domingo, 14 de julho de 2013

Capítulo 19 – Última Dança (Parte 2/2)

O ritmo da música era mais rápido e sorri para o meu novo e surpreso parceiro, tentando ignorar o fato de que Joseph estava menos de um metro às minhas costas. Outro cara da Sig Tau começou a dançar atrás de mim, me agarrando pela cintura, e fui para trás, puxando-o para perto de mim. Isso me fez lembrar a forma como Joseph e Megan dançaram naquela noite no Red, e fiz o melhor que pude para recriar a cena que tantas vezes eu tinha desejado esquecer. Dois pares de mãos deslizavam em quase todas as partes do meu corpo, e foi fácil ignorar o meu lado mais reservado com a quantidade de álcool que eu tinha ingerido.
De repente, eu estava no ar. Joseph me jogou por cima do ombro ao mesmo tempo em que empurrava um dos caras da fraternidade, com tanta força que o fez cair no chão.
— Me solta! — gritei, socando as costas dele.
— Não vou deixar você dar vexame por minha causa — ele grunhiu, subindo as escadas dois degraus de cada vez.
A festa inteira me observava chutar e gritar enquanto Joseph cruzava a sala me carregando.
— Você não acha — falei, enquanto lutava para me soltar — que isso é dar vexame? Joseph!
— Nicholas! O Donnie está lá fora? — ele perguntou, desviando das minhas pernas e braços, que se debatiam.
— Hum... está — Nick respondeu.
— Coloca a Demi no chão! — disse Selena, dando um passo em nossa direção.
— Selena — gritei, me contorcendo —, não fique ai parada! Vem me ajudar!
Ela não aguentou e caiu na risada.
— Vocês dois estão ridículos.
Minhas sobrancelhas se uniram quando ouvi o comentário dela, e fiquei chocada e com raiva por ela ter achado qualquer parte daquela situação engraçada. Joseph seguiu em direção à porta, e olhei furiosa para ela.
— Valeu, amiga!
O ar frio atingiu as partes descobertas do meu corpo e protestei ainda mais alto.
—Me coloca no chão, droga!
Joseph abriu a porta do carro e me jogou no banco de trás, sentando ao meu lado.
— Donnie, você é o motorista da noite?
— Sou — ele respondeu nervoso, observando minha luta para fugir.
— Preciso que você leve a gente até o meu apartamento.
— Joseph... eu não acho...
A voz de Joseph era controlada, mas assustadora.
— Faz o que eu pedi, Donnie, ou te dou um soco na nuca, juro por Deus.
Donnie arrancou com o carro e me lancei em direção à maçaneta da porta.
— Eu não vou para o seu apartamento!
Joseph agarrou um dos meus pulsos e depois o outro. Eu me abaixei para morder seu braço. Ele fechou os olhos, e um grunhido baixo escapou de seu maxilar cerrado quando meus dentes afundaram em sua pele.
— Faça o seu pior, Flor. Estou cansado das suas merdas.
Parei de mordê-lo e comecei a mexer os braços, desajeitada, lutando para me soltar.
— Minhas merdas? Me deixa sair da droga desse carro!
Ele puxou meus pulsos para perto do rosto.
— Eu te amo, droga! Você não vai a lugar nenhum até ficar sóbria e a gente resolver isso!
— Você é o único que ainda não resolveu, Joseph! — falei.
Ele soltou meus pulsos e cruzei os braços, fechando a cara durante o resto do caminho até o apartamento.
Quando o carro parou, eu me inclinei para frente.
— Você pode me levar pra casa, Donnie?
Joseph me puxou para fora do carro pelo braço e me jogou por cima do ombro novamente, carregando-me escada acima.
— Boa noite, Donnie.
— Vou ligar para o seu pai! — gritei.
Joseph riu alto.
— E ele provavelmente vai me dar um tapinha nas costas e me dizer que já estava mais do que na hora!
Ele fez um esforço para abrir a porta enquanto eu chutava e mexia os braços, tentando me soltar.
— Para com isso, Flor, ou nós dois vamos sair rolando pela escada!
Assim que ele abriu a porta, entrou pisando duro em direção ao quarto de Nicholas.
— Me. Coloca. No. Chão! — gritei.
— Tudo bem — ele disse, me largando na cama do primo. — Dorme e vê se melhora. A gente conversa amanhã.
O quarto estava escuro; a única luz era um facho retangular vindo do corredor. Eu me esforcei para achar um foco em meio à escuridão, à cerveja e à raiva, e, quando ele se posicionou sob o facho de luz, ela iluminou seu sorriso presunçoso.
Soquei forte o colchão.
— Você não pode mais me dizer o que fazer, Joseph! Eu não pertenço a você!
No segundo que ele levou para se virar e ficar cara a cara comigo, sua expressão foi tomada pela ira. Ele veio até mim batendo os pés, plantou as mãos na cama e aproximou o rosto do meu.
— Bom, mas eu pertenço a você!
As veias em seu pescoço saltaram enquanto ele gritava, e não me desviei de seu olhar penetrante, recusando-me sequer a piscar. Ele olhou para os meus lábios, arfando.
— Eu pertenço a você — sussurrou, sua raiva se derretendo quando ele se deu conta de como estávamos próximos um do outro.
Antes que eu conseguisse pensar em um motivo para não fazer isso, agarrei o rosto dele e grudei meus lábios nos seus. Sem hesitar, ele me ergueu em seus braços e me carregou até seu quarto, e caímos na cama.
Arranquei a camiseta dele e tentei abrir, com dificuldade, a fivela do cinto. Ele conseguiu abri-la, jogando o cinto no chão. Depois me ergueu com uma das mãos e abriu o zíper do meu vestido com a outra. Puxei o vestido pela cabeça e o joguei em algum lugar no escuro. Então Joseph me beijou, gemendo de encontro à minha boca.
Com alguns poucos movimentos, ele estava nu, pressionando o peito contra o meu. Agarrei seu bumbum, mas ele resistiu quando tentei puxá-lo para dentro de mim.
— Nós estamos bêbados — ele disse, respirando com dificuldade.
— Por favor.
Pressionei as pernas contra o quadril dele, desesperada para aliviar a queimação entre as minhas coxas. Joseph estava determinado a fazer com que voltássemos a ficar juntos, e eu não tinha mais nenhuma intenção de lutar contra o inevitável. Assim, estava mais do que pronta para passar a noite enrolada com ele nos lençóis.
— Isso não está certo — ele disse.
Ele estava em cima de mim, pressionando a testa na minha. Eu tinha esperanças de que aquele protesto fosse passageiro, e que eu conseguisse persuadi-lo de que ele estava errado. A forma como parecíamos não conseguir ficar longe um do outro era inexplicável, mas eu não precisava mais de nenhuma explicação. Não precisava mais de nenhuma desculpa. Naquele momento, eu só precisava dele.
— Eu quero você.
— Preciso que você diga — ele falou.
Minhas entranhas gritavam por ele, e eu não suportava esperar nem mais um segundo.
— Eu digo o que você quiser.
— Então diz que pertence a mim. Diz que me aceita de volta. Eu só vou fazer isso se estivermos juntos.
— A gente nunca se separou de fato, não é? — perguntei, na esperança de que isso fosse suficiente.
Ele balançou a cabeça, roçando os lábios nos meus.
— Preciso te ouvir dizer. Preciso saber que você é minha.
— Eu sou sua desde o segundo em que nos conhecemos.
Minha voz assumiu um tom de súplica. Em qualquer outro momento, eu teria ficado constrangida, mas eu não me arrependia de nada. Eu tinha lutado contra meus sentimentos, eu os guardara, os afogara e uma garrafa de bebida. Tinha vivenciado os momentos mais felizes da minha vida na Eastern, e todos eles com Joseph. Brigando, rindo, amando ou chorando, se fosse com ele, era onde eu queria estar.
Um canto de sua boca se levantou quando ele pôs a mão no meu rosto, depois seus lábios tocaram os meus em um beijo terno. Quando o puxei para junto de mim, ele não resistiu. Seus músculos ficaram tensos, e ele prendeu a respiração enquanto me penetrava.
— Fala de novo — ele pediu.
— Eu sou sua — falei baixinho. Todos os meus nervos desejava ardentemente mais. — Nunca mais quero me separar de você.
— Promete — ele disse, gemendo enquanto me penetrava novamente.
— Eu te amo. Vou te amar pra sempre.
As palavras saíram mais em forma de suspiro, mas meus olhos encontraram os dele enquanto eu as dizia. Pude ver a incerteza naqueles olhos desaparecer, e, até mesmo sob a fraca luz, o rosto dele se iluminou.
Finalmente satisfeito, ele selou sua boca na minha.

