terça-feira, 4 de junho de 2013

Capítulo 7 – Dezenove

— Demi? — disse Nicholas, batendo na porta. — A Sel vai fazer umas coisas na rua, e ela pediu pra eu te falar, caso você precise sair também.
Joseph não tinha tirado os olhos dos meus.
— Flor?
— Ah, sim — respondi ao Nicholas. — Tenho umas coisas pra resolver.
— Tudo bem, então ela te espera — ele disse, e seus passos foram sumindo no corredor.
— Flor?
Peguei algumas coisas no armário e passei por Joseph.
— Podemos conversar sobre isso depois? Tenho muita coisa para fazer hoje — respondi.
— Claro — ele disse, com um sorriso forçado.
Foi um alívio fugir até o banheiro. Entrei e fechei rapidamente a porta. Ainda me restavam duas semanas ali no apartamento, e não tinha como adiar aquela conversa — pelo menos, não durante tanto tempo assim. A parte lógica do meu cérebro insistia que Parker fazia meu tipo: atraente, inteligente e interessado em mim. Eu não conseguia entender por que me importava tanto com Joseph.
Qualquer que fosse o motivo, isso estava nos levando à loucura. Eu me sentia dividida em duas: a pessoa dócil e educada que eu era com Parker, e a pessoa confusa, irritada e frustrada em que me transformava quando estava perto de Joseph. E a faculdade inteira tinha visto Joseph passar de imprevisível para quase volátil.
Eu me vesti com rapidez, deixando os meninos para ir até o centro da cidade com Selena, ela me contou, entre risadinhas, sua aventura sexual com Nicholas de manhã, e escutei assentindo quando achava que devia. Estava difícil me concentrar no assunto com os diamantes da minha pulseira criando pequenos pontos de luz no teto do carro, fazendo com que eu me lembrasse da escolha diante da qual eu de repente me encontrava. Joseph queria uma resposta, e eu não a tinha.
— Tudo bem, Demi. O que está acontecendo? Você anda quieta.
— Esse lance com o Joseph... é uma confusão.
— Por quê? — ela me perguntou, e seus óculos de sol se elevaram um pouco quando ela torceu o nariz.
— Ele me perguntou o que estamos fazendo.
— E o que vocês estão fazendo? Você está com o Parker ou não?
— Eu gosto dele, mas faz só uma semana. Não estamos namorando sério ou algo do tipo.
— Você sente algo pelo Joseph, não é?
Balancei a cabeça em negativa.
— Eu não sei como me sinto em relação a ele. É só que não vejo isso acontecendo, Sel. Ele não é coisa boa.
— Nenhum de vocês assume o que sente, esse é o problema. Vocês têm tanto medo do que pode acontecer que estão lutando contra isso com unhas e dentes. Tenho certeza que, se você olhasse nos olhos de Joseph e dissesse que o quer, ele nunca mais olharia para outra mulher.
— Você tem certeza disso?
— Sim. Tenho informações privilegiadas, lembra?
Parei de falar por um instante. Joseph vinha conversando com o primo sobre mim, mas Nicholas não encorajaria nosso relacionamento contando coisas para Selena. Ele sabia que ela me contaria, o que me levava à uma conclusão possível: Selena tinha ouvido os dois conversarem. Eu queria perguntar o que eles tinham dito, mas achei melhor não fazer isso.
— Mais cedo ou mais tarde haverá um coração partido nessa história — falei, balançando a cabeça. — Não acho que ele seja capaz de ser fiel.
— Ele não era capaz de ser amigo de uma mulher também, vocês dois chocaram a Eastern inteira com a amizade de vocês.
Passei o dedo na pulseira e suspirei.
— Eu não sei. Não me incomodo com a forma como as coisas estão agora. Podemos ser apenas amigos.
Selena balançou a cabeça.
— Só que vocês não são apenas amigos — ela suspirou. — Quer saber de uma coisa? Estou cheia dessa conversa. Vamos arrumar o cabelo e fazer maquiagem. Vou comprar uma roupa nova para você usar no seu aniversario.
— Acho que é exatamente disso que eu preciso — falei.
Depois de horas de manicure, pedicure, escova, depilação e maquiagem, coloquei meus brilhantes sapatos de salto alto amarelos e meu novo vestido cinza.
— Agora sim! Essa é a Demi que eu conheço e adoro! — Selena disse, rindo e balançando a cabeça em aprovação para o meu visual. — Você tem que usar essa roupa na festa amanhã.
— Não era esse o plano? — falei, com um sorriso convencido.
Meu celular tocou na bolsa e o levei ao ouvido.
—Alô?
— Está na hora do jantar! Para onde vocês duas fugiram? — disse Joseph.
— Nos demos ao luxo de ser mimadas hoje. Você e o Nick sabiam comer antes de aparecermos. Tenho certeza que ainda conseguem.
— Não brinca! A gente se preocupa com vocês, sabia?
Olhei para Selena e sorri.
— Estamos bem.
— Diga a ele que eu devolvo você em breve. Tenho que parar na casa do Brazil para pegar umas anotações para o Nick, e depois vamos pra casa.
— Ouviu? — perguntei a ele.
— Ouvi. A gente se vê depois então, Flor.
Fomos em silêncio até onde Brazil morava. Selena desligou o motor do carro e ficou encarando o prédio à nossa frente. O fato de Nicholas pedir que ela passasse por ali me surpreendeu — estávamos a uma quadra do apartamento deles.
— Qual é o problema, Sel?
— O Brazil me dá arrepios. Da última vez que vim aqui com o Nick, ele ficou dando em cima de mim.
— Bom, eu entro com você. Se ele ousar sequer piscar para você, enfio meu salto no olho dele, tá?
Ela sorriu e me abraçou.
— Obrigada, Demi!
Fomos andando até os fundos do prédio, e Selena respirou fundo antes de bater à porta. Ficamos esperando, mas ninguém apareceu.
— Acho que ele não está — comentei.
— Está sim — ela disse, irritada. Bateu na madeira com a lateral do punho cerrado e então a porta se abriu com tudo.
— FELIZ ANIVERSÁRIO! — a galera reunida ali dentro gritou.
O teto estava cheio de bexigas pretas e cor-de-rosa, com longos fios prateados pendendo sobre a cabeça dos convidados. O pessoal dispersou e Joseph veio andando na minha direção com um sorriso, segurando meu rosto e me beijando na testa.
