terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Capítulo 10 – The Rocker That Holds Me - MARATONA

Não foi fácil, mas de alguma forma eu consegui que nós cinco entrássemos em um voo para a Cidade do Panamá nessa noite. A partir daí foi uma hora de carro para a nossa casa de praia. Eu aluguei um SUV enorme que podia conter todos os cinco de nós mais as necessidades da nossa bagagem, então providenciei para que o resto fosse enviado para a casa. Drake dirigia enquanto Shane e Nick estavam amontoados na terceira fila para que eu pudesse me esticar no banco traseiro mais longo.
Estava ficando tarde e eu estava exausta. Nós não viajávamos muito de avião, a não ser que os caras tivessem que estar em um show de prêmios ou algo como uma estreia de filme que apenas exigia atrasar a turnê por um ou dois dias. Eu odiava voar, sempre ficava mal disposta e passava a maior parte do tempo com um saco na mão ou no banheiro. Não estava tornando a má disposição desta manhã nada melhor e quando desembarcamos os caras estavam todos me ameaçando com outro hospital. Mas quando eu fui capaz de manter no estômago uma garrafa inteira de refrigerante de limão eles não pressionaram.
No momento em que chegamos à casa de praia, que era tecnicamente apenas um chalé enorme, eu estava dormindo. Braços fortes me levantaram e eu não me preocupei em abrir meus olhos quando passei meus braços em volta do pescoço de Joe e adormeci mais uma vez.
Luz brilhante da manhã estava inundando minha janela. Estendi a mão para um travesseiro extra e puxei-o sobre a minha cabeça para bloquear a luz dura. Minha bexiga protestou quando tentei voltar a dormir e eu me sentei lentamente, de modo que meu estômago não tivesse muitas razões para me odiar. À primeira vista o meu quarto era bonito. Tetos abobadados, portas francesas que se abriam para uma varanda, paredes cremosas com um tapete macio marrom. Uma TV de 60 polegadas pendurada na parede oposta a minha cama, que estava envolta em cobertores e lençóis bege e creme.
Me levantando, eu avancei para o banheiro adjacente. Tons de verde-mar adornavam as paredes e havia velas em todos os lugares com aromas frescos de algodão e jasmim. Havia uma banheira de hidromassagem e duche privado.
Eu sabia pelo tour virtual que tinha tomado online que este era o quarto principal e banheiro, porque era o único com um jacuzzi e me perguntei se os caras tinham me colocado aqui por causa desse luxo.
Se assim fosse eu odiava dizer a eles que não poderia usar a Jacuzzi, porque eu estava grávida. Mas o fato de terem sido tão atenciosos aqueceu meu coração. Sorrindo, eu usei o banheiro, em seguida tomei um banho rápido. Meu estômago estava reclamando por comida pela primeira vez e eu tinha esse desejo louco por grãos de bacon e queijo¹.
Lá embaixo eu encontrei a cozinha gourmet com seus belos balcões de granito e os aparelhos de aço inoxidável. Conforme solicitado a geladeira e despensa estavam bem abastecidas com alimentos e refrigerantes. Mas eu não conseguia encontrar qualquer bacon ou grãos em lado nenhum. Eu não havia solicitado esses itens, não tinha sequer comigo grãos desde que era uma menina.
Meu estômago roncou e eu suspirei. Nada mais parecia atraente. Eu não sabia se conseguiria comer qualquer outra coisa se não pudesse ter meus grãos de queijo e bacon. Tirando uma Sprite eu abri a garrafa e tomei um pequeno gole.
— Bom dia, D. — Shane entrou pelas portas de correr que levavam para fora. Ele estava coberto de suor de ter acabado uma corrida na praia. — Como você está se sentindo? — Ele perguntou quando abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água.
— Estou com fome. — Eu disse a ele com um beicinho.
— Isso é uma boa notícia. — Ele caiu em uma cadeira na mesa da cozinha. — Você pode me fazer alguma coisa também?
— Não temos grãos. — Houve uma oscilação na minha voz e loucamente uma lágrima escapou do meu olho esquerdo. Eu ia chorar por não ter grãos? Que diabo!
Shane, vendo minhas lágrimas foi rápido para me acalmar. Ele pegou as minhas mãos e deu-lhes um pequeno aperto.
— Então, faça outra coisa, querida.
Balancei a cabeça.
— Eu quero grãos. — Sussurrei. — Eu acho que é algum desejo louco de gravidez, porque eu não acho que posso comer qualquer outra coisa. Eu quero grãos de bacon e queijo... Como minha mãe fazia quando ela estava realmente sóbria. — Meu peito doía só de pensar em minha mãe, fazendo uma dor profunda subir e se soltar e eu comecei a chorar.
Pobre Shane estava em uma perda. Ouvi passos correndo para a cozinha. Nick com a voz irritada exigiu saber o que estava acontecendo e, em seguida, seus braços fortes estavam em volta de mim.
— D? O que há de errado?
Mas eu não poderia responder-lhe então enterrei meu rosto em seu pescoço e continuei a soluçar. Eu não chorei pela minha mãe quando ela tinha morrido. Na época, eu estava tão aliviada. Ela era um monstro da pior espécie. Eu fui submetida a pancadas em uma base regular. Cresci em um trailer sempre cheio de garrafas de licor meio vazias, com cachimbos de crack e agulhas de heroína, era uma maravilha que eu tinha crescido minimamente normal.
— Ela quer grãos. — Eu ouvi Shane dizer a Nick. — Com bacon e queijo como sua mãe costumava fazer.
— Bem, vá pegar-lhe alguns grãos malditos e bacon, Shane! — Nick gritou, exasperado. Ele me levantou e então se sentou e me colocou em seu colo. Ouvi Shane procurando algo e batendo a porta traseira quando ele correu para fora.
— Demi, está tudo bem. Nós vamos conseguir seus grãos, querida. — Ele estava balançando-me agora, sua voz uma que ele usava para pequenas coisas machucadas.
Eu balancei a cabeça.
— Não será o mesmo. Não vai saber ao mesmo. Ela fazia isso tão bem. Eu adorava esses grãos. Eram os meus favoritos.
— Oh, Demi. — Ele soltou um suspiro de frustração. — Querida, ela mal estava coerente 95 por cento do tempo. Por que você está sequer pensando nela agora?
— Eu não sei. — Solucei. — Ela era má e eu não deveria deixá-la invadir minha mente. Mas... ela era minha mãe, Nick. — Meu nariz estava escorrendo e sem pensar, limpei-o em seu ombro, enquanto ele continuava a balançar meu corpo trêmulo. — Tudo o que posso pensar é o quanto eu quero uma tigela de seus grãos de bacon e queijo.
— Tudo bem, querida. Eu juro que você irá conseguir alguns, e eu vou cozinhar as coisas malditas até que tenham o mesmo sabor que você quer... Só por favor, pare de chorar. Você está acabando comigo. — Havia um mínimo tremor em sua voz e eu levantei a cabeça para ver que seus grandes olhos castanhos estavam úmidos.
Meu choro parou. Eu não percebi que a minha dor era sua dor também.
— S-s-sinto muito.
— Isso é parte dos hormônios da gravidez que eu ouvi falar? — Ele perguntou passando a mão sobre sua cabeça careca. — Porque se é, eu não acho que vou sobreviver a esta merda muito tempo.
Uma risada escapou de mim.
— Eu acho que sim... nunca penso em minha mãe. Isso é tão confuso. — Eu não gostava disso. Odiava ter passado sequer um segundo chorando por essa cadela malvada. Franzindo o cenho, eu limpei meus olhos com as costas das minhas mãos e percebi que a camisa de Nick estava encharcada de lágrimas e ranho. — Ah. Desculpe por sua camisa.
Ele puxou-a sobre a cabeça e usou-a para secar meu rosto.
— É apenas uma camisa, querida. Ah, agora está melhor. Minha Demi está de volta. — Ele deu um beijo na minha testa e mudou-se de modo que eu estava novamente sentada sozinha, e ele estava de pé. — Eu preciso de café.
Nick foi fazer um grande pote de café potente. O cheiro encheu toda a casa e logo Drake estava cambaleando até a cozinha, meio cego com o sono quando ele se serviu de um copo da mistura especial de Nick. O material era tão espesso que era como engolir a gelatina Jell-O. Eu só bebi uma vez. Meu estômago tinha apertado por horas e me senti como se tivesse usado drogas. Nunca toquei o material novamente!
Joe estava se juntando a nós, um par de calças de dormir penduradas em seus quadris magros, quando Shane chegou com duas sacolas de compras. Ele parecia mais sem fôlego agora do que depois de sua corrida.
— Eu comprei todos os grãos que eles tinham, D. Um de cada tipo. Eu não sabia se tínhamos queijo ou que tipo você queria. Então, comprei vários tipos diferentes. E espero que isso seja bacon suficiente.
Eu joguei meus braços em torno dele, sem me importar que ele ainda estava encharcado de suor.
— Obrigada, Shane. — Ele tinha exagerado completamente, mas foi tão doce, trazendo o que eu queria porque eu estava tão perturbada.
Ele beijou meu rosto.
— Qualquer coisa, desde que você esteja feliz, querida.
— Ouvi falar em grãos? — Joe perguntou, acrescentando açúcar na sua caneca de café. — Estou morrendo de fome.
— Demi quer um pouco de grãos de bacon e queijo. — Nick disse ao mesmo tempo em que abriu um pacote de bacon e jogou-o em uma panela no fogão. — Então, Demi vai ter grãos de bacon e queijo. — Ele piscou para mim quando começou a guardar o resto dos mantimentos. — Do jeito que a mãe dela fazia.