***

Joseph me acordou com beijos. Eu sentia a cabeça pesada e anuviada por causa dos muitos drinques que bebera na noite anterior, mas a cena que se desenrolara momentos antes de eu dormir voltava à minha mente em detalhes vívidos. Lábios macios percorriam cada centímetro da minha mão, do meu braço e do meu pescoço, e, quando ele chegou aos meus lábios, eu sorri.
— Bom dia — falei, com a boca encostada na dele.
Ele não disse nada; seus lábios continuaram investigando os meus. Seus braços fortes me envolveram, e então ele enterrou o rosto no meu pescoço.
— Você está quieto hoje — falei, percorrendo com as mãos a pele desnuda de suas costas. Fui descendo com elas até o bumbum, e então enganchei a perna no quadril dele, beijando sua bochecha.
Ele balançou a cabeça.
— Eu só quero ficar assim.
Franzi a testa.
— Eu perdi alguma coisa?
— Eu não pretendia te acordar. Por que você não volta a dormir?
Eu me reclinei no travesseiro dele e ergui seu queixo. Seus olhos estavam injetados, e a pele em torno deles, vermelha e manchada.
— Tem alguma coisa errada com você? — perguntei, alarmada. Ele colocou minha mão na dele e a beijou, pressionando a testa no meu pescoço.
— Só volta a dormir, Beija-Flor. Por favor.
— Aconteceu alguma Coisa? É a Selena?
Com essa última pergunta, eu me sentei na cama. Mesmo vendo o medo em meus olhos, a expressão dele não se alterou. Ele simplesmente soltou um suspiro e se sentou também, olhando para a minha mão na dele.
—Não... a Selena está bem. Eles chegaram em casa por volta das quatro da manhã. Estão na cama ainda. É cedo, vamos voltar a dormir.
Sentindo o coração martelando no peito, eu sabia que não tinha como voltar a dormir. Joseph pegou meu rosto com ambas as mãos e me beijou. Sua boca se movia de um jeito diferente, como se estivéssemos nos beijando pela última vez. Ele me abaixou até o travesseiro, me beijou mais uma vez e depois descansou a cabeça no meu peito, envolvendo-me apertado com os braços.
Todos os possíveis motivos para o comportamento de Joseph me passaram pela cabeça, como canais de televisão. Abracei-o junto a mim, com medo de perguntar.
— Você dormiu?
— Eu... não consegui. Eu não queria... — a voz falhou.
Beijei a testa dele.
— Seja o que for, a gente vai resolver, tá? Por que você não dorme um pouco? Vamos pensar nisso quando você acordar.
Ele ergueu a cabeça e analisou meu rosto. Vi desconfiança e esperança em seus olhos.
— O que você quer dizer? Que a gente vai resolver, seja lá o que for?
Franzi as sobrancelhas, confusa. Eu não podia imaginar o que tinha acontecido enquanto eu estava dormindo que o teria deixado tão agoniado.
— Eu não sei o que está acontecendo, mas estou aqui.
— Você está aqui? Você vai ficar aqui? Comigo?
Eu sabia que minha expressão era ridícula, mas minha cabeça estava girando por causa do álcool e das perguntas bizarras do Joseph.
— Vou. Achei que a gente tinha discutido isso ontem à noite, não?
— Discutimos sim — ele assentiu, encorajado.
Olhei a esmo pelo quarto, pensando. As paredes não estavam mais vazias como quando tínhamos nos conhecido. Estavam cheias de bugigangas de lugares onde havíamos passado algum tempo juntos, e a tinta branca era interrompida por molduras negras contendo fotos minhas, do Totó e de nosso grupo de amigos. Uma moldura maior com uma foto de nós dois na minha festa de aniversário estava no lugar do sombreiro que antes ficava pendurado por um prego sobre a cabeceira da cama.
Estreitei os olhos na direção dele.
— Você achou que eu ia acordar brava com você, não é? Achou que eu ia embora?
Ele deu de ombros, numa fracassada tentativa de demonstrar a indiferença que antes lhe era tão natural.
— Você é famosa por isso.
— É por isso que você está tão perturbado? Você ficou acordado a noite toda se preocupando com o que ia acontecer quando eu acordasse?
Ele se mexeu, como se suas próximas palavras fossem difíceis de dizer.
— Eu não queria que a noite passada acontecesse daquele jeito. Eu estava meio bêbado, fiquei te perseguindo na festa como um maníaco, depois te arrastei pra cá contra a sua vontade... e aí a gente... — Ele balançou a cabeça, claramente atormentado com as lembranças que desfilavam em sua mente.
— Transou e fez o melhor sexo da minha vida? — sorri, apertando a mão dele.
Joseph deu risada uma vez, e a tensão em torno de seus olhos foi se derretendo lentamente.
— Então estamos bem?
Eu o beijei, pegando o rosto dele com ternura.
— Estamos, bobão. Eu prometi, não foi? Eu te falei tudo que você queria ouvir, a gente voltou a namorar, e nem assim você fica feliz?
Seu rosto se comprimiu em torno do sorriso.
— Joseph, para. Eu te amo — falei, alisando as linhas de preocupação que se formavam em volta de seus olhos. — Esse impasse absurdo podia ter acabado no feriado de Ação de Graças, mas...
— Espera... o quê? — ele me interrompeu, recuando.
— Eu estava pronta para ceder no Dia de Ação de Graças, mas você disse que estava cansado de tentar me fazer feliz, e fui muito orgulhosa pra te dizer que te queria de volta.
— Você está me zoando, só pode. Eu estava tentando tornar as coisas mais fáceis pra você! Você tem ideia de como fiquei triste todo esse tempo?
Franzi a testa.
— Você parecia muito bem depois das férias.
—Aquilo foi por você! Eu tinha medo de te perder se não fingisse que estava de boa com o fato de sermos amigos. Eu podia ter ficado com você esse tempo todo? Que merda, Beija-Flor!
— Eu... — Eu não tinha como discutir; ele estava certo. Eu tinha feito com que nós dois sofrêssemos, e não tinha desculpa para isso. — Eu sinto muito.
—Você sente muito? Droga, eu quase me matei de tanto beber. Eu mal conseguia sair da cama, estilhacei meu celular em um milhão de pedaços na véspera do Ano Novo pra não te ligar... e você sente muito?
Mordi o lábio e assenti, envergonhada. Eu não fazia ideia de que ele tinha passado por tudo aquilo, e ouvir aquelas palavras fez com que eu sentisse um aperto no peito.
— Me desculpa, por favor.
— Tudo bem, está desculpada — ele disse, com um largo sorriso. — Mas nunca mais faça isso de novo.
— Não vou fazer. Prometo.
Num lampejo, a covinha dele apareceu, e ele balançou a cabeça.
— Porra, como eu te amo.

 ~*~

Vocês querem capítulo(s) extra(s)???
Porque, se a resposta for sim, verei o que posso fazer por vocês ;)

Comentem, amores <3

Answers:

Pâm Lovato: Ficaram complicadas - muito mesmo -, mas agora melhoraram, não?! hahaha
Demetria Devone Lovato: kkkkkkkkkk todo mundo bêbedo fica meio maluco, as vezes. Com ele não poderia ser diferente hahaha Postei. Beijos!
Lívia Diniz S.: Yaaaay! Que com que gostou *-* Pois é, quase ninguém conhece, mas quando eu li, eu quis posta-lo aqui de imediato o/ hahaha Obrigada :D Eu fiz de tudo pra ficar muito bem adaptado, porque os personagens são bem diferentes fisicamente, então eu dei um jeito nisso pra não ficar estranho haha Postei o/
Nanda Carol: Sim, ela está acando ): só tem mais 2 capítulos... kkkkkkkkk isso quer dizer que gostou mesmo da fic *-* e isso é bom. Sim, complicadíssimos, porém, eles são perfeitos juntos <333 Postei! Beijos :*

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Capítulo 19 – Última Dança (Parte 1/2)

Pouco antes de o sol surgir no horizonte, Selena e eu deixamos em silêncio o apartamento. Não conversamos a caminho de Morgan, e fiquei feliz por isso. Eu não queria conversar, não queria pensar, só queria bloquear as últimas doze horas. Eu sentia meu corpo pesado e dolorido, como se tivesse sofrido um acidente de carro. Quando entramos no meu quarto, vi que a cama de Kara estava feita.
— Posso ficar aqui um pouco? Preciso que você me empreste sua chapinha — disse Selena.
— Sel, eu estou bem. Vai pra aula.
— Não, você não está bem. Não quero te deixar aqui sozinha.
— Mas isso é tudo que eu quero nesse momento.
Ela abriu a boca para discutir, mas soltou um suspiro. Ela sabia que não me faria mudar de ideia.
— Volto pra te ver depois da aula, então. Descanse um pouco.
Assenti, trancando a porta depois que ela saiu. A cama rangeu quando me deitei, soltando uma baforada. O tempo todo eu acreditei que era importante para Joseph, que ele precisava de mim, mas, naquele momento, eu me sentia como o novo e reluzente brinquedo que Parker havia dito que eu era. Ele queria provar ao Parker que eu ainda era dele. Dele.
— Eu não sou de ninguém — falei para o quarto vazio.
Conforme assimilei essas palavras, fui dominada pela dor que sentira na noite anterior. Eu não pertencia a ninguém.
Eu nunca tinha me sentido tão sozinha em toda a minha vida.