— Feliz aniversário, Beija-Flor.
— Mas é só amanhã! — falei.
Ainda em estado de choque, tentei sorrir para todo mundo que nos cercava.
Joseph deu de ombros.
—Bom, já que te avisaram sobre a festa, tivemos que fazer umas alterações de última hora para surpreender você. Surpresa?
— Muito! — falei, enquanto Finch me abraçava.
— Feliz aniversário, querida! — disse Finch, beijando meus lábios.
Selena me cutucou com o cotovelo.
— Ainda bem que eu consegui te arrastar comigo hoje, senão você estaria com cara de bunda!
— Você está linda — disse Joseph, analisando meu vestido.
Brazil me abraçou, pressionando o rosto contra o meu.
— Espero que você saiba que esse papo da Selena de que “o Brazil me dá arrepios” foi só para fazer você entrar aqui.
Olhei para Selena, que deu risada.
— Funcionou, não é?
Assim que todo mundo me abraçou e me desejou feliz aniversário, me inclinei para falar ao ouvido de Selena:
— Cadê o Parker?
— Ele vai vir mais tarde — ela respondeu num sussurro. — O Nicholas só conseguiu falar com ele sobre a mudança de planos hoje à tarde.
Brazil aumentou o volume do aparelho de som, e todo mundo vibrou.
— Vem cá, Demi! — ele disse, indo até a cozinha. Então alinhou diversos copinhos no balcão e pegou a tequila do bar. — Feliz aniversário do time de futebol, garotinha — ele sorriu, enchendo cada copo até a borda com tequila Patrón. — É assim que comemoramos aniversários: você faz dezenove anos e vira dezenove doses de tequila. Você pode beber ou dar pra alguém, mas, quanto mais beber, mais dessas aqui você ganha — disse ele, mostrando várias notas de vinte dólares em leque.
— Ai, meu Deus! — gritei.
— Bebe tudo, Flor! — disse Joseph.
Olhei em dúvida para Brazil.
— Ganho uma nota de vinte para cada dose de tequila que beber?
— Isso mesmo, peso leve. Calculando pelo seu tamanho, acho que vamos perder só umas sessenta pratas até o fim da noite.
— Refaça as contas, Brazil — falei, pegando o primeiro dos copinhos. Coloquei-o nos lábios, inclinei a cabeça para trás para esvaziá-lo e o joguei na outra mão.
— Caramba! — exclamou Joseph.
— Isso é um desperdício, Brazil — falei, limpando os cantos da boca. — A gente vira Jose Cuervo, não Patrón.
O sorriso convencido sumiu de seu rosto, e ele balançou a cabeça e deu de ombros.
— Vai fundo então. Tenho a carteira de doze jogadores de futebol aqui que dizem que você não consegue virar dez doses.
Estreitei os olhos e falei:
— O dobro ou nada, e eu consigo beber quinze.
— Uau! — gritou Nicholas. — Só não pode ir pro hospital no dia do seu aniversário, Demi!
— Ela consegue — disse Selena, com o olhar fixo em Brazil.
— Quarenta pratas por copo virado? — disse Brazil, sem parecer muito seguro.
— Está com medo? — perguntei.
— É claro que não! Eu te dou vinte por copo e, quando você chegar em quinze, duplico o total.
— É assim que se comemoram aniversários no Kansas — falei, virando outra dose.
Uma hora e três copos de tequila depois, eu estava na sala de estar dançando com Joseph. A música era uma balada de rock e ele ficou falando a letra para mim, só mexendo os lábios, enquanto dançávamos. Ele me abraçou e me curvou até o chão no fim do primeiro refrão, e deixei os braços caírem para trás. Ele me levantou de novo e soltei um suspiro.
— Você não vai poder fazer isso quando eu estiver no décimo copo — falei, dando uma risadinha.
— Já falei que você está incrível?
Fiz que não e o abracei, repousando a cabeça em seu ombro. Ele me apertou, enterrando o rosto no meu pescoço e fazendo com que eu esquecesse decisões, pulseiras ou personalidades divididas. Eu estava exatamente onde queria estar.
Quando o ritmo da música deu lugar a uma batida mais rápida, a porta se abriu.
— Parker! — chamei, correndo para ir abraçá-lo. —Você veio!
— Desculpa pelo atraso, Dems — disse ele, me dando um selinho.
— Obrigada — falei, vendo de canto de olho que Joseph nos encarava.
Parker ergueu meu pulso.
—Você está usando a pulseira.
— Eu falei que ia usar. Quer dançar?
Ele balançou a cabeça em negativa.
— Hum... eu não danço.
— Ah. Então quer me ver virando a sexta dose de tequila? — falei sorri, erguendo minhas cinco notas de vinte. — Ganho o dobro se conseguir chegar a quinze.
— Isso é meio perigoso, não é?
Eu me inclinei para falar ao ouvido dele.
— Estou enrolando eles. Eu brincava disso com o meu pai desde os dezesseis anos.
— Ah — ele disse franzindo a testa em desaprovação. — Você bebia tequila com o seu pai?
Dei de ombros.
— Era o jeito dele de se aproximar de mim.
Parker não parecia impressionado quando seu olhar desviou do meu para analisar a galera ali reunida.
— Não posso ficar muito tempo. Vou acordar cedo para viajar com o teu pai. Vamos caçar.
— Que bom que a minha festa foi hoje então. Se fosse amanhã, você não teria conseguido vir — falei, surpresa ao tomar conhecimento de seus planos.
Ele sorriu e me pegou pela mão.
—Eu teria conseguido voltar a tempo.
Eu o puxei até a cozinha, peguei outro copo de tequila e o virei, baixando-o no balcão com a boca virada para baixo, como tinha feito com os cinco anteriores. Brazil me entregou mais uma nota de vinte, e fui dançando até a sala. Joseph me puxou e dançamos com Selena e Nicholas.
Nicholas me deu um tapa no bumbum.
Selena deu um segundo, depois todos que estavam na festa fizeram o mesmo, menos Parker.
No número dezenove, Joseph esfregou as mãos.
— Minha vez!
Esfreguei o bumbum dolorido.
— Pega leve! Já estou com dor na bunda!
Com um sorriso maldoso, ele levou a mão bem acima do ombro. Fechei os olhos com força. Depois de uns instantes, dei uma espiada. Antes de sua mão encostar no meu bumbum, ele parou e me deu um tapinha de leve.
