sábado, 20 de julho de 2013

Capítulo 21 – Adeus (“Bônus” 1/4) + Aviso


      Aviso: Serão 4 capítulos bônus. Inicialmente eram para ter somente 21 capítulos e um epílogo, mas como eu ainda não tenho outra fic pra postar depois dessa, eu resolvi estender um pouco a estória, ficando 25 capítulos e um Epílogo.
      Ps: O capítulo após a este será a continuação do 20 "Fumaça".
      Ps²: Estou postando este capítulo "Adeus" para vocês entenderem como tudo começou. A história do Joseph.

~*~

Perspectiva de Joseph.

Mesmo com o suor em seu rosto e o salto em sua respiração, ela não parecia doente. A sua pele não tinha aquele brilho rosado ao qual eu estava acostumado, e os seus olhos não eram tão brilhantes, porém, ainda estava linda. A mulher mais linda que eu já vi.
Sua mão caiu fora da cama, e o seu dedo se contraiu. Meus olhos se arrastaram de suas frágeis, amareladas unhas, para o seu braço fino, até o seu ombro ossudo, finalmente se estabelecendo em seus olhos. Ela estava olhando para mim, suas pálpebras duas fendas, apenas o suficiente para me deixar saber que ela sabia que eu estava lá. Eu amava isso nela. Quando ela olhava para mim, ela realmente me enxergava. Ela não simplesmente olhava através de mim para as outras dezenas de coisas que precisava fazer durante o seu dia, ou apenas se desconectava das minhas histórias estúpidas. Ela escutava, e isso a fazia realmente feliz. Todos pareciam afirmar com a cabeça sem ouvir, mas não ela. Nunca ela.
— Joseph — ela disse, sua voz rouca. Ela limpou sua garganta, e os cantos de sua boca viraram-se para cima. — Vem cá, querido. Está tudo bem. Vem cá.
Papai colocou alguns dedos na base do meu pescoço e me empurrou para frente enquanto escutava a enfermeira. Papai a chamava de Becky, ela entrou em casa pela primeira vez há poucos dias. Suas palavras eram suaves, e o seu olhar era gentil, mas eu não gostava de Becky. Eu não conseguia explicar, mas ela estar lá era assustador.
Eu sabia que ela devia estar lá para ajudar, mas não era uma coisa boa, mesmo que o papai estivesse okay com ela.
A cutucada de papai me empurrou alguns passos para frente, perto o suficiente para onde mamãe pudesse me tocar. Ela esticou os dedos longos e elegantes, e roçou meu braço.
— Está tudo bem, Joseph — ela sussurrou. — Mamãe quer lhe dizer uma coisa.
Eu enfiei o dedo em minha boca, e o empurrei em torno das minhas gengivas, mexendo. Afirmar com a cabeça fez o seu pequeno sorriso aumentar, então eu quis ter certeza de que estava fazendo grandes movimentos com a cabeça enquanto eu me aproximava de seu rosto.
Ela usou o que restava de sua força para deslizar para mais perto de mim, então ela respirou fundo.
— O que eu vou pedir vai ser muito difícil, filho. Eu sei que você pode fazê-lo, porque você já é um menino grande.
Eu balancei a cabeça novamente, espelhando o seu sorriso, mesmo que eu não quisesse sorrir. Sorrir, quando ela parecia tão cansada e desconfortável não parecia certo, mas ser corajoso a fazia feliz.
Então eu era corajoso.
— Joseph, eu preciso que você ouça o que eu vou dizer, e ainda mais importante, eu preciso que você se lembre do que vou dizer. Isso vai ser muito difícil. Eu venho tentando lembrar de coisas de quando eu tinha três anos, e eu... — Ela parou, a dor muito grande por um instante.
— A dor está ficando incontrolável, Denise? — Becky disse, empurrando uma agulha na intravenosa da minha mãe.
Depois de alguns minutos, mamãe relaxou. Ela respirou fundo novamente, e tentou de novo.
— Você pode fazer isso pela mamãe? Você pode se lembrar do que eu vou dizer?
Eu balancei a cabeça de novo, e ela levantou a mão para a minha bochecha. Sua pele não era muito quente, e ela só poderia manter sua mão ali por alguns segundos antes que ficasse instável e caísse na cama.
— Primeiro, não há problema em ficar triste. Não há problema em sentir coisas. Lembre-se disso. Segundo, seja uma criança durante todo o tempo que puder. Brinque, Joseph. Seja bobo. — seus olhos pareciam cansados — E você e os seus irmãos tomem conta um do outro, e do seu pai. Mesmo quando você crescer e se mudar, é importante voltar para casa. Ok?
Minha cabeça balançava para cima e para baixo, desesperado para agradá-la.
— Um destes dias você vai se apaixonar, filho. Não se contente apenas com qualquer uma. Escolha aquela garota que não venha fácil, aquela que você tenha que lutar, e nunca parar de lutar, — Ela respirou fundo. — Nunca pare de lutar pelo que você quer. E nunca — suas sobrancelhas se juntaram — esqueça que a mamãe ama você. Mesmo se você não puder me ver. — uma lágrima escorreu pelo seu rosto — Eu irei sempre, sempre amar você.
Ela respirou com dificuldade, e depois tossiu.
— Ok, — disse Becky, colocando com aparência engraçada em seus ouvidos. Ela segurou a outra extremidade no peito da mamãe. — Hora de descansar.
— Sem muito tempo — mamãe sussurrou.
Becky olhou para papai.
— Nós estamos chegando perto, Sr. Jonas. O senhor deveria provavelmente trazer o resto dos garotos para cá para que eles possam dizer adeus.
