quarta-feira, 26 de junho de 2013

Capítulo 15 – Lar (Parte 2/2)

— A gente se vê depois — disse ele. — Eu te amo.
Nicholas ergueu minha mala e a colocou no porta-malas do Honda, e Selena se sentou ao meu lado. Joseph cruzou os braços no peito, conversando com o primo enquanto Selena dava partida.
— Você não pode ficar no seu quarto hoje, Demi. Ele vai direto pra lá quando sacar o que aconteceu — ela disse, enquanto saía do estacionamento em marcha a ré.
Meus olhos se encheram de lágrimas, que transbordaram e caíram pelo meu rosto.
— Eu sei.
A alegria no rosto de Joseph desapareceu quando ele viu minha expressão. Na mesma hora foi correndo até a minha janela.
— O que aconteceu, Flor? — ele me perguntou, batendo de leve vidro.
— Vai, Sel. — falei, secando os olhos.
Eu me concentrei na rua á minha frente enquanto ele corria ao lado do carro.
— Beija-Flor? Selena para a merda desse carro! — ele gritou, batendo a palma da mão com força no vidro. — Demi, não faz isso! — ele disse, percebendo o que estava acontecendo, com uma expressão distorcida de medo.
Selena virou na rua principal e pisou no acelerador
— Eu vou escutar até o fim da vida por causa disso... só pra você saber.
— Sinto muito, Sel. Muito mesmo.
Ela olhou de relance no espelho retrovisor e apertou o acelerador.
— Meu Deus, Joseph - murmurou baixinho.
Eu me virei e o vi correndo a toda velocidade atrás de nós, desaparecendo e reaparecendo entre as luzes e as sombras dos postes da rua. Quando chegou ao fim da quadra, ele virou na direção oposta e seguiu correndo rumo ao apartamento.
— Ele vai voltar para pegar a moto. Vai nos seguir até o Morgan e fazer uma cena daquelas.
Fechei os olhos.
— Então anda logo. Vou dormir no seu quarto hoje. Você acha que a Vanessa vai se incomodar?
— Ela nunca está lá. Ele realmente vai trabalhar para o Benny?
A palavra ficou presa na minha garganta, então eu só assenti. Selena pegou minha mão e a apertou de leve.
— Você está tomando a decisão certa, Demi. Você não pode passar por isso de novo. Se ele não quer te ouvir, não vai ouvir ninguém.
Meu celular tocou. Baixei o olhar e vi a cara de bobo do Joseph, então apertei o botão para ignorar a chamada. Menos de cinco segundos depois, tocou de novo. Desliguei o celular e o enfiei na bolsa.
— Isso vai dar uma puta confusão — falei, balançando a cabeça e secando os olhos.
— Não invejo sua vida pela próxima semana ou mais. Não consigo imaginar terminar o namoro com alguém que se recusa a ficar afastado. Você sabe como vão ser as coisas, não sabe?
Paramos o carro no estacionamento do Morgan. Selena segurou a porta aberta enquanto eu entrava com a mala. Corremos até o quarto dela e soltei o ar que vinha prendendo, esperando que ela abrisse a porta. Tão logo ela fez isso, me jogou a chave.
— Ele vai acabar sendo preso ou algo do gênero — Selena disse. Ela atravessou o corredor e fiquei olhando enquanto cruzava, apressada, o estacionamento, entrando no carro no exato momento em que Joseph estacionou a moto ao lado dela. Ele deu a volta correndo até o lado do passageiro e abriu a porta com tudo, olhando para o Morgan quando se deu conta de que eu não estava ali. Selena recuou com o carro enquanto ele corria para dentro do prédio. Eu me virei, olhando para a porta.
Na outra ponta do corredor, Joseph socava a porta do meu quarto, chamando meu nome. Eu não fazia nem ideia se Kara estava lá, mas, se estivesse, me senti mal pelo que ela teria de aguentar durante os minutos seguintes, até que Joseph aceitasse o fato de que eu não estava ali.
— Flor? Abre a porra dessa porta! Não vou embora até você falar comigo! — ele gritou, batendo na porta com tamanha força que o prédio todo poderia ouvi-lo.
Eu me encolhi ao ouvir a vozinha de rato de Kara.
— Que foi? — ela grunhiu.
Encostei o ouvido na porta, me esforçando para escutar. Não precisei me esforçar muito.
— Eu sei que ela está aí! — ele berrou. — Beija-Flor?
— Ela não... - Kara guinchou.
A porta bateu com tudo na parede de cimento e eu sabia que Joseph havia forçado a entrada. Depois de um minuto de silêncio, ele atravessou o corredor aos berros.
— Beija-Flor! Onde ela está?
— Eu não sei! — gritou Kara, com mais raiva do que nunca.
A porta se fechou com muita força, e de repente senti um enjoo terrível e fiquei esperando pelo que ele faria em seguida.
Depois de muitos minutos de silêncio, abri uma fenda na porta e espiei pelo amplo corredor. Joseph estava sentado, encostado na parede cobrindo o rosto com as mãos. Fechei a porta o mais silenciosamente possível, preocupada que a polícia do campus pudesse ter sido chamada. Depois de uma hora, olhei de relance para o corredor de novo. Ele não havia saído do lugar.
Verifiquei mais duas vezes durante a noite e por fim peguei no sono, lá pelas quatro da manhã. Dormi até mais tarde, sabendo que não iria à faculdade naquele dia. Liguei o celular para verificar as mensagens e vi que Joseph tinha enchido minha caixa postal. As infinitas mensagens de texto que ele tinha me enviado durante a noite variavam de pedidos de desculpas a desvarios descontrolados.
Liguei para Selena à tarde, na esperança de que Joseph não tivesse confiscado o celular dela. Quando ela atendeu, soltei um suspiro.
— Oi.
Ela manteve a voz baixa.
—Não contei pro Nicholas onde você está. Não o quero no meio disso. O Joseph está louco da vida comigo. Provavelmente vou passar a noite no Morgan hoje.
— Se o Joseph não tiver se acalmado... boa sorte ao tentar dormir aqui. Ele fez uma performance digna de Oscar no corredor ontem à noite. Estou surpresa de ninguém ter chamado os seguranças.
— Ele foi expulso da aula de história hoje. Quando você não apareceu, ele chutou e virou a sua carteira e a dele. O Nick ouviu dizer que ele ficou esperando por você depois de todas as suas aulas. Ele está ficando maluco, Demi. Eu disse a ele que estava tudo acabado entre vocês dois no momento em que ele tomou a decisão de trabalhar para o Benny. Não consigo acreditar que ele achou por um único segundo que você ficaria de boa com isso.
— Acho que a gente vai se ver quando você chegar aqui. Ainda não posso ir para o meu quarto.
Selena e eu fomos colegas de quarto durante a semana que se seguiu, e ela se certificou de manter Nicholas afastado para que ele não ficasse tentado a contar a Joseph o meu paradeiro. Era desgastante tentar não me deparar com ele. Eu evitava a todo custo o refeitório e a aula de história, e agia com cautela, saindo mais cedo das aulas. Eu sabia que teria de conversar com Joseph em algum momento, mas não conseguiria fazer isso até que ele estivesse calmo a ponto de aceitar a minha decisão.
Na sexta-feira à noite, eu estava sentada na cama, sozinha, segurando o celular ao ouvido. Revirei os olhos quando meu estômago grunhiu.