— Dezenove! — exclamou.
Os convidados gritaram animados, e Selena começou a cantar uma versão alcoolizada de “Parabéns a você”. Ri quando chegou à parte de dizerem o meu nome, e a sala inteira falou “Beija-Flor”.
Outra música lenta começou a tocar, e Parker me puxou para a pista de dança. Não levei muito tempo para descobrir por que ele não dançava.
— Desculpa — ele disse, depois de pisar no meu pé pela terceira vez.
Encostei a cabeça no ombro dele.
— Você está indo bem — menti.
Ele beijou minha testa.
— O que você vai fazer na segunda-feira à noite?
— Jantar com você?
— Sim. No meu novo apartamento.
— Você arrumou um apartamento!
Ele riu e assentiu.
— Sim, mas vamos pedir comida. A minha não é exatamente comestível.
— Eu comeria mesmo assim — falei, sorrindo para ele.
Parker olhou de relance ao redor da sala e me levou até um corredor. Gentilmente me pressionou contra a parede, beijando-me com os lábios macios. Suas mãos passavam por todas as partes do meu corpo. No começo fiz o jogo dele, mas, depois que sua língua penetrou minha boa tive a nítida sensação de que estava fazendo algo errado.
— Ok, Parker — falei, fazendo uma manobra para me afastar.
— Está tudo bem?
— Eu só acho grosseiro da minha parte ficar de amasso num escuro quando tenho convidados lá fora.
Ele sorriu e me beijou de novo.
— Você está certa, desculpa. Eu só queria te dar um beijo inesquecível de aniversário antes de ir embora.
— Você já vai?
Ele pôs a mão no meu rosto.
—Tenho que acordar daqui a quatro horas, Dems.
Pressionei os lábios.
— Tudo bem. Vejo você na segunda?
— Amanhã. Passo na sua casa quando voltar de viagem.
Ele me levou até a porta e me deu um beijo no rosto antes de ir embora. Notei que Nicholas, Selena e Joseph me encaravam.
— O papai foi embora! — Joseph gritou quando a porta se fechou. — Hora de começar a festa!
O pessoal vibrou animado, e Joseph me puxou para o centro da pista.
— Espera aí. Tenho um cronograma a seguir — falei, conduzindo-o pela mão até o balcão.
Virei mais uma dose de tequila e dei risada quando Joseph pegou uma da ponta, virando-a também. Peguei outra e a engoli, e ele fez o mesmo.
— Mais sete, Demi — disse Brazil, entregando-me mais duas notas de vinte dólares.
Limpei a boca enquanto Joseph me puxava para a sala de novo. Dancei com Selena, depois com Nicholas, mas, quando Chris Jenks, do time de futebol americano, tentou dançar comigo, Joseph o puxou pela camisa e fez que não com a cabeça. Chris deu de ombros e se virou, dançando com a primeira garota que viu pela frente.
A décima dose de tequila desceu com dificuldade, e me senti meio zonza em pé no sofá do Brazil com Selena, dançando como colegiais desajeitadas. Nós ríamos de nada, balançando os braços com a batida da música.
Cambaleei, quase caindo do sofá, mas as mãos de Joseph instantaneamente me seguraram para que eu me equilibrasse.
— Você já provou seu argumento — ele disse. — Já bebeu mais do que qualquer garota que conhecemos. Vou cortar seu barato agora.
— Nem ferrando que você vai me impedir! — falei enrolado. — Tenho seiscentos paus esperando por mim no fundo do último copo de tequila, não vai ser você quem vai me dizer que não posso fazer algo extremo para descolar uma grana.
— Se você está precisando tanto de dinheiro, Flor...
— Não vou pegar dinheiro seu emprestado — falei em tom de desdém.
— Eu ia sugerir penhorar a pulseira — ele sorriu.
Dei um tapa no braço dele assim que Selena começou a contagem regressiva até a meia-noite. Quando os ponteiros do relógio chegaram ambos ao número doze, todos nós comemoramos.
Eu tinha dezenove anos.
Selena e Nicholas beijaram, cada um, um lado da minha bochecha depois Joseph me levantou, me fazendo girar no ar.
— Feliz aniversário, Beija-Flor — disse ele, com uma expressão suave.
Fiquei encarando seus cálidos olhos castanhos por um instante, sentindo perdida dentro deles. A sala parecia congelada no tempo quanto nos olhávamos, tão próximos que eu podia sentir a respiração dele na minha pele.
— Tequila! — falei, cambaleando até o balcão.
— Você parece detonada, Demi. Acho que está na hora de encerrar a noite. — disse Brazil.
— Não sou de desistir — falei. — Quero ver o meu dinheiro.
Ele colocou mais uma nota de vinte no balcão e gritou para seus colegas de time:
— Ela vai beber todos! Preciso de quinze!
Eles resmungaram e reviraram os olhos, puxando a carteira para formar uma pilha de notas de vinte atrás do último copo de tequila. Joseph tinha esvaziado os outros quatro do outro lado das minhas quinze doses.
— Eu nunca teria acreditado que perderia cinquenta paus em aposta de quinze doses com uma garota — Chris reclamou.
— Acredite, Jenks — falei, pegando um copo em cada mão.
Virei os dois e esperei que a ânsia que me subia à garganta assentasse.
— Beija-Flor? — Joseph me chamou, dando um passo na minha direção.
Ergui um dedo e Brazil sorriu.
— Ela vai perder — ele disse.
— Não vai não — Selena balançou a cabeça. — Respira fundo, Demi.
Fechei os olhos e inspirei, pegando o último copo.
— Minha nossa, Demi! Você vai morrer de coma alcoólico! — gritou Nicholas.
— Ela tem a manha — garantiu Selena.
Inclinei a cabeça para trás e deixei a tequila fluir garganta abaixo. Meus dentes e lábios estavam amortecidos desde a dose número oito, e o efeito do álcool já tinha perdido a contundência fazia tempo. A inteira irrompeu em assobios e gritos enquanto Brazil me entregava a pilha de dinheiro.
— Valeu — eu disse com orgulho, enfiando o dinheiro no sutiã.
— Você está incrivelmente sexy — Joseph disse ao meu ouvido enquanto caminhávamos em direção à sala.
Dançamos até o amanhecer, e a tequila que corria em minhas veias me acalmou até eu me esquecer de tudo.