________

1 Grãos de queijo e Bacon: textura semelhante a um pudim, os grãos são de milho secos, descascados e moídos que são fervidos e servidos com ovos como parte de um tradicional e delicioso café da manhã no sul dos Estados Unidos. Sal, pimenta e manteiga aprimoram o sabor e complementam os ovos. Os grãos misturados com queijo é um prato clássico servido nas refeições sulistas.  

Capítulo 9 – The Rocker That Holds Me - MARATONA

Agora, sentada em uma bata de hospital, olhando para o homem que eu amo depois de gritar para ele que ele era o pai da minha filha, não posso evitar a vergonha que me consome. Me aproveitei de alguém que eu amo, o único homem que poderia me possuir tão completamente. Lágrimas derramam pelo meu rosto e eu não posso segurar o pequeno soluço que me escapa.
Toda a raiva parece evaporar de Joe. Ele fica frouxo nos braços de Drake, fazendo com que o grande homem quase o deixe cair.
— O que? — Ele sussurrou.
— Você, Joe. — Solucei. — Você é o pai.
— Não... eu... — Ele balançou a cabeça. — Não...
Meu coração se partiu um pouco mais porque eu sabia que ele nunca teria sido meu amante se não tivesse bebido, se não tivesse pensado que eu era outra pessoa. Deus, eu sou uma pessoa desprezível. Não melhor do que um estuprador aproveitando-se de uma menina drogada. Peguei sua vontade de dizer 'não'. E eu sabia que Joe teria gritado ‘não’ para mim se soubesse que era eu com quem ele estava fazendo sexo naquela noite.
Limpei o meu rosto com a mão, odiando minhas lágrimas.
— Sim, Joe.
— Foi um sonho. Eu sonhei isso. — Ele se afastou de Drake, empurrou Nick para fora de seu caminho e caiu de joelhos ao meu lado. — Certo?
Recusando-me a encontrar seus olhos, balancei a cabeça.
— Sinto muito, Joe. Me desculpe, eu me aproveitei de você. Por favor... por favor, não me odeie. — A última parte saiu como um sussurro quebrado.
Ao meu redor o quarto estava tão silencioso que eu pensei que talvez os outros nos tivessem deixado e eu não tinha notado. Mas quando Nick começou a rir e os irmãos logo se juntaram eu sabia que não tinha tido sorte. Virei meu olhar mais frio para eles.
— Isso NÃO é engraçado! Eu praticamente o estuprei.
Agora era Joe que estava rindo e olhei boquiaberta para ele, incapaz de compreender como isso era no mínimo um pouco humorístico. Quando ele viu o quão chateada eu realmente estava, ele parou de rir de mim e balançou a cabeça.
— Vamos lá, D. Não há nenhuma maneira que você se aproveitou de mim. E não é estupro quando é consensual, baby.
— Você não sabia que era eu. Você pensou que eu era uma dessas groupies vagabundas. — Mais lágrimas começaram a derramar pelo meu rosto.
Seus olhos se estreitaram em mim.
— Que porra você disse! Eu poderia estar um pouco bêbado, mas sabia quem você era, Demi. Eu tenho sonhado com isso por muito mais tempo do que deveria. É por isso que quando eu acordei na manhã seguinte, pensei que tinha sido um sonho. Um sonho molhado, com certeza, mas ainda assim apenas um sonho.
Os outros caras fizeram um barulho e Nick deu a Joe um olhar aguçado.
— Informação demais, cara. Informação demais. Nós não precisamos saber dessa merda.
Suas palavras me deixaram em estado de choque. No fundo do meu coração eu senti as paredes que havia construído em torno dele desmoronarem um pouco. Joe sabia que era eu. Naquela noite, essa noite linda que tinha me assombrado durante meses, era ele fazendo amor comigo - não com uma das putas incontáveis! Eu não conseguia formar palavras, minha boca e cérebro não sabiam como cooperar no momento. Então, eu apenas fiquei lá naquela cama de hospital e olhei com os olhos arregalados para o pai da minha filha.
— Demi…
A abertura da porta cortou o que ele estava prestes a dizer. Uma enfermeira entrou empurrando uma cadeira de rodas na frente dela. Ela não parecia feliz. Pelas linhas de careta permanentes ao redor de seus lábios e olhos, eu percebi essa mulher raramente tinha rido em seus 50 anos de vida estranha.
— Bem, já que todos os gritos pararam eu pensei que era seguro entrar sem medo de perder um membro. Você precisa de ajuda para se vestir senhorita Lovato?
Eu balancei a cabeça e ela voltou seus olhos duros para meus rapazes.
— Eu sugiro que parem seu carro ao redor da entrada principal, para que possamos carregar a jovem.
Shane fez uma careta.
— Vou chamar um táxi.
Dei-lhe um sorriso aguado.
— Obrigada.
A enfermeira, que eu apelidei de Zangada porque ela me lembrava do anão da Branca de Neve com os cabelos grisalhos e baixa estatura, enxotou os outros para fora do quarto.
— Ela precisa se vestir. Eu não ligo para o que vocês são dela, mas ela não vai trocar de roupa com vocês aqui…
Joe olhou para a velha e eu sabia que ele teria, possivelmente, rosnado para a mulher então peguei sua mão e dei-lhe um aperto pequeno.