— Eu posso ir te buscar e te levar pra jantar — me disse Selena.
Fiquei folheando o livro de história, pulando as páginas em que Joseph tinha desenhado e escrito mensagens de amor nas margens.
— Não, essa é a sua primeira noite com o Nick em quase uma semana. Sel. Eu dou uma passada lá no refeitório.
— Tem certeza?
— Tenho. Fala pro Nick que eu mandei um “oi”.
Fui caminhando devagar até o refeitório, sem pressa alguma de aguentar os olhares fixos em mim daqueles que estavam às mesas. A faculdade inteira estava alvoroçada com nosso término, e o comportamento volátil de Joseph não ajudava. Assim que avistei as luzes do refeitório, vi uma silhueta escura se aproximando.
— Beija-Flor?
Parei, alarmada. Joseph apareceu sob a luz, pálido e com a barba por fazer.
— Meu Deus, Joseph! Você quase me mata de susto!
— Se você atendesse ao telefone quando eu te ligo, eu não precisaria te seguir no escuro.
— Você está com uma cara horrível — falei.
— Estive no inferno uma ou duas vezes essa semana.
Apertei os braços ao redor do corpo.
— Estou indo pegar algo pra comer. Te ligo depois, tá?
— Não. Nós precisamos conversar.
— Joe...
— Eu recusei a oferta do Benny. Liguei pra ele na quarta-feira e disse, não...
Havia um brilho de esperança em seus olhos, que desapareceu quando ele notou a minha expressão.
— Eu não sei o que você quer que eu diga, Joseph.
— Diz que me perdoa. Que me aceita de volta.
Cerrei os dentes, me proibindo de chorar.
— Não posso.
Seu rosto se contorceu. Aproveitei a oportunidade para dar a volta por ele, mas ele deu um passo para o lado e se pôs no meu caminho.
— Eu não comi, não dormi... não consigo me concentrar. Eu sei que você me ama. Tudo vai voltar a ser como era se você me aceitar de volta.
Fechei os olhos.
— A gente não dá certo juntos, Joseph. Acho que você está obcecado com o pensamento de me possuir mais do que qualquer outra coisa.
— Isso não é verdade. Eu te amo mais do que amo a minha própria vida, Beija-Flor — disse ele, magoado.
— É exatamente disso que eu estou falando. Isso é papo de gente louca.
— Não é loucura. É a verdade.
— Tudo bem... então qual é a ordem pra você? É o dinheiro, vida... ou tem algo que vem antes do dinheiro?
— Eu percebi o que eu fiz, ok? Eu entendo por que você pensa assim, mas, se eu soubesse que você ia me deixar, eu nunca teria... Eu só queria cuidar de você.
— Você já disse isso.
— Por favor, não faz isso. Eu não suporto essa sensação... isso está... está me matando — ele disse, exalando como se o ar tivesse saído por nocaute.
— Pra mim chega, Joseph.
Ele se encolheu.
— Não diz isso.
— Acabou. Vai pra casa.
Ele juntou as sobrancelhas.
— Você é a minha casa.
As palavras dele foram cortantes, e meu peito ficou tão apertado que era difícil respirar.
— Você fez sua escolha, Joe. E eu fiz a minha — falei, amaldiçoando o tremor na minha voz.
— Eu vou ficar longe de Las Vegas e longe do Benny... Vou terminar a faculdade. Mas eu preciso de você. Você é a minha melhor amiga. — A voz dele estava desesperada e partida, igualando-se à sua expressão.
Sob a luz difusa, pude ver uma lágrima cair de seu olho e, no momento seguinte, ele esticou a mão para mim e eu estava em seus braços, e seus lábios nos meus. Ele me abraçou apertado de encontro ao peito e me beijou, depois aninhou meu rosto nas mãos, pressionando os lábios com mais força na minha boca, desesperado para obter uma reação.
— Me beija — ele sussurrou, selando a boca na minha.
Mantive os olhos e a boca fechados, relaxando em seus braços. Precisei de todas as forças em meu ser para não mover minha boca junto à dele, tendo desejado aqueles lábios a semana inteira.
— Me beija! — ele implorou. — Por favor, Beija-Flor! Eu disse pra ele que não vou!
Quando senti lágrimas quentes ardendo em meu rosto frio, eu o afastei.
— Me deixa em paz, Joseph!
Eu tinha conseguido andar menos de um metro quando ele me agarrou pelo pulso. Meu braço ficou reto, estirado para trás. Não me virei.
— Eu te imploro. — Meu braço abaixou e senti um puxão quando ele se pôs de joelhos. — Estou te implorando, Demi. Não faz isso.
Eu me virei e me deparei com sua expressão de agonia, então meus olhos se voltaram para baixo e vi meu nome em espessas letras negras estampado em seu pulso flexionado. Desviei o olhar em direção ao refeitório. Ele havia provado para mim aquilo que eu temera o tempo todo. Por mais que ele me amasse, quando houvesse dinheiro envolvido, eu ficaria em segundo lugar. Exatamente como era com Patrick.
Se eu cedesse, ou ele mudaria de ideia em relação a Benny ou ficaria ressentido comigo todas as vezes em que o dinheiro pudesse tornar sua vida mais fácil. Eu o imaginava em um emprego num escritório, voltando para casa com a mesma expressão que Patrick tinha depois de uma noite de azar. Seria minha culpa que a vida dele não era o que ele desejava, e eu não podia permitir que meu futuro fosse atormentado pela amargura e pelo arrependimento que havia deixado para trás.
— Me solta, Joseph.
Depois de vários minutos, ele por fim soltou meu braço. Fui correndo até a porta de vidro, abrindo-a com força, sem olhar para trás. Todo mundo no salão ficou me encarando enquanto eu caminhava em direção ao bufê, e, assim que cheguei lá, todos se viraram para olhar para o lado de fora das janelas, onde Joseph estava de joelhos, com as palmas estiradas no chão.
A visão dele ajoelhado ali fez com que as lágrimas que eu vinha segurando voltassem a escorrer rapidamente pelo meu rosto. Passei pela pilhas de pratos e travessas, atravessando o corredor a toda velocidade em direção aos banheiros. Já era mim o bastante que todo mundo tivesse visto a cena entre mim e Joseph. Eu não poderia deixar que me vissem chorar.
Fiquei encolhida e tremendo na cabine do banheiro durante uma hora, chorando descontroladamente, até que ouvi alguém bater à porta de leve.
— Demi?
Funguei.
— O que você está fazendo aqui, Finch? Você está no banheiro feminino.
A Kara te viu entrando e foi até o meu quarto me buscar. Me deixa entrar — ele disse, com uma voz terna.
Fiz que não com a cabeça. Eu sabia que ele não podia me ver, mas não conseguia falar mais nenhuma palavra. Ouvi o suspiro que ele soltou e então vi suas mãos espalmadas no chão, quando ele começou a rastejar sob a porta da cabine.
— Não acredito que você está me obrigando a fazer isso — ele disse, se arrastando por debaixo da porta. — Você vai lamentar não ter aberto essa porta, porque acabei de rastejar nesse chão coberto de xixi e agora vou te abraçar.
Dei risada uma vez, e então meu rosto ficou comprimido em volta do sorriso quando Finch me abraçou. Meus joelhos fraquejaram, e ele me abaixou com cuidado até o chão e me colocou no colo.
— Shhhh — disse, me embalando em seus braços. Depois suspirou e balançou a cabeça. — Que droga, menina. O que eu vou fazer com você?

