segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Epílogo (MARATONA)

“E quando um certo alguém
Cruzou o teu caminho
E te mudou a direção...”

O dia ainda não havia amanhecido, mas isso não tardaria a acontecer. Demetria estava acordada. Um ano antes, isso também estava acontecendo. Sempre via o dia amanhecer. Mas diferente de antes, ela não estava acordada por que estava tão triste e solitária que não conseguia dormir. Agora ela não conseguia dormir por que estava feliz demais para isso. E o motivo de tudo isso ressonava nu a seu lado. Joseph Bolivatto tinha iluminado e trazido calor a sua existência. Transformado toda sua tristeza em alegria. Ela nunca imaginara amar tanto e ser amada de volta. Olhou para a aliança em seu dedo. Beth havia lhe dito que fora feita sob encomenda. Retirou do dedo e leu a inscrição.
“Eternamente Minha”
— Sim, Joseph, só sua... E do Charles, por enquanto.
Lembrou-se do seu marrentinho com saudades. Mal podia esperar para ir buscá-lo. Tinha certeza que a Vera com toda sua competência não estava sendo páreo para aquela criaturinha intransigente.
Enquanto ponderava sobre aquela situação, percebeu Joseph ainda de olhos fechados a procurando. Sua mão tateou a cama até achá-la. Então puxou o corpo da esposa contra o seu e enterrou o rosto em seus cabelos. Demetria Bolivatto sorriu e pensou consigo mesma que não havia mulher mais satisfeita que ela nesse mundo.
No dia seguinte, partiram em lua de mel. Aquela não seria uma lua de mel normal, seria uma lua de mel a quatro, mas por outro lado normalidade nunca fora uma característica marcante daquele casal. É claro que algemas e outros apetrechos ficaram em casa. Os gritos também tiveram que ficar limitados ao sexo ao ar livre, ou quando a adorável babá do seu garoto se trancava no quarto com ele. No último dia daquelas duas semanas maravilhosas, ela sugeriu ir com o bebê para o prédio principal do hotel para que os dois tivessem privacidade no chalé.
A mãe do garoto ficou dividida entre deixá-lo ir e ter sexo animal com o marido, ou curtir seu filhinho mais um pouco, afinal que tipo de mãe abandona seu filhinho por interesses próprios? Principalmente interesses sexuais?!
— Se você deixá-lo ir, eu prometo que não vai se arrepender...
Uma mãe que adorava sexo.
Sua mente em segundos foi preenchida por cenas das coisas que seu marido podia fazer com ela.
— Vou arrumar as coisas do Charlie...
Joseph sorriu e pegou o filho. Sentiria falta dele também nas horas seguintes.
— Cuida da Vera, ok? Ela é boazinha e não merece seu mau humor.
Charles olhou para o pai com sua costumeira expressão compenetrado.
— É sério. Você precisa agir como homem...
A frase ficou perdida no ar quando percebeu o que estava fazendo, mesmo que brincando. Estava errado. Lembrou-se de quantas vezes o pai discursou sobre as responsabilidades de homem da casa. O quanto esse discurso singelo lhe pesou. Não que fosse deixar o filho crescer sem responsabilidades, apenas precisava não lhe colocar responsabilidades de adulto.
— A primeira vez que me vi como adulto, foi a primeira vez que carreguei minha avó no colo. Eu tinha 16 anos então e ela era tão frágil... — Começou a contar ao filho em tom de confidência — Ela estava sentada no chão da cozinha chorando. Não conseguiu se levantar sozinha. Naquela noite eu a coloquei na cama, dei seus remédios e deitei a seu lado.
Olhou para o filho, que ainda adotava aquela expressão atenta e curiosa, testa franzida, balançando inquietamente seus bracinhos e pernas.
— Ali do lado dela, eu fiquei pensando na vida. Lembrando-me das vezes em que ela me carregou quando eu era criança. Dela deitando ao meu lado para me colocar para dormir... Era um o ciclo da vida se concretizando: ela cuidou de mim e daquele momento em diante eu cuidei dela... E me transformei num adulto aos 16 anos...
— Você foi a luz da vida dela, Joseph.
O comentário da senhora Bolivatto pegou o marido desprevenido.
Não dividia aquelas coisas com ninguém, mas gostava daquelas “conversas” com o filho, era natural se abrir com ele. Talvez por que a criança não entendesse suas confidências.
Sorriu sem graça para a esposa.
— Seu pai me disse isso tantas vezes... Em meio a tudo ela teve você.
— Eu sei...
— Não, não sabe. Você consegue ser luz na vida das pessoas. Tem um senso de lealdade, responsabilidade... Raros. Se nosso filho for metade do homem que você é, eu serei uma mãe realizada.
O rapaz ficou sem graça. Não era bom em receber elogios. Com um sorriso meigo, Demetria inclinou-se e beijou o rosto do marido.
— Agora deixa eu me despedir do meu marrentinho. — E apanhando a criança, foi logo recomendando — Não seja muito cruel com a Vera... Ela é uma boa babá. Você precisa deixá-la dormir um pouquinho. A mamãe não pretende dormir muito hoje, mas eu prometo que amanhã sou toda sua. Mesmo que passe o dia cochilando, vou cochilar agarrada a você, ok?
Algum tempo depois o casal voltava de mãos dadas para a cabana, após deixarem a babá e o filho bem acomodado no hotel. Demetria tinha o coração pesado. Joseph também, mas seria só por uma noite. Não demorou muito para que a preocupação fosse esquecida numa luta desenfreada contra as roupas. Horas mais tarde Demetria estremeceu. O marido estava surpreendentemente mais romântico naquela noite. E não se inibia em expressar.
— Isso. — beijou-lhe o queixo — é por ter sido forte quando eu me desesperei. — Ele sussurrou com a sua voz rouca — Isso. — beijou-lhe a nuca — é por ter voltado para mim depois do parto de nosso filho... Isso é por ter me dado o Charlie. — beijou-lhe na testa.
— E isso. — Ele beijou sofregamente seus lábios. — é porque eu te amo desesperadamente...
Ainda sonolenta pelas últimas aventuras Demetria Bolivatto, pensou na vida maravilhosa que teria ao lado daquele homem... E no último momento antes de cair na inconsciência provocada pelo prazer, lembrou-se que em casa havia um caderninho, cheios de possibilidades aguardando por eles... Quem disse que os sonhos e fantasias não podiam se tornar realidade?