— Está tudo bem. Eu estarei lá fora em poucos minutos.
Nick colocou a mão no ombro de Joe.
— Vamos, cara. Há tempo de sobra para conversar mais tarde. Ela não vai a lugar nenhum.
Com os ombros tensos, Joe seguiu Drake para fora da porta com Nick logo atrás dele. Na porta, Nick parou e olhou para mim.
— Nós vamos ficar bem aqui. Ok?
Assenti e esperei até que a porta se fechou atrás deles antes de alcançar as roupas que tinha usado na noite anterior. Elas estavam cuidadosamente dobradas na cômoda pequena que era também uma mesa de cabeceira ao lado da pequena cama desconfortável. A enfermeira me ajudou, porque eu ainda estava um pouco instável em minhas pernas.
— Você precisa de muito descanso, querida. — A aspereza na voz da Zangada tinha desaparecido.
— Estou saindo de férias hoje. Estou pensando em fazer nada mais do que ficar na praia sob o sol quente.
A enfermeira assentiu.
— Apenas não muito sol. Isso não é bom para o bebê.
Eu tropecei, percebendo que não tinha ideia do que era bom ou não para o meu bebê. Lágrimas frescas picaram nos meus olhos. Eu não queria machucar a minha menina de forma nenhuma, nunca. Após a infância que eu tive onde minha mãe era um monstro para mim eu jurei me assegurar que a minha filha só conheceria amor e devoção. Tirei a foto que a técnica tinha me dado na noite anterior para fora do meu bolso da calça jeans onde a tinha escondido para que a banda não visse e alisei as bordas da imagem.
— Há inúmeros sites que você pode visitar para descobrir os prós e contras da gravidez em cada etapa. — A enfermeira sugeriu enquanto me ajudou a subir na cadeira de rodas. De alguma forma, ela conseguiu manter a porta aberta e me empurrar através dela sem qualquer percalço.
Peguei meu celular e abri a Internet, já digitando palavras-chave no motor de pesquisa de modo a poder analisar mais tarde.
Os caras estavam encostados na parede quando saí. Nick franziu a testa para mim, quando ele viu que meu telefone estava fora.
— Foda-se, não! Você vai descansar, não trabalhar. — Ele pegou o telefone da minha mão antes que eu pudesse dizer qualquer coisa e desligou.
— Mas eu não estava...
— O que é isso? — Joe acenou para a imagem que eu tinha agarrada na minha mão.
Eu a ofereci para Joe ao mesmo tempo em que os caras vieram para cada lado de mim enquanto a enfermeira me empurrou em direção ao elevador.
— É uma imagem ultrassom do bebê. — Mordi o lábio quando ele pegou a imagem brilhante com uma mão um pouco trêmula.
Quando ele olhou para a primeira imagem da nossa bebê eu o analisei atentamente. Ele parecia pálido, os olhos azul-gelo vidrados, mas vi o mais ínfimo dos sorrisos inclinar seus lábios quando ele olhou para a foto em suas mãos grandes.
— Linda. — Ele sussurrou.
Todo mundo ficou quieto quando descemos no elevador. Nick estava à minha esquerda, os dedos esfregando suavemente no meu pescoço enquanto Drake inclinou a cabeça para trás contra a parede do elevador e fechou os olhos. Joe parecia entretido com a imagem de sua filha enquanto continuava a olhar para baixo para ela. Quando a enfermeira me empurrou para fora, Shane já tinha dois táxis à espera de nós. Ele segurou a porta do primeiro aberta para mim.
Como se eu fosse uma inválida, Joe avançou quando comecei a ficar de pé e pegou-me, colocando-me na cabine suavemente antes de deslizar para o meu lado. Drake abriu a porta e deslizou do meu outro lado deixando Shane e Nick para tomar o segundo taxi.
A viagem para o hotel pareceu demorar uma eternidade e porque não tinha demorado muito tempo para Logan me levar para a sala de emergência na noite anterior, eu me perguntei o quão rápido ele estava dirigindo. Balancei a cabeça com o pensamento.
— O que? — Drake perguntou.
— Nada. — Eu sabia que não devia expressar meus pensamentos. Meus caras eram superprotetores e iriam torcer Logan como um pretzel, se descobrissem que ele estava dirigindo como se estivesse em uma corrida, enquanto eu estava no mesmo veículo. Provavelmente não importaria para eles que eu tinha estado meio inconsciente no momento também.
Mas, pensar nas habilidades de condução do roqueiro fez-me curiosa sobre o que tinha acontecido com ele. Eu não o tinha visto desde antes dos caras chegarem na noite anterior.
— Onde está Logan, afinal?
Joe deu de ombros.
— Não sei. Não importa.
Drake suspirou.
— Ele recebeu um telefonema de Gabriella e disse que estava voltando para a Califórnia. Disse para lhe dizer que ele esperava que você se sentisse melhor em breve e para chamá-lo quando quiser.

— Oh. — Gostaria de saber se Gabriella tinha chamado porque algo estava errado com Alexis. Eu queria mandar mensagem para ele para perguntar, mas não podia porque Nick ainda tinha meu celular. O olhar em seu rosto me disse que pedir a Joe se eu poderia usar o seu só me daria problemas, então apertei as mãos e suspirei.