~*~

O que devemos fazer com Ela? hahah
Eu deixo vocês ficarem frustadas com a Demi (:
Gente, vocês já entraram de férias? ): eu só entro dia 5 de julho.
~preciso de férias!!!!!~

Comentem, amores <3

Answers:

Scarleet Santos: Obrigada *-* Pois é... ela não está totalmente certa, mas veja pelo lado dela também. A Demi não quer voltar para o pior pesadelo dela... Cara!!! Eu sou do Park Way, mas o Park Way perto de Águas Claras e do Guará. Somos de brasília, mas mesmo assim ainda moramos longe. hahah sacanagem kkkk
Pâm Lovato: Na verdade, uma coisa levou a outra... Tudo tem seus altos e baixos, e agora está, com certeza, no baixo... Ela tem suas razões e devemos compreendê-la também. Mas ela foi sim uma idiota de ter feito o que ela fez nessa segunda parte do capítulo!! 
Demetria Devone Lovato: Concordo de certa forma... mas ela tem que parar de pensar somente nela, e ver também o lado dele. Postei (: Beijos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Capítulo 15 – Lar (Parte 1/2)

Joseph finalmente abriu caminho em meio à multidão com Benny ao seu lado, sussurrando em seu ouvido. Joseph assentiu e respondeu. Meu sangue correu frio nas veias ao vê-lo ser tão amigável com o cara que havia nos ameaçado menos de vinte e quatro horas antes. Joseph se deleitou com os aplausos e os cumprimentos por seu triunfo enquanto a multidão rugia. Ele caminhava mais ereto, seu sorriso era mais largo, e, quando chegou até mim, me plantou um beijo na boca.
Pude sentir o suor salgado mesclado ao gosto ácido do sangue em seus lábios. Ele tinha ganhado a luta, mas não sem alguns machucados.
— O que foi aquilo? — perguntei, ao ver Benny rindo com sua gangue.
— Depois eu te conto. Temos muito o que conversar — disse ele, com um largo sorriso no rosto.
Um homem deu uns tapinhas nas costas dele.
— Valeu — disse Joseph em resposta, virando-se para cumprimentá-lo.
— Ansioso para ver mais uma luta sua, filho — disse o homem, entregando-lhe uma garrafa de cerveja. — Aquilo foi incrível.
— Vamos, Flor.
Ele tomou um gole da cerveja, bochechou e cuspiu. O líquido cor de âmbar no chão estava tingido de sangue. Ele foi passando em meio à multidão, inspirando fundo quando chegamos ao lado de fora, na calçada. Ele me beijou uma vez e me conduziu pela The Strip, com passos rápidos e determinados.
No elevador do hotel, me empurrou de encontro à parede espelhada agarrou minha perna e a ergueu num movimento rápido de encontro a seu quadril. Sua boca procurou a minha ansiosamente, e senti sua mão sob meu joelho deslizar até a coxa e puxar minha saia para cima.
— Joseph, tem câmera aqui — falei, com a boca encostada na sua.
— Que se foda — ele disse, rindo baixinho. — Estou comemorando.
Eu o afastei.
— Podemos comemorar no quarto — falei, limpando a boca e olhando para minha mão, vendo fios vermelhos de sangue.
— O que há de errado com você, Beija-Flor? Você ganhou, eu ganhei, nós liquidamos a dívida do Patrick e acabei de receber a proposta da minha vida.
O elevador se abriu e permaneci onde estava. Joseph saiu para o corredor.
— Que tipo de proposta? — eu quis saber
Ele estendeu a mão para mim, mas ignorei. Meus olhos se estreitaram. Eu já sabia o que ele ia dizer
Ele suspirou.
— Já falei, vamos conversar sobre isso depois.
— Vamos conversar sobre isso agora.
Ele se inclinou na minha direção, me puxou pelo pulso e me ergueu em seus braços.
— Vou ganhar dinheiro suficiente para devolver a você o que o Patrick te tirou, para você pagar o que falta da faculdade, para eu terminar de pagar minha moto e comprar um carro novo para você — ele disse, deslizando o cartão-chave pela ranhura na porta e abrindo-a, e depois me colocou no chão. — E isso é só o começo!
— E como exatamente você vai fazer isso?
Senti um aperto no peito e minhas mãos começaram a tremer.
Ele pegou meu rosto nas mãos, empolgado.
— O Benny vai me deixar lutar aqui em Vegas. Seis dígitos por luta, Flor. Seis dígitos por luta!
Fechei os olhos e balancei a cabeça em negativa, ignorando a excitação nos olhos dele.
— O que você disse pro Benny?
Joseph ergueu meu queixo e abri os olhos, temendo que ele já tivesse assinado contrato.
Ele riu baixinho.
— Falei pra ele que pensaria no assunto.
Soltei o ar que estava prendendo.
— Ah, graças a Deus! Não me assusta desse jeito, Joe. Achei que você estivesse falando sério.
Ele fez uma careta e assumiu uma postura firme antes de falar.
— Eu estou falando sério, Flor. Eu disse a ele que precisava conversar com você primeiro, mas achei que você ficaria feliz. Ele vai agendar uma luta por mês. Você faz ideia de quanto dinheiro isso significa? Dinheiro VIVO!
— Eu sei fazer conta, Joseph. E também sei manter o juízo quando estou em Vegas, algo que, é óbvio, você não sabe. Tenho que te tirar daqui antes que você faça alguma idiotice.
Fui até o armário, arranquei nossas roupas dos cabides e as enfiei furiosamente na mala.
Ele pegou gentilmente meus braços e me virou.
— Eu posso fazer isso. Posso lutar para o Benny durante um ano e a gente fica bem de vida por um bom tempo, um bom tempo mesmo.
— O que você vai fazer? Largar a faculdade e se mudar pra cá?
