terça-feira, 8 de outubro de 2013

CAPÍTULO 7 - COMO EU QUERO

“Diz pra eu ficar muda,
faz cara de mistério,
tira essa bermuda
que eu quero você sério...”

Joseph dormiu. Dormiu de verdade pela primeira vez naquele maldito cativeiro. Exaurido depois de tantas emoções, não conseguiu nem mesmo pensar muito sobre o que havia feito.
Seu plano inicial era esperar um pouco, libertar-se e sair para explorar o cativeiro. Saber exatamente com que tipo de coisa estava lidando. Não tentou se livrar das algemas logo. Se ela voltasse ou se alguém fosse olhá-lo, não saberia que ele estava tecnicamente livre. O problema é que enquanto esperava caiu no sono.
Era madrugada quando acordou assustado. A casa estava silenciosa. Retirou o garfo que havia escondido sob o colchão e começou a trabalhar. Mais uma vez na vida agradeceu por seu amigo ser um contraventor por esporte. Se não fosse por Nicholas, jamais teria aprendido a invadir uma casa, ou abrir fechaduras e algemas. O fecho das suas algemas não era um grande desafio, o problema era o barulho das correntes. Apesar disso, conseguiu abri-los sem grande dificuldade.
Foi estranho estar livre, como um escravo acostumado a servidão, sentiu falta do peso das correntes... E não pôde deixar de lembrar que ela agora já não tinha o controle sobre ele. Estaria pronto para a mudança?
Pouco mais de vinte e quatro horas e ele já estava assim, imagine se ficasse um mês inteiro preso?
Joseph foi cauteloso ao se levantar. Muito silenciosamente enrolou-se num lençol e se dirigiu a porta, abrindo-a lentamente. Não queria ser surpreendido por algum comparsa. Demetria não seria um desafio num confronto físico, mas poderia ter alguém a seu serviço.
“Que fosse!”
O corredor estava livre. À direta, duas portas. Dois quartos vazios. À esquerda no fim do corredor, o quarto de sua sequestradora. Ela dormia encolhida sobre a cama, mas estava sozinha. Ele não se deteve muito tempo ali.
A sala era bem esquipada: TV, DVD, um computador... Sem internet. Também não havia telefone ou rádio amador. A menos que a doida tivesse alguma carta na manga, estavam incomunicáveis.
Dez minutos depois, havia revistado cada cômodo da cabana. Ao menos nisso Demetria não mentiu: estavam de fato sozinhos e no meio do mato. Apesar de ser noite, a lua cheia iluminava a paisagem e tudo o que se via eram árvores e alguns montes. Lá fora também estava muito frio. Mais uma verdade. A cabana era aquecida, mas bastava abrir a porta para saber que o local onde estavam era muito frio. Talvez uma serra... Ao sul? Se tentasse fugir como estava, com certeza morreria por hipotermia.
Numa espécie de dispensa adjunta a cozinha havia uma mala repleta de roupas masculinas, nenhum agasalho pesado, mas ao menos não precisaria andar pela casa como veio ao mundo. As roupas eram um número maior que as que ele usava normalmente, mas serviam aos seus propósitos.
Vestido com uma calça e uma camiseta preta, Joseph rumou para o quarto de sua sequestradora. Nunca sentira tamanha excitação na vida. Estava tão nervoso que temia cometer algum descuido e acordá-la antes do tempo.
Na primeira vez que viera ao quarto, não se detivera mais do que o necessário. Agora se aproximou da cama com a atenção completamente presa à moça. Todo o tempo em que esteve preso imaginou como seria quando estivesse em vantagem, quando fosse ele o dono do controle. Não seria um bom homem de negócios se não fosse frio. Era um arquiteto, mas antes de tudo era um homem de negócios. Sempre fora de certo modo, até mesmo na vida pessoal. Era amável e um bom companheiro, mas antes de tudo fazia o que era certo.
Hora de Demetria descobrir que os Bolivatto eram boa gente, mas sabiam se vingar como ninguém.
Não foi como pensou. Em primeiro lugar, a bruxa que tinha abusado sem dó dele não parecia nada intimidante ou até mesmo maléfica encolhida naquela cama. Na verdade parecia uma criança sob a manta numa noite fria. Frágil e indefesa.