Capítulo 8 (Hot) – The Rocker That Holds Me - MARATONA

Se eu vos dissesse que foi possível para mim violar alguém que eu amo você acreditaria? É verdade. Eu tomei algo que não era para mim. Eu o peguei, e fingi que não o tinha feito. Eu o peguei, amando cada maldito segundo.
Eu sou uma pessoa ruim. Me aproveitei do meu amigo, de alguém que passou a vida cuidando de mim. Joe confiava em mim. Eu era a única pessoa em sua vida que, se ele não podia confiar, então não havia mais ninguém. E eu destruí essa confiança.
Há quatro meses eu fui fraca e egoísta. Mas até hoje, até esse segundo, eu não estava arrependida. Só tinha me permitido pensar sobre isso quando estava sozinha em meus quartos de hotel. Quando o meu amor e necessidade por Joe tomavam conta de mim a ponto de eu não ter escolha exceto reviver a minha noite roubada com ele.
Pela primeira vez tínhamos conseguido chegar um dia inteiro antes de um concerto. Eu estava feliz porque havia uma tempestade lá fora e eu odiava estar no ônibus durante uma tempestade. Mesmo com 21 anos de idade eu ainda tinha medo de trovões.
Encolhi-me debaixo do meu cobertor e tentei manter minha mente fora da raiva crescente da tempestade lá fora, mas foi inútil. Então eu peguei minha chave do quarto junto com a dos outros e saí correndo do meu quarto. As luzes piscaram enquanto eu corria o comprimento do corredor e abri a porta do quarto de Joe. Eu sabia que não devia, que estava arriscando entrar quando ele podia estar com alguma groupie (tiete), mas o trovão era demais para mim.
Quando abri a porta do seu quarto fiquei surpresa de encontrá-lo sozinho, e tomei um segundo para deliciar-me com o fato de que ele não estava com alguma vagabunda. A luz do banheiro estava acesa e a porta estava entreaberta, lançando um brilho suave em todo o quarto. Ele estava deitado de costas, com uma mão servindo de travesseiro sob a sua cabeça, enquanto a outra...
A outra acariciava seu pênis duro.
Eu ofeguei, conseguindo minha primeira visão de Joe excitado. Ele estava completamente nu, e o comprimento longo e largo dele esticado passava seu umbigo. Suas bolas, os sacos perfeitamente redondos, estavam apertadas enquanto ele continuava a deslizar a mão para cima e para baixo em seu pênis pulsante. Minha boca ficou seca enquanto assisti descaradamente.
— Finalmente. — Ele gaguejou e eu percebi que estava bêbado.
— Finalmente o quê? — Eu respirei, incapaz de encontrar uma voz mais forte.
— Você finalmente veio a mim. Deus, eu tenho estado duro para você toda a noite. — Ele sentou-se e estendeu a mão que não estava acariciando a si mesmo, algo que ele ainda estava fazendo. Seus dedos dobraram, seduzindo-me para vir para ele. — Venha aqui, baby.
Sem pensar eu fui até ele e coloquei minha mão na sua. Com um pequeno puxão ele me puxou para baixo ao lado dele na cama.
— Sinta. — Ainda segurando minha mão, ele trouxe-a para o seu pau e segurou meus dedos em torno dele. — Você sente o quanto eu preciso de você?
— Sim. — Sussurrei, cativada pela visão de meus dedos deslizando para cima e para baixo de sua excitação.
Eu sabia que era errado. Joe estava bêbado e achava que eu era uma das groupies que veio para brincar com ele. Mas no instante em que eu toquei esse fio vivo, que era seu pênis, eu sabia que não me importava. Eu o queria, queria ele por tanto tempo. E o amava de uma forma que ninguém mais faria.
Não importava que eu era virgem, ou que ele provavelmente não iria se lembrar de manhã, nessa altura eu estaria bem longe de sua cama. A tempestade rugindo lá fora já não importava; estava completamente afastada de meus pensamentos quando me inclinei e beijei Joe. Seu gemido foi profundo, sexy e me fez tremer quando senti sua língua roçar em meu lábio inferior.
— Tão doce. Nunca provei nada tão doce antes. — Ele devorou minha boca, me fez tonta com a necessidade e roubou meu fôlego. Meus dedos deslizaram em seu cabelo espesso, precisando me segurar quando ele começou a viagem selvagem que eu só tinha sonhado com esse homem. — Calma baby. — Ele riu do jeito rico e sedutor que eu tanto amava. — Eu não vou a lugar nenhum.
— Eu te quero tanto. — Disse a ele, sem medo de meus verdadeiros sentimentos na escuridão de sua mente enevoada pela bebida. — Eu preciso de você, Joe.
— Deus! Eu preciso de você também, querida. — Ele segurou meu rosto, parecendo memorizar cada centímetro dele, mas me perguntei se ele estava realmente me vendo. — Tão bonita. — Seus lábios roçaram ao longo da minha mandíbula, deslizando sua língua no meu pescoço e sugando no pulso que estava batendo freneticamente na base.
Ele tomou o seu tempo comigo. Me despojando cuidadosamente da minha camiseta e shorts de garoto. Ele lambeu cada centímetro da minha tatuagem no meu quadril, mordiscando as asas do demônio que rodeavam o coração preto com os nomes de todos os caras lá dentro em vermelho.