~*~

Postei tudo porque esse capítulo é pequeno.

Comentem, amores ^^

Answer:

Demetria Devone Lovato: kkkkkkkkkkk tadinho, não o mate. Ele só merece um belo de um tapa em um capítulo aí mais pra frente u.u hahahaha Postei, bjos

domingo, 2 de junho de 2013

Capítulo 6 – Divisor de Águas (Parte 2/2)

— É melhor guardar sua virgindade, Flor. Você sabe que eu gosto de sexo selvagem.
— Cala a boca — falei, desabotoando sua calça jeans e descendo-a por suas pernas.
Joguei-a no chão e fiquei em pé, com as mãos na cintura, respirando com dificuldade. As pernas dele pendiam da ponta da cama, os olhos estavam fechados, e a respiração, profunda e pesada. Ele tinha apagado.
Fui andando até o armário, balançando a cabeça enquanto remexia nas nossas roupas. Abri o zíper do vestido e fui empurrando-o pelo quadril, deixando que caísse nos tornozelos. Chutei-o num canto e desfiz o rabo de cavalo, balançando os cabelos.
O armário estava lotado de roupas dele e minhas, e soltei o ar, soprando os cabelos da frente do rosto enquanto procurava por uma camiseta em meio à bagunça. Quando puxei uma do cabide, Joseph veio com tudo pelas minhas costas, envolvendo minha cintura com os braços.
—Você quase me mata de susto! — reclamei.
Ele percorreu minha pele com as mãos. Elas estavam diferentes, lentas e decididas. Fechei os olhos quando ele me puxou de encontro ao seu corpo, enterrando o rosto nos meus cabelos e roçando o nariz no meu pescoço. Ao sentir sua pele nua encostada na minha, precisei de um tempinho para protestar.
— Joseph...
Ele puxou meus cabelos para o lado e deslizou os lábios de um ombro ao outro, abrindo o fecho do meu sutiã. Beijou a pele desnuda na base do meu pescoço, e fechei os olhos — a maciez de sua boca era boa demais para fazer com que ele parasse. Um gemido baixinho escapou de sua garganta quando ele pressionou sua pélvis contra a minha, e através de sua cueca pude sentir quanto ele me desejava. Prendi a respiração, sabendo que a única coisa que nos impedia de dar o grande passo ao qual eu estava tão relutante alguns instantes antes eram apenas dois finos pedaços de tecido.
Travis me virou para que ficássemos frente a frente e pressionou seu corpo contra o meu, apoiando-me na parede. Nossos olhos se encontraram, e pude ver o desejo em sua expressão enquanto ele examinava detalhadamente as partes nuas do meu corpo. Já o tinha visto analisar mulheres com os olhos antes, mas aquilo era diferente. Ele não queria me conquistar. Queria que eu dissesse “sim”.
Ele se inclinou para me beijar, parando a uns dois centímetros de distância. Eu podia sentir o calor irradiando de sua pele e vindo de encontro aos meus lábios, e tive de me segurar para não puxá-lo para mim. Seus dedos se afundavam em minha pele enquanto ele ponderava, e então suas mãos deslizaram das minhas costas para a borda da minha calcinha. Os dedos indicadores desceram pelos meus quadris, entre a pele e o tecido de renda, e, no momento em que estava prestes a escorregar faixas delicadas da calcinha pelas minhas pernas, ele hesitou. Quando abri a boca para dizer “sim”, ele fechou os olhos.
— Assim não — sussurrou, roçando os lábios nos meus. — Eu quero você, mas não assim.
Ele foi cambaleando para trás até cair de costas na cama, e fiquei parada um instante, com os braços cruzados sobre a barriga. Quando sua respiração ficou regular, enfiei os braços nas mangas da camiseta que ainda tinha nas mãos e a vesti. Joseph não se mexeu, e expirei lentamente sabendo que não seria capaz de refrear nenhum de nós se ele acordasse com intenções menos honradas.
Fui correndo até a cadeira reclinável e ali me joguei, cobrindo o rosto com as mãos. Senti ondas de frustração se debatendo dentro de mim Parker havia ido embora se sentindo afrontado, Joseph esperou até que eu estivesse saindo com alguém — alguém de quem eu realmente gostava — para demonstrar interesse em mim, e eu parecia ser a única garota com quem ele não conseguia fazer sexo, nem mesmo quando estava caindo de bêbado.