Finch colocou uma garrafa marrom na minha frente. Nenhum de nós se sentia no clima de comemorar nada, mas eu pelo menos estava confortada pelo fato de que, segundo Selena, Joseph evitaria a festa de casais a todo custo.
Latas de cerveja vazias pendiam do teto, cobertas de papel de presente vermelho e rosa, e vestidos vermelhos de todos os estilos passavam por nós. As mesas estavam repletas de minúsculos corações de papel-alumínio, e Finch revirou os olhos com a ridícula decoração.
— Dia dos Namorados em uma casa de fraternidade. Que romântico. —disse ele, observando os casais.
Nicholas e Selena tinham ficado lá embaixo dançando desde que chegáramos, e eu e Finch protestávamos por ter de estar ali fazendo cara feia e reclamando na cozinha. Bebi o conteúdo da garrafa bem rápido, determinada a turvar as lembranças da última festa de casais.
Finch abriu outra garrafa e me entregou, ciente do meu desespero para esquecer tudo.
— Vou pegar mais — disse ele, voltando à geladeira.
— O barril é para os convidados, as garrafas são para o pessoal da Sig Tau — rosnou uma garota ao meu lado.
Olhei para o copo vermelho que ela segurava.
— Ou talvez o seu namorado tenha te falado isso porque estava contando com um encontro barato.
Ela estreitou os olhos e se afastou da cozinha, levando seu copo para outro lugar.
— Quem era? — Finch quis saber, dispondo mais quatro garrafas no balcão.
— Uma vaca de fraternidade qualquer — falei, observando enquanto ela saia.
Na hora em que Nicholas e Selena se juntaram de novo a nós, havia seis garrafas vazias na mesa ao meu lado. Meus dentes estavam amortecidos, e eu me sentia um pouco mais à vontade e com mais disposição para sorrir. Estava mais confortável, apoiando as costas no balcão. Joseph tinha provado que não apareceria mesmo, e eu conseguiria sobreviver pelo restante da festa em paz.
— Vocês vão dançar ou o quê? — perguntou Selena.
Olhei para Finch.
— Dança comigo, Finch?
— Você vai conseguir dançar? — ele me perguntou, erguendo uma sobrancelha.
— Só tem uma forma de descobrir — falei, puxando-o para a pista. Ficamos pulando e nos balançando até que uma leve camada de suor se formou sob o meu vestido. Quando achei que meus pulmões fossem estourar, começou a tocar uma música lenta. Finch olhou ao redor, desconfortável, observando enquanto as pessoas formavam pares e se aproximavam umas das outras.
— Você vai me fazer dançar isso, não vai? — ele quis saber.
— É Dia dos Namorados, Finch. Finja que sou um garoto.
Ele riu, me puxando para os seus braços.
— É difícil fazer isso quando você está usando um vestido curto e cor-de-rosa.
— Ah, tá. Como se você nunca tivesse visto um garoto de vestido.
Ele deu de ombros.
— Verdade.
Dei uma risadinha, repousando a cabeça no ombro dele. O álcool fazia meu corpo parecer pesado e lento, enquanto eu tentava me movimentar no ritmo pausado da música.
— Se importa se eu interromper, Finch?
Joseph estava parado ao nosso lado, com um ar meio divertido, preparado para a minha reação. Meu rosto entrou em chamas.
Finch olhou para mim e depois para Joseph.
— Claro que não.
— Finch — sibilei enquanto ele se afastava.
Joseph me puxou de encontro a ele e tentei manter o máximo de distância entre nós.
— Achei que você não viesse — eu disse.
— Eu não vinha, mas fiquei sabendo que você estava aqui. Tive que vir.
Olhei em volta da sala, evitando seus olhos, mas eu tinha total consciência de todos os seus movimentos. As mudanças de pressão na ponta dos dedos onde ele me tocava, seus pés se arrastando ao lado dos meus, seus braços se mexendo, roçando meu vestido. Eu me sentia ridícula fingindo não notar nada disso. O olho dele estava melhor, o machucado já tinha quase desaparecido, e as manchas vermelhas no rosto não estavam mais ali. Todas as evidências daquela noite terrível tinham desaparecido, deixando apenas as lembranças dolorosas.
Ele observava cada inspiração minha e, quando a música estava quase acabando, suspirou.
— Você está linda, Flor.
— Nem vem.
— Nem vem o quê? Não posso dizer que você está bonita?
— Só... não começa.
— Eu não tive a intenção.
Soltei uma baforada de ar em frustração.
— Valeu.
— Não... você está linda. Isso eu tive a intenção de dizer. Eu estava falando sobre o que eu disse no meu quarto. Não vou mentir. Eu senti prazer em te arrancar do seu encontro com o Parker...
— Não era um encontro, Joseph. A gente só estava comendo. Agora ele não fala mais comigo, graças a você.
— Fiquei sabendo. Sinto muito.
— Não, você não sente.
— Vo... você está certa — ele disse, gaguejando quando viu minha expressão de impaciência. — Mas eu... Esse não foi o único motivo pelo qual eu te levei pra ver a luta. Eu queria você lá comigo, Flor. Você é meu talismã da sorte.
— Não sou nada seu - retruquei, erguendo o olhar cheio de raiva para ele.