Quase um ano depois, Demetria acordou meio zonza. Tinha alguma coisa errada, mas ela não entendia o quê. Tentou mover-se e descobriu que suas mãos estavam algemadas a cabeceira da cama. Abriu os olhos assustada e se deparou com a visão mais perfeita do mundo:
Joseph completamente nu, segurando certo caderninho de anotações.
— Lembra-se, querida? Sempre três vezes mais tudo o que me é feito...

Bem, a vida podia ser perfeita às vezes... Para quem tem a ousadia de ir atrás do que quer. Demetria levou trinta anos para aprender isso, Joseph um pouco mais... Mas aprenderam direitinho...

Fim.
~*~

Não fiz o banner de That Rocker That Holds Me... Mas tenho o de Simplesmente Demi pronto há milênios hahahaha Vejo o que farei sobre isso essa semana e começarei a postar a nova adaptação em breve.  

Se quiserem que eu poste as sinopses dessas duas histórias de novo, comentem aí, ok?! Beijos.

5 comentários:

  1. Adorei a fic, vai ser difícil eu superar seu fim :(
    Eu quero que postes a sinopses sim ;) Se não for muito incomodo...
    Bjsss

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  2. segue lá http://jemiumapropostaousada.blogspot.com.br/ ? espero q goste, ta lindoo o final

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