***

Na manhã seguinte, coloquei suco de laranja em um copo alto e toma um gole enquanto mexia a cabeça ao som da música em meu iPod. Acordei antes de o sol nascer e fiquei me revirando na cadeira reclinável até as oito. Depois decidi limpar a cozinha para matar o tempo, até que meus colegas de apartamento acordassem. Enchi a lava-louça, varri, passei pano no chão e limpei as prateleiras. Quando a cozinha estava reluzindo, peguei o cesto de roupas limpas e me sentei no sofá, dobrando-as até ter mais de uma dúzia de pilhas de roupas dobradas ao meu redor.
Ouvi murmúrios vindos do quarto de Nicholas. Selena deu uma risadinha e depois tudo ficou quieto por alguns minutos. Seguiram-se ruídos que fizeram com que eu me sentisse um pouco desconfortável sentada ali, sozinha, na sala de estar.
Coloquei as pilhas de roupas dobradas dentro do cesto e levei-o até o quarto de Joseph, sorrindo quando vi que ele não tinha saído da posição em que caíra no sono na noite anterior. Coloquei o cesto no chão e puxei a coberta para cima dele, abafando uma risada quando ele se virou na cama.
— Olha, Beija-Flor — disse ele, murmurando algo inaudível antes sua respiração voltar a ficar lenta e profunda.
Não consegui evitar e fiquei observando-o dormir. Saber que Joseph estava sonhando comigo me fez sentir uma excitação que eu não sabia explicar. Ele parecia ter voltado a um sono silencioso, então decidi tomar banho, na esperança de que o som de alguém se levantando e andando pela casa fizesse com que Nicholas e Selena parassem com os gemidos e as batidas da cama contra a parede. Quando desliguei o chuveiro, percebi que eles não estavam preocupados com quem poderia ouvi-los.
Penteei os cabelos, revirando os olhos ao ouvir os gritinhos agudos de Selena, que lembravam mais um poodle do que uma estrela pornô. A campainha tocou, me enrolei no roupão atoalhado e cruzei correndo a sala de estar. Os ruídos vindos do quarto de Nicholas cessaram de imediato e abri a porta do apartamento, dando de cara com o rosto sorridente de Parker.
— Bom dia — ele disse.
Joguei os cabelos molhados para trás com a ponta dos dedos.
— O que você está fazendo aqui?
— Não gostei da forma como nos despedimos ontem à noite. Saí hoje de manhã para comprar seu presente de aniversário, mas não consegui esperar para entregá-lo. Então... — disse ele, puxando uma caixa reluzente do bolso da jaqueta. — Feliz aniversário, Dems.
Ele colocou a embalagem prateada na minha mão e me inclinei para beijá-lo no rosto.
— Obrigada.
— Abre. Quero ver sua cara quando você abrir.
Deslizei o dedo por baixo da fita adesiva, então tirei o papel de presente e o entreguei a ele, abrindo a caixa. Uma fileira de diamantes reluzentes acomodava-se em uma pulseira de ouro branco.
— Parker... — falei num sussurro.
Ele irradiava felicidade.
— Gostou?
— Gostei — falei, segurando-a na frente do rosto, deslumbrada — mas é demais. Eu não poderia aceitar esse presente nem se estivéssemos saindo há um ano, quanto mais há uma semana.
Parker fez uma careta.
— Eu já esperava que você dissesse isso. Procurei a manhã inteira pelo presente perfeito e, quando vi o bracelete, sabia que só havia um lugar onde ele poderia ficar — disse ele, tirando a pulseira dos meus dedos e prendendo-a em meu pulso. — E eu estava certo. Ficou incrível em você.
Ergui o pulso e balancei a cabeça, hipnotizada com o fulgor de cores que brilhavam à luz do sol.
— É a coisa mais linda que já vi na vida. Ninguém nunca me deu nada tão... — a palavra “caro” me veio à mente, mas não quis dizê-la — sofisticado. Não sei o que dizer.
Parker deu risada e me beijou no rosto.
— Diga que vai usar amanhã.
Abri um sorriso de orelha a orelha.
— Vou usar amanhã — falei, olhando para o meu pulso.
— Fico feliz que você tenha gostado. Valeu a pena ter ido a sete lojas só para ver essa expressão no seu rosto.
Soltei um suspiro.
— Você foi a sete lojas?
Ele assentiu e eu segurei o rosto dele entre as mãos.
— Obrigada. É perfeito — falei, beijando-o rapidamente.
Ele me abraçou apertado.
— Tenho que voltar. Vou almoçar com meus pais. Ligo para você depois, tá?
—Tudo bem. Obrigada! — falei mais uma vez, enquanto ele descia as escadas apressado.
Entrei rápido no apartamento, sem conseguir tirar os olhos do pulso.
— Caraca, Demi! — disse Selena, segurando minha mão. — Onde você arrumou isso?
— O Parker me deu. De aniversário — respondi.
Ela me olhou boquiaberta, depois baixou o olhar para a pulseira.
— Ele te comprou uma pulseira de diamantes? Depois de uma semana? Se eu não soubesse, diria que você tem um triângulo mágico no meu meio das pernas!
Ri alto, dando início a um ridículo festival de risadinhas na sala de estar.
Nicholas surgiu do quarto, parecendo cansado e satisfeito.
— Do que as duas maluquinhas estão gritando aí?
Selena ergueu meu pulso.
— Olha o presente de aniversário que ela ganhou do Parker!
Nicholas apertou os olhos para enxergar melhor, então os arregalou.
— Uau
— Não é? — disse Selena, assentindo.
Joseph veio cambaleando pelo corredor, parecendo um pouco detonado.
— Cara como vocês fazem barulho! — ele resmungou, abotoando a calça jeans.
— Desculpa — falei, puxando a mão da pegada de Selena.
O momento em que quase transamos se insinuou em minha mente, e não consegui encará-lo. Ele tomou de uma golada o resto do meu suco de laranja e limpou a boca.
— Quem me deixou beber daquele jeito na noite passada?
Selena falou em tom de deboche:
— Você mesmo. Você foi comprar uma garrafa de uísque depois que Demi saiu com o Parker. E já tinha matado a garrafa inteira quando ela voltou.
— Cacete — ele exclamou, balançando a cabeça. — Você se divertiu? — e olhou para mim.
— Você está falando sério? — perguntei, mostrando minha raiva antes de pensar.
—O quê?
Selena deu risada.
— Você arrancou a Demi do carro do Parker, enlouquecido de raiva, quando pegou os dois dando uns amassos que nem colegiais. As janelas estavam embaçadas e tudo!
Os olhos de Joseph ficaram sem foco, enquanto ele fazia uma varredura nas lembranças da noite anterior. Fiz força para conter o mau humor. Se ele não se lembrava de ter me arrancado do carro, não se lembraria de como cheguei perto de lhe entregar de bandeja minha virgindade.
— Você está brava? — ele me perguntou, encolhendo-se de medo.
— Muito
Eu estava com mais raiva ainda porque meus sentimentos não tinham nada a ver com Parker. Apertei o roupão no corpo e cruzei o corredor pisando duro. Ouvi os passos de Joseph atrás de mim.
— Flor — ele chamou, segurando a porta quando tentei batê-la na cara dele. Ele a empurrou lentamente e ficou parado na minha frente, esperando que eu despejasse toda minha ira.
— Você se lembra de alguma coisa que me disse na noite passada? — Eu quis saber.
— Não. Por quê? Fui mau com você?
Seus olhos injetados estavam pesados de preocupação, o que só serviram para aumentar minha fúria.
— Não, você não foi mau comigo! Você... nós...
Cobri os olhos com as mãos e fiquei paralisada quando senti a mão dele no meu pulso.
— De onde veio isso? — ele perguntou, olhando para a pulseira.
— É minha — falei, me soltando.
Ele não tirava os olhos do meu pulso.
— Nunca vi isso antes. Parece nova.
— É nova.
— Onde você arrumou?
— Faz uns quinze minutos que o Parker me deu essa pulseira — observando a expressão no rosto dele mudar de confusão para raiva.
— Que merda aquele babaca estava fazendo aqui? Ele passou a noite aqui? — Joseph perguntou, erguendo a voz a cada questão.
Cruzei os braços.
— Ele saiu para comprar meu presente de aniversario hoje de manhã e me trouxe a pulseira.
— Ainda não é seu aniversário.
O rosto dele ficou vermelho, um vermelho forte, enquanto ele forçava para manter o mau humor sob controle.
— Ele não podia esperar — falei, erguendo o queixo com um orgulho.
— Não é de admirar que eu tive que te arrastar para fora daquele carro, parece que você estava... — ele parou de falar, pressionando os lábios.
Estreitei os olhos.
— O quê? Parece que eu estava o quê?
O maxilar dele ficou tenso e ele inspirou fundo, soltando o ar pelo nariz.
— Nada. Só estou bravo, e ia dizer alguma merda que eu não queria.
— Isso nunca te impediu antes.
— Eu sei. Estou tentando mudar — ele respondeu, caminhando até a porta. — Vou deixar você se vestir.
Ele esticou a mão para pegar a maçaneta, mas parou um pouco, esfregando o braço. Quando seus dedos encostaram na marca dolorida e arroxeada onde o sangue se acumulava, ele ergueu o cotovelo e percebeu o ferimento, para o qual ficou olhando fixo por um instante. Depois se virou para mim.
— Eu caí na escada ontem à noite. E você me ajudou a ir até a cama... — ele disse, procurando as lembranças entre as imagens borradas de sua mente.
Meu coração estava quase saindo pela boca, e engoli em seco quando vi que ele estava se dando conta do que tinha acontecido. Ele estreitou os olhos.
— Nós— ele começou a dizer, dando um passo na minha direção, olhando para o armário e depois para a cama.
— Não. Não aconteceu nada — falei, balançando a cabeça.
Ele se encolheu. Era óbvio que estava relembrando cenas da noite passada.
— Você deixou as janelas do carro do Parker embaçadas, te puxei para fora do carro e depois tentei... — ele disse, balançando a cabeça.
Então se virou em direção à porta e agarrou a maçaneta, os dedos brancos.
— Você está me transformando em uma droga de um psicopata, Beija-Flor — ele rosnou por cima do ombro. — Não consigo pensar direito quando estou perto de você.
— Então a culpa é minha?
Ele se virou. Seus olhos seguiram do meu rosto para o roupão, para minhas pernas e depois para os meus pés, voltando para os meus olhos.
— Eu não sei. Minha memória está um pouco turva... mas eu não me lembro de você ter dito “não”.
Dei um passo para frente, pronta para contestar aquele fato insignificante, mas não pude. Ele estava certo.
— O que você quer que eu diga, Joseph?
Ele olhou para a pulseira e de novo para mim, com olhos acusadores.
— Você esperava que eu não lembrasse?
— Não! Eu estava brava porque você tinha esquecido!
Seus olhos castanhos perfuravam os meus.
— Por quê?
— Porque se eu tivesse... se a gente tivesse... e você não... Eu não sei o motivo! Estava brava e ponto!
Ele veio na minha direção e parou a poucos centímetros de mim. Suas mãos tomaram o meu rosto, e sua respiração acelerou enquanto ele me olhava cuidadosamente.
— O que estamos fazendo, Flor?
Olhei para o cinto dele, depois para os músculos e as tatuagens da barriga e do peito, parando finalmente no castanho cálido das íris.
— Você é quem tem que me dizer.

