sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Capítulo 2 - Simplesmente Demi

*Obs (novamente, só para enfatizar): Não sei se vocês irão gostar dessa história, porque ela é completamente diferente de tudo o que eu já postei aqui no blog. Se não estiverem gostando me avisem, pelo o amor de Deus, ok? haha É sério!!! Me avisem!!


Capítulo 2

Então, você é uma princesa?

— Você está de brincadeira.
Selena, minha melhor amiga de todos os tempos, tinha acabado de receber a notícia e reagiu com ceticismo.
— É verdade. Sou uma princesa. Meu pai é o rei Andrej Markov, da Krósvia.
Antes que pudesse ser pega pelo professor de Direito Penal, Selena se escondeu atrás do livro e segurou uma gargalhada. Alguns instantes depois, jogou um bilhete para mim:
“Pare de brincar. Vou acabar levando uma suspensão por sua causa.”
Dei de ombros. Não poderia convencê-la durante a aula mesmo.
Um pouco mais tarde, sentada com ela na cantina da faculdade, tentei mais uma vez:
— Selena, sei que parece a maior maluquice do mundo, mas descobri  quem é meu pai e ele é, sim, o rei da Krósvia. Na verdade, foi ele quem me achou e ontem mesmo tivemos uma conversa reveladora no hotel onde ele está hospedado.
Contei para Selena tudo o que ficara sabendo por Andrej e, depois, por minha mãe, quando já estávamos em casa, a sós. E minha mãe tinha confirmado a história toda, nos mínimos detalhes. Mas, ao contrário do que eu estava pensando, meus avós também não sabiam de nada: acreditavam tanto quanto eu que o namorado europeu é que tinha dado no pé ao saber da gravidez. Ainda bem. Menos dois mentirosos, pensei.
— Então, você está me dizendo que é filha de um rei? — A expressão no rosto de Selena já não era mais de ironia. — E agora? — indagou ela, abrindo um sorrisão todo satisfeito. — Você vai ser coroada? Caramba, Demi, já parou para pensar que você agora vai ser uma celebridade? Vai aparecer em tudo quanto é revista e vai ser disputada por jornalistas daqui e da Europa! E vai ganhar um monte de roupas e sapatos de grife! Uau! Que demais!
Sinceramente, tem horas que eu acho que Selena vive em outro planeta. Eu conto para ela que finalmente tenho um pai e a garota só pensa em futilidades!
— Por que eu ganharia roupas, Selena?
Ela revirou os olhos, como se minha pergunta tivesse sido ridícula.
— Minha filha, todo mundo vai querer vestir a mais nova princesa do pedaço.
— Eu estou mais preocupada em descobrir como vou lidar com isso agora. Meu pai quer que eu vá ficar com ele durante um tempo, para conhecer minhas origens e ser apresentada ao país dele. Eu não sei...
— Não sabe por quê? É claro que você tem que ir.
— É que não estou preparada para mudar minha vida assim — disse, enrolando uma mecha de cabelo entre os dedos. — Hoje estou aqui, sentada com você, tomando um suco de manga de caixinha, completamente anônima e dona do meu nariz. Se amanhã eu for para a Krósvia, não vou ter controle de mais nada. Vou ser vigiada e controlada o tempo todo, coisa que nunca fui, nem mesmo pela minha mãe, você sabe.
— Você está tomando por base os filmes da Sessão da Tarde. De repente, fazer parte da família real de um país pequeno como a Krósvia nem é tão sensacional assim. Aposto que as outras princesas e os príncipes de lá têm uma vida normal.
Soltei a mecha e suspirei.
— Aí é que está. Não existem outros príncipes e princesas. Meu pai não teve mais filhos e só tem uma irmã com filhos ainda pequenos, que nem são herdeiros do trono.
A gargalhada de Selena ecoou por toda a cantina.
— Herdeiros do trono? Parece que você está falando de um filme de época.
— É. Eu sei. É ridículo. Viu como eu não posso ir? Já me imaginou vestida de princesa, toda produzida e maquiada que nem as Barbies da sua irmã?
— Não seja dramática. Você tem que ir porque é a outra metade da sua história. Ser mineira, de BH, estudante de Direito e apaixonada pelo abestalhado do Nick é fácil. Você tira de letra. Só que você não é só isso e precisa descobrir como é ser de outro jeito, mesmo que depois prefira a forma antiga.
Sério. Às vezes, Selena me surpreende com sua filosofia. Mas ela não deixava de ter um pouco de razão, afinal.