— Sexy como o inferno. — Ele rosnou antes de virar-me de barriga para baixo para que pudesse dar atenção à tatuagem que ocupava a maior parte de minhas costas. As asas escuras de um demônio, retratando-me como um e a escrita em estilo gótico abaixo que dizia que eu era ‘Propriedade dos Asas do Demônio'.
Senti seu pênis me cutucar, deslizando ao longo da rachadura da minha bunda e eu abri as pernas sem hesitar.
— Você não está pronta para que eu faça isso, baby. Essa bunda virgem tem que ser domada lentamente. Especialmente quando estou tão duro... Nunca estive tão duro antes, bebê. Nunca! Tudo por você... — Ele mordeu meu ombro. Eu gritei pelo puro prazer que a pequena dor causou entre as minhas pernas.
Então ele virou-me em minhas costas e atacou meus lábios mais uma vez, parecendo perdido no gosto de mim. Ele segurou meus seios pequenos em suas grandes mãos, fazendo-me corar. Ele estava acostumado a seios maiores do que os meus. Joe era um homem que gostava de peitos e eu sabia que os meus nunca o haviam inspirado antes. Mas ele parecia amá-los.
Sua boca deixou a minha e engoliu um quase todo quando ele chupou meu mamilo em sua boca quente. Eu gritei, amando a sensação de sucção da boca dele em mim. Seus dedos puxaram meu outro mamilo, não querendo deixá-lo fora de suas carícias. Depois de alguns minutos, ele voltou sua boca para meu outro seio enquanto seus dedos se arrastaram para baixo, deslizando através de meu umbigo e mais para baixo.
Quando chegou ao meu sexo, ele levantou a cabeça e observou seus dedos abrirem meus lábios. Um gemido torturado escapou de sua boca.
— Tão molhada para mim. — Ele parecia fascinado. — Você tem um gosto tão bom como cheira, bebê?
Antes que eu pudesse responder, ele se mudou e colocou a boca sobre o meu clitóris. Eu gritei enquanto ele chupava a bola apertada de nervos em sua boca pecaminosamente quente. Minhas costas arquearam para fora da cama quando ele chupou e chupou até que eu não pude me segurar mais e vim contra sua boca. Minha libertação inundou minha entrada e ele fez um som choramingando enquanto bebeu até a última gota.
Quando ele levantou a cabeça, seu rosto brilhava com a minha excitação. Joe não se incomodou em limpá-lo quando voltou a me beijar. O gosto de mim em sua língua foi embaraçoso no começo, mas então eu provei o gosto completamente e gemi por quão exótico era o sabor. Ele rolou de costas e me levou com ele.
— Diga-me que você é minha. — Ele exigiu.
— Eu sou sua. — Respondi sem hesitar. — Toda sua, Joe!
— Leve-me para dentro de você, baby. Faça-me uma parte de você. — Se eu tivesse parado para pensar sobre isso, poderia ter sugerido um preservativo. Mas então eu estava muito longe. Proteção era a coisa mais distante da minha mente enquanto eu descia em seu pau.
Mordi o lábio e engoli o meu grito de dor quando ele rompeu a barreira da minha virgindade. Ele estava ofegando quando me abaixei ao máximo.
— Tão bom. Tão apertada. — Ele rangeu para fora. Suas mãos estavam em meus quadris, segurando-me firme. — Dê-me um segundo, bonita. Se você se mover agora eu vou me envergonhar e explodir dentro de você demasiado cedo.
Fiquei contente de dar-lhe todo o tempo que ele precisava, porque eu estava lutando para acomodá-lo. Inclinei-me até meus mamilos deslizarem sobre seu peito e beijei-o. Sua língua enrolou ao redor da minha e senti meus músculos internos fundindo, fazendo o ajuste controlável. Eu comecei a montá-lo, mas suas mãos apertaram em meus quadris, me forçando a ficar parada.
— Ainda não. — Ele coaxou. — Estou muito perto.
— Joe...! — Eu precisava ir agora. Estava pegando fogo por ele novamente.
Entendendo o que eu precisava, seu polegar esfregou sobre o meu clitóris exposto. Eu gritei com o puro prazer disso.
— Por favor. — Implorei a ele. — Por favor, eu estou perto. — Ele aliviou seu agarre sobre meus quadris e eu balancei para trás e para frente experimentalmente. Meus músculos internos apertaram enquanto a minha libertação se aproximava. Seu polegar esfregava em círculos rápidos sobre o meu clitóris, apressando-me para a beira de um precipício. — Joe! — Eu não conseguia segurar por mais tempo. — Porra, Joe!
— Baby! — Suas costas arquearam quando ele esvaziou dentro de mim.
Eu caí contra seu peito arfando, tentando recuperar o fôlego. Seus braços apertaram em torno de minhas costas e ele beijou meu ombro.
— Maravilhoso. — Ele resmungou meio dormindo. Eu sorri contra seu peito embebido de suor em total acordo.
Quando finalmente recuperei meu fôlego, Joe estava dormindo. Odiando partir, mas sabendo que eu não poderia ficar, saí de cima dele. Ele murmurou algo ininteligível quando rolou para longe de mim. Eu rapidamente me vesti e deixei-o.