Os lábios do papai formaram uma linha dura, e ele balançou a cabeça.
— Eu não estou pronto— ele deixou escapar.
— Você nunca estará pronto para perder a sua esposa, Paul. Mas você não quer deixa-la ir sem que os garotos digam adeus.
Papai pensou por um minuto, limpou o nariz com a manga, e depois assentiu. Ele pisou fora da sala, como se ele fosse louco. Eu observei mamãe, eu a observei tentando respirar, e vi Becky verificando os números na caixa ao lado dela. Eu toquei o pulso da mamãe. Os olhos de Becky pareceram saber algo que eu não sabia, e isso fez meu estômago embrulhar.
— Sabe, Joseph — disse Becky, inclinando-se para que ela pudesse me olhar nos olhos — O remédio que eu estou dando para sua mamãe vai fazê-la dormir, mas mesmo que ela esteja dormindo, ela ainda pode ouvi-lo. Você ainda pode dizer a mamãe que você a ama e que você vai sentir a sua falta, e ela vai ouvir tudo o que você disser.
Eu olhei para mamãe, e rapidamente balancei a cabeça.
— Eu não quero sentir falta dela.
Becky colocou a sua mão quente e macia em meu ombro, assim como a mamãe fazia quando eu estava chateado.
— Sua mãe quer estar aqui com você. Ela quer muito. Mas Jesus a quer com Ele agora.
Eu fiz uma careta.
— Eu preciso mais dela que Jesus.
Becky sorriu, e depois beijou o topo da minha cabeça. Papai bateu à porta, e depois a abriu. Meus irmãos lotaram o lugar com ele na entrada, e Becky me conduziu pela mão para me juntar à eles.
Os olhos de Trenton não deixavam a cama da mamãe, e Taylor e Tyler olhavam por toda parte exceto a cama. Isso me fez sentir melhor que de alguma forma todos eles pareciam tão assustados quanto eu me sentia.
Kevin ficou do meu lado, um pouco à frente, como na vez em que ele me protegeu quando nós estávamos brincando no quintal da frente, e os filhos dos vizinhos tentaram comprar uma briga com Tyler.
— Ela não parece bem — Kevin disse.
Papai limpou a garganta.
— A Mamãe tem estado muito doente há algum tempo, garotos, e é a hora de... é hora dela... — Ele parou.
Becky ofereceu um pequeno, compreensivo sorriso.
— Sua mãe não tem comido ou bebido. Seu corpo a está deixando. Isso vai ser muito difícil, mas é um bom momento para dizer à mãe de vocês que vocês a amam, e que vão sentir falta dela, e que ela pode ir. Ela precisa saber que está tudo bem.
Meus irmãos assentiram com a cabeça ao mesmo tempo. Todos eles menos eu. Não estava tudo bem. Eu não queria que ela fosse. Eu não ligava se Jesus a queria ou não.
Ela era minha mãe. Ele podia levar uma mãe mais velha. Uma que não tivesse garotos pequenos para tomar conta.
Eu tentei me lembrar de tudo o que ela me disse. Eu tentei grudar tudo dentro da minha cabeça: Brincar. Visitar papai. Lutar pelo que eu amo. A última coisa me incomodou. Eu amava mamãe, mas eu não sabia como lutar por ela. Ela inclinou-se ao ouvido do meu pai. Ele balançou a cabeça, e então assentiu para os meus irmãos.
— Ok, garotos. Vamos nos despedir, e então você tem que colocar os seus irmãos na cama, Kevin. Eles não precisam estar aqui para o resto.
— Sim, senhor — Kevin disse. Eu sabia que ele estava fingindo um rosto corajoso.
Seus olhos estavam tão tristes quanto os meus. Kevin falou com ela durante um tempo, e depois Taylor e Tyler sussurraram coisas para ela. Trenton chorou e a abraçou por um tempo. Todos disseram que estava tudo bem que ela nos deixasse.
Todos menos eu. 
Mamãe não respondeu nada dessa vez. Kevin puxou a minha mão, me levando para fora do quarto. Eu andei para trás até que estávamos no salão.
Eu tentei fingir que ela só estava indo dormir, mas na minha cabeça tudo ficou vago.
Kevin me pegou e me carregou escadas acima. Seus pés subiram mais rápido quando o choro do papai atravessava as paredes.
— O que ela disse para você? — Kevin perguntou, enquanto ligava a torneira da banheira.
Eu não respondi. Eu o ouvi perguntar, e eu me lembrei da forma como ela me disse, mas as minhas lágrimas não funcionavam, e nem a minha boca.
Kevin puxou a minha camisa suja sobre a minha cabeça, e o meu short e a minha cueca foram para o chão.
— Hora de entrar na banheira, maninho. — Ele me levantou do chão e me sentou na água quente. Molhou o pano, e apertou-o sobre a minha cabeça.
Eu não pisquei. Eu nem mesmo tentei tirar a água do meu rosto, mesmo que eu odiasse isso.
— Ontem, mamãe me disse para tomar conta de você e dos outros, e para tomar conta do papai. — Kevin cruzou as mãos na borda da banheira e apoiou o queixo sobre elas, olhando para mim. — Então é isso o que eu vou fazer, Joe, ok? Eu vou tomar conta de você. Então não se preocupe. Nós vamos sentir falta da mamãe juntos, mas não tenha medo. Eu vou ter certeza de que está tudo bem. Eu prometo.
Eu queria assentir, ou abraçá-lo, mas nada funcionava. Mesmo agora que eu deveria estar lutando por ela, eu estava aqui em cima, em uma banheira cheia d'água, ainda feito uma estátua. Eu já a decepcionara. Eu prometi à ela na minha cabeça que faria todas as coisas que ela havia me dito assim que o meu corpo voltasse a funcionar.
Quando a tristeza fosse embora, eu iria sempre brincar, e eu iria sempre lutar.
Muito.