*
— O que sua mulher, quero dizer, a rainha, acha de tudo isso? — perguntei a Andrej, assim que me encontrei com ele de novo, mais tarde.
Eu estava sentada em uma poltrona bem confortável, saboreando um maravilhoso café da tarde e pensando se a vida dele era sempre assim: luxo e comida com fartura.
— Ela morreu há dois anos, Demi — disse meu pai depois de um suspiro melancólico.
Coloquei a mão sobre a boca, chocada.
— Mas... o que houve com ela?
— Câncer.
— Puxa. Eu sinto muito mesmo. Deve ter sido muito triste para você — falei, com sinceridade.
— Sim. Para o país inteiro. A Elena era muito querida e carismática. E jovem. Tinha acabado de fazer 45 anos.
Nossa! Definitivamente, o dinheiro não é capaz de salvar tudo, não é mesmo?
— Por que não tiveram filhos? — ousei perguntar. Já que estávamos nesse processo de recuperação do tempo perdido, achei que não faria mal me envolver mais. Juro que não perguntei só por curiosidade.
— Ela teve. Quando nos casamos, a Elena já tinha o Joseph, mas não podia mais engravidar porque tivera que retirar o útero.
— Ela era mãe solteira? — Eu quase gritei ao fazer a pergunta. E minha mãe com medo de ser rejeitada...
— Viúva. Então, nós nos casamos e criamos o Joe como se ele fosse de nós dois. Só que ele não é meu sucessor ao trono, porque nossa legislação não permite isso para filhos adotivos.
— Então você o adotou?
— Não no papel. A Elena não quis porque o Joe tinha conhecido o pai biológico e gostava muito dele. — Andrej sentou-se a meu lado e tocou a ponta de meu nariz. — Mas ele é como um filho para mim, assim como você é minha filha.
Sorrimos um para o outro.
Eu nunca tinha conhecido um rei de verdade e sempre pensei que eles fossem pomposos e esnobes. Mas Andrej Markov, meu pai, é o contrário disso, o que me deixa muito feliz. Já pensou se eu tivesse que conviver com uma pessoa intratável, arrogante e soberba só por causa do grau de parentesco?
— Quantos anos o Joseph tem hoje? — quis saber. Já deu para notar que sou muito curiosa, não?
— Humm... — ele parou para pensar. Homens! — Acho que 25. Hoje ele não mora mais comigo, no Palácio Sorvinski. Desde que saiu da escola, ganhou sua independência e viveu vários anos fora do país, nos Estados Unidos.
— Então, você está sozinho? Digo, não tem companhia no palácio?
— O que mais tenho é companhia — disse Andrej, com humor. — Você vai ver só quantas pessoas moram lá comigo.
Abaixei a cabeça. Ainda não tinha certeza se queria mesmo conhecer minhas origens europeias. O medo permanecia à espreita.
— Andrej, eu... não sei se posso sair do Brasil agora. Você sabe, tem a faculdade e eu faço estágio num escritório de advocacia. É complicado.
Ele pareceu decepcionado, mas não desistiu.
— Filha, você pode trancar matrícula por um semestre. Não precisa ficar na Krósvia mais do que seis meses, se não quiser. Mas acho que não pode virar as costas para parte do que é. Lá também é o seu lugar e, se não tivesse sido por todo esse mal-entendido, você teria vivido na Krósvia a vida inteira. Eu não estou pedindo para você assumir o trono ou começar a governar o país junto comigo. Nem para abandonar o Brasil de vez e esquecer o que viveu aqui. Será só uma experiência. Eu prometo.
Bem que eu gostaria de acreditar em tudo isso, porque uma parte de mim queria muito ir com ele. Mas havia muitos fatores a considerar, como minha mãe, meus avós, meus amigos, Nick.
Com Nick, era um pouco diferente. Não é como se fôssemos namorados nem nada. Estávamos começando o que poderia ser uma relação duradoura, e viajar agora poderia significar o fim. Os homens não são muito de esperar, principalmente quando o vínculo ainda não é tão forte. Mas eu gostava dele e queria mesmo investir nesse relacionamento. Ou seja, mais um empecilho para minha temporada na Krósvia.
Será que estou sendo ridícula?

*
— É claro que está!
Vovó foi enfática. Para ela, não existia um porém. Era só questão de ajeitar a parte burocrática (trancar matrícula, pedir demissão, fazer o passaporte) e partir. Eu não tinha o que pensar a respeito.
— Você encontrou seu pai. Ele quer muito passar um tempo com você. O fato de ele ser um rei é só um detalhe. Não pode deixar passar essa oportunidade.
— Um detalhe? Vovó, não é como se ele fosse só rico. Ele é um rei! Isso não é só um detalhe.
Ela torceu o nariz.
Minha avó é minha segunda mãe. Boa parte de minha infância foi passada na casa dela, com meu avô também. Por isso, há muita afinidade entre nós e não temos receio de falar tudo uma com a outra. Estamos acostumadas com esse excesso de sinceridade, que com minha vó é até maior do que entre mim e minha mãe.
— Se você não for, vai ser como fugir, exatamente como a Dianna fez — profetizou ela, enquanto aumentava a velocidade da esteira ergométrica.
Ah! Esqueci de dizer. Vovó é tão preocupada com a aparência quanto sua filha, minha digníssima mãe. O dia em que ela não faz exercício é tão raro que eu nem me lembro mais de quando foi o último. Hoje, vovó está na esteira, mas também tem hidroginástica, ioga, pilates e dança de salão. Não esperem encontrar minha avó na cozinha, assando tortas. Ela não é como a maioria.
— Não é questão de fugir, puxa! Eu só acho que ainda não estou preparada para encarar tudo isso.
E foi assim com todo mundo. Ninguém achava que eu deveria esperar mais um pouco e me acostumar primeiro com a ideia de ser uma princesa antes de viajar para a Krósvia. Até mamãe foi a favor, pois ela também acreditava que os sentimentos de meu pai por mim eram verdadeiros e que ele queria mesmo que eu conhecesse e fizesse parte de seu mundo.
Assim que cheguei em casa, à noite, corri para meu quarto e liguei o computador. Havia várias mensagens em minha caixa de e-mail, a maioria banal. Só houve uma que realmente me interessou. Era de Nick, que dizia:

De: Nicholas Jonas
Para: Demetria Lovato
Assunto: Você existe?

Ei, lindinha! Tá sumida, hein? O que anda aprontando?
A gente precisa se ver... Tentei ligar pro seu celular hoje, mas só deu caixa postal. Quer encontrar comigo mais tarde? Posso te pegar na sua casa?

Beijão!
Nick J

A primeira coisa que fiz quando li a mensagem foi checar meu celular e, para minha surpresa, constatei que ele estava sem bateria.
Porcaria!
Eu queria muito ver Nick, mas, ao mesmo tempo, estava receosa. E se ele não quisesse me esperar? Ou se eu desistisse de ir por causa dele e depois me arrependesse? De qualquer forma, eu teria que descobrir o que aconteceria a seguir.

De: Demetria Lovato
Para: Nicholas Jonas
Assunto: Sim. Existo.

Oi!

Desculpa por ter desaparecido.
É que aconteceram umas coisas e eu fiquei super envolvida.
Também quero te ver, até porque preciso te contar uma história. Pode me pegar às oito?

BJ

Mal terminei de enviar o e-mail e Nick me chamou no Skype. Acho que ficou curioso e não quis esperar até a noite para saber a tal história.

Nick: O que houve? problema?
Demi: Não. Ou melhor, talvez seja um problema, sim. Mas não é nada sério.
Nick: Não vai contar?
Demi: Nem sei por onde começar, hahaha É complicado.
Nick: Tente. Eu to aqui. Não vou a lugar nenhum.
Demi: Valeu... é que eu descobri ontem quem é meu pai.
Nick: Sério?! mas isso é ótimo! né??
Demi: Sim, é ótimo. Ele é super legal e ficou muito a vontade comigo. Ele nem sabia que eu existia, acredita? foi pura coincidência ter me encontrado.
Nick: Jura? que incrível! mas então, qual é o problema? quero dizer, já que ele é legal e tal...
Demi: Bom, é que meu pai não é brasileiro. E ele quer que eu fique uns tempos c/ ele, para a gente se conhecer melhor e também para eu ver o lugar onde ele mora.
Nick: Você vai morar com ele? tipo, sair do Brasil?
Demi: Isso, mas só por uns meses.
Nick: Entendo. mas você não disse de onde seu pai é
Demi: De um país pequenininho na Europa, entre a Itália e a Eslovênia. O nome é KRÓSVIA.
Nick: KRÓSVIA?! Mas fica longe pra caralho! pow! nunca pensei que vocÊ fosse descendente de europeus.
Demi: Nem eu. Para dizer a verdade, eu já tinha me conformado em ter só mãe. parei de pensar nas minhas origens paternas ha muito tempo.
Nick: Eu achei legal.
Demi: Serio? pensei que você fosse ficar triste.
Nick: Demi, entende que você não pode deixar de ir? é a sua história e nada pode te forçar a ficar. é claro que vou ficar triste, a gente ta começando um lance legal e eu queria investir nisso. mas a gente pode esperar um pouco, né?
Demi: Quer dizer que você ta dando um tempo, tipo, até eu voltar?
Nick: Não é isso, sua encucada. quero dizer que to disposto a esperar. você não leu direito? Eu disse que quero investir na gente. não importa o tempo que vc vai ficar lá na... Krosvia, é isso?
Demi: Isso. Bom, também penso assim, mas não posso impor nada... você tem toda a liberdade de pular fora. não estamos namorando.
Nick: não?
Demi: estamos?
Nick: kkkkkkkk
Demi: ????????
Nick: podemos chamar o que temos um com o outro do que você quiser.
Aninha: Ta. Então vamos deixar para dar nome ao nosso... lance quando eu voltar. justo?
Nick: Como quiser. quando é que você vai pra lá?
Demi: Não sei. ainda nem dei a resposta ao Andrej, digo, meu pai. mas ele precisa voltar logo, por causa dos... negócios.
Nick: E o que ele faz lá?
Demi: Jura que não vai rir?
Nick: XD
Demi: Ele é... bom... o rei do pais.
Nick: !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