No dia seguinte, quando ele atuou como meu Joe de sempre, eu sabia que ele não se lembrava de nada. E, embora parte de mim tenha morrido um pouco por dentro, uma parte maior estava aliviada. Eu não poderia lidar com isso, se ele de repente começasse a me tratar de maneira diferente por causa de um momento espontâneo onde eu fui muito fraca.

Maratona hoje ;D

Vou postar 4 capítulos daqui a pouco, do 8 ao 11, e ainda essa semana, tento fazer outra maratona (: Ok?! Ok.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Capítulo 6 e 7 – The Rocker That Holds Me

O médico estava tomando meu tempo!
Com os fluidos contínuos entrando para o meu sistema eu estava começando a me sentir melhor do que me senti em muito tempo. Mas meu estômago ainda estava revirando. Eu queria saber o que estava levando ao médico tanto tempo, e estava preocupada que fosse algo além de minhas imaginações mais selvagens sobre o que havia de errado comigo.
Logan ainda estava tentando ligar para os caras. Mas até agora não tinha sido capaz de chegar a qualquer um deles. A enfermeira disse que ele tinha que ir para fora para usar seu telefone celular, e não o vi em mais de dez minutos. Minha bunda estava ficando dormente de sentar durante uma hora sem me mover e mesmo que eu quisesse desesperadamente um cochilo, não podia relaxar o suficiente para fazê-lo.
A porta do meu quarto de exame abriu e entrou o médico. Havia uma técnica por trás dele empurrando uma máquina enorme e eu me perguntei o que diabos eles iam fazer para mim. Vendo o medo em meus olhos o médico foi rápido a explicar.
— Está tudo bem. Isto é apenas algo para fazer um ultrassom.
— Por que eu preciso de um ultrassom? Isso não é para mulheres grávidas?
O médico assentiu.
— Na maior parte, sim. Mas ele é usado para outras coisas. No entanto, depois de receber os resultados do seu sangue encontramos a razão para a sua doença e precisamos fazer um pouco de exploração.
Meu sangue pareceu congelar em minhas veias. Ele sabia o que havia de errado comigo. Eu estava com medo da resposta, mas precisava saber.
— Então, qual é o problema? O que há de errado comigo?
Ele deu de ombros.
— Nada que não irá curar-se no devido tempo. — Ele sorriu. — Parece que você está grávida.
Eu tinha certeza de que estava tendo alucinações. Ele não poderia ter acabado de dizer que eu estava grávida. Não. Não. NÃO! Balancei a cabeça freneticamente.
— Isso não pode ser. Verifique novamente. Os testes estão errados.
O médico franziu a testa com a minha reação, mas falou com uma voz suave.
— Vamos fazer um ultrassom. Dessa forma, podemos determinar se o resultado de sangue estava errado. E se não estava, nós podemos lhe dar uma previsão da data de nascimento.
O monitor cardíaco ligado ao meu peito estava apitando furioso. Meu coração estava disparado com o meu medo, pavor, ansiedade. Ele tinha que estar errado. Apenas tinha que estar. Por favor, esteja errado. Porque se ele não estava errado, a minha vida com os caras ia ser destruída. Eles nunca iam confiar em mim novamente.
— Tudo bem. — Isso saiu trêmulo, e eu não podia fazer nada sobre isso.
A técnica veio para o lado direito da cama e sorriu para mim, enquanto o médico diminuiu as luzes.
— Quando foi o seu último período? — Ela perguntou baixinho. Ela era bonita, provavelmente na casa dos trinta anos. Havia uma enorme pedra em seu dedo anelar e um ligeiro inchaço sob seu jaleco me dizendo que ela própria estava grávida.
Tentei me lembrar de quando tive meu último período. Eu não era uma mulher muito regular. E realmente não me importava com segui-lo. Minha vida era tão ocupada que, quando ele aparecia, eu apenas dava de ombros e continuava com a minha vida. Se não aparecesse, não era um grande negócio. Finalmente desisti. — Eu nunca fui regular. — Disse a ela honestamente. — Não me lembro quando foi meu último período.
Ela assentiu com a cabeça. — Tudo bem. — Ela digitou alguma coisa na máquina grande e então puxou a minha camisa para cima e minha calça jeans e calcinhas ligeiramente para baixo. O gel que ela colocou na minha barriga estava surpreendentemente quente. Depois, ela pressionou uma varinha em meu abdômen e fiz uma careta de dor. Eu me senti inchada e desconfortável quando ela moveu a varinha ao redor.
Observei-a atentamente, trocando meu olhar do que ela estava fazendo ao meu corpo com o que ela estava fazendo na tela. O médico estava observando de seu ombro, assentindo.
— Tudo bem. — A técnica disse com um pequeno sorriso. — Nós podemos ver um batimento cardíaco. Braços, pernas. A espinha parece boa. — Ela torceu um interruptor e o som de um batimento encheu a sala. — Coração forte... O que você acha doutor?
— Parece que ela está de 18 semanas... Você pode dizer o sexo?
Eu divaguei do que eles estavam dizendo por um momento. Meu olhar ficou preso na tela. O esboço de um pequeno ser olhava de volta para mim. Uma mão acenando, um pé chutando. Minha respiração ficou presa no meu peito e eu não conseguia respirar. Em algum lugar dentro do meu peito meu coração derreteu e eu me apaixonei pela criatura na tela.
— Bem... — O médico e a técnica riram.
Minha cabeça virou em sua direção.
— O que? — Sussurrei.
— Seu bebê quer ter certeza de que você sabe exatamente o que é. — O médico tocou a tela e vi que as duas pernas estavam separadas. — Parabéns. Você vai ter uma menina.
Lágrimas queimaram meus olhos e eu pisquei rapidamente para mantê-las dentro.
— Uma menina. — Respirei.
A técnica tirou mais algumas fotos, depois imprimiu uma e entregou-a a mim.
— Para o seu livro do bebê. Primeira foto. — Ela sorriu e deixou a sala sem a máquina.
— Bem, você está muito grávida, Demi. — O médico - que eu tinha certeza que tinha me dito seu nome, mas estava muito confusa para lembrar - me deu um olhar interrogativo. — Dezoito semanas e três dias pelas medições. O que coloca a sua previsão de nascimento em novembro. — Ele escreveu algo no iPad que tinha em suas mãos.
— Ela está bem? — Não podia deixar de pensar o quão doente eu tinha estado ao longo do mês passado. — Eu machuquei-a?
Ele foi rápido em me tranquilizar.
— Não. O líquido amniótico está perfeito, então a sua desidratação não afetou o bebê. É provavelmente por isso que você estava tão doente embora. Tudo que você era capaz de tomar estava indo direto para ela. Sua frequência cardíaca é boa, ela está se movendo... Você não sente?