Joseph retraiu as sobrancelhas e parou de dançar.
— Você é tudo pra mim.
Pressionei os lábios, tentando manter a raiva na superfície, mas era impossível continuar brava quando ele me olhava daquele jeito.
— Você não me odeia de verdade... odeia? — ele me perguntou.
Desviei o olhar e me afastei.
— Às vezes eu gostaria de te odiar. Seria tudo bem mais fácil.
Um sorriso cauteloso se espalhou em seus lábios, em uma linha fina e sutil.
— Então o que te deixa mais brava? O que eu fiz pra você querer me odiar, ou saber que você não consegue?
A raiva voltou. Empurrei-o e passei por ele, subindo correndo as escadas em direção à cozinha. Meus olhos estavam começando a ficar embaçados, mas eu me recusava a chorar na festa de casais. Finch estava em pé ao lado da mesa, e suspirei aliviada quando ele me entregou outra cerveja.
Durante a próxima hora, fiquei observando Joseph se desvencilhar de garotas e virar doses de uísque na sala. Cada vez que ele me pegava olhando para ele, eu desviava o olhar, determinada a terminar a noite sem me envolver em nenhuma cena.
— Vocês não parecem nada felizes — Nicholas disse para mim e Finch.
— Eles não poderiam parecer mais entediados nem se estivessem fazendo isso de propósito — Selena resmungou.
— Não esqueçam... a gente não queria vir — Finch lembrou.
Ela fez sua famosa carinha, à qual sabia que eu sempre cedia.
— Você podia fingir, Demi. Por mim.
Assim que abri a boca para retrucar com a língua afiada, Finch encostou-se ao meu braço.
— Acho que cumprimos nosso dever vamos embora, Demi?
Bebi o restante da cerveja de um gole só e peguei na mão dele. Por mais ansiosa que eu estivesse para ir embora, minhas pernas ficaram paralisadas quando ouvi a música que Joseph e eu havíamos dançado na minha festa de aniversário. Agarrei a garrafa de Finch e tomei outro gole, tentando bloquear as lembranças que vinham com a música.
Brad se apoiou no balcão ao meu lado.
— Quer dançar?
Sorri para ele, balançando a cabeça. Ele começou a dizer outra coisa mas foi interrompido.
— Dança comigo. — Joseph estava parado a menos de um metro de mim, com a mão estendida.
Selena, Nicholas e Finch olhavam fixamente para mim, esperando minha resposta com tanta ansiedade quanto Joseph.
— Me deixa em paz, Joseph — falei, cruzando os braços.
— É a nossa música, Flor.
— Nós não temos uma música.
— Beija-Flor...
— Não.
Olhei para Brad e forcei um sorriso.
— Eu adoraria dançar, Brad.
As sardas dele se esticaram pelo rosto quando ele sorriu, fazendo um gesto para que eu fosse à frente pelas escadas.
Joseph cambaleou para trás, exibindo uma evidente tristeza nos olhos.
— Um brinde! — ele gritou.
Eu hesitei, me virando bem a tempo de vê-lo subir em uma cadeira e roubar a cerveja de um cara da Sig Tau que estava perto dele. Olhei de relance para Selena, que observava Joseph com uma expressão aflita.
— Aos babacas — ele exclamou, fazendo um gesto em direção a Brad.
— E às garotas que partem o coração da gente — ele curvou a cabeça para mim. Seus olhos tinham perdido o foco. — E ao horror de perder sua melhor amiga porque você foi idiota o bastante para se apaixonar por ela.
Ele inclinou a cabeça para trás, terminando de beber o que restava, depois jogou a garrafa no chão. A sala ficou em silêncio, exceto pela música que tocava no andar de baixo, e todo mundo encarava Joseph sem entender nada.
Mortificada, agarrei a mão de Brad e o levei para o andar de baixo, na pista de dança. Alguns casais foram atrás de nós, me observando de perto para ver se havia lágrimas em meus olhos ou algum outro tipo de reação ao discurso de Joseph. Mantive a expressão serena, recusando-me a dar a eles o que queriam.
Dançamos um pouco desajeitados, e Brad suspirou.
— Aquilo foi meio... estranho.
— Bem-vindo à minha vida.
Joseph foi empurrando os casais para abrir caminho e chegar até a pista de dança, parando ao meu lado. Demorou um instante para se equilibrar.
— Vou interromper vocês.
— Não vai, não. Meu Deus! — falei, recusando-me a olhar para ele.
Depois de alguns momentos de tensão, ergui o olhar de relance e vi Joseph encarando Brad.
— Se você não se afastar da minha garota, vou rasgar a porra da sua garganta. Aqui mesmo na pista de dança.
Brad não sabia o que fazer. Nervoso, olhava ora para mim, ora para Joseph.
— Desculpa, Demi — disse por fim, lentamente soltando os braços de mim e se afastando.
Ele voltou pelas escadas e fiquei lá, parada e humilhada.
— O que eu estou sentindo por você agora, Joseph... é algo bem perto do ódio.
— Dança comigo — ele me implorou, oscilando para manter o equilíbrio.
A música acabou e soltei um suspiro de alivio.
— Vai beber mais uma garrafa de uísque, Joe.
E me virei para dançar com o único cara sozinho na pista de dança.