Tentando afastar uma onda de compaixão que ameaçava dominá-lo, ele debruçou-se sobre a cama, aproximando-se devagar. Não queria que ela acordasse ainda. Queria saborear cada momento e causar o mínimo de dano físico possível. Sua vingança seria de outro tipo. Só queria lhe dar um susto. Um grande susto. Daria o troco na mesma moeda. Apenas isso.
Havia encontrado as algemas e pretendia fazer bom uso delas.
Um arrepio involuntário percorreu seu corpo.
Ainda com muito cuidado, começou a retirar a manta que cobria seu pequeno corpo, mas logo percebeu que isso não tinha tanta importância. Demetria tinha o sono bastante pesado. Ela estava nua e nem mesmo se mexeu incomodada por terem lhe tirado o cobertor.
Linda!
Precisava admitir. Estava um pouco magra, mas Joseph já percebera anteriormente que ela havia perdido peso desde a morte da mãe. Afastou esses pensamentos e pôs-se a trabalhar. Posicioná-la para algemar suas mãos na cabeceira da cama também não foi problema. Sua única reação foi um suspiro mais profundo.
Depois de finalizada a missão, Joseph recuou para observar seu feito. A satisfação de sua tão desejada vingança foi nublada por um inapropriado sentimento de repulsa por si mesmo. A consciência tentava chamá-lo a razão:
O que você vai ganhar com isso? Nada de bom. Talvez um pouco de satisfação que duraria dois segundos. Fora criado para nunca abusar de uma mulher. Mesmo que ela merecesse.
“Você precisa mudar Joseph. É muito bonzinho. Os bonzinhos só se estrepam.” As palavras de Nicholas vieram salvar Joseph. Se não fosse o tipo de homem que as mulheres fazem o que quer, talvez nem estivesse ali. Era hora de uma mudança.
O quarto de Demetria era quase igual ao seu, mas sem sombra de dúvida tratava-se de uma versão mais feminina. O diferencial era um espelho grande numa das paredes. Sob o espelho havia uma bancada com artigos de cosméticos. “Morangos, apostava” E sob a bancada uma cadeira completava o quadro. No mais, era praticamente igual ao seu.
Pegou a cadeira, colocou-a ao lado da cama e se acomodou. Não iria acordá-la. Esperaria pacientemente.
A espera foi longa. Para não deixar que a consciência o assaltasse outra vez, tratou de refazer cada segundo passado desde que acordara. Foi da raiva à excitação e voltou à fria calmaria de quem aguarda uma grande revanche. E outra vez a consciência o assaltou. Muito tempo para pensar e pensar.
Pelas duas horas seguintes ele pensou.
Também se concentrou em analisar a situação com frieza. Não era possível que aquela doida o tivesse sequestrado apenas para tê-lo como objeto sexual. Tinha algo por trás daquilo. E quando saíssem da casa, se é que estivesse em seus planos deixá-lo sair, como a família de Joseph, mas especificamente seu pai reagiria?
Observando a mulher, tentou encontrar respostas para as centenas de perguntas que o inquietavam. Embora não quisesse deixar quaisquer sentimentos interferir em seus planos, precisava admitir que não estava diante de um monstro. Naquela cama havia uma mulher confusa, possivelmente furiosa com a vida, mas acima de tudo, triste com as coisas que lhe acontecera. Até então ele pensou, não que Demetria estivesse lidando bem com tudo, mas que ao menos estivesse lidando.
Primeiro a doença da mãe, então a morte violenta do pai e quando as coisas não poderiam estar piores, sua melhor amiga casou e mudou-se para o fim do mundo. A morte da mãe de Demetria, apesar de ser algo já esperado, não foi menos impactante.
Joseph acompanhou tudo a distância. Uma ou duas vezes doou sangue para suas cirurgias. Tanto sofrimento que só adiou o inevitável e devastou a todos no processo. Aquela mulher já havia sofrido demais... Certo, ele seria malvado, mas não malvado de verdade.

A droga daquele sonho. Já fazia tempos que não o sonhava. Estava de mãos atadas e não podia se mexer. Tratou de abrir os olhos pensando que encontraria a dificuldade de sempre, mas isso não aconteceu. Correu os olhos para o local onde suas mãos estavam presas, acima da sua cabeça e não entendeu logo o que havia acontecido.
— Bom dia, menina malvada.
Inferno!
Demi tentou se sentar. Não conseguiu. Ficar com os braços naquela posição era mesmo complicado. Estava encrencada. Seu coração batia descompassado e o seu “refém” trazia um sorriso maquiavélico no rosto.