~*~

Answers: 

Gabs: Você saberá o que aconteceu no próximo capítulo hahaha obrigada por comentar <3
Lívia Diniz S.: De nada (: Sim, é muito perfeito <33 estou super orgulhosa da Demetria!! Hmm... você vai ter que descobrir no próximo capítulo o que aconteceu com ele ^^ não me mate por esse suspense, obrigada u-u kkkkkk Postado. Beijos :*
Pâm Lovato: '-' kkkkkkkkkkkkkk não me mate! E você vai ter que esperar pra ler o próximo capítulo para saber. hahahahaha Será que é, será que não? Hmm vou deixar o suspense no ar ;)
Demetria Devone Lovato: Você terá que descobrir no próximo capítulo u_u hahahahah Postei, beijos <3

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Capítulo 20 – Fumaça (Parte 2/2) + MITUSA \O/

Digulgação: " Meu Destino é Você "

O volume ficou ensurdecedor enquanto Joseph abria caminho em meio à multidão. Ergui o olhar para Trent, que tinha um minúsculo sorriso torto no rosto. Qualquer outra pessoa talvez não tivesse notado, mas eu podia ver o orgulho nos olhos dele.
Quando Joseph chegou ao centro do Círculo, engoli em seco. John não era muito maior que ele, mas parecia diferente de qualquer um com quem Joseph já tinha lutado, inclusive o cara que enfrentara em Vegas. John não estava tentando intimidar Joseph, encarando-o com a expressão séria, como os outros faziam; ele o analisava, preparando a luta na cabeça. E, por mais analíticos que fossem seus olhos, também lhes faltava razão. Antes de o sinal soar, eu já sabia que Joseph tinha mais do que uma luta em mãos — ele estava diante de um demônio.
Joseph também pareceu notar a diferença. Seu sorriso afetado não estava lá, tendo sido substituído por um intenso olhar fixo. Quando soou o gongo, John atacou.
— Ai, meu Deus — eu disse, agarrando o braço de Trent
Trent se movimentava tal qual Joseph, como se fossem um só. Eu ficava tensa a cada golpe de John, lutando contra a necessidade de fechar os olhos. Não havia movimentos desperdiçados — John era esperto e preciso. Em comparação com essa, todas as outras lutas de Joseph pareciam medíocres. A força bruta que acompanhava cada soco inspirava respeito, como se aquilo tivesse sido coreografado e praticado até a perfeição.
O ar no salão estava pesado e estagnado; a poeira dos lençóis tinha sido deslocada e pegava na minha garganta toda vez que eu inspirava. Quanto mais o tempo passava, pior ficava a sensação que me dominava. Mas me forcei a permanecer ali, para que Joseph pudesse se concentrar.
Em um instante, eu estava hipnotizada pelo espetáculo que se desenrolava no meio do porão e, no seguinte, fui empurrada por trás. Minha cabeça foi jogada para frente com o golpe, mas segurei firme em Trent, recusando-me a sair do lugar onde tinha prometido ficar. Ele se virou e agarrou a camiseta de dois homens que estavam atrás de nós, jogando-os no chão como se fossem bonecos de pano.
— Se afastem daqui ou eu mato vocês! — ele berrou para aqueles que ficaram encarando os homens caídos.
Agarrei o braço dele com mais força e ele bateu de leve na minha mão.
— Estou aqui, Demi. Pode assistir à luta tranquila.
Joseph estava se saindo bem, e suspirei quando ele tirou sangue do oponente pela primeira vez. A multidão se agitou, mas o aviso de Trent manteve a uma distância segura aqueles que estavam à nossa volta. Joseph acertou um soco firme no adversário e olhou de relance para mim, rapidamente voltando à atenção para a luta. Seus movimentos eram ágeis, quase calculados, parecendo prever os ataques de John antes que ele os desferisse.
Claramente impaciente, John envolveu Joseph com os braços, jogando-o ao chão. A multidão que cercava o ringue improvisado se fechou em torno deles, inclinando-se para frente enquanto a ação se desenrolava no chão.
— Não consigo ver o Joseph! — gritei, pulando na ponta dos pés.
Trent olhou ao redor, encontrando a cadeira de madeira do Adam. Em um movimento similar ao de uma dança, ele me passou de um braço ao outro, ajudando-me a subir na cadeira, acima da multidão.
— Está vendo o Joseph agora?
— Estou! — falei, segurando no braço dele para manter o equilíbrio. — Ele está por cima, mas as pernas do John estão em volta do pescoço dele!
Trent se inclinou para frente na ponta dos pés e gritou:
— Acerta o rabo dele, Joseph!
Baixei o olhar para Trent e rapidamente me inclinei para frente para ter uma visão melhor dos homens no chão. De repente, Joseph se pôs de pé, com as pernas de John firmes em volta do pescoço. Então ele se jogou de joelhos no chão, fazendo com que a cabeça e as costas do adversário batessem com tudo no concreto, em um golpe devastador. As pernas de John ficaram moles e soltaram o pescoço de Joseph, que levantou cotovelo e o socou repetidas vezes com o punho cerrado, até que Adam o afastou, jogando o quadrado vermelho sobre o corpo caído de John.
O salão irrompeu em gritos eufóricos quando Adam ergueu a mão de Joseph. Trent abraçou minhas pernas, vibrando pela vitória do irmão. Joseph olhou para mim com um largo e sangrento sorriso; seu olho direito já tinha começado a inchar.
À medida que o dinheiro trocou de mãos e a multidão foi se dispersando, se preparando para sair, uma lanterna cintilante balançando para frente e para trás no canto do salão, atrás de Joseph, chamou minha atenção. Havia um líquido pingando da base, ensopando o lençol abaixo dela. Senti meu estômago dar um nó.
— Trent?
Chamei a atenção dele e apontei para o canto. Naquele instante, a lanterna caiu, se despedaçando de encontro ao lençol e pegando fogo imediatamente.
— Puta merda! — disse Trent, agarrando minhas pernas.
Alguns homens que estavam próximos do fogo pularam para trás e ficaram olhando, espantados, enquanto as chamas rastejavam até o lençol mais próximo. Uma fumaça negra se erguia do canto, e todas as pessoas que estavam no salão começaram a tentar sair dali, apavoradas, empurrando umas às outras para chegar até as saídas.
Meus olhos encontraram os de Joseph. Seu rosto estava distorcido de terror.
— Demi! — ele berrou, empurrando o mar de gente que havia entre nós.
— Vamos! — Trent gritou me puxando da cadeira para o lado dele.