~*~

A Fic está acabando e ainda não sei o que postarei depois desta.
Acho que vou postar 1 ou 2 capítulos extras dessa fic, só que no ponto de vista do Joseph.
Não sei se farei isso, mas é provável que sim.
Gente, eu tava escrevendo uma fic, porém odiei tudo e comecei do zero de novo. 
Ou seja, vou demorar para finalizá-la...
Mas em breve verei o que faço em relação a próxima estória ;)

Comentem, amores <3

Answers:

Demetria Devone Lovato: Joseph e sua mania de falar merda hahaha. Obrigada pelo selinho *-* <33333 Postei!! Beijos :*
Nanda Carol: Sim, mas ambos fazem merda hahaha thanks :D Postei!!!

Selinho




Regra:
- tem que passar a tag para 5 blogs;
- repassar com o selinho (imagem);
- Colocar o link de quem criou e de quem passou;
- assim que receber a tag, tem que repassa-lo no prazo de 1 semana;
- avisar ao blog que tem tag para eles;
- tem que criar 5 perguntas das quais os blogs escolhidos terão de responder;

Quem Criou: Lado Negro
Quem passou: 
My Favorite Nerd

1: Qual é o seu personagem favorito da sua Fic?
O Finch!!!!!!!!!!!!!!
2: O que te inspira a escrever?

Músicas, livros, séries, filmes... 
3: Qual sua musica favorita da Demi?

I hate you, don't leave me; nightingale; fix a heart; lighweight; catch me; trainwreck; believe in me; stop the world; world of chances. 
4: Se tivesse a chance publicaria um livro?

Com toda e absoluta certeza! Queria publicar uma saga, ou, no mínimo, uma trilogia.
5: Qual seu gênero de filme favorito? 

Terror, Sci-Fi, Suspense e Comédia. 

5 perguntas:

1. Qual sua série de Televisão favorita?
2. Você pertence a quais Fandoms?
3. Música(s) que poderia passar a vida inteira escutando:
4. Qual é o personagem avulso que você mais gosta na sua fic?
5. Você é uma leitora ou escritora compulsiva?

Repassando:

1. Aprendendo a Amar
2. A Aposta
3. Vidas Trocadas
4. Broken
5. Inspiration

domingo, 7 de julho de 2013

Capítulo 18 – Hellerton (Parte 2/2)