~*~

Foi quase, não?! hahahaha
Não se preocupem quando quando tiver hot, vai contar tudo. Não vai ser como na outra fic ^^

Comentem, amores!!

Answer:

Demetria Devone Lovato: Hahahaha Você ainda vai querer bater no Parker u_u ~quase um spoiler~ Postei. Bjos :*

Capítulo 6 – Divisor de Águas (Parte 1/2)

O encontro de segunda-feira a noite atendeu todas as minhas expectativas. Comemos comida chinesa enquanto eu dava risada por causa das habilidades de Parker com os palitinhos. Quando ele me levou para casa, Joseph abriu a porta antes que ele pudesse me beijar. Na quarta-feira seguinte, Parker garantiu nosso beijo no carro.
Na quinta-feira, na hora do almoço, Parker foi me encontrar no refeitório e surpreendeu todo mundo ao se sentar à minha frente, no lugar de Joseph. Quando este terminou o cigarro e entrou, passou por Parker com indiferença, indo se sentar na ponta da mesa. Megan se aproximou dele, mas ficou instantaneamente decepcionada quando ele a dispensou com um aceno de mão. Todo mundo na mesa ficou quieto depois disso, e achei difícil me concentrar em qualquer coisa que Parker falava.
— Estou presumindo que não fui convidado — disse ele, atraindo minha atenção.
— O quê?
— Ouvi dizer que a sua festa de aniversário vai ser no domingo. Não fui convidado?
Selena olhou de relance para Joseph, que fulminou Parker com o olhar, como se estivesse a poucos segundos de massacrá-lo.
— Era uma festa surpresa, Parker — disse Selena baixinho.
— Ah... — ele se encolheu.
— Vocês vão fazer uma festa surpresa para mim? — perguntei a Selena.
Ela deu de ombros.
— Foi ideia do Joe. Vai ser na casa do Brazil, no domingo, às seis horas.
Parker ficou um pouco vermelho.
— Acho que agora realmente não estou convidado.
— Não? É claro que você está convidado! — falei, segurando a mão dele em cima da mesa.
Doze pares de olhos se voltaram para nossas mãos. Eu podia ver que Parker estava se sentindo tão desconfortável quanto eu com a atenção, então soltei sua mão e coloquei as minhas no colo.
Ele se levantou.
— Preciso fazer umas coisas antes da aula. Ligo pra você depois.
— Tudo bem — falei, oferecendo-lhe um sorriso como um pedido de desculpas. Parker se inclinou até o outro lado da mesa e beijou meus lábios. O refeitório foi tomado pelo silêncio, e Selena me cutucou depois que ele saiu.
— Não é bizarra a forma como todo mundo fica observando vocês? — ela sussurrou e olhou ao redor do salão com a testa franzida. — Que foi? — gritou. — Cuidem de suas vidas, seus pervertidos!
Um a um, eles desviaram o olhar e seguiu-se um murmúrio. Cobri os olhos com as mãos.
— Sabe, antes eu era patética, porque achavam que eu era a pobre namorada do Joseph, que não tinha noção de onde estava pisando. Agora sou má, porque todo mundo acha que fico me revezando entre o Joseph e o Parker, como uma bolinha de pingue-pongue.
Quando Selena não fez nenhum comentário, ergui o olhar.
— O quê? Não me diga que você também acredita nessa besteira!
— Eu não disse nada — ela exclamou.
Fiquei encarando-a, sem acreditar.
— Mas é isso que você acha?
América balançou a cabeça em negativa, mas não falou nada. Os olhares glaciais dos outros alunos ficaram subitamente aparentes, então me levantei e fui até a ponta da mesa.
— Precisamos conversar — disse, dando uns tapinhas no ombro do Joseph.
Tentei parecer educada, mas a raiva que borbulhava dentro de mim colocou uma ponta de tensão em minhas palavras. Todos os alunos, incluindo a minha melhor amiga, achavam que eu estava envolvida com dois homens. Só havia uma solução.
— Então fale — disse Joseph, enfiando algo empanado e frito na boca. Fiquei inquieta, notando os olhares curiosos de todo mundo que estava perto a ponto de ouvir nossa conversa. Como Joseph não esboçou nenhum movimento, agarrei o braço dele e dei um bom puxão. Ele se levantou e me seguiu até o lado de fora com um sorriso no rosto.
— Que foi, Flor? — perguntou, olhando para minha mão em seu braço e depois para mim.
— Você tem que me liberar da aposta — implorei.
A expressão em seu rosto era de decepção.
— Você quer ir embora? Por quê? O que foi que eu fiz?
— Você não fez nada, Joe. Você não notou o olhar de todo mundo me encarando? Estou rapidamente me tornando à pária da Eastern.
Joseph balançou a cabeça e acendeu um cigarro.
— Isso não é problema meu.
— É sim. O Parker me disse que todo mundo acha que é suicídio ele se envolver comigo porque você está apaixonado por mim.
Joseph ergueu as sobrancelhas e engasgou com a fumaça que tinha rabado de inalar.
— As pessoas estão dizendo isso? — ele falou entre tossidas.
Fiz que sim. Ele desviou os olhos arregalados, dando outra tragada no cigarro.
— Joseph! Você tem que me liberar da aposta! Não posso ficar saindo com o Parker e morando com você ao mesmo tempo. Isso passa uma péssima impressão!
— Então pare de sair com o Parker.
Olhei furiosa para ele.
— O problema não é esse, e você sabe disso.
— É só por isso que você quer ir embora? Por causa do que as pessoas o falando?
— Pelo menos antes eu era tida como sem noção e você era o cara mau — resmunguei.
— Responde a minha pergunta, Flor.
— Sim!
Joseph olhou para o fundo, para os alunos que entravam e saiam do restaurante. Ele estava tomando uma decisão, e fui ficando cada vez mais impaciente enquanto ele demorava para fazê-lo.
Por fim, ele se manteve firme e decidido.
— Não.
Balancei a cabeça, certa de que tinha entendido errado.
— Como?
— Não. Você mesma disse: aposta é aposta. Depois de um mês, você cai fora com o Parker, ele vai virar médico, vocês vão se casar e ter dois filhos e meio, e eu nunca mais vou ver você de novo. — Ele fez uma careta para suas próprias palavras. — Ainda tenho três semanas. Não vou abrir mão disso por causa de fofocas no refeitório.