— O Benny vai pagar minhas viagens e marcar as lutas de acordo com o meu horário na faculdade.
Dei risada, incrédula.
— Você não pode ser tão ingênuo, Joseph. Quando se está na folha de pagamento do Benny, você não vai lutar para ele somente uma vez por mês. Esqueceu do Dane? Você vai acabar se tornando um dos capanga dele!
Ele balançou a cabeça.
— Nós já discutimos sobre isso, Flor. Ele não quer que eu faça além de participar das lutas.
— E você confia nele? Sabe por que o chamam de Benny Liso por aqui?
— Eu quero comprar um carro pra você, Beija-Flor. Um carro legal. Além de pagar as mensalidades da faculdade, as minhas e as suas.
— Ah, a máfia está distribuindo bolsas de estudos agora?
Joseph cerrou o maxilar. Ele estava irritado por ter que me convencer.
— Isso vai ser bom pra gente. Eu posso guardar dinheiro até comprar uma casa. Não consigo ganhar isso em nenhum outro lugar!
— E quanto à sua formação em direito? Você vai ver seus antigos colegas de classe com certa frequência trabalhando para o Benny, juro pra você!
— Baby, eu entendo seu medo, De verdade. Mas estou sendo esperto em relação a isso. Vou lutar por um ano e depois a gente cai fora para fazer o que bem entender.
— Não se larga simplesmente o Benny, Joe. Ele é o único que pode lhe dizer quando acabou. Você não faz ideia de com quem está lidando! Não consigo acreditar que você está sequer considerando essa possibilidade! Trabalhar para um homem que teria mandado os capangas dele nos espancarem sem dó ontem à noite se você não tivesse impedido?
—Exatamente. Eu o impedi.
— Você impediu dois dos capangas dele, Joseph. O que você vai fazer se surgir uma dúzia deles? O que você vai fazer se eles vierem atrás de mim durante uma de suas lutas?
— Não faria sentido ele fazer uma coisa dessas. Vou ganhar uma montanha de dinheiro pra ele.
— No momento em que você decidir que não vai mais fazer isso, você se torna descartável. É assim que essas pessoas trabalham.
Joseph se afastou de mim e olhou pela janela. As luzes piscantes coloriam suas feições em conflito. Sua decisão já estava tomada antes mesmo de ele vir falar comigo.
— Vai dar tudo certo, Beija-Flor. Vou garantir isso. E então a gente vai ficar bem.
Balancei a cabeça e me virei, enfiando as roupas na mala. Quando chegássemos em casa, ele voltaria a ser o velho Joseph novamente. Las Vegas fazia coisas estranhas com as pessoas, e eu não conseguiria argumentar com Joseph enquanto ele estivesse embriagado com aquele fluxo de dinheiro e uísque.
Eu me recusei a continuar discutindo o assunto até que estivéssemos no avião, com medo de que Joseph me deixasse partir sem ele. Prendi o cinto de segurança e cerrei os dentes, observando-o olhar de maneira nostálgica pela janela do avião, enquanto subíamos no céu noturno. Ele já estava sentindo falta da malícia e das tentações ilimitadas que Vegas tinha a oferecer.
— É muito dinheiro, Flor.
— Não.
Ele virou a cabeça na minha direção.
— Essa decisão é minha. Não acho que você está tendo uma visão ampla das coisas.
— E eu acho que você perdeu a droga da razão.
— Você não está nem considerando a ideia?
— Não, e nem você. Você não vai trabalhar para um criminoso assassino em Las Vegas, Joseph. É completamente ridículo que você pense que eu poderia considerar essa possibilidade.
Ele suspirou e olhou pela janela.
— Minha primeira luta é daqui a três semanas.
Meu queixo caiu.
— Você já concordou?
Ele piscou.
— Ainda não.
— Mas vai concordar?
Ele sorriu.
— Você vai parar de ficar brava quando eu te comprar um Lexus.
— Eu não quero um Lexus — falei, borbulhando de raiva.
— Você pode ter qualquer coisa que quiser, baby. Imagine a sensação de ir até a concessionária e só precisar escolher sua cor predileta.
— Você não está fazendo isso por mim. Pare de fingir que é por mim.
Ele se inclinou na minha direção e beijou o meu cabelo.
— Não, estou fazendo isso por nós. Você só não está conseguindo enxergar como vai ser o máximo.
Um calafrio se espalhou no meu peito e desceu pela coluna até as pernas. Ele não conseguiria raciocinar direito até que estivéssemos no apartamento, e eu estava morrendo de medo que Benny lhe tivesse feito uma oferta que ele não teria como recusar. Afastei meus temores; eu tinha que acreditar que Joseph me amava o bastante para esquecer as cifras e as falsas promessas que Benny lhe tinha feito.
— Flor? Você sabe preparar peru?
— Peru? — falei, pega de surpresa pela súbita mudança na conversa.
Ele apertou de leve a minha mão.
— É que o feriado de Ação de Graças está chegando, e você sabe que o meu pai te adora. Ele quer que você apareça por lá, mas a gente sempre acaba pedindo uma pizza e vendo um jogo na TV. Achei que talvez eu e você pudéssemos preparar um peru juntos. Sabe, um verdadeiro jantar de Ação de Graças com peru, uma vez na vida, na casa dos Jonas.
Pressionei os lábios, tentando não rir.
— É só colocar o peru numa travessa e deixar assando o dia inteiro. Não tem muito segredo.
— Então você vem? Vai me ajudar?
Dei de ombros.
— Claro.
Ele se distraiu das intoxicantes luzes lá embaixo, e me permiti ter esperanças de que ele percebesse, no fim das contas, como estava errado em relação ao Benny.