O sangue começou a verter de um corte na sobrancelha e a gotejar pelo rosto de Joseph.
Fechei os olhos e me virei, na esperança de que Joseph pusesse logo um fim àquela luta. Minha leve mudança de posição fez com que eu ficasse presa na corrente de espectadores e, antes que eu pudesse me ajeitar já estava a mais de um metro de um preocupado Nicholas. Meus esforços para lutar contra a multidão foram em vão, e não demorou muito para que eu fosse prensada contra a parede.
A saída mais próxima ficava do outro lado do salão, à mesma distância da porta por onde tínhamos entrado. Bati com tudo de costas na parede de concreto e, com o baque, fiquei sem ar.
— Nick! — gritei, acenando com a mão para cima para chamar a atenção dele. A luta estava no auge. Ninguém podia me ouvir.
Um homem perdeu o equilíbrio e usou minha blusa para se endireitar, deixando cair cerveja na minha roupa. Fiquei ensopada do pescoço até a cintura, fedendo a cerveja barata, o cara ainda segurava um punhado da minha blusa enquanto tentava se levantar do chão, e fui abrindo dois dedos dele de cada vez até que ele me soltou. Ele nem olhou para mim e foi empurrando as pessoas, abrindo caminho pela multidão.
—Ei! Eu conheço você! — outro cara gritou no meu ouvido.
Recuei, reconhecendo-o de imediato. Era Ethan, o cara que Joseph ameaçara no bar — e que, de alguma forma, tinha escapado de acusações de abuso sexual.
— É — falei, procurando por um buraco na multidão enquanto endireitava a blusa.
— Essa pulseira é legal — ele disse, agarrando meu pulso.
— Ei— falei em tom de aviso, puxando a mão.
Ele esfregou meu braço, inclinando-se, e sorrindo.
— Nós fomos bruscamente interrompidos da última vez que tentei conversar com você.
Fiquei na ponta dos pés, vendo Joseph acertar dois golpes na cara de Brady. Ele analisava a multidão entre cada soco — estava procurando por mim em vez de se concentrar na luta. Eu tinha que voltar para o meu lugar antes que ele ficasse distraído demais.
Eu mal tinha conseguido avançar em meio à multidão quando Ethan afundou os dedos na parte de trás da minha calça jeans e me puxou. Minhas costas bateram com tudo na parede mais uma vez.
— Eu ainda estou conversando com você — ele disse, olhando para minha blusa molhada com segundas intenções.
Arranquei sua mão da minha calça, afundando as unhas nele.
— Me solta! — gritei, quando ele apresentou resistência.
Ele riu e me puxou para junto de si.
— Eu não quero te soltar.
Procurei entre a multidão por um rosto familiar, ao mesmo tempo em que tentei empurrá-lo para longe. Os braços dele eram pesados, e sua pegada, firme. Em pânico, eu não conseguia distinguir os alunos da Estadual dos da Eastern. Ninguém parecia notar minha briga com Ethan, e o barulho estava tão alto que ninguém conseguia me ouvir protestar também. Ele se inclinou para frente e agarrou meu bumbum.
—Eu sempre achei que você era uma gostosa — disse, exalando um bafo nojento de cerveja no meu rosto.
— Cai fora! — gritei, empurrando-o.
Procurei por Nicholas e vi que Joseph tinha finalmente me avistado em meio à multidão. Ele foi imediatamente empurrando os corpos amontoados que o cercavam.
— Joseph! — chamei, mas meu grito foi abafado pela torcida.
Empurrei Ethan com uma das mãos e estiquei a outra em direção a Joseph, que fez pouco progresso antes de ser empurrado de volta para dentro do Círculo. Brady se aproveitou da distração e o golpeou na lateral da cabeça com o cotovelo. A galera se aquietou um pouco quando Joseph socou alguém no meio da plateia, tentando mais uma vez chegar até mim.
— Larga a garota, porra! — ele gritou.
Em uma fileira entre o lugar onde eu estava e a tentativa desesperada de Joseph de chegar até mim, todos se voltaram na minha direção. Ethan ignorava o que acontecia à nossa volta, tentando me manter parada por tempo suficiente para me beijar. Ele passou o nariz pelo meu rosto e desceu até o pescoço.
— Seu cheiro é muito bom — disse, com sua fala arrastada de bêbado.
Empurrei o rosto dele para longe, mas ele me agarrou pelo pulso inabalável. Com olhos arregalados, procurei por Joseph de novo, que, aflito, olhava para Nicholas e apontava na minha direção.
— Vai até ela, Nick! Pega a Demi! — ele gritou, tentando empurrar pessoas para abrir caminho. Brady o puxou de volta para dentro do Círculo e o socou novamente.
— Você é uma puta de uma gostosa, sabia? — disse Ethan.
Fechei os olhos com nojo quando senti a boca dele em meu pescoço raiva se acumulou dentro de mim e o empurrei mais uma vez.
— Eu disse para cair fora! — gritei, golpeando a virilha dele com o joelho.
Ele se curvou para frente, levando uma das mãos até a fonte da dor e com a outra ainda segurando minha blusa, recusando-se a me soltar.
— Sua vagabunda! — ele gritou.