Olhei pela janela e vi que o refeitório inteiro estava nos observando. Aquela atenção toda fazia meus olhos arderem. Esbarrei nele com o ombro e fui em direção à sala de aula.
— Beija-Flor — Joseph me chamou.
Não me virei.
Naquela noite, Selena se sentou no chão de ladrilho do banheiro e ficou falando dos meninos enquanto eu prendia os cabelos em um rabo de cavalo na frente do espelho. Eu não estava prestando muita atenção, pensando em como Joseph vinha sendo paciente — para os padrões dele, claro —, sabendo que ele não gostava da ideia de o Parker ir me buscar para sair noite sim, noite não.
Passou como um lampejo pela minha mente a expressão em seu rosto quando pedi que me liberasse da aposta e, novamente, quando disse a ele que as pessoas estavam falando que ele estava apaixonado por mim. Eu não conseguia parar de me perguntar por que ele não tinha negado isso.
— O Nick acha que você está sendo dura demais com ele. Ele nunca teve ninguém com quem se importasse o bastante para...
Joseph enfiou a cabeça pela porta e sorriu enquanto me olhava mexendo nos cabelos.
— Quer ir comer alguma coisa? — ele me perguntou.
Selena se levantou para se olhar no espelho, passando o dedo pelos cabelos para penteá-los.
— O Nick quer ir num restaurante mexicano novo que abriu lá no centro. Se vocês quiserem ir também...
Joseph balançou a cabeça em negativa.
— Pensei em sair sozinho com a Flor hoje.
— Vou sair com o Parker
— De novo? — ele falou, irritado.
— De novo — respondi animada.
A campainha tocou e passei correndo por Joseph para abrir a porta. Parker estava parado na minha frente com os cabelos arrumadinhos, naturalmente loiros e ondulados, e o rosto bem barbeado.
— Você alguma vez está menos do que maravilhosa? — ele perguntou.
—Tomando como base a primeira vez em que ela veio aqui, vou dizer que sim — comentou Joseph atrás de mim.
Revirei os olhos e sorri, erguendo um dedo para que Parker me esperasse. Então me virei e joguei os braços em volta de Joseph, que ficou rígido e surpreso depois relaxou, me abraçando forte.
Olhei nos olhos dele e sorri.
— Obrigada por organizar a minha festa de aniversário. Podemos deixar o jantar para outro dia?
Diversas emoções passaram pelo rosto de Joseph, então os cantos de sua boca se voltaram para cima.
— Amanhã?
Dei um apertozinho nele e abri um sorriso.
— Com certeza.
Eu me despedi dele com um aceno, e Parker me pegou pela mão.
— O que foi isso? — ele quis saber.
— Não estamos nos dando muito bem nos últimos tempos. Essa é a minha versão de uma bandeira branca.
— Preciso ficar preocupado? — ele me perguntou abrindo a porta do carro.
— Não — beijei-o no rosto.
Durante o jantar, Parker falou sobre Harvard, a Casa e seus planos de procurar um apartamento. Suas sobrancelhas se juntaram, e ele me perguntou:
— O Joseph vai acompanhar você na sua festa de aniversário?
— Não sei. Ele não me disse nada sobre isso.
— Se ele não se importar, eu gostaria de te levar.
Ele segurou a minha mão e beijou meus dedos.
— Vou perguntar a ele. A festa foi ideia dele, então...
— Eu entendo. Se não der, vejo você na festa — ele sorriu.
Parker me levou até o apartamento, diminuindo a marcha e parando no estacionamento. Quando demos nosso beijo de despedida, os lábios dele se demoraram sobre os meus. Ele puxou o freio de mão e sua boca viajou pela linha do meu maxilar até a minha orelha, depois foi descendo até o meio do meu pescoço, o que me pegou com a guarda baixa. Em resposta, suspirei baixinho.
— Você é tão linda — ele sussurrou. — Fiquei distraído a noite toda, com seus cabelos assim, presos, deixando seu pescoço à mostra.
Ele encheu meu pescoço de beijos e soltei o ar, deixando um gemido escapar.
— Por que demorou tanto? — sorri, erguendo o queixo para que ele tivesse mais acesso ao meu pescoço.
Parker se concentrou em meus lábios. Pegou cada lado do meu rosto e me beijou com um pouco mais de firmeza que de costume. Não tínhamos muito espaço dentro do carro, mas nos viramos como pudemos. Ele se curvou sobre mim, e dobrei os joelhos enquanto apoiava as costas na janela. Sua língua deslizou na minha boca, e sua mão segurou meu tornozelo e subiu até a minha coxa. As janelas ficaram embaçadas em poucos minutos, por causa de nossa respiração ofegante. Ele passou os lábios em minha clavícula, então ergueu rápido a cabeça quando a janela vibrou com pancadas ocas e altas.
Parker se sentou e eu me endireitei, arrumando o vestido. Dei um pulo quando a porta se abriu. Joseph e Selena estavam parados ao lado do carro. Selena estava com a testa franzida, mas solidária à minha situação, já Joseph... parecia faltar muito pouco para que ele tivesse um acesso de fúria.
— Que é isso, Joseph?! — Parker gritou.
De repente, senti a situação ficar perigosa. Nunca tinha ouvido Parker erguer a voz, e os nós dos dedos de Joseph estavam brancos enquanto ele os cerrava nas laterais do corpo — e eu estava entre os dois. A mão de Selena parecia minúscula quando ela a colocou no braço musculoso de Joseph, balançando a cabeça para Parker em um aviso silencioso.
— Vem, Demi. Preciso conversar com você — disse ela.
— Sobre o quê?
— Vem logo! — ela exclamou.
Olhei para Parker e vi irritação em seus olhos.
— Desculpe, tenho que ir.
— Não, tudo bem. Vai em frente.
Joseph me ajudou a sair do Porsche e fechou a porta com um chute. Eu me virei e fiquei entre ele e o carro, empurrando-o pelo ombro.
— Qual é o problema com você? Para com isso!
Selena parecia nervosa. Não levei muito tempo para descobrir o motivo. Joseph fedia a uísque; ela havia insistido em acompanhá-lo até ali, ou ele tinha pedido que ela fosse com ele. De uma forma ou de outra, ela era um obstáculo para a violência.
As rodas do Porsche reluzente de Parker guincharam quando ele saiu do estacionamento, e Joseph acendeu um cigarro.
— Pode entrar agora, Sel.
Ela deu um puxão na minha saia.