O salão ficou escuro e um som alto de algo estourando veio do outro lado. As outras lanternas estavam entrando em combustão, aumentando o fogo em pequenas explosões. Trent me agarrou pelo braço, me puxando para trás dele, enquanto tentava forçar caminho em meio à multidão.
— Não vamos conseguir sair por lá! Vamos ter que voltar por onde viemos! — gritei, resistindo
Ele olhou ao redor, tentando traçar um plano de fuga no meio da confusão. Olhei de novo para Joseph, observando enquanto ele tentava abrir caminho e cruzar a sala. À medida que a galera se agitava, Joseph era empurrado para mais longe ainda. Os aplausos e a animação anteriores deram lugar a gritos agudos de medo e desespero, enquanto todo mundo lutava para alcançar as saídas.
Trent me puxou e olhei para trás.
— Joseph! — gritei, esticando o braço na direção dele.
Ele estava tossindo, tentando afastar a fumaça com a mão.
— Por aqui, Joe! — Trent gritou para ele.
— Tira a Demi daqui, Trent! Leva ela pra fora! — ele disse, tossindo.
Sem saber o que fazer, Trent baixou o olhar para mim. Eu podia ver o medo em seus olhos.
— Eu não sei sair daqui.
Olhei mais uma vez para Joseph, cujo vulto tremeluzia atrás das chamas que tinham se espalhado entre nós.
— Joseph!
— Vão indo! Eu alcanço vocês lá fora!
A voz dele foi afogada pelo caos em volta, e agarrei a manga da camiseta do Trent.
— Por aqui, Trent! — falei, sentindo as lágrimas e a fumaça arderem em meus olhos. Dezenas de pessoas em pânico estavam entre Joseph e seu único ponto de fuga.
Puxei a mão de Trent, empurrando qualquer um que estivesse em nosso caminho. Chegamos até a entrada, então olhei de um lado para o outro. Dois corredores escuros estavam fracamente iluminados pelo fogo atrás de nós.
— Por aqui! — falei, puxando a mão dele de novo.
— Tem certeza? — Trent perguntou, com a voz grossa de dúvida e medo.
— Vem! — respondi apenas.
Quanto mais corríamos, mais escuras ficavam as salas. Depois de alguns instantes, minha respiração ficou mais fácil, já que deixamos a fumaça para trás, mas os gritos não cessaram. Estavam mais altos e mais frenéticos do que antes. Os sons horrendos atrás de nós estimulavam minha determinação, mantendo meus passos rápidos e cheios de propósito. Na segunda virada, já estávamos caminhando às cegas, em completa escuridão. Estiquei o braço, tateando ao longo da parede com uma mão e segurando forte a mão de Trent com a outra.
— Você acha que ele conseguiu sair? — ele quis saber.
A pergunta minou meu foco, e tentei afastar a resposta da cabeça.
— Continua andando — falei, engasgada.
Trent resistiu por um instante, mas, quando puxei a mão dele de novo, uma luz tremeluziu. Ele ergueu um isqueiro aceso, apertando os olhos para enxergar melhor no pequeno espaço. Segui a chama conforme ele a balançava ao redor da sala, e quase perdi o fôlego ao avistar uma porta.
— Por aqui! — falei, puxando a mão dele de novo.
Enquanto eu me apressava para a próxima sala, um muro de pessoas colidiu comigo, me jogando ao chão. Três mulheres e dois homens, com o rosto sujo e os olhos arregalados de medo, baixaram o olhar para mim.
Um dos caras esticou a mão para me ajudar a levantar.
— Tem umas janelas ali por onde a gente pode sair! — ele disse.
— A gente acabou de vir de lá, não tem nada lá — falei, balançando a cabeça.
— Você não deve ter visto. Eu sei que é por ali!
Trent me puxou pela mão.
— Vamos, Demi, eles sabem o caminho!
Balancei a cabeça em negativa.
— A gente veio por aqui com o Joseph. Tenho certeza.
Ele apertou minha mão.
— Eu disse pro Joseph que não ia te perder de vista. A gente vai com eles.
— Trent, a gente veio por ali... Não tem janela nenhuma!
— Vamos, Jason — gritou uma garota.
— Estamos indo — ele respondeu, olhando para Trent.
Trent me puxou pela mão de novo e eu me soltei.
— Trent, por favor. É por aqui, eu juro!
— Eu vou com eles — ele disse. — Por favor, vem comigo.
Balancei a cabeça, e lágrimas escorriam pelas minhas bochechas.
— Eu já vim aqui antes. A saída não é por ali!
— Você vem comigo! — ele gritou, me puxando pelo braço.
— Trent, para! A gente está indo pelo caminho errado! — berrei.
Meus pés deslizaram pelo concreto enquanto ele me arrastava e, quando o cheiro de fumaça ficou mais forte, puxei com força a mão e me soltei, correndo na direção oposta.
— Demi! Demi! — ele gritou.
Continuei correndo, mantendo os braços esticados, prevendo uma parede logo em frente.
— Vem! Você vai morrer se for atrás dela! — ouvi uma garota dizer a ele.
Meu ombro bateu com tudo em um canto e eu girei, caindo. Rastejei pelo chão, tateando à minha frente com a mão trêmula. Quando meus dedos encostaram em uma placa de gesso, segui-a até em cima, pondo-me de pé A quina de uma porta se materializou sob meu toque e segui até a próxima sala.
A escuridão era infinita, mas afastei o pânico, mantendo cuidadosamente os passos retos, em busca da próxima parede. Vários minutos se passaram, e senti o medo aumentar dentro de mim enquanto os lamentos que vinham de trás ressoavam em meus ouvidos.
— Por favor —, que seja essa a saída.
Senti outra quina de porta, e, quando passei por ela, um facho de luz prateado reluziu à minha frente. O luar era filtrado pelo vidro da janela, e um soluço forçou caminho pela minha garganta.
— T-Trent! É aqui! — gritei atrás de mim. — Trent!
Apertei os olhos para ver melhor, enxergando pequenos movimentos ao longe.
— Trent? — chamei, as batidas do meu coração vibrando de um jeito selvagem no peito.
Em instantes, sombras começaram a dançar nas paredes, e meus olhos se arregalaram de horror quando me dei conta de que aquilo que achei que eram pessoas na verdade era a luz bruxuleante das chamas que se aproximavam.
— Ai, meu Deus — exclamei, erguendo o olhar para a janela. Joseph a tinha fechado depois que entramos, e ela era alta demais para que eu a alcançasse.
Olhei ao redor, buscando algo em que eu pudesse subir. A sala cheia de móveis de madeira cobertos com lençóis brancos — que alimentariam o fogo até que aquilo se transformasse em um inferno.
Peguei um pedaço de pano branco e o arranquei de unia mesa. O pó formou uma nuvem em volta de mim enquanto eu jogava o lençol no chão. Arrastei com dificuldade o volumoso móvel de madeira até o outro lado da sala, debaixo da janela. Encostei-o na parede e subi, tossindo por causa da fumaça que lentamente penetrava a sala. A janela ainda estava pelo menos meio metro acima de mim.