No momento seguinte, eu estava livre, o olhar de Nicholas era agressivo encarando Ethan enquanto o agarrava pelo colarinho. Nick o prensou contra a parede enquanto o esmurrava repetidas vezes na cara, parando apenas quando o sangue começou a jorrar do nariz e da boca de Ethan.
Nicholas me puxou até a escada, empurrando todos que estavam no caminho. Ele me ajudou a passar por uma janela aberta e depois a descer por uma saída de incêndio, me segurando quando pulei a curta distância que havia até o chão.
— Está tudo bem, Demi? Ele te machucou? — ele me perguntou.
Uma das mangas do meu suéter branco pendia apenas por alguns fios, mas tirando isso eu tinha escapado ilesa. Balancei a cabeça, ainda chocada.
Ele pegou gentilmente meu rosto nas mãos e me olhou nos olhos.
— Demi, me responde. Está tudo bem?
Assenti. À medida que o nervoso foi passando, as lágrimas começaram a cair.
— Sim, estou bem.
Ele me abraçou, pressionando o rosto na minha testa, e depois ficou rígido.
— Aqui, Joe!
Joseph veio correndo até nós, diminuindo apenas quando me pegou nos braços. Ele estava coberto de sangue, seu olho gotejava e sua boca estava toda vermelha.
— Meu Deus do céu... ela está machucada? — ele quis saber.
A mão de Nicholas ainda estava nas minhas costas.
— Ela disse que está bem.
Joseph me segurou pelos ombros para olhar para mim e franziu a testa.
— Você está machucada, Flor?
No momento em que balancei a cabeça em negativa, vi os primeiros espectadores saindo do porão e descendo pela saída de incêndio. Joseph me manteve apertada em seus braços, analisando os rostos em silêncio. Um homem baixo pulou da escada e ficou imóvel quando nos viu ali parados na calçada.
— Você — Joseph rosnou.
Então me soltou, correndo pelo gramado e lançando o homem ao chão.
Olhei para Nicholas, confusa e horrorizada.
— Foi aquele cara que ficou empurrando o Joseph de volta para o Círculo — ele disse.
Uma pequena multidão se reuniu em torno deles enquanto brigavam no chão. Joseph socou o rosto do homem várias vezes. Nicholas me puxou para junto de seu peito, que ainda arfava. O homem parou de contra-atacar, e Joseph o deixou no chão em uma poça de sangue. Os que estavam ali reunidos se espalharam, mantendo uma boa distância de Joseph ao ver a ira em seus olhos.
— Joseph! — Nicholas gritou, apontando para o outro lado do prédio. Ethan se arrastava nas sombras, usando a parede de tijolos do Hellerton para se manter em pé. Quando ouviu o grito de Nicholas para Joseph, ele se virou apenas a tempo de ver seu atacante em ação. Ethan foi mancando pelo gramado, jogando no chão a garrafa de cerveja que tinha nas mãos e se movendo o mais rápido possível. Assim que chegou a seu carro, Joseph o agarrou e o arremessou com tudo de encontro ao capô.
Ethan implorou quando Joseph agarrou sua camiseta e golpeou sua cabeça na porta do carro. A súplica foi interrompida pelo barulho alto do baque do crânio contra o para-brisa. Depois, Joseph o puxou para frente do carro e estilhaçou o farol com a cara de Ethan. Então o lançou sobre o capô, pressionando o rosto dele na lataria enquanto gritava obscenidades.
— Merda! — disse Nicholas.
Eu me virei e vi o Hellerton reluzir com o azul e o vermelho de uma viatura policial que se aproximava com rapidez. Hordas de pessoas começaram a pular do patamar da escada, formando uma cascata humana pela saída de incêndio, e um alvoroço de alunos correndo irrompeu e todas as direções.
— Joseph! — gritei.
Ele deixou o corpo desfalecido de Ethan no capô e veio correndo a nós. Nicholas me puxou até o estacionamento, abrindo rapidamente a porta do carro. Pulei no banco traseiro, esperando, ansiosa, que os dois entrassem. Os carros arrancavam a toda velocidade, com os pneus cantando, quando uma segunda viatura bloqueou uma das saídas.
Joseph e Nicholas entraram no Charger, e Nicholas xingou quando viu o engarrafamento que se formava na única saída. Ele ligou o carro e acelerou, subindo pela calçada e cortando caminho por cima do gramado. Fomos voando entre dois prédios, até chegarmos à rua de trás da faculdade.
Os pneus cantaram e o motor rosnou quando Nicholas pisou fundo no acelerador. Deslizei pelo banco e fui de encontro à lateral do carro quando dobramos uma esquina, batendo o cotovelo já machucado. As luzes da rua formavam faixas pela janela enquanto seguíamos até o apartamento em alta velocidade, mas parecia que havia se passado uma hora quando chegamos ao estacionamento do prédio.
Nicholas estacionou o Charger e desligou o motor. Os meninos abriram a porta em silêncio, e Joseph esticou as mãos para mim, me carregando no colo.
— O que houve? Cacete, Joe, o que aconteceu com seu rosto? — perguntou Selena, descendo as escadas correndo.
— Te conto lá dentro — disse Nicholas, guiando-a até a porta. Joseph me carregou escada acima, cruzou em silêncio a sala e o corredor e me colocou em sua cama. Totó batia com as patinhas nas minhas pernas, pulando para lamber o meu rosto.