Menina malvada ela? Nem de longe!
Era muito cedo para Joseph estar solto. Em seus planos ele estaria seduzido, dependente dela. Só poderia soltá-lo quando chegasse nesse ponto. Aí se lembrou dos seus planos de libertá-lo naquela manhã. Se ela o libertasse, ao menos teria um pouco de sua gratidão. Um pouco de gratidão ajudaria... No seu futuro incerto. Iria apodrecer na prisão? Ele a entregaria as autoridades? Como iria encarar as pessoas quando a história toda viesse à tona? E a reação do pessoal do trabalho? Ela nunca seguia os seus impulsos... Por que fizera diferente daquela vez?
Que inferno, porque nada dava certo em sua vida? Nunca conseguia fazer nada direito.
— Como você conseguiu se soltar?
— Sei um truque ou dois... E você é bem amadora. Deixe-me explicar uma coisa: a primeira parte de se cometer o crime perfeito é conhecer bem o seu alvo. Você não fez sua lição de casa direito. Papai nunca te contou das confusões que me meti na adolescência?
— Não.
— Nem a Beth?
Sentou-se na cama ao lado da moça. O sorriso era de um homem realizado, ou pelo menos de um que estava a ponto de fazer algo que lhe daria muita satisfação.
— Que pena... Para você, mas vamos esquecer os pormenores... Temos muitas contas a acertar.
Um arrepio percorreu o corpo feminino. Esperava que a vingança não envolvesse dor.
— O que você pretende?
— Meu pai é adepto da lei do retorno. É preciso fazer sempre três vezes o mesmo que fizeram com você. Para o bem e para o mal. — Suavizou a frase com um sorriso deslumbrante
— Nesse caso, vou seguir seu exemplo.
Droga!
— Você está com medo? — Um sorriso predador agora.
— Na verdade não... Estou pronta para as consequências dos meus atos. Principalmente se isso não envolver polícia e a mídia nacional.
O sorriso do homem se alargou:
— Pois deveria... Posso ser bem malvado e você abusou da minha paciência.
Droga! Odiava suspense, mas percebia a tática do homem. Aquelas ameaças eram para fazê-la sofrer por antecipação.
— O que você vai fazer comigo? — perguntou apreensiva.
— O mesmo que você queria fazer comigo. Não era para eu ser seu brinquedinho?
Agora vamos ver quem é o brinquedinho de quem.
“Santa misericórdia divina!”
Era um desses momentos em que por mais tensa que fosse a situação, você precisa fazer cara de paisagem.
— E isso significa quê...?
Perguntou com uma indiferença que impressionou a ela mesma.
— Primeiro. — Falou bem devagar com se explicasse para uma aluna pouco inteligente algo bem difícil. — Eu te devo algumas torturas sexuais. Não foi assim que começou meu sequestro? Sexo oral da melhor qualidade, não é? E como tudo o que a gente faz deve voltar três vezes mais... Você me deve algumas... E eu pretendo cobrar direitinho.
Ela não pôde responder, ou manter a pose, estava com a boca seca e aberta. Seu coração deu um saltou. Ele ia se vingar com sexo? Que tipo de sexo? Queria perguntar, mas não faria isso... Se o objetivo da vingança era atingi-la, melhor não falar nada e deixar que fizesse o que pretendia. Estava nas mãos dele, se fosse machucá-la, nem teria como se defender.
— Obviamente eu não vou te deixar passar sede nem fome, como você fez comigo. Tem outras formas de torturas mais... Interessantes. Como uma boa escrava, você vai fazer minhas vontades. Como é mesmo? Já que eu sou o senhor da situação vou querer um título... Você não acha que eu mereço ser chamado de senhor?
Demetria não respondeu. Desviou o olhar. Se ele fizesse metade das coisas que ela fez com ele, ia sofrer muito. Haveria prazer, mas também...
“Joseph é um cavalheiro. Não acredita em agressão física a mulheres. Mamãe dizia que nada justifica a agressão a uma mulher. Nunca!”
Intimamente, Demetria rezou para que a opinião do pai de Joseph estivesse correta. Apesar de ter consciência de que se ela levasse uns tapas seriam bem merecidos.