*
— Você não pode estar falando sério.
Estava sentada em frente a Nick numa lanchonete aonde resolvemos ir depois do cinema. Contemplava a expressão dele, que demonstrava um misto de dúvida e divertimento.
Fazia três meses que estávamos saindo e ainda eu não me acostumara com sua aparência. Isso porque Nick é um cara bem bonito, daqueles que vivem sendo perseguidos pelas garotas — e até por alguns caras também.
Ele é alto e moreno e meio musculoso, mas não em excesso como aqueles lutadores do Ultimate Fighting. Tem cabelos escuros e olhos profundos, que me deixaram sem ar quando os vi pela primeira vez, numa festa da universidade.
Desde esse dia a gente vinha se encontrando com frequência e não era segredo para ninguém que eu estava bastante interessada... Afinal, não é todo dia que a gente encontra um cara lindo, sexy, legal e disponível por aí.
Portanto, se essa minha ida súbita para a Krósvia não esfriasse nosso affair, teríamos um futuro.
— Não, Nick, isso é sério. Entra lá no Facebook que você vai ver a mensagem que o Andrej mandou para mim. Pode parecer assustador e sinistro, mas é a mais pura verdade.
Meu possível futuro namorado exalou o ar devagar.
— Isso significa que você é uma princesa?
Por que essa tem que ser a primeira constatação de todo mundo?
— Seja lá o que isso signifique na Krósvia — respondi, cansada.
— Bom, quem diria, hein? Quando essa notícia vazar, ninguém vai te deixar em paz.
— Eu sei. Vai ser terrível. Só espero já estar bem longe quando isso acontecer. Não quero ser bombardeada pelos fofoqueiros de plantão.
— Pois então se prepare. A imprensa da Krósvia vai ficar muito mais ouriçada do que a nossa. — Nick segurou minha mão, transmitindo um calor reconfortante. Se eu pudesse ter um pouco de meus dois mundos ao mesmo tempo, encararia tudo com mais facilidade.
— Por favor, não vamos mais falar sobre esse assunto, tá? — pedi. Cheguei bem perto dele e toquei seu rosto. — Será que podemos aproveitar o tempinho que nos resta? Vou embora no fim da semana.
Nick me deu um beijo leve e balançou a cabeça.
— Tão cedo?
— Sim — suspirei, voltando a me recostar na cadeira. — Quanto mais cedo eu for, mais rápido volto.
Fiz uma careta nada graciosa.
— Desse jeito, parece que você está indo para a forca. Se liga, Demi! Aproveita a viagem. Vai ser legal, você vai ver.
Sorri. Nick tinha razão. Eu estava sendo boba. Mas é difícil relaxar quando uma vozinha fica sussurrando na sua cabeça coisas do tipo:

Prepare-se. Nada será como antes.

Capítulo 1 – Simplesmente Demi.

*Obs: Não sei se vocês irão gostar dessa história, porque ela é completamente diferente de tudo o que eu já postei aqui no blog. Se não estiverem gostando me avisem, pelo o amor de Deus, ok? haha É sério!!! Me avisem!!


Capítulo 1


A Filha do Rei

Diga o que você faria se, ao abrir seu perfil no Facebook, desse de cara com esta mensagem, em inglês:

“Desculpe, mas acho que sou seu pai.”

Acho que fiquei uns cinco minutos em estado de choque, imóvel em frente do computador, lendo e relendo essa única frase que não revelava nada, mas, ao mesmo tempo, queria dizer tudo. Isso porque eu nunca soube quem era meu pai. A história que minha mãe me conta desde sempre é a seguinte:
Assim que fez 18 anos, ela foi para a Inglaterra, onde ficaria estudando inglês por um ano. Lá, conheceu meu pai, um estudante de Oxford, estrangeiro como ela, de um pequeno país da Europa chamado Krósvia. Minha mãe conta que meu pai era um cara bem bonito e simpático, de conversa agradável, e ficou a fim dela logo de cara. No princípio, foram só amigos e saíram juntos para ir ao cinema, almoçar, visitar pontos turísticos. Mas não demorou muito e começaram a namorar.
Segundo minha mãe, eles não se desgrudavam, e era tão bom ficar com ele que ela chegou a cogitar a possibilidade de estender sua estadia em Londres. Ele pareceu adorar a ideia. E tudo ia muito bem, até que meu pai passou a ficar distante e viajar constantemente, sem revelar o motivo.
Nesse meio-tempo, minha mãe descobriu que estava grávida e se apavorou. Com razão; afinal, ela só tinha 18 anos. E então, quando contou a novidade para meu pai, ele pulou fora. Simplesmente deu as costas para ela e se mandou de volta para o país dele.
Meus avós buscaram minha mãe na Inglaterra e a apoiaram, para o bem dela, que tinha ficado totalmente desnorteada com a situação. Ela nunca mais teve notícias de meu pai. Eu cresci imaginando as piores coisas sobre ele e sem a menor vontade de conhecê-lo.
Adulta, eu já nem pensava mais nessa história toda e provavelmente jamais voltaria a pensar se essa mensagem não tivesse aparecido na minha frente, assim, do nada, com direito a uma foto do homem que dizia ser meu pai ao lado da mensagem.
Sem raciocinar, resolvi responder. Eu sei, eu sei, não sou uma boba que cai na conversa de qualquer um que esteja conectado à Internet. É claro que aquele cara poderia ser um maluco qualquer. Mas não foi nem a foto nem o texto que me induziram a responder. Foi seu nome: Andrej Markov. Só alguém nascido lá pelos lados da Rússia ou do Leste Europeu mesmo poderia ter um nome desses! E bendito seja o Google, que esclarece todas as nossas dúvidas, porque só precisei copiar e colar aquele nome no espaço de busca para descobrir de quem se tratava.

