpada da porta de trás. Ele era o Dr. Heller.
— Jace? — Ele disse, e nenhum de nós se moveu ou respondeu. — Demetria? — Acrescentou ele, confuso. De uma só vez, ele pareceu registrar que horas eram, e o fato de que nós dois tínhamos saído do apartamento de seu inquilino. Não poderia haver a desculpa da tutoria, visto que não era apropriado nos encontrarmos no apartamento para a tutoria, não importa a hora do dia. Ninguém falou por um longo momento, e depois os ombros do Dr. Heller cederam. Ele suspirou antes de alfinetar Joseph com uma expressão resoluta. — Eu preciso que você me encontre na cozinha quando você voltar. Não mais do que 30 minutos, por favor.
As mãos de Joseph estavam apertadas em torno do capacete. Ele deu um aceno firme ao Dr. Heller antes de colocá-lo. Quando ele se virou para certificar de que eu tinha amarrado o meu corretamente, nossos olhos se encontraram uma vez, mas ele não falou nada e eu também não. Durante o passeio de dez minutos de volta, nenhuma explicação aconteceu. Sem palavras mágicas, nenhuma isenção para suas mentiras. Eu não conseguia pensar em nada para dizer ou fazer além de esperar que ele me dissesse o porquê.
Nós chegamos e eu desci de trás dele, removendo atrapalhadamente o capacete e o laço do cabelo com os dedos enluvados. Ainda montado na moto, ele tirou o capacete também, e os colocou longe como se ele não tivesse planos de colocar o seu de volta. Quando eu o enfrentei, ele estava olhando para as mãos, apertado no guidão largo.
— Você já sabia, não é? — Sua voz era baixa, mas eu não poderia dizer seu estado de espírito.
— Sim.
Ele olhou para mim, franzindo a testa e buscando meus olhos.
— Por que você não disse nada?
— Por que você não disse? — Eu devolvi. Eu não queria responder perguntas. Eu queria que minhas perguntas fossem respondidas, e eu estava irritada porque ele ia me fazer perguntá-las. — Então, o seu nome é Jace? Mas Ralph chama você de Joseph. E aquela garota, as outras pessoas te chamam de Joseph. Então qual é?
Seu olhar voltou-se para suas mãos por um momento, e minha raiva se expandiu como um balão inflável sob minhas costelas. Ele parecia estar decidindo o que me dizer e o que me esconder. A Harley roncou baixinho, pronta para decolar com um foguete para longe em um segundo.
— Os dois. Jace é meu primeiro nome, Joseph o do meio. Eu uso Joseph... agora. Mas Charles, Dr. Heller, me conhece há muito tempo. Ele ainda me chama de Jace. — Seus olhos se balançaram até os meus. — Você sabe, eu acho, como é difícil conseguir que algumas pessoas parem de lhe chamar do que elas sempre chamaram.
Muito lógico. Tudo isso. Exceto a parte em que ele fingiu ser dois caras diferentes comigo.
— Você poderia ter me dito. Você não fez. Você mentiu para mim!
Ele desligou a moto e passou a perna por cima dela, ficando de frente para mim e segurando meus ombros.
— Eu nunca menti para você. Você fez suposições, baseadas no que Ch..., o Dr. Heller me chamou. Procure em nossos e-mails. Eu nunca chamei a mim mesmo de Jace.
Eu soltei meus ombros de suas mãos.
— Mas você me deixou chamá-lo de Jace.
Suas mãos caíram, mas ele olhou para mim, me impedindo de me mover.
— Você está certa, isso foi culpa minha. E eu sinto muito! Eu queria você, e isso não poderia acontecer como Jace. Qualquer coisa entre nós é contra as regras, e eu as quebrei.
Eu engoli em seco, combatendo a sensação de sufocamento. Eu ouvi o que ele não tinha dito, ainda. Ele estava me dizendo que tinha acabado, simples assim. A terrível realidade de abandono que Kennedy tinha começado semanas atrás voltou correndo como se uma represa houvesse rompido, e sem aviso prévio eu estava me afogando nela. Meus pais tinham me abandonado, Kennedy tinha me abandonado, meus amigos, com exceção de Selena e Maggie, tinham me abandonado. E agora Joseph, e Jace.
Duas relações diferentes, as quais tinham se tornado significativas.
— Então, está tudo acabado!
Ele me encarou, e eu não poderia ter sentido mais se seus dedos percorressem meu rosto.
— Sua nota pode estar em jogo de outra forma. Eu assumo a responsabilidade por isso, esta noite, quando eu voltar, o Dr. Heller não vai responsabilizá-la.
— Então, está tudo acabado! — Repeti.
— Sim! — Ele disse.
Virei-me e entrei no prédio, e não ouvi o motor da Harley ganhando vida até que meu pé estava no começo da escada.

  ~*~

Ainda estou sem tempo, que saco.
Mas essa semana, farei mais do que o possível pra fazer uma maratona.
Muito, muito obrigada pelos comentários, amores!! <33
E me desculpem pela demora ^^