—Agora não, camarada — disse Joseph com uma voz sussurrada, levando o filhotinho até o corredor e fechando a porta do quarto.
Ele se ajoelhou na minha frente, encostando-se à manga esfarrapada do meu suéter. Seu olho estava vermelho e inchado, e a pele acima, cortada e úmida de sangue. Seus lábios estavam tingidos de vermelho, pele tinha sido arrancada dos nós de alguns dedos. Sua camiseta, antes branca, agora era uma combinação de sangue, grama e terra.
Pus a mão no olho dele, e ele se afastou com a dor.
—Desculpa, Beija-Flor. Eu tentei chegar até você. Eu tentei... — Ele pigarreou para espantar a raiva e a preocupação que o sufocavam. — Eu não consegui chegar até você.
—Pede pra Selena me levar de volta para o Morgan? — falei.
—Você não pode voltar pra lá hoje. O lugar está cheio de policiais. Fica aqui. Eu durmo no sofá.
Inspirei com dificuldade, tentando segurar as lágrimas. Ele já se sentia mal o bastante.
Joseph se levantou e abriu a porta.
— Aonde você vai? — perguntei.
— Preciso tomar um banho. Eu já volto.
Selena passou por ele e veio se sentar ao meu lado na cama, me puxando para junto do peito.
—Me desculpa por não estar lá! — ela disse, chorando.
— Estou bem — falei, limpando o rosto manchado pelas lágrimas.
Nicholas bateu na porta quando entrou, me trazendo um copo de uísque pela metade.
— Toma — disse ele, entregando-o à Selena.
Ela colocou minhas mãos em concha em volta do copo e me deu um leve cutucão.
Inclinei a cabeça para trás, deixando que o líquido fluísse pela garanta. Meu rosto se comprimiu quando o uísque foi queimando até o estômago.
— Obrigada — falei, entregando o copo de volta a Nicholas.
— Eu devia ter chegado até ela antes, mas nem percebi que ela tinha sumido. Desculpa, Demi. Eu devia...
— Não é sua culpa, Nick. Não é culpa de ninguém.
— É culpa do Ethan — disse ele, borbulhando de ódio. — Aquele canalha nojento estava praticamente comendo a Demi contra a parede
— Baby! — Selena exclamou, chocada.
— Preciso de outro drinque — falei, apontando para o copo vazio na mão de Nicholas.
— Eu também — ele disse, voltando para a cozinha. Joseph entrou no quarto com uma toalha em volta da cintura e uma lata gelada de cerveja encostada no olho. Selena saiu sem dizer nada enquanto ele vestia a cueca, depois ele agarrou o travesseiro. Nicholas trouxe quatro copos dessa vez, todos cheios até a borda. Viramos o uísque sem hesitar.
— Te vejo pela manhã — disse Selena, beijando meu rosto. Joseph pegou meu copo e o colocou no criado-mudo. Ele ficou me observando por um instante e depois foi até o armário, pegou uma camiseta e jogou-a na cama.
— Desculpa por estar assim tão detonado — ele disse, segurando a cerveja junto do olho.
— Você está com uma aparência péssima. Vai estar quebrado amanhã.
Ele balançou a cabeça, indignado.
— Demi, você foi atacada hoje. Não se preocupa comigo.
— É difícil não me preocupar quando seu olho está fechando de tão inchado — eu disse, colocando a camiseta no colo.
O maxilar dele ficou tenso.
— Isso não teria acontecido se eu tivesse deixado você ficar com o Parker. Mas eu sabia que, se te pedisse, você viria. Eu queria mostrar pra ele que você ainda era minha, e aí você se machucou.
As palavras me pegaram de surpresa, como se eu não as tivesse ouvido direito.
— Foi por isso que você me pediu para ir lá hoje? Para provar algo pro Parker?
— Em parte sim — disse ele, envergonhado.
O sangue sumiu do meu rosto. Pela primeira vez desde que nos conhecíamos, Joseph tinha me enganado. Eu tinha ido ao Hellerton achando que ele precisava de mim, pensando que, apesar de tudo, estávamos de volta ao ponto em que havíamos parado. Mas eu não passava de um hidrante — ele tinha me marcado como seu território e eu havia permitido que ele fizesse isso.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Sai daqui.
— Beija-Flor — ele disse, dando um passo na minha direção.
— Sai! — gritei, agarrando o copo do criado-mudo e jogando nele. Joseph se esquivou, e o copo se estilhaçou na parede em centenas de cacos reluzentes. — Eu te odeio!
O peito dele subia e descia, como se ele tivesse sido nocauteado a ponto de ficar sem ar, e, com uma expressão cheia de dor, ele me deixou sozinha.
Arranquei a roupa e vesti a camiseta. O barulho que irrompeu da minha garganta me pegou de surpresa. Fazia um bom tempo que eu não chorava descontroladamente. Em poucos instantes, Selena entrou no quarto correndo.
Ela se enfiou na cama comigo e me envolveu nos braços. Não me fez perguntas nem tentou me consolar, apenas me abraçou enquanto eu deixava que as lágrimas ensopassem a fronha do travesseiro.

 ~*~

Minha internet está horrível! Estou ficando mais do que estressada com ela --'
Muito, muito, muito obrigada pelos comentários, amores.
Amo vocês <3333
Não vou responder por falta de tempo, mas li tudo, ok?! Beijos.

O que acharam da segunda parte do capítulo? haha
Comentem ;)