*
— Por que só agora você resolveu me procurar?
Sentada no terraço da suíte presidencial do Hotel Ouro Minas, de frente para um homem que até poucos minutos antes não existia para mim, mas era absurdamente parecido comigo — o olhar, a cor dos cabelos —, só uma coisa passava por minha cabeça: Por que agora?. De acordo com a versão de minha mãe, ele não quisera saber de mim. Se ficara 20 anos sem dar notícias, devia ser porque continuava sem interesse nenhum na filha. E, do nada, ele resolvera aparecer...
Eu não deveria ter ido lá. Mas a curiosidade foi maior do que a indignação, principalmente por ser ele quem era. Portanto, enquanto Andrej Markov não explicasse o motivo de seu súbito aparecimento, eu não sairia dali.
— Eu não sabia sobre você. — A voz de meu suposto pai soou firme, mas deu para sentir o nervosismo transparecendo bem lá no fundo.
Por falta de palavras, dei um sorriso irônico. Dizer que não tivera conhecimento da gravidez de minha mãe era demais!
— É verdade — insistiu ele, em inglês. Óbvio que ele não entendia minha língua. Sorte minha que sou fluente em inglês, embora nunca tenha morado fora do país. — Sua mãe terminou comigo e desapareceu. Disse que não queria manter o namoro e voltaria para o Brasil.
— Humpf. — Esqueci como se diz “ah, que beleza”.
— Acredite, Demetria...
— Demi. Só Demi.
— Ok. Demi. Eu preciso que acredite em mim, porque jamais soube de você, jamais soube que seria pai e nunca mais procurei sua mãe porque ela desmanchou o namoro e nós éramos muito jovens. É claro que eu namorei outras garotas depois dela e, sim, ela ficou no passado. Não pensei mais na Dianna até esta semana, quando cheguei ao Brasil.
— Você quer que eu acredite que minha mãe mentiu para mim esse tempo todo? — Acho que o início de um sentimento de raiva acabou me fazendo reencontrar as palavras, que saíram de minha boca num tom mais elevado do que eu gostaria.
— E para mim também — suspirou ele, pegando em minhas mãos, e eu deixei que ele as segurasse. — Achar você foi a maior coincidência da minha vida.
Assenti sem falar nada.
Meu suposto pai me contou que, enquanto se arrumava para uma reunião com a presidente brasileira (Olha o nível do cara! Eu não consigo ser recebida nem pelo reitor da universidade em que estudo), deixou a televisão do quarto ligada como distração, mesmo não compreendendo o idioma. Estava passando um programa de culinária, desses matinais, com apresentadoras loiras e simpáticas, e ele não deu muita atenção. Até que surgiu no cenário uma mulher bonita, charmosa, na casa dos 40 anos, que por algum motivo o fez fixar o olhar na tela.
— Percebi que havia algo familiar nela — disse ele, com um olhar distante. — Então, a apresentadora chamou-a pelo nome e eu tive certeza.
Fiquei quieta, esperando que ele continuasse. Aquilo tudo era muito improvável, mas eu tinha que admitir: estava realmente acontecendo e, pior, fazia muito sentido.
O rei (sim, rei!) Andrej (pronuncia-se Andrei, com i) revelou que ficou assistindo ao programa, meio que enfeitiçado pela visão de minha mãe, até que a apresentadora começou a fazer algumas perguntas mais pessoais. Como não compreendia as falas, ele pediu ao intérprete que o acompanhava que traduzisse.
— Sua mãe se esquivou de algumas perguntas, mas, quando a mulher falou sobre família, Dianna não hesitou e contou muitas coisas sobre você.
Ele me encarou. Não dava para ignorar a emoção que transbordava dos olhos dele e eu fiquei sufocada. Cara, minha mãe mentiu para mim a vida inteira!
— Ela disse que você estudava Direito e que era muito inteligente, além de linda.
Senti minhas bochechas esquentarem. Não acredito que minha mãe disse essas coisas no ar, para milhões de telespectadores. E que meu suposto pai estava repetindo toda essa baboseira bem na minha cara. Que vergonha...
Andrej apertou minhas mãos nas suas e me encarou.
— O resto foi fácil. Achar você, quero dizer.
Assenti. Nem se eu vivesse mais mil anos imaginaria que um dia poderia ficar sentada diante de um rei de verdade e que a atenção dele estaria toda voltada para mim.
Eu tenho um pai, pensei. E ele é um rei.
— Então, eu sou uma princesa?
Ele riu.
— Sim, Demi. Você é uma princesa, herdeira de tudo o que eu tenho. Não tive outros filhos, embora tenha me casado, e vai ser a maior alegria da minha vida compartilhar tudo com você, minha filha.
Quando Andrej fez menção de me abraçar, desvencilhei-me rapidamente. Calma aí! Já pulamos para esse nível? Já estamos falando de vida em família?
— Olha só, Andrej — comecei, devagar, tentando demonstrar maturidade e controle, o contrário do que sentia. — Eu nem conheço você. Mesmo que eu seja sua filha de verdade, e isso ainda não foi confirmado, acho que é meio tarde para começarmos uma relação de pai e filha agora.
— Nada disso. Não concordo — retrucou ele, cheio de convicção. — E tenho certeza de que você é minha filha. Por acaso não percebeu como somos parecidos?
É. Eu tinha percebido, sim. Minha visão funciona muito bem.
— Preciso falar com minha mãe — disse, por fim.
— É claro. Eu também gostaria de falar com ela.
Concordei. Era hora de ouvir o outro lado da história.