Soltei um gemido enquanto tentava abri-la, desajeitadamente tentando virar a trava cada vez que a empurrava. Mas ela não cedia.
—Vamos, droga — gritei, apoiando-me em meus braços.
Fui para trás, usando todo o peso do corpo com o pouco impulso que consegui dar para forçar a janela. Não funcionou, então deslizei as unhas sob as beiradas, fazendo força até achar que elas tinham descolado da pele. Observei de relance um lampejo de luz e gritei quando vi o fogo se espalhando e incendiando os lençóis brancos que se alinhavam no corredor pelo qual eu tinha acabado de passar.
Ergui o olhar para a janela, mais uma vez enfiando as unhas nas beiradas. O sangue gotejava da ponta dos meus dedos, e as bordas de metal afundavam na minha carne. O instinto dominou todos os meus sentidos, e cerrei as mãos em punhos, golpeando o vidro. Uma pequena rachadura surgiu na janela, assim como sangue, que espirrava e se espalhava a cada golpe.
Esmurrei mais uma vez o vidro, então tirei o sapato, usando-o para bater mais forte. Sirenes soavam a distância, e eu chorava, batendo com a palma das mãos na janela. O resto da minha vida estava a poucos centímetros de distância, do outro lado do vidro. Enfiei as unhas nas beiradas da janela mais uma vez, depois voltei a bater no vidro com as mãos abertas.
— SOCORRO! — gritei, vendo as chamas se aproximarem. — ALGUÉM ME AJUDA!
Ouvi uma tosse fraca atrás de mim.
— Beija-Flor?
Eu me virei ao ouvir a voz familiar. Joseph apareceu em uma porta atrás de mim, com o rosto e as roupas cobertos de fuligem.
— Joseph? — gritei. Desci desajeitadamente da mesa e corri até onde ele estava, exausto e imundo.
Eu me lancei para cima dele, e ele me abraçou, tossindo, enquanto tentava respirar. Suas mãos agarraram meu rosto.
— Cadê o Trent? — ele perguntou, com a voz rasgada e fraca.
— Ele seguiu aqueles caras! — berrei, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu tentei o fazer vir comigo, mas ele não quis!
Joseph baixou o olhar para o fogo que se aproximava e franziu as sobrancelhas. Inspirei com dificuldade, tossindo quando a fumaça encheu meus pulmões. Ele baixou a cabeça para mim, com os olhos cheios de lágrimas.
— Vou tirar a gente daqui, Flor.
Ele pressionou os lábios nos meus num movimento rápido e firme e depois subiu na minha escada improvisada. Empurrou a janela e virou a trava, os músculos dos braços tremendo enquanto ele usava toda sua força contra o vidro.
— Vai pra trás, Demi! Vou quebrar o vidro!
Com medo de me mexer, só consegui dar um passo para longe de nossa única saída. Joseph dobrou o cotovelo levando o punho para trás, então golpeou a janela com um grito. Desviei, protegendo o rosto com as mãos ensanguentadas enquanto o vidro se estilhaçava acima de mim.
— Vamos! — ele gritou, estendendo a mão para mim.
O calor do fogo tomou conta da sala, e eu planei no ar quando ele me levantou e me empurrou para fora.
Fiquei esperando de joelhos enquanto Joseph subia pela janela, depois o ajudei a se levantar. Sirenes soavam do outro lado do prédio, e as luzes vermelhas e azuis dos carros de bombeiros e das viaturas de polícia dançavam nos tijolos dos prédios adjacentes.
Fomos correndo até a multidão parada na frente do prédio, examinando as faces sujas à procura de Trent. Joseph gritou, chamando o irmão pelo nome. Sua voz se tornava cada vez mais angustiada à medida que o chamava. Ele tirou o celular do bolso, para ver se havia alguma chamada perdida, então fechou com força o flip, cobrindo a boca com a mão enegrecida.
— TRENT! — ele gritou, esticando o pescoço enquanto o buscava em meio à multidão.
As pessoas que tinham conseguido escapar se abraçavam e choravam atrás das ambulâncias, observando horrorizadas enquanto os bombeiros jogavam água pelas janelas e entravam no prédio carregando mangueiras.
Joseph passou a mão na cabeça, desconsolado.
— Ele não conseguiu sair! Ele não conseguiu sair, Flor.
Perdi o fôlego enquanto observava a fuligem em seu rosto ficar manchada de lágrimas. Ele caiu de joelhos, e fiz o mesmo.
—O Trent é esperto, Joe. Ele saiu sim. Deve ter encontrado um caminho diferente — falei, tentando me convencer disso também.
Ele tombou no meu colo, agarrando minha blusa com as duas mãos. Eu o abracei. Não sabia mais o que fazer.
Uma hora se passou. Os soluços e lamentos dos sobreviventes e dos espectadores do lado de fora do prédio tinham virado um silêncio sombrio. Ficamos observando com uma esperança cada vez mais tênue enquanto os bombeiros traziam duas pessoas para fora e depois, todas as outras vezes, voltavam sem ninguém. Enquanto os paramédicos cuidavam dos feridos e as ambulâncias rasgavam a noite levando vítimas de queimaduras, ficamos à espera. Meia hora depois, os corpos que eles recuperaram não tinham salvação. O chão estava forrado de mortos, em número muito maior do que aqueles que tinham escapado. Os olhos de Joseph não se desgrudaram da porta, esperando que os bombeiros trouxessem seu irmão das cinzas.
— Joseph?
Nós nos viramos ao mesmo tempo e vimos Adam parado atrás de nós. Joseph se levantou, me puxando com ele.
— Que bom que vocês conseguiram sair — disse Adam, que parecia chocado e confuso. — Cadê o Trent?
Joseph não respondeu.
Nossos olhos se voltaram para os restos chamuscados do Keaton Hall e para a fumaça espessa que ainda se erguia em ondas das janelas. Enterrei o rosto no peito dele, fechando os olhos com força, na esperança de que, em algum momento, eu fosse acordar.
— Eu tenho que... hum... tenho que ligar para o meu pai — disse Joseph, franzindo as sobrancelhas enquanto abria o celular.
Inspirei fundo, para que a esperança na minha voz soasse mais forte do que eu a sentia.
— Talvez seja melhor esperar, Joseph. A gente ainda não sabe de nada.
Seus olhos não deixavam o teclado do celular, e seus lábios tremiam.
— Essa merda não está certa. Não era para ele estar aqui.
— Foi um acidente, Joseph. Você não tinha como saber que isso ia acontecer — falei, tocando sua face.
Ele comprimiu o rosto, fechando os olhos com força. Respirou fundo e começou a discar o número do telefone do pai.