Joseph colocou nossas malas na cama e desabou ao lado delas. Ele não tinha mais tocado no assunto do Benny, e eu estava esperançosa de que Vegas tivesse começado a sair de seus pensamentos. Dei banho no Totó, com nojo pelo cheiro de fumaça e meias sujas que ele exalava por ter passado o fim de semana no apartamento do Brazil. Depois o sequei no quarto com uma toalha.
— Ah! Agora sim! — dei risada quando ele rebolou, borrifando em mim gotículas de água. Ele ficou em pé, apoiado nas patas traseiras, e lambeu meu rosto. — Também senti sua falta, bonitinho.
— Beija-Flor? — Joseph me chamou, estalando os dedos nervosamente.
— O quê? — respondi, esfregando Totó com a toalha felpuda amarela.
— Eu quero fazer isso. Quero lutar em Vegas.
— Não — falei, sorrindo para a carinha feliz do Totó.
Ele suspirou.
— Você não está me ouvindo. Eu vou fazer isso. Daqui a alguns meses você vai ver que tomei a decisão certa.
— Você vai trabalhar para o Benny?
Ele assentiu, nervoso, e depois sorriu.
— Eu só quero cuidar de você, Flor.
Lágrimas turvaram meus olhos, sabendo que ele estava determinado. Eu não quero nada comprado com esse dinheiro, Joseph. Não quero nada que tenha a ver com o Benny, nem com Vegas, nem com nada daquilo.
— Você não via problema algum em comprar um carro com o dinheiro das minhas lutas aqui.
— É diferente, e você sabe.
Ele franziu a testa.
— Vai ficar tudo bem, Flor, Você vai ver.
Fiquei olhando para ele por um instante, na esperança dever um reluzir de diversão em seus olhos, esperando que ele me dissesse que estava brincando. Mas tudo que pude ver foi incerteza e ganância.
— Então por que você me perguntou, Joseph? Se ia trabalhar pro Benny não importando o que eu dissesse?
— Porque quero o seu apoio, mas é muito dinheiro para recusar. Eu seria louco de dizer não.
Fiquei sentada por um momento, sem reação. Quando consegui digerir tudo, assenti.
— Tudo bem, então. Você tomou sua decisão.
Joseph reluzia de felicidade.
— Você vai ver, Beija-Flor. Vai ser o máximo! — ele exclamou, me puxando para fora da cama e beijando meus dedos. — Estou morrendo de fome, e você?
Fiz que não, e ele beijou minha testa antes de ir até a cozinha. Ao ouvir seus passos sumindo no corredor, puxei minhas roupas dos cabides, agradecida por ter lugar na mala para a maioria das minhas coisas. Lágrimas de raiva escorriam pelo meu rosto. Eu sabia que não devia ter levado Joseph àquele lugar. Eu tinha lutado com unhas e dentes para mantê-lo afastado do lado negro da minha vida e, no momento em que a oportunidade se apresentou, eu o arrastei sem pensar duas vezes ao centro de tudo que eu odiava.
Joseph agora faria parte daquilo e, se ele não ia me deixar salvá-lo, eu tinha que pelo menos me salvar.
A mala estava tão cheia que por pouco não consegui fechá-la. Puxei-a da cama e passei pela cozinha sem nem olhar para ele. Desci rapidamente os degraus, aliviada por Selena e Nicholas ainda estarem se beijando e rindo no .estacionamento;
— Beija-Flor? — Joseph me chamou da entrada do apartamento.
Peguei o pulso de Selena.
— Preciso que você me leve até o Morgan, Sel.
— O que está acontecendo? — ela me perguntou, notando a seriedade da situação pela expressão do meu rosto.
Olhei de relance para trás e vi Joseph descendo rápido as escadas e cruzando o gramado para chegar até onde estávamos.
— O que você está fazendo? — ele me perguntou, apontando para a minha mala.
Se eu lhe contasse a verdade naquele momento, todas as esperanças de me separar do Patrick, de Vegas, do Benny e de tudo que eu não queria estariam perdidas. Joseph não me deixaria ir embora, e, pela manhã, eu teria me convencido a aceitar a decisão dele.
Cocei a cabeça e abri um sorriso, tentando ganhar tempo para pensar em uma desculpa.
— Vou levar minhas coisas até o Morgan. Lá eles têm todas aquelas lavadoras e secadoras, e eu tenho uma quantidade enorme de roupa suja para lavar.
Ele franziu a testa.
— Você ia embora sem me falar nada?
Olhei de relance para Selena e depois para Joseph, me esforçando para chegar à mais crível mentira.
— Ela ia voltar, Joe. Você é tão paranoico — disse Selena, com o mesmo sorriso indiferente que havia usado tantas vezes para enganar os pais.
— Ah— ele disse, ainda na incerteza. — Você vai ficar aqui hoje à noite? — ele me perguntou, beliscando o tecido do meu casaco.
— Não sei. Depende de quando vou terminar de lavar e secar minhas roupas.
Joseph sorriu, me puxando para perto dele.
— Em três semanas, vou pagar pra alguém lavar e secar suas roupas. Ou você pode simplesmente jogar fora as roupas sujas e comprar novas.
— Você vai lutar para o Benny de novo? — perguntou Selena, chocada.
— Ele me fez uma oferta irrecusável.
— Joseph... — Nicholas começou a dizer
—Não venham pra cima de mim com essa também. Se não mudei de ideia pela Flor, não vai ser por vocês.
Selena encontrou o meu olhar e me entendeu.
— Bom, é melhor a gente ir, Demi. Vai levar uma eternidade pra você lavar e secar essa pilha de roupas.
Assenti, e Joseph se inclinou para me beijar. Eu o puxei para perto, sabendo que seria a última vez que sentiria seus lábios nos meus.
— A gente se vê depois — disse ele. — Eu te amo.