*
Minha mãe é uma mulher branca, com um leve tom dourado na pele, adquirido nas horas trabalhando a céu aberto, quando está realizando eventos ao ar livre. Por isso é que fiquei tão chocada ao vê-la empalidecer, como se tivesse visto um fantasma. Tudo bem, foi como se ela tivesse realmente visto um fantasma, só que no sentido metafórico.
A cor de Andrej Markov também não estava das melhores. Os dois ficaram encarando um ao outro com tanta surpresa no olhar que chegava a ser palpável. Naquele momento, tive certeza: estava diante de meus pais e nenhuma palavra que minha mãe dissesse conseguiria negar isso.
Eu poderia até pirar por conta dessa reviravolta em minha vida! Não ter um pai já era ruim, mas descobrir que minha mãe e talvez até meus avós mentiram descaradamente sobre isso por anos era pior. Bem pior.
— O que você está fazendo aqui? — minha mãe perguntou num inglês perfeito, mas com a voz carregada de sentimentos não definidos.
Andrej sorriu de um jeito meio constrangido, meio emocionado, e disse:
— Acho que você ficou com uma coisa minha quando me deixou.
Uau! Que resposta!
Estávamos os três no escritório da empresa de minha mãe (ela é dona de um buffet), todos de pé, mas eu fiquei mais afastada, assistindo ao diálogo dos dois como se fosse só uma espectadora de um drama mexicano. Ninguém pareceu sentir falta de minha participação na discussão, que transcorreu mais ou menos assim:
MÃE: — Como foi que nos encontrou?
PAI: — Você acha que isso é o mais importante agora? Depois desse tempo todo, nem uma maldita palavra! Como você teve coragem de esconder nossa filha de mim?
Meu coração perdeu uns dois batimentos. Era estranho escutar um homem se referir a mim como filha.
MÃE: — Quem disse que a Demi é sua filha? Você está deduzindo isso baseado no fato de ela ter 20 anos?
PAI: — Não, estou simplesmente seguindo o princípio de que a Demi é a minha cara.
Ei, caso eles não tenham percebido, a Demi está aqui, bem na frente deles.
Minha mãe bufou de um jeito nem um pouco bonito.
MÃE: — Até parece! A Demi, a sua cara?
PAI: — Você sabe que sim. Mas não é só por isso. Dianna, você fugiu da Inglaterra de uma hora para outra e terminou comigo sem explicar direito o motivo. Eu não imaginei naquela época que fosse por causa de uma gravidez. Mas agora tudo faz sentido. Você ficou com medo.
Minha mãe abaixou a cabeça e pôs-se a encarar as pontas finas de seus sapatos de salto altíssimo. Ela ainda é muito bonita e se veste muito bem. Nós não somos parecidas. Enquanto ela tem os cabelos escuros e meio ondulados, olhos quase negros e uma elegância nata, eu nasci para ser comum. Meus cabelos são lisos e são castanho-claros, acobreados. Meus olhos são acinzentados e não sou nem um pouco elegante. Estou mais para básica. Resumindo: minha mãe gosta de saltos; eu, de sapatilhas.
MÃE: — Eu tive razão para ter medo, você não acha?
Embora a voz dela tenha saído bem baixinho, acho que minha mãe acabara de assumir que Andrej era mesmo meu pai...
MÃE: — Você é um rei. Eu deveria ter ficado longe de você desde que soube desse “detalhe”. Não temos nada a ver um com o outro. E uma filha ilegítima certamente não se encaixaria nos planos dos seus pais para você.
Andrej suspirou, enquanto eu prendi a respiração. Ele passou as mãos repetidas vezes pelos cabelos, acho que tentando articular o que pretendia dizer. E então falou:
PAI: — Dianna, que pena que você acredite demais em contos de fadas.
MÃE: — C-como a-assim?
PAI: — A família real de Krósvia leva outro tipo de vida. Somos tão humanos como qualquer pessoa. Sua gravidez teria sido recebida com um susto, sim, porque éramos muito jovens, mas jamais com desprezo. Já passou pela sua cabeça que nós poderíamos ter nos casado?
MÃE: — Rá! Você diz isso agora. Queria ver se fosse naquela época.
PAI: — Não, você não queria. Por isso fugiu.
Andrej estava certo. Minha mãe fora covarde. Por outro lado, até entendo o lado dela. Afinal, ele era um rei, e o que sabemos das famílias reais que existem por aí? Basta procurar Lady Di no Google.
O celular de meu pai tocou antes que ele recebesse uma nova réplica de minha mãe e ele se virou para atender.
Só então ela notou minha presença. Olhou para mim com olhos suplicantes, aguardando minha reação. É claro que não fugi, nem gritei com ela, nem disse que não queria vê-la nunca mais. Pelo amor de Deus, já sou bem grandinha, dá para pular a parte da revolta. Cheguei perto e segurei as mãos dela, que estavam frias e trêmulas. E disse:
— Você poderia ter me contado, mãe. Eu entenderia.