~*~

APENAS ESTUPREM O BOTÃO F5 APÓS TERMINAREM DE ASSISTIR!!! kkkkkkkk



Answers:

Demetria Devone Lovato: *-* Postei!! A luta foi tensa, mas o final do capítulo foi mais ainda... :s haha Beijos.
Lívia Diniz S.: Seu pressentimento estava certíssimo! Já divulguei lá em cima, ok?! Postei. Beijos :*
Pâm Lovato: eu só quis dar um suspense kkkkkkkkkk que deu merda, deu... :s Postei, beijos.
lali: Muito obrigada pelos selinhos <333 depois eu posto eles, estou sem tempo agora. Beijos

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Capítulo 20 – Fumaça (Parte 1/2)

Divulgação: Sussurro

As semanas se passaram, e foi uma surpresa para mim como a semana do saco cheio chegou rápido. O esperado fluxo de fofocas e pessoas nos encarando havia sumido, e a vida tinha voltado ao normal. Os porões da Universidade Eastern não eram palco de lutas havia semanas. Adam tinha feito questão de manter a discrição depois que algumas prisões levaram a perguntas sobre o que exatamente havia acontecido naquela noite, e Joseph estava cada vez mais ansioso esperando pelo telefonema que o convocaria para a última luta do ano — aquela que pagaria a maior parte de suas contas no verão e grande parte do outono.
A neve ainda estava espessa no chão, e, na sexta-feira antes do recesso, teve a última guerra de bolas de neve no gramado cristalino. Joseph e eu serpenteávamos em meio ao gelo voador a caminho do refeitório, e agarrei forte o braço dele, tentando evitar as bolas de neve e um tombo.
— Eles não vão te acertar, Flor. Eles sabem que é melhor não fazer isso. — disse Joseph, mantendo o nariz frio e vermelho próximo do meu rosto.
— A mira deles não tem nada a ver com o medo que eles têm do seu temperamento, Joe.
Ele me manteve grudada na lateral de seu corpo, esfregando a manga do meu casaco com a mão enquanto me guiava em meio ao caos. Tivemos que parar de repente quando um bando de garotas passou aos gritos, vitimas da terrível mira da equipe de beisebol. Assim que elas saíram do caminho, Joseph me conduziu com segurança até a porta.
— Viu? Falei que a gente ia conseguir — ele disse com um sorriso.
Seu ar divertido se esvaneceu quando uma bola de neve bateu com força na porta, entre o meu rosto e o dele. O olhar fulminante de Joseph perscrutou o gramado, mas o grande número de alunos que jogavam bolas em todas as direções diminuiu a premência de retaliação.
Ele abriu a porta, observando a neve que escorria pelo metal pintado até o chão.
— Vamos entrar.
— Boa ideia — assenti.
Ele me levou pela mão até a fila do bufê, colocando porções de comidas diferentes e fumegantes em uma única bandeja. A moça do caixa já tinha desistido de sua previsível expressão confusa semanas antes, acostumada com a nossa rotina.
— Demi — Brazil assentiu para mim e piscou para Joseph. — Vocês têm planos para a semana que vem?
— Vamos ficar aqui. Meus irmãos vão vir — disse Joseph, distraído enquanto organizava nosso almoço, distribuindo os pequenos pratos de isopor à nossa frente na mesa.
— Vou matar o David Lapinski! — anunciou Selena, balançando a cabeça para tirar a neve dos cabelos enquanto se aproximava.
— Que mira perfeita — Nicholas riu.
Selena o fuzilou com o olhar, e a risada dele deu lugar a um risinho.
— Quer dizer... que babaca!
Demos risada com a expressão de arrependimento de Nicholas enquanto ele observava Selena seguir como um raio até a fila do bufê, indo imediatamente atrás dela.
— Esse está completamente domado — disse Brazil, com cara de desprezo.
— A Selena está um pouco tensa — Joseph explicou. — Ela vai conhecer os pais dele essa semana.
Brazil assentiu, erguendo as sobrancelhas.
— Então eles estão...
— Naquela fase — falei, concordando com ele. — É definitivo.
— Uau — disse Brazil.
A expressão de choque não saiu de seu rosto enquanto ele remexia a comida no prato, e pude ver a confusão rondando-o. Todos nós éramos jovens, e ele não conseguia entender aquele tipo de compromisso.
— Quando você tiver alguma coisa assim, Brazil... você vai entender - disse Joseph, sorrindo para mim.
O salão estava alvoroçado, tanto por causa do espetáculo lá fora quanto pela proximidade do recesso. À medida que as pessoas se sentavam, o fluxo de conversa foi ficando mais alto até virar um som ensurdecedor.
Na hora em que Nicholas e Selena voltaram com suas bandejas, já tinham feito às pazes. Ela se sentou feliz na cadeira ao lado da minha, tagarelando sobre o iminente momento de conhecer os pais de Nick. Os dois partiriam naquela noite para a casa deles — a desculpa perfeita para um dos infames ataques de fúria de Selena.
Fiquei observando-a enquanto ela pegava o pão e falava sobre o que deveria colocar na mala e quanta bagagem poderia levar sem parecer pretensiosa, mas ela parecia estar aguentando firme.
— Eu já te disse, baby. Eles vão te amar. Vão te amar como eu te amo — disse Nicholas, enfiando os cabelos dela atrás da orelha.
Selena inspirou e sorriu, como sempre acontecia quando ele fazia com que ela se acalmasse.
O celular de Joseph vibrou, deslizando alguns centímetros pela mesa. Ele o ignorou, contando a Brazil a história do nosso primeiro jogo de pôquer com os irmãos dele. Olhei de relance para o mostrador e bati de leve no ombro dele quando li o nome.
— Joe?
Sem pedir desculpa, ele parou de conversar com Brazil e me deu total atenção.
— Que foi, Beija-Flor?
— Acho que você vai querer atender essa ligação.
Ele olhou para o celular e suspirou.
— Ou não.
— Pode ser importante.
Ele franziu os lábios antes de levar o celular ao ouvido.
— E aí, Adam? — Os olhos dele examinavam atentamente o salão enquanto ele ouvia o que Adam tinha a dizer, assentindo de vez em quando.
— Essa é minha última luta, Adam. Não tenho certeza ainda. Não vou sem ela, e o Nick vai viajar. Eu sei... já entendi. Hum... não é uma má ideia, pra falar a verdade.
Minhas sobrancelhas se retraíram, vendo os olhos dele brilharem com qualquer que fosse a ideia que Adam tinha lhe dado. Quando Joseph desligou o celular, encarei-o com expectativa.
— Vai dar pra pagar o aluguel dos próximos oito meses. O Adam conseguiu o John Savage. Ele está tentando deixar a coisa mais profissional.