— Não sei até que ponto você vai gostar disso. — continuou Joseph — mas esse não vai ser o problema, não? Respeitar desejos e vontades alheios não é a ordem do dia. Porém, antes de qualquer coisa temos um problema bem sério a resolver: você precisa me dizer como sair daqui. E você vai dizer Demetria, acredite.
A ameaça insinuava muita coisa para a imaginação de Demetria preencher. Pena que ele estava vestido agora. Tinha adorado tê-lo nu...
— Lembre-se apenas que você começou a brincadeira. — embora Joseph tivesse disfarçado até então, a raiva ficou aparente ao fim do discurso. A moça enrijeceu o corpo. Ele estava furioso sob aquela aparência calma. O que viria a seguir? Ele ia bater nela? Não parecia o tipo, mas ela tinha extrapolado.
— Você vai ficar calada?
— O que espera que eu fale? Estou amarrada a esta droga de cama. Você faz agora o que quiser. Eu suporto.
— Que bom que você entendeu isso, Demi. Agora eu mando. — Havia uma satisfação quase infantil em sua voz. Um brilho travesso nos olhos verdes. Os cabelos pretos desgrenhados completava a imagem de sexy predador.
Merda. Péssima hora para perceber mais uma vez o quanto ele era bonito. Voltando a cama Joseph ajoelhou-se entre as pernas da sequestradora. Apesar de tudo, lhe tratou com suavidade. A mão foi subindo lentamente.
— Hora de começar a brincadeira...
Tocou a umidade íntima da mulher com as pontas dos dedos. A única reação que a moça se permitiu ter foi revirar os olhos, mas aquilo começava a soar agradável. Ele riu de seu esforço. E colocou mais um dedo. — Perfeita...
O elogio mexeu com ela. Foi o que desencadeou tudo. É incrível o que um simples elogio provoca numa mulher. Seu sexo se contraiu em volta dos dedos do sujeito e isso provocou uma expressão de triunfo no rosto dele.
— Você tem um sono pesado. Faz horas que estou brincando com esse corpo delicioso.
Era mentira, ela sabia. Não havia como ele ter manipulado seu corpo sem que ela percebesse ou reagisse... Apesar de tudo.
Então retirou os dedos.
— Ah, sim, adorei a tatuagem. Ela me fez rever a imagem que tinha da santinha da Demetria. — passou o dedo pela pintura em sua virilha — Vamos nos divertir muito. — ela quase sorriu, onde estava o lobo mau? — Melhor, eu vou me divertir.
“Bem, olha ele aí.”
— Não fica preocupada não. Hoje eu estou bonzinho. — Inclinou-se, beijando-lhe a barriga. E foi descendo, descendo, descendo — e pretendo melhorar. Principalmente depois que você me disser como sair daqui.
— Não tem... Só voltam para nos pegar daqui a um mês.
— Não acredito. Você tem que ter um plano para o caso de acidente.
— Não vai ter acidente algum... Não preciso de plano.
— Que bela mentirosa. Acho que vou ter que ser severo com você, menina malvada.
Os dedos invadiram a intimidade da mulher sem piedade. Demi gritou, assustada e excitada. O homem não se fez de rogado, abriu as pernas da mulher e mergulhou entre elas. Os gritos e gemidos o deixaram aceso. Gostou de abusar do corpo feminino mais do que poderia admitir, quanto mais tinha dela, quanto mais a fazia perder o controle, mais se sentia revigorado. Torturou aquele corpo por horas a fio. Mais pelo prazer da vingança, que pelo desejo de escapar do cativeiro.
— Não tem, não tem! Eu juro. — ela gritava desesperada.
Em um momento decidiu jogar um pouco mais duro.
— Fui muito bonzinho e você continua mentindo. Vou te castigar.
Ah, sim, ele foi. Tão bonzinho que ela a plenos pulmões recitou uma sinfonia de gemidos em exaltação a sua bondade. O problema é que no melhor da festa, ele parava.
— Preciso fazer o seu café. Não vamos querer que você fique fraquinha de fome, né? — Beijou singelamente sua bochecha com os lábios úmidos. Aquilo a excitou ainda mais. — Você vai precisar de muita disposição física para o que eu tenho em mente.
Demi quis reclamar de frustração. Joseph ia deixá-la daquele jeito? De novo?! Era muita maldade!
“Ok, Dona Demetria, você está perdida. Esse homem ia abusar de seu corpo de formas inimagináveis. De uma forma lenta e torturante.”
No fim ia dar tudo certo. Tudo bem