~*~

Como deu pra perceber, o mar de rosas acabou.
Agora as coisas vão complicar um pouco...
Estão avisados! haha

Comentem, amores *-*

Answers:

Demetria Devone Lovato: Sim, o Joe é foda \O/ hahaha Eu também!! E estamos conseguindo aos poucos isso! Postei (:
Scarleet Santos: Thanks <33 *-* COMO ASSIM VOCÊ É DE BRASÍLIA??? OMG, DE QUE CIDADE TU É?! É MINHA PRIMEIRA LEITORA DAQUI DE BRASÍLIA açlkfçasjdlgh Let me love you <3
Silvia: Thanks. Não tem nada não ^^ obrigada por comentar <333 Também estou em semana de provas :/ Beijos.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Capítulo 14 – Cidade do Pecado (Parte 2/2)


Joseph e Nicholas nos seguiram em silêncio enquanto descíamos a The Strip até o prédio de Benny. O trânsito, tanto de canos quanto de pessoas, estava começando a aumentar. A cada passo, eu tinha uma sensação de náusea e vazio no estômago. Minha mente estava a mil, pensando em um argumento convincente para persuadir Benny. Na hora em que batemos à grande porta verde, que eu já tinha visto tantas vezes antes, eu estava completamente decepcionada.
Não foi surpresa alguma ver o imenso porteiro — negro, aterrorizante e maciço —, mas fiquei pasma ao ver Benny parado ao lado dele.
— Benny — falei, quase sem fôlego.
— Ora, ora... Você não é mais a Lucky Thirteen, hein? O Patrick não me contou que você tinha ficado tão bonita. Eu estava esperando por você, Docinho. Ouvi dizer que tem um pagamento para mim.
Assenti e Benny fez um gesto, apontando para os meus amigos. Ergui o queixo para fingir confiança.
— Eles estão comigo.
— Receio que seus companheiros terão que esperar do lado de fora — disse o porteiro, em um tom grave incomum.
Joseph me pegou pelo braço imediatamente.
— Ela não vai entrar aí sozinha. Eu vou junto.
Benny olhou para ele e engoli em seco. Quando o chefão ergueu o olhar para o porteiro com os cantos da boca virados para cima, relaxei um pouco.
— É justo — disse Benny. — O Patrick vai ficar feliz em saber que você tem um amigo tão bom.
Então o segui para dentro, me virando para ver o olhar preocupado no rosto de Selena. Joseph segurava firme meu braço, se colocando de propósito entre mim e o porteiro. Seguimos Benny até entrarmos em um elevador, subimos quatro andares em silêncio e depois as portas se abriram.
Havia uma grande mesa de mogno no meio de uma sala ampla. Benny foi andando com dificuldade até sua luxuosa cadeira e se sentou, fazendo um gesto para que ocupássemos as duas cadeiras vazias do outro lado da mesa. Quando me sentei, senti o couro frio sob mim e me perguntei quantas pessoas tinham estado ali, naquela mesma cadeira, momentos antes de morrer. Estiquei a mão para segurar a de Joseph e ele apertou a minha, restaurando-me a confiança.
— O Patrick me deve vinte e cinco mil. Acredito que você tenha o valor total — disse Benny, rabiscando algo em um bloco de notas.
— Pra falar a verdade — fiz uma pausa, pigarreando —, faltam cinco mil, Benny. Mas eu tenho o dia todo amanhã para conseguir o restante. E cinco mil não é problema, certo? Você sabe que eu sou boa nisso.
— Demetria — disse Benny, franzindo o cenho —, assim você me decepciona. Você conhece minhas regras muito bem.
— Por... por favor, Benny. Estou pedindo que você pegue os dezenove mil e novecentos, e amanhã eu te trago o resto.
Os olhos pequenos abrilhantes de Benny se revezaram entre mim e Joseph. Foi nesse momento que notei que dois homens deram um passo à frente, saídos de cantos escuros da sala. A pegada de Joseph na minha mão ficou mais apertada, e prendi o fôlego.
— Você sabe que não aceito nada além do valor total. O fato de você estar tentando me entregar menos que isso me diz algo. Sabe o quê? Que você não tem certeza se vai conseguir tudo.
Os capangas deram mais um passo à frente.
— Eu posso conseguir o seu dinheiro, Benny — eu disse, dando risadinha nervosa. — Ganhei oito mil e novecentos em seis horas.
— Então você está me dizendo que vai me trazer oito mil e novecentos em mais seis horas? — Benny abriu um sorriso diabólico.
—O prazo é só amanhã à meia-noite — disse Joseph, olhando de relance para trás e então observando a aproximação dos homens que vinham das sombras.
— O... o que você está fazendo, Benny? — perguntei, com a postura rígida.
— O Patrick me ligou hoje. Ele me disse que você está cuidando da dívida dele.
— Estou fazendo um favor a ele. Eu não devo nenhum dinheiro a você — falei séria, meu instinto de sobrevivência vindo à tona com tudo.
Benny apoiou os cotovelos curtos e grossos na mesa.
— Estou pensando em ensinar uma lição ao Patrick, e estou curioso para saber até onde vai a sua sorte, menina.
Joseph levantou como um raio da cadeira e me puxou atrás dele. Então fomos de costas em direção à porta.
— O Josiah está do lado de fora, meu jovem. Para onde exatamente você acha que vai fugir?
Eu estava errada. Quando estava pensando em persuadir Benny a ser racional, eu deveria ter previsto a vontade de Patrick de sobreviver e a predileção de Benny por vingança.
— Joseph — falei em tom de aviso, observando os capangas se aproximarem de nós.
Ele me empurrou mais para trás e se aprumou.
— Espero que você saiba, Benny, que, quando eu derrubar os seus homens, não é com a intenção de te desrespeitar. Mas eu estou apaixonado por essa moça e não posso deixar que você a machuque.
Benny irrompeu em uma risada cacarejante.
— Tenho que lhe dar algum crédito, meu filho. Você é o cara mais corajoso que já passou por essa porta. Vou te preparar para o que você está prestes a enfrentar. O camarada mais alto à sua direita é o David. Se ele não conseguir derrubar você a socos, vai usar a faca que tem no coldre. O homem à sua esquerda é o Dane, meu melhor lutador. Aliás, ele tem uma luta amanhã, e nunca perdeu nenhuma. Tome cuidado para não machucar as mãos, Dane. Apostei alto em você.
Dane sorriu para Joseph com olhos selvagens e divertidos.
— Sim, senhor.
— Benny, para com isso! Eu posso conseguir o dinheiro pra você! — gritei.
— Ah, não... Isso está ficando interessante muito rápido — Benny deu uma risada abafada, se recostando na cadeira.
David foi para cima de Joseph, e levei as mãos à boca. O homem era forte, mas desajeitado e lento. Antes que ele pudesse dar um golpe ou tentasse pegar a faca, Joseph o incapacitou, empurrando o rosto de David para baixo e dando-lhe uma joelhada certeira. Quando Joseph deu um soco, não perdeu tempo, usando no rosto do cara toda a força que tinha. Dois socos e uma cotovelada depois, David estava no chão, caído em uma poça de sangue.
Benny jogou a cabeça para trás, rindo de um jeito histérico e socando a mesa, com o deleite de uma criança vendo desenho animado no sábado de manhã.
— Bom, vá em frente, Dane. Ele não assustou você, assustou?