Então ela chorou, em silêncio mesmo. E eu soube naquele momento que não importava ter ficado sem um pai por 20 anos. Porque eu pude ter minha mãe comigo nesses anos todos. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Desculpas, mas boas notícias!

Eu estou super enrolada, não estou tendo muito tempo e ainda fiquei encarregada de revisar o livro que meu amigo está escrevendo. Eu estou ajudando ele com umas coisas, como descrever as coisas, porque ele não é muito bom nisso...
Estou tentando encaixar tudo para ter tempo pro blog, porque já era pra eu ter postado o primeiro capítulo :s
De qualquer maneira, a boa notícia, é que vou postar nessa semana ;D nem que eu mate um hahahah mas não sei quando. Farei o possível para ser o mais rápido, Ok?! Ok.

Espero que entendam.
Até breve ;)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Prólogo - Simplesmente Demi


Durante minha vida inteira, desde que era muito pequena, tive um sonho recorrente, daqueles que são sempre iguais e você nunca sabe quando virão. É um sonho tranquilo, mas misterioso, e nada nele muda. Nunca. É sempre a mesma cena: estou sozinha num campo muito verde, com flores de todas as cores plantadas numa espécie de canteiro nas laterais. Uso um vestido amarelo-ouro, longo, tomara que caia e bem rodado a partir da cintura. Ele é lindo. O tecido é tão fino e sedoso que consigo senti-lo enquanto sonho. Meus cabelos estão presos num coque perfeito. Nenhum fio ficou de fora. Atrás de mim, há uma escadaria cujo fim não consigo enxergar. Não sei para onde ela vai, nem imagino o que há depois dela. Só sei que fico olhando para o alto, primeiro com uma expressão confusa, mas depois acabo por sorrir. Então, de repente, começa a ventar, e venta tanto que meus cabelos se soltam e disparam a rodopiar em volta de minha cabeça. Olho para cima outra vez e fico transtornada. Não sei o que vejo, mas não deve ser coisa boa. Em seguida, algo chama minha atenção do outro lado do campo e eu me viro. Alegro-me com seja lá o que for que tenha surgido e estendo a mão. Sei que vou tocar alguma coisa, mas, quando estou prestes a saber o que é, acordo.
Por causa desse sonho, já fiz sessões de psicanálise e a psicanalista disse que, inconscientemente, eu estava em busca de algo para minha vida que só eu poderia descobrir o que era. Não diga! Fui a cartomantes, médiuns e videntes e todos afirmaram que me prendi a algum carma deixado por minhas vidas passadas. Pois é! Um padre disse que eu precisava frequentar mais a igreja. Sem tempo. E então minha melhor amiga, Selena, depois de anos de convivência comigo, concluiu que o sonho não tinha nenhum significado específico e que eu deveria deixá-lo para lá, uma vez que ele não revelava nada importante, tipo com quem eu me casaria — se é que eu faria isso —, nem nada bombástico, como a data de minha morte, por exemplo.
Mas o mais sinistro de tudo isso era a cara que minha mãe fazia sempre que eu anunciava que tinha sonhado com aquilo outra vez. Ela simplesmente arregalava os olhos e dizia:
— Esqueça isso!
Assim que entrei para a faculdade, parei mesmo de dar atenção a essa história. Não que o sonho tivesse desaparecido, mas resolvi assumir para mim mesma que todos nós temos uma pedra no caminho, e até que a minha não era tão grande assim. Afinal, não passava de um sonho.
Um sonho bobo, sem significado. Não era uma mensagem, um sinal ou coisa assim. Bom, era isso que eu achava.
Até hoje.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Epílogo – The Rocker That Holds Me – MARATONA