Minha mão tocou a minha parte inferior do estômago. Havia realmente um pequeno ser dentro de mim. Uma lágrima escapou e deslizou pela minha bochecha.
— Não. — Sussurrei. — Isso é normal?
O médico encolheu os ombros. — Cada mulher é diferente. Algumas não sentem o bebê até bem dentro do quinto mês. Mães pela segunda vez sentem mais cedo. Você parece no plano... então, como está se sentindo emocionalmente sobre o bebê? Sua reação quando eu lhe disse sobre o resultado de sangue não foi exatamente...
Balancei a cabeça.
— Eu estava com medo. Ainda estou com tanto medo que não sei se isso é um pesadelo ou não. Mas vê-la... — Eu segurei a foto do ultrassom contra o meu peito. — Isso mudou tudo.
— Normalmente faz. — Ele puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado. — Tudo bem. Então, nós estabelecemos que isso é um choque, mas agora que você a viu... está feliz?
Bufei.
— Eu não estou feliz com isso, doutor. Mas... — Suguei em uma respiração profunda. — Mas não sou infeliz. Se isso faz sentido.
— Perfeito sentido. — Ele estava socando alguma coisa no iPad. — Por que isso foi tal surpresa, Demi? Você não tem um namorado?
— Isso foi uma surpresa porque eu tive sexo uma vez na minha vida. — Eu disse a ele honestamente. — E o cara... ele nem se lembra que aconteceu. Quando eu lhe disser que estou grávida. — Fechei os olhos. — Ele vai ficar louco.
— Ele ainda é uma parte de sua vida?
— Ele é parte do meu tudo. — Olhei para a parede oposta. — Eu não sei o que vou fazer.
O médico abriu a boca para dizer alguma coisa, não tenho ideia o que era porque de repente a porta para a sala de exame foi aberta e todos os quatro dos meus rapazes invadiram. Antes que eu pudesse registrar a notícia, Nick estava ao lado de mim e Drake estava empurrando o médico para fora do seu caminho para chegar a mim.
— Demi. — Nick estava passando as mãos sobre o meu cabelo, analisando o meu IV e monitor cardíaco. Ele estava pálido, tremendo, e havia lágrimas em seus grandes olhos castanhos. — Você está bem? Diga-me que está bem, D.
— Viemos assim que soubemos. — Drake estava segurando minha mão. — Eu sinto muito que não chegamos aqui mais cedo.
— O que há de errado com ela? — Joe estava no pé da cama, a sua atenção sobre o médico que estava olhando para os quatro com a boca escancarada. — Ela vai ficar bem?
O médico finalmente baixou o olhar para mim e levantou uma sobrancelha em questão. Eu balancei a cabeça, não pronta para dizer a qualquer um deles o que havia de errado comigo, muito menos que um deles estava prestes a ser chamado de pai. O homem limpou a garganta.
— Ela veio gravemente desidratada. Não temos certeza exatamente o que está acontecendo, mas vamos mantê-la aqui durante a noite para observação.
Nick voltou seu olhar para o médico e senti pena dele. Nick, com sua cabeça careca, tatuagens e corpo volumoso era intimidante. — Você não sabe o que está errado com ela? — O médico balançou a cabeça. — Então pegue sua bunda e faça alguns testes de merda.
— Nick. — Eu capturei a sua mão e liguei os nossos dedos. — Acalme-se. O médico está fazendo tudo o que pode. E já estou me sentindo muito melhor.
O fogo em seus olhos esmaeceu quando ele se virou para mim.
— Eu só quero saber o que está errado. — Ele me disse em um tom mais suave do que o que tinha usado com o médico.
— Estamos preparando uma cama e ela será transferida em breve. Eu sugiro que os senhores vão descansar um pouco e podem ver essa jovem no início da manhã. Agora ela precisa descansar.
Quatro pares de olhos se voltaram para encarar o pobre médico.
— Nós não vamos sair. — Todos eles disseram em uníssono. — Demi é nossa. Nós vamos ficar com ela. — Shane informou.
O médico saiu, irritado e resmungando baixinho. Mas eu me senti valorizada. Especialmente quando Drake e Nick gentilmente me apertaram entre os dois em um abraço.
— Eu estava com tanto medo. — Nick sussurrou contra meu cabelo. — Jesus, D! Você devia ter visto um médico antes de agora.
Agarrei-o mais apertado.
— Não é nada. Eu estou bem agora.
— Não é nada!
Minha cabeça disparou com a veemência no tom de Joe. Ele era normalmente a calma em pessoa. O que mantinha a calma quando os outros três estavam prontos para destruir as coisas. Mas quando o olhei ele empurrou a cadeira do médico com tanta força que ela deslizou pelo comprimento da sala e caiu para o lado quando bateu na parede. Seus dedos deslizaram através de seu cabelo espesso castanho arenoso e ele puxou as pontas como uma pessoa demente.
— Logan disse que você estava inconsciente quando ele chegou aqui! Inconsciente Demi! Você não entende o quão grave essa porra é? Você não sabe que pessoas morrem de desidratação? — Ele se afastou de nós e realmente socou a parede.
Meu coração quebrou um pouco pela forma como ele estava chateado. Por vários minutos, ficamos todos quietos, enquanto Joe se inclinava contra a parede que tinha acabado de socar, respirando com dificuldade. Drake tentou me manter calma, correndo os dedos suavemente através das extremidades do meu cabelo, esfregando minhas costas. Nick ficou ali, segurando minha mão. Shane andava, seu movimento habitual de quando ele estava estressado.
— Joe... — Eu sussurrei seu nome, incapaz de lidar com a distância entre nós agora. Eu não podia ir até ele, o monitor de IV e do coração me mantinham presa na cama. Mas eu precisava que ele me segurasse mais do que ninguém.
Ele soltou um longo suspiro e se virou para mim. Suas mãos esfregaram seu rosto, me dizendo que ele estava chorando. Foi quando eu vi o sangue em seus dedos. Eles estavam machucados.
— Joe. — Me afastei de Nick e Drake e estendi meus braços para ele, em silêncio pedindo-lhe para vir para mim.
Drake se moveu para fora do caminho quando Joe cruzou o quarto para mim. Ele se sentou na beira da cama e eu me enrolei em torno dele. Meus braços foram em volta do seu pescoço e puxei sua cabeça para meu peito.
— Eu estou bem. — Sussurrei em seu ouvido e ele tremeu. — Estou aqui.
Braços fortes apertaram-me quase dolorosamente.
— Sinto muito, Demi. Eu sinto muito.
Eu não disse nada, apenas balancei-o contra mim enquanto ele chorava.