— Eu nunca vi esse cara lutar, e você? — Nicholas quis saber, inclinando-se para frente.
Joseph assentiu.
— Só uma vez, em Springfield. Ele é bom.
— Não o bastante — falei. Ele se inclinou e beijou minha testa em agradecimento. — Eu posso ficar em casa, Joe.
— Não — ele disse, balançando a cabeça.
— Não quero ver você levar porrada como da última vez porque ficou preocupado comigo.
— Não, Flor.
— Eu fico te esperando acordada — falei, tentando soar mais feliz com a ideia do que eu realmente me sentia.
— Vou pedir pro Trent ir junto. Ele é o único em quem confio pra poder me concentrar na luta.
— Valeu, babaca — Nicholas resmungou.
— Ei, você teve sua chance — disse Joseph, não completamente de brincadeira.
Nicholas retorceu um pouco a boca, contrariado. Ele ainda se sentia culpado pela noite no Hellerton. Ele havia me pedido desculpa todos os dias durante semanas, mas o sentimento de culpa enfim se tornara controlável o bastante a ponto de ele sofrer em silêncio. Selena e eu tentamos convencê-lo de que a culpa não era dele, mas Joseph sempre o consideraria responsável.
— Nicholas, não foi sua culpa. Você arrancou o cara de cima de mim lembra? — falei, esticando o braço na frente de Selena para dar um tapinha de leve no braço dele.
Eu me virei para Joseph e perguntei:
— Quando é a luta?
— Em algum momento da semana que vem — ele deu de ombros. — Mas quero você lá. Preciso de você lá.
Sorri, descansando o queixo no ombro dele.
— Então eu vou.
Ele me acompanhou até a aula, segurando-me mais firme algumas vezes quando meus pés deslizavam no gelo.
— Você devia tomar mais cuidado — ele me provocou.
— Estou fazendo isso de propósito, seu mala.
— Se você quer que eu te abrace é só me pedir — ele disse e me puxou para junto do peito.
Ignoramos os alunos que passavam e as bolas de neve que voavam por cima da nossa cabeça enquanto ele pressionava os lábios nos meus. Meus pés saíram do chão e ele continuou a me beijar, me carregando com facilidade pelo campus. Quando por fim me pôs no chão, na porta da sala de aula, balançou a cabeça.
— Quando a gente for fazer nosso horário para o próximo semestre, seria melhor ter mais aulas juntos.
— Vou dar um jeito nisso — falei, dando nele um último beijo antes de entrar e me sentar.
Ergui o olhar, e Joseph me deu um último sorriso antes de seguir para a aula no prédio ao lado. Os alunos à minha volta estavam acostumados com nossas demonstrações públicas de afeto, assim como os da classe dele estavam acostumados com o fato de que ele sempre chegava alguns minutos atrasado.
Fiquei surpresa que o tempo tivesse passado tão rápido. Entreguei a última prova do dia e flui caminhando até o Morgan Hall. Kara estava sentada no lugar de costume, na cama, enquanto eu remexia minhas gavetas, à procura de alguns objetos.
— Você vai viajar? — ela quis saber.
— Não, só preciso de algumas coisas. Vou até o prédio de ciências pra pegar o Joe, depois vou passar a semana no apartamento dele.
— Eu imaginei — ela respondeu, sem tirar os olhos do livro.
— Bom descanso, Kara.
— Hum-hum.
O campus estava quase vazio, com apenas algumas pessoas que ficaram para trás. Quando virei à esquina, vi Joseph parado do lado de fora do prédio, terminando de fumar. Ele usava um gorro na cabeça raspada e tinha uma das mãos enfiada no bolso da jaqueta surrada de couro marrom-escuro. A fumaça saía pelas narinas enquanto ele olhava para o chão perdido em pensamentos. Só quando cheguei bem perto notei como ele estava distraído.
— Em que você esta pensando, baby? — perguntei. Ele não ergueu o olhar. — Joseph?
Ele piscou quando notou minha voz, e a expressão preocupada foi substituída por um sorriso forçado.
— Oi, Beija-Flor.
— Está tudo bem?
— Agora está — ele disse, me puxando de encontro a ele.
— Tudo bem, o que está acontecendo? — perguntei com a sobrancelha erguida e a testa franzida, demonstrando meu ceticismo.
— Eu só estou com a cabeça cheia — ele suspirou.
Quando esperei, ele continuou:
— Essa semana, a luta, você estará lá...
— Eu te disse que posso ficar em casa.
— Preciso de você lá, Flor — ele jogou o cigarro no chão.
Ficou olhando enquanto a bituca sumia debaixo de uma profunda pegada na neve e então colocou a mão em volta da minha, me puxando em direção ao estacionamento.
— Você conversou com o Trent? — eu quis saber.
Ele fez que não.
— Estou esperando ele retornar a minha ligação.
Selena abaixou a janela e enfiou a cabeça para fora do Charger de Nicholas.
— Andem logo! Está frio pra caramba!
Joseph sorriu e apressou o passo, abrindo a porta para que eu entrasse. Nicholas e Selena repetiram a mesma conversa que já haviam tido inúmeras vezes desde que ela ficara sabendo que conheceria os pais dele enquanto eu observava Joseph olhando pela janela. Assim que paramos o carro no estacionamento do prédio, o celular dele tocou.
— Que merda, Trent — ele atendeu. — Eu te liguei faz quatro horas, e não vem me falar que você estava trabalhando. Tá. Escuta, preciso de um favor. Tenho uma luta na semana que vem e preciso que você vá. Não sei exatamente quando, mas, quando eu te ligar, preciso que você esteja lá em uma hora. Você pode fazer isso por mim? Pode ou não, seu babaca? Porque eu preciso que você fique de olho na Beija-Flor. Teve um otário que passou a mão nela da última vez e... é — Joseph baixou o tom de voz, tornando-se ameaçador. — Eu cuidei do assunto. Então, se eu te ligar...? Valeu, Trent.
Ele desligou o celular e encostou a cabeça no banco do carro.
— Aliviado? — Nicholas perguntou, observando-o pelo espelho retrovisor.
— É. Eu não sabia como ia fazer sem ele lá.
— Eu falei pra você — comecei.
— Flor, quantas vezes eu tenho que te dizer? — ele franziu a testa.
Balancei a cabeça com seu tom de impaciência.
— Mas eu não entendo. Você não precisava de mim antes.
Ele passou de leve os dedos no meu rosto.
— Antes eu não te conhecia. Mas hoje, quando você não está lá, não consigo me concentrar. Fico me perguntando onde você está, o que está fazendo... Se você está lá e posso te ver, daí eu consigo me concentrar. Eu sei que é loucura, mas é assim que funciona.
— Eu gosto de loucura — falei, me inclinando para beijar seus lábios.
— É óbvio — Selena murmurou baixinho.