Dane abordou Joseph com mais cautela, com o foco e a precisão de um lutador profissional. Seu punho cerrado voou em direção ao rosto do meu namorado com uma velocidade incrível, mas Joseph conseguiu desviar, golpeando-o com o ombro com toda a força. Os dois caíram de encontro à mesa de Benny, e então Dane agarrou Joseph com os dois braços, jogando-o no chão. Eles se engalfinharam no chão por um instante, depois Dane conseguiu se levantar, se preparando para socar Joseph, que estava preso debaixo dele. Cobri o rosto, incapaz de assistir.
Ouvi um grito de dor, então ergui o olhar e vi Joseph segurando Dane pelos cabelos volumosos e desgrenhados, acertando um soco atrás do outro na lateral da cabeça do capanga. O rosto de Dane batia com força na mesa de Benny a cada golpe que ele levava. Quando Joseph o soltou, ele mal conseguia ficar em pé, desorientado e sangrando.
Joseph o observou por um instante e depois o atacou novamente, rosnando a cada ataque, mais uma vez usando toda sua força. Dane se esquivou e acertou o maxilar de Joseph com os nós dos dedos.
Joseph sorriu e ergueu o dedo.
— Essa foi a sua vez.
Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Joseph tinha deixado o capanga do Benny acertá-lo. Ele estava se divertindo. Eu nunca o tinha visto lutar sem limites. Era um pouco assustador vê-lo liberar tudo que tinha em si naqueles matadores treinados e mesmo assim sair ganhando. Até aquele momento, eu não tinha me dado conta do que ele era capaz.
Com as perturbadoras risadas de Benny ao fundo, Joseph terminou de derrubar Dane, acertando o cotovelo bem no meio da cara dele e nocauteando-o antes que ele chegasse ao chão. Fui acompanhando o movimento até ele cair no tapete importado de Benny.
— Que jovem incrível! Simplesmente incrível! — disse Benny, batendo palmas e deliciando-se com aquilo.
Joseph me puxou para trás dele enquanto Josiah preenchia o vão da porta aberta com seu físico gigantesco.
—Devo cuidar disso, senhor?
— Não! Não, não... — disse Benny, ainda exultante com o desempenho improvisado de Joseph. — Qual é o seu nome?
Meu namorado ainda respirava com dificuldade.
— Joseph Jonas — disse ele, limpando o sangue das mãos na calça jeans.
— Joseph Jonas, acredito que você possa ajudar a sua namoradinha aqui a sair dessa encrenca.
— E como seria isso? — ele perguntou, soltando o ar.
— O Dane tinha uma luta amanhã à noite. Eu apostei alto nele, mas não me parece que ele esteja em condições de lutar tão cedo. Sugiro que você assuma o lugar dele e ganhe uma grana pra mim, e eu perdoo os cinco mil e cem restantes da dívida do Patrick.
Joseph se virou para mim.
— Beija-Flor?
— Você está bem? — perguntei, limpando o sangue do rosto dele.
Mordi o lábio, sentindo meu rosto se enrugar em uma combinação de medo e alívio.
Joseph sorriu.
— O sangue não é meu, baby. Não precisa chorar.
Benny se levantou.
— Sou um homem ocupado, meu filho. Topa ou passa?
— Topo — disse Joseph. — É só me dar as coordenadas e estarei lá.
—Você vai lutar com o Brock McMann. Ele não é nenhuma mocinha. Foi expulso do UFC no ano passado.
Joseph não se incomodou com a informação.
— É só me dizer onde preciso estar.
O sorriso de tubarão de Benny se espalhou pelo rosto.
— Eu gosto de você, Joseph. Acho que seremos bons amigos.
— Duvido — Joseph respondeu.
Ele abriu a porta para mim e manteve uma posição protetora e preparada para o ataque, até o momento em que saímos pela porta da frente.
— Meu Deus! — Selena gritou ao ver o sangue cobrindo as roupas de Joseph. — Vocês estão bem?
Ela me agarrou pelos ombros e analisou meu rosto.
— Estou bem. Só mais um dia no escritório. Para nós dois — falei, secando as lágrimas.
Joseph me agarrou pela mão e fomos correndo até o hotel, com Nicholas e Selena nos seguindo bem de perto. Poucas pessoas prestaram atenção na aparência de Joseph. Ele estava coberto de sangue e parecia que só alguns ocasionais forasteiros notavam.
— Que diabos aconteceu lá? — Nicholas por fim perguntou.
Joseph tirou as roupas, ficando só de cueca, e sumiu dentro do banheiro. O chuveiro foi ligado e Selena me entregou uma caixa de lenços de papel.
— Eu estou bem, Sel.
Ela suspirou e empurrou a caixa para mim mais uma vez.
— Não está, não.
— Não foi a minha primeira vez com o Benny — falei.
Meus músculos estavam doloridos como resultado das vinte e quatro horas de tensão pelas quais havia passado.
— Foi a primeira vez que você viu o Joseph atacar alguém como um louco — disse Nicholas. — Já vi isso acontecer uma vez e não é nada bonito.
— O que aconteceu? — insistiu Selena.
— O Patrick ligou para o Benny e passou a responsabilidade para mim.
— Eu vou matar o Patrick! Vou matar aquele filho da puta! — gritou Selena.
— O Benny não ia me considerar responsável, mas ia ensinar uma lição ao Patrick por ter enviado a filha para pagar a dívida. Ele chamou dois de seus malditos cães de guarda pra cima da gente e Joseph os derrubou. Os dois. Em menos de cinco minutos.
— Então o Benny deixou vocês irem embora? — Selena quis saber. Joseph surgiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, e a única evidência da briga era uma marca vermelha na maçã do rosto, logo abaixo do olho direito.
— Um dos caras que eu derrubei tinha uma luta amanhã à noite. Vou assumir o lugar dele e, em compensação, o Benny vai perdoar os cinco mil que faltam da dívida do Patrick.
Selena se levantou.
— Isso é ridículo! Por que estamos ajudando o Patrick, Demi? Ele te jogou aos lobos! Eu vou matar o Patrick!
— Não se eu matar primeiro — disse Joseph, borbulhando de raiva.
— Entrem na fila — falei.
— Então você vai lutar amanhã? — Nicholas perguntou.
— Num lugar chamado Zero’s. Às seis horas. É com o Brock McMann, Nick.
Nicholas balançou a cabeça.
— De jeito nenhum. Nem ferrando, Joe! O cara é um maníaco!
— É — disse Joseph —, mas ele não está lutando pela garota dele, não é? — Ele me aninhou em seus braços, beijando o topo da minha cabeça.— Você está bem, Beija-Flor?
— Isso é errado. Isso é errado em tantos sentidos. Não sei com qual deles devo tentar te convencer a não fazer isso.
— Você não me viu hoje? Vou ficar bem. Eu já vi o Brock lutar. O cara é duro na queda, mas não é imbatível.
— Eu não quero que você faça isso, Joe.
— Bom, eu não quero que você vá jantar com seu ex-namorado amanhã à noite. Acho que nós dois vamos ter que fazer algo desagradável para salvar a pele do seu pai.
Eu já tinha visto isso antes. Las Vegas muda as pessoas, cria monstros e homens arruinados. Era fácil deixar as luzes e os sonhos roubados penetrarem no sangue. Eu já tinha visto a enérgica e invencível expressão no rosto de Joseph muitas vezes antes, e a única cura era um avião de volta para casa.