Capítulo 7

Uma luz opaca era filtrada através da janela pelas cortinas de plástico. Eu gemi pela perturbação do meu sono e me virei para o lado contrário da janela, querendo nada exceto voltar a dormir.
A dor no meu braço enquanto me movi me fez abrir os olhos de novo. Eu não podia virar meu braço porque minha IV não permitiria. Os acontecimentos da noite anterior vieram à tona em minha mente enevoada de sono e sem pensar minha mão cobriu minha parte inferior do estômago. A minha menina estava lá.
Roncos profundos ao redor do quarto me fizeram levantar a cabeça. A equipe de enfermagem estava tanto ansiosa como emocionada com meu pelotão, quando fui colocada no meu quarto privado na noite anterior. Algumas eram fãs dos Asas do Demônio, outras estavam apenas surpreendidas de ter os roqueiros no mesmo prédio que elas.
Cadeiras foram trazidas sem ter que ser pedidas, junto com travesseiros e cobertores. Agora meus rapazes estavam espalhados pelo quarto dormindo como mortos. Com um sorriso feliz em meus lábios peguei a mão que estava deitada tão perto da minha sobre a cama. Nick realmente acordou quando eu toquei nele.
— Demi?
— Eu ainda estou aqui. — Assegurei a ele.
Ele esfregou as mãos sobre o rosto.
— Eu preciso de café.
— Você e eu. — Joe murmurou de sua cadeira à minha direita. Ele torceu o pescoço para a direita e para a esquerda, tentando relaxar a tensão. — Eu vou encontrar-nos algum. — Ele se levantou e deu um beijo na minha testa. — Precisa de alguma coisa, menina?
— Algo frio e com limão? — Minha boca se sentia pegajosa.
— Pode deixar. — Ele prometeu e me beijou novamente.
Eu fui incapaz de tirar os olhos dele até que estava fora de vista. Nick balançou a cabeça.
— Idiotas. — Ele murmurou sob sua respiração.
— Cale-se, Nick. — Maldito por ver tudo!
— Apenas constatando o óbvio, D. — Ele se levantou, estalando seu pescoço e costas, até que foi capaz de se mover com facilidade. — Uau, você parece melhor. Eu não vi cor em suas bochechas nas últimas semanas.
Drake e Shane estavam acordados quando Joe voltou com café e um refrigerante para mim. A soda com sabor de limão era como um paraíso para as minhas papilas gustativas e engoli metade antes de ter que parar e arrotar. Meus rapazes riram de mim porque eu podia arrotar com o melhor deles.
Uma enfermeira com cabelo curto e grisalho entrou sem bater. Tinha uma placa de grampo em uma mão e puxava uma pequena máquina atrás dela com a outra. Ela balançou a cabeça para os meus rapazes, e teceu seu caminho através deles para chegar a mim.
— Parece que você vai para casa, Senhorita Lovato.
Deixei escapar um suspiro de alívio. — Graças aos deuses.
— Deixe-me ver a sua pressão sanguínea e temperatura, querida. — Ela colocou uma braçadeira no meu braço sem o IV e um termômetro sob minha língua. Enquanto esperava que os sinais vitais fossem registrados, ela olhou ao redor. — Vocês rapazes lidam bem com a visão de sangue?
— Sim, senhora. — Nick garantiu a mulher. — Mas o que isso tem a ver com alguma coisa?
— Eu tenho que tirar o IV do braço da senhorita Lovato. Se não conseguirem lidar com a visão de sangue, então eu sugiro que saiam até que ela esteja enfaixada.
Dei a Shane um olhar rápido.
— Talvez você devesse ir buscar mais café. — Sugeri.
Não tive que pedir duas vezes. O cara podia olhar para o seu próprio sangue durante todo o dia, mas se fosse o de qualquer outra pessoa ele tendia a surtar.
A enfermeira riu enquanto tirava a braçadeira, escreveu algumas coisas em sua placa de grampo e depois pegou meu braço com o IV. A coisa estava bem colada e apertada e não pude deixar de choramingar quando a enfermeira puxou a fita. Então, ela retirou a agulha do meu braço e remendou-me com um pequeno curativo.
— Tudo bem querida, essas são as instruções do médico. Encontre-se com o seu médico pessoal na próxima semana. Volte se começar a se sentir fraca, incapaz de manter os líquidos, ou desenvolver uma febre alta. — Ela arrancou a primeira folha de papel e entregou-a juntamente com um pequeno pedaço de papel. — E uma receita de vitaminas. Minha sugestão é tomá-las na hora de dormir, porque tendem a perturbar o estômago.
— Vitaminas? — Nick franziu o cenho. — Só isso? Apenas vitaminas?
— Não há muito que podemos dar a ela. — A enfermeira disse quando ela se virou para ele.
— Por que não, porra? — Drake exigiu, ficando de pé ao lado do baterista. — Ela está muito doente!
— Gente...
A enfermeira apenas riu e eu gemi, sabendo que a merda estava prestes a explodir.
— Um bebê não é exatamente qualificado como uma doença grave, querido.
— O que... — Nick.
— ... que... — Drake.
— PORRA! — Joe.
— Demi!?! — Nick novamente. Ele estava ao meu lado em um instante. — O que diabos ela está falando, um bebê? — Seus olhos estavam em chamas com raiva confusa.
Suspirei e empurrei o cabelo para longe do meu rosto, sabendo que tinha que enfrentar a situação. Eu queria ter contado para eles com calma. Mas agora, graças à enfermeira eu tinha que fazer isso agora. Não estava pronta para isso! Eu não estava pronta para dizer-lhes nada.
Claro que eles queriam saber tudo.
— Eu estou grávida. — Finalmente disse a ele e vi como seus olhos escuros se arregalaram. Seu nariz alargou e lembrou-me de um touro furioso. Ótimo! Encarei a enfermeira. A mulher resmungou uma desculpa rápida e saiu rápido como o inferno. Sim, era fácil determinar quem era a minha pessoa menos favorita no mundo nesse momento.
— Como isso é sequer possível? — Drake exigiu.
Apesar da gravidade da situação eu, na verdade, ri dele.
— Você quer dizer que não sabe como, Drake?
Ele me deu um olhar fulminante e perdi meu sorriso.
— Não tente ser engraçadinha, D. Você sabe exatamente o que diabos eu quero dizer.
— Sobre o que todo mundo está gritando? — Shane exigiu, caminhando de volta para o quarto.
— Demi está grávida. — Nick rosnou.
— Como diabos isso é possível? — Ele exigiu, virando-se para mim em choque. Sim, você poderia dizer quem eram os dois irmãos biológicos na banda.
— Quem?
Meus olhos zeraram em Joe e sua pergunta baixa.
— O que?
Aqueles olhos azuis de gelo que sempre foram capazes de ver a minha alma estavam em chamas agora.
— Quem, Demi? Quem é o pai? — E o seu olhar foi direto para Nick. — Ou eu já sei?
— O quê? — Eu não podia acreditar que ele poderia pensar que Nick...
— Que merda, Joe! — Nick enfureceu-se com seu amigo. — Você acha que eu faria…? Você perdeu sua mente, porra? Ela pode ser quente, mas eu nunca iria tocá-la! Ela é como minha irmã.
— Eu não acredito em você. — A voz de Joe estava gelada e eu soube nesse momento que ele estava além de puto da vida. Joe só falava assim quando ele estava realmente chateado. Eu não tinha certeza de como ou até mesmo por que ele estava tão irritado. O resto dos caras estava irritado, com certeza. Mas não como Joe. — Eu vejo a maneira como você olha para ela. Vejo como ela está sempre agarrada a você.
— Joe... — Eu parei quando seu olhar se voltou para mim. Eu não consegui respirar por um momento, quando vi a raiva queimando em seus olhos lindos. Ele nunca olhou para mim assim. — Joe, Nick não é o pai.
— Então, quem, D? — Ele atravessou o quarto tão rápido que eu não tive tempo de piscar. Ele inclinou as mãos sobre a cama de cada lado de mim e empurrou seu rosto tão perto que eu podia sentir o gosto do café em seu hálito. — Quem diabos te tocou?!
Eu não podia falar. Não me era possível formar as palavras que ele precisava que dissesse. Como eu poderia dizer-lhe quando ele estava neste estado de espírito? Por que ele estava neste estado de espírito? Este homem que cuidou de mim quase toda a minha vida, que me cantou a minha própria canção de ninar, que me amou como uma irmã, e me tratou como se eu fosse tão especial... Ele estava me olhando como se me odiasse neste momento e eu não entendia porquê.
Drake puxou-o para trás.
— Pare com isso, Joe. Você não pode ver que ela está com medo de você agora?
— Apenas me diga quem!
— Por quê? — Eu chorei. — Por que você precisa tanto de saber?
— Para que possa matá-lo! — Ele gritou.
Lágrimas derramaram dos meus olhos.
— O que há de errado com você, Joe? Por que você está agindo assim?
— Logan? Ele estava farejando alguns meses atrás. Foi ele? Vi-o com as mãos em cima de você na noite passada. — Ele estava lutando para se livrar de Drake agora e eu estava com medo de que, se Drake perdesse seu agarre, ele iria me bater. — Foi ele!?
— Não!
— Quem!
Nick colocou-se entre mim e Joe, mas se virou para mim e agarrou minhas mãos.
— Diga a ele, D. Diga a ele para que ele se acalme.
— Eu... — Balancei a cabeça. Se eu dissesse isso em voz alta, então seria o fim. Eu não poderia me esconder atrás de minhas paredes mais. Vergonha queimou meu rosto.
— Alguém neste quarto? — Joe exigiu. — É?
— Sim. — Eu sussurrei e a cabeça de Nick virou para trás como se eu o tivesse esbofeteado. Seus olhos encontraram os meus e eu sabia que ele sabia, por isso baixei meu olhar de volta para a cama.
Joe me ouviu. Era como se ele tivesse audição supersônica, porque eu mal me tinha ouvido falar.
— Quem, D? Diga-me quem. — Sua voz realmente tinha quebrado?
Engoli em seco e pisquei entre minhas lágrimas, mas fui incapaz de contê-las.
— Joe...
— QUEM!

— VOCÊ!

~*~

Então continuarei com Jemi... ;)