***

Nas sombras do Keaton Hall, Joseph me apertou forte contra a lateral de seu corpo. O vapor que saia da minha boca se entranhava ao dele no ar frio da noite, e eu conseguia ouvir as conversas baixas das pessoas que passavam por uma porta lateral a poucos metros de distância, sem se dar conta da nossa presença.
O Keaton era o prédio mais antigo da Eastern, e, embora o Círculo já tivesse sido realizado lá antes, eu me sentia inquieta em relação ao lugar. Adam esperava que a casa ficasse cheia, e o porão do Keaton não era o mais espaçoso do campus. Vigas formavam uma grade ao longo das paredes de tijolo envelhecidas, apenas um sinal dos reparos que estavam sendo realizados lá dentro.
— Essa é uma das piores ideias que o Adam já teve — Joseph resmungou.
— É tarde demais para mudar agora — falei, erguendo o olhar para os andaimes próximos à parede.
O celular de Joseph acendeu e ele o abriu. Seu rosto se tingiu com a luz azul do mostrador, e finalmente pude ver as duas linhas de preocupação entre suas sobrancelhas, que eu já sabia que estavam lá. Ele clicou em alguns botões e fechou rapidamente o celular, me apertando com mais força.
— Você parece nervoso hoje.
— Vou me sentir melhor quando aquele delinquente do Trent chegar,
— Estou aqui, sua garotinha chorona — disse Trent com a voz abafada. Eu mal conseguia distinguir seu vulto na escuridão, mas seu sorriso reluzia ao luar.
— E aí, mana? — ele me abraçou com um dos braços e empurrou Joseph com o outro.
— Tudo bem, Trent.
Joseph relaxou de imediato e me conduziu pela mão até os fundos do prédio.
— Se os policiais aparecerem e a gente se separar, me encontre no Morgan Hall, tá? — ele disse ao irmão.
Paramos ao lado de uma janela aberta perto do chão, sinal de que Adam já estava lá dentro, esperando.
— Você está me zoando — disse Trent, olhando pela janela. — Nem a Demi vai conseguir passar por aqui.
— Vocês conseguem — Joseph garantiu, rastejando rumo à escuridão como tantas vezes antes, escorreguei para dentro, sabendo que ele me pegaria.
Ficamos esperando alguns instantes, e então Trent resmungou quando aterrissou no chão, quase perdendo o equilíbrio ao pisar no concreto.
— Sua sorte é que eu adoro a Demi. Eu não faria uma merda dessas por qualquer um — ele reclamou, tirando a sujeira da camisa.
Joseph deu um pulo, fechando a janela num movimento rápido.
— Por aqui — disse ele, conduzindo-nos pelo escuro.
Corredor após corredor, agarrando a mão de Joseph e sentindo Trent segurar o tecido da minha blusa, eu podia ouvir os pequenos pedaços de cascalho rangerem no concreto enquanto arrastávamos os pés no chão. Senti meus olhos se arregalarem, na tentativa de se ajustarem à escuridão do porão, mas não havia nenhuma luz que os ajudasse a ter algum foco.
Trent suspirou depois que viramos pela terceira vez.
— A gente nunca vai encontrar a saída.
— É só me seguir até lá fora. Vai ficar tudo bem —Joseph disse, irritado com as reclamações do irmão.
Assim que o corredor ficou mais iluminado, eu soube que estávamos perto. Quando o rugir baixo da multidão deu lugar a um ruído febril e agudo de números e nomes, eu soube que tínhamos chegado. A saleta onde Joseph ficava, esperando para ser chamado, geralmente só tinha uma lanterna e uma cadeira, mas, com a reforma, aquela estava cheia de mesas, cadeiras e equipamentos cobertos com lençóis brancos.
Joseph e Trent discutiam estratégias para a luta enquanto eu espiava do lado de fora. O lugar estava lotado e caótico, tal como na última luta, mas com menos espaço. Móveis cobertos com lençóis empoeirados estavam alinhados junto às paredes, empurrados para os lados para dar lugar aos espectadores.
O salão estava mais escuro que de costume, e imaginei que Adam estivesse tomando cuidado para não chamar atenção. Havia lanternas penduradas no teto, criando um brilho lúgubre sobre o dinheiro que era segurado no alto, enquanto as apostas ainda estavam sendo feitas.
— Beija-Flor, você me ouviu? — Joseph perguntou, pondo a mão no meu braço.
— O quê? — pisquei.
— Quero que você fique perto dessa entrada, tá? Se segura no braço do Trent o tempo todo.
— Prometo que não vou me mexer.
Ele sorriu, e sua covinha perfeita afundou na bochecha.
— Agora é você que parece nervosa.
Olhei de relance para a entrada e voltei a olhar para ele.
— Estou com um pressentimento ruim, Joe. Não em relação à luta, mas... tem alguma coisa. Esse lugar me dá arrepios.
— Não vamos ficar aqui muito tempo — ele me garantiu.
A voz de Adam surgiu no megafone, e um par de mãos familiares pousou em cada lado do meu rosto.
— Eu te amo — Joseph me disse.
Ele me envolveu nos braços, erguendo-me do chão e abraçando-me apertado enquanto me beijava. Então me soltou e enganchou meu braço no de Trent.
— Não tira os olhos dela — disse ao irmão. — Nem por um segundo. Isso aqui vai ficar uma loucura assim que a luta começar.
— ... então, vamos dar as boas-vindas ao competidor dessa noite... John Savage!
— Vou cuidar dela com minha própria vida, maninho — disse Trent, dando um puxão de leve no meu braço. — Agora vai lá detonar essa cara pra gente poder cair fora daqui.
— ... Joseph “Cachorro Louco” Jonas! — Adam gritou no megafone. 

~*~

Comentem, amore <333

Answers:

Scarleet Santos: Achei que tivesse abandonado o blog u.u kkkkkkk zoa. Ok, vou ver se posto 1 ou 2 e se der 3, não sei ao certo. O frio aqui está tenso hahaha to de calça de moletom, blusa de frio, e debaixo de 87436518 cobertas hahahaha e aí, como está o frio? Darei uma passadinha sim ^^ eu divulguei lá em cima <3 Postei, beijos.
Demetria Devone Lovato: Siiimm *-* yaayy que bom que está amando <333 Postei, beijos.
Pâm Lovato: Hahahaha acho que essa é a intenção kkk pra não ficar tão obvio que eles iam voltar. Sim *-* "Ql vai ser o proximo a estragar o namoro deles?" kkkkkkkk Postei, beijos <3
Lívia Diniz S.: Fico feliz que tenha amado \O/ hahahahah Postei, beijos <3
Nanda Carol: Sim!! *-* É, eles tem uma má fama por isso, né?! kkkkkk Sério? Awn que lindo isso, cara <333 Ok, farei sim. Mas não sei quantos. Provável que apenas 2. Postei, beijos :*