— Vamos, Demi.
— Por que você não fica, Dems? — ele falou, borbulhando de raiva.
Fiz um sinal com a cabeça para que Selena seguisse em frente e, relutante, ela se foi. Cruzei os braços pronta para brigar, me preparando para explodir depois do inevitável sermão. Joseph deu várias tragadas no cigarro, e, quando ficou claro que ele não explicaria nada, minha paciência se esgotou.
— Por que você fez isso? — perguntei.
— Por quê? Porque ele estava atacando você na frente do meu prédio! — ele gritou.
Seus olhos não tinham foco, e pude ver que ele não estava em condições de ter uma conversa racional.
Mantive a voz calma.
— Posso estar ficando no seu apartamento, mas o que eu faço, e com quem, é da minha conta.
Ele jogou o cigarro no chão.
— Você é tão melhor que isso, Flor. Não deixe o cara te comer no carro como se você fosse uma dessas minas fáceis.
— Eu não ia transar com ele
Ele fez um gesto indicando o espaço onde antes estava o carro do Parker.
—Então, o que vocês estavam fazendo?
— Você nunca ficou de amasso com alguém, Joseph? Nunca ficou só brincando, sem deixar as coisas chegarem a esse ponto?
Ele franziu a testa e balançou a cabeça, como se eu estivesse falando bobagem.
—Qual o propósito disso?
— Para um monte de gente, existe esse conceito... especialmente para aqueles que namoram.
— As janelas estavam embaçadas, o carro estava balançando... Como eu ia adivinhar? — ele disse, movendo os braços na direção da vaga vazia no estacionamento.
— Talvez você não devesse ficar me espionando!
Ele esfregou o rosto e balançou a cabeça.
— Não aguento isso, Beija-Flor. Sinto que estou ficando louco.
Levantei as mãos e depois as deixei cair e bater nas coxas.
— Você não aguenta o quê?
— Se você for pra cama com ele, não quero ficar sabendo. Vou ficar na cadeia um bom tempo se descobrir que ele... Só não me conte nada.
— Joseph — falei com raiva —, não acredito no que você acabou de falar. Isso seria um grande passo para mim!
— É o que todas as garotas dizem!
— Não estou me referindo às vadias com quem você andar Estou falando de mim! - eu disse com a mão no peito. — Eu nunca... argh! Não importa.
Saí andando, mas ele me agarrou pelo braço e me fez girar para ficar de frente para ele.
— Você nunca o quê? — me perguntou, se contorcendo um pouco.
Não respondi, mas também não precisava. Pude ver que ele tinha entendido pela expressão em seu rosto, e ele deu risada.
— Você é virgem?
— E daí? — falei, com o sangue fervendo no rosto.
Ele tirou os olhos de mim, enquanto tentava refletir em meio a todo aquele uísque que tinha bebido.
— Por isso a América tinha tanta certeza que aquilo não ia longe demais;
— Tive o mesmo namorado nos últimos quatro anos da escola. Ele queria ser ministro batista. Acabou não rolando!
A raiva de Joseph desapareceu, e o alívio ficou aparente em seus olhos.
— Ministro batista? E o que aconteceu depois dessa abstinência toda?
— Ele queria casar e continuar no... Kansas. Eu não quis.
Eu estava desesperada para mudar de assunto. A diversão nos olhos de Joseph era humilhante o bastante, e eu não queria deixar que ele escavasse ainda mais o meu passado.
Ele deu um passo à frente e segurou cada lado do meu rosto.
— Virgem — disse, balançando a cabeça. — Eu nunca teria imaginado depois do jeito como você dançou comigo no Red.
— Muito engraçado — falei, subindo as escadas e pisando duro.
Joseph tentou me seguir, mas tropeçou e caiu. Foi rolando e parou de costas no chão, rindo de um jeito histérico.
— O que você está fazendo? Levanta daí! — exclamei, ajudando-o a ficar de pé.
Ele enganchou o braço no meu pescoço e eu o ajudei a subir as escadas. Nicholas e Selena já estavam na cama, então, sem nenhuma ajuda à vista, chutei os sapatos de salto para não torcer o pé enquanto levava Joseph até o quarto. Ele caiu de costas na cama, me puxando junto.
Quando aterrissamos, meu rosto ficou a poucos centímetros do dele, e sua expressão de repente ficou séria. Ele se inclinou para cima de mim, quase me beijando, mas eu o afastei. Suas sobrancelhas se retraíram.
— Para com isso, Joe — falei.
Ele me apertou forte contra si, até que parei de tentar me soltar. Então abaixou a alça do meu vestido, fazendo com que ela ficasse pendurada no meu ombro.
— Desde que a palavra “virgem” saiu dessa sua boca linda... sinto uma necessidade irresistível de ajudar você a tirar esse vestido.
— Bom, que pena. Você estava preparado para matar o Parker pelo mesmo motivo faz vinte minutos, então não seja hipócrita.
— Foda-se o Parker. Ele não conhece você como eu.
— Joe, para com isso. Tira a roupa e deita na cama.
— É disso que estou falando — ele disse, rindo.
— Quanto você bebeu? — perguntei, conseguindo finalmente um apoio para os pés entre as pernas dele.
— O suficiente — ele respondeu, sorrindo e puxando a bainha do meu vestido.
— Tenho certeza que já passou do suficiente há um bom tempo — falei, dando um tapa na mão dele para afastá-la.
Apoiei o joelho no colchão e puxei a camiseta dele pela cabeça. Ele tentou encostar em mim de novo, mas o segurei pelo pulso, sentindo o cheiro pungente no ar.
— Meu Deus, Joe, você está fedendo a Jack Daniels.
— Jim Beam — ele me corrigiu, com um aceno bêbado.
— Tem cheiro de madeira queimada e outras substâncias químicas.
— E gosto também — ele riu.
Soltei a fivela do cinto dele e o puxei dos ganchos da calça. Ele riu com o movimento e ergueu a cabeça para olhar para mim.
— É melhor guardar sua virgindade, Flor. Você sabe que eu gosto de sexo selvagem.
— Cala a boca — falei, desabotoando sua calça jeans e descendo-a por suas pernas.

~*~

Desculpem pela demora ^^ não deu pra postar antes.

Comentem, amores.

Answer:

Demetria Devone Lovato: hahahaha eu quase ia falando um spoiler aqui, mas desisti haha Sim, o Joe é lindo com ciúmes... mas as vezes ele exagera. Postei!!!