— Foi ótimo apresentar para vocês, Nova York!
A multidão estava ficando louca, gritando por mais enquanto Joe terminava o show. Era um concerto de dia, que era como a maioria dos concertos dos Asas do Demônio eram estes dias. Raramente nesta pequena turnê eles fizeram um show de noite. Mas os fãs ainda estavam crescendo. Só porque eles tinham mudado seu estilo de vida não significava que os Asas do Demônio tinham perdido sua base de fãs.
— Vocês sabem que amo todos vocês e não poderia fazer isso sem vocês. — Era assim que Joe sempre terminava um concerto. Mostrando apreciação e certificando-se de que toda a banda tinha a sua quota de atenção. — Nick na bateria ama vocês... Shane no baixo adora vocês... Meu homem Drake aqui é louco por vocês. — Joe tocou a mão ao seu coração. — E vocês sabem que, com exceção das minhas duas meninas favoritas no mundo, vocês são minha vida.
Eu sorri quando ele se virou e me soprou um beijo, o anel de prata na mão esquerda refletindo a luz do sol. Deus, eu me apaixonava mais por esse homem a cada dia, porra!
— E assim, com uma última canção nós vamos deixar vocês. Mas saibam que estarão para sempre em nossos corações! Vocês conhecem essa música. Solicitaram-na mundialmente, tornando-a número um por quatro meses consecutivos. Ajudem-me, cantem junto.
Meu coração derreteu enquanto ouvia as palavras que fizeram parte da nossa rotina noturna durante os dois últimos anos. Sleeping Angel era a canção de ninar de nosso anjo e Mia não conseguia dormir sem seu pai cantando para ela. Mas não pense que só porque Joe era um pai, agora ele estava completamente mole. Algumas pessoas tinham se perguntado se ele tinha perdido sua borda de roqueiro quando Sleeping Angel tinha ficado famosa. Todos haviam ficado aborrecidos porque temiam que os Asas do Demônio só iam ser sobre amor sentimental pelas mulheres em suas vidas.
Eles não precisavam se preocupar. Joe ainda tinha muito do passado sobre o que escrever. Só porque Sleeping Angel era número um nas paradas de rock não quer dizer que esse era o único sucesso de seu mais recente álbum. A música podia ser tão escura, às vezes, quanto sentimental.
Ouvindo Joe cantar sua canção favorita, a criança se mexeu nos meus braços e eu pousei-a em seus pés.
Antes de você enlouquecer e pensar que eu submeti minha filha a um show de rock, relaxe. Tínhamos acabado de deixar nosso próprio ônibus privado - que havia sido projetado para uma família com um filho - pouco tempo depois de Mia ter acordado de sua soneca da tarde. Mas Mia sempre queria ver o fim dos shows de seu pai. Dizer que ela era uma filhinha de papai era um eufemismo enorme.
Partia meu coração um pouco que ela preferiria ter seu pai do que eu, mas eu estava aprendendo a viver com isso. Joe e eu ainda falamos sobre ter outro bebê. Mas isso era algo que eu queria esperar um pouco mais. Mesmo se eu fosse apenas a segunda melhor para Mia, eu nunca me cansava de mimar a menina. Ter outro bebê agora seria tirar isso.
Ela se agarrou a minha perna, ainda um pouco assustada com as multidões que estavam sempre nos shows dos Asas do Demônio. Mas, como seu pai estava sentado ali no palco cercado por todos os homens de sua vida que Mia sabia que nunca deixariam nada machucá-la, ela me soltou. Antes que eu pudesse me mover ela saiu correndo, suas perninhas gordinhas se movendo mais rápido do que eu já tinha visto antes.
— Papai, papai, papai! — Mia se jogou nos braços abertos de seu pai e abraçou com força enquanto ele continuava a cantar só para ela.
— Durma meu anjo. — A voz de Joe assumiu o tom mais suave que ele reservava apenas para Mia, quando ele cantava para ela dormir em seus braços todas as noites.
Eu balancei a cabeça, sabendo que a visão do roqueiro grande e mau com a pequena réplica minúscula de mim em seus braços estava fazendo as fêmeas na multidão mais profundamente apaixonadas por ele a cada segundo. Mas eu estava bem com isso.

Porque, com a exceção do nosso anjo, eu era a única mulher a ocupar o coração de Joe. 

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Espero que tenham gostado dessa história ^^
Não sei quando começarei a postar a próxima, mas espero que seja o mais rápido possível haha 
Comentem, amores <3 Beijos.