***

Jesse franziu a testa quando olhei mais uma vez para o relógio.
— Você tem outro compromisso, Docinho? — ele me perguntou.
— Por favor, para de me chamar assim, Jesse. Odeio esse apelido.
— Eu odiei quando você foi embora também, o que não te impediu de ir.
— Essa conversa já deu. Vamos simplesmente jantar, tudo bem?
— Tudo bem. Vamos falar sobre o seu novo namorado. Qual é o nome dele? Joseph? — Assenti. — O que você está fazendo com aquele psicopata tatuado?
— Seja legal, Jesse, ou eu vou embora.
—Não consigo acreditar como você mudou. Não consigo acreditar que você está sentada aqui, bem na minha frente.
Revirei os olhos.
— Desencana.
— Aí está ela — disse Jesse. — A garota de quem eu me lembro.
Baixei o olhar para o relógio de pulso.
— A luta do Joseph começa em vinte minutos. É melhor eu ir.
— Ainda temos a sobremesa.
— Não posso, Jess. Não quero que ele se preocupe, pensando se vou ou não vou aparecer. Isso é importante.
Ele deixou os ombros caírem.
— Eu sei. Sinto falta dos dias em que eu era importante.
Coloquei minha mão na dele.
— A gente era criança. Isso foi há uma vida.
— Quando a gente cresceu? Você estar aqui é um sinal, Demi. Achei que nunca mais te veria e você está aqui, sentada na minha frente. Fica comigo.
Balancei lentamente a cabeça em negativa, hesitante em magoar meu amigo mais antigo.
— Eu amo o Joseph, Jess.
A decepção dele obscureceu o largo sorriso que tinha no rosto.
— Então é melhor você ir.
Dei um beijo no rosto dele e saí voando do restaurante, pegando um táxi.
— Para onde? — perguntou o taxista.
— Para o Zero’s.
Ele se virou para trás, me olhando de cima a baixo.
— Tem certeza?
— Tenho! Vamos! — falei, jogando o dinheiro sobre o banco

~*~

Vocês foram para algum dos protestos? É só pra saber mesmo ^^ hahaha
Enfim, ainda me sinto estranha por escrever o nome do Patrick nessa estória... Ainda mais do jeito que o personagem dele é aqui. De forma alguma, eu não quero desrespeitar a memória dele, ou coisa parecida. Ainda não me sinto muito bem ainda usando o nome dele, mas não vejo motivo maior para mudar. Então continuarei com Patrick, tudo bem?!
Mas se vocês quiserem, eu mudo o nome por outro...

Comentem, amores <3

Answers:

Pâm Lovato: *----* fico feliz que esteja gostando!!! Obrigada por comentar <3
Demetria Devone Lovato: Joseph fica com ciúmes até do Finch com a Demi hahaha Também fiquei mal quando descobri... ainda mais porque a Demi ainda não tinha perdoado o Patrick pelo o que ele tinha feito, e com a morte dele, a Demi deve estar se sentindo muito muito culpada... :/ é clichê, mas eu queria muito poder abraçar ela e a Dallas.
Nanda Carol: haha Tudo bem *-* o que importa é que você continua lendo e gostando <3 e é claro, me fazendo feliz comentando u_u hahaha Pois é :/ Postei. Beijos.
lali: Obrigada, linda *-* mas eu acabei de ganhar um desse e estou sem tempo pra postar e responder as perguntas do selinho, além de escolher os blogs, etc. Mas muito obrigada, de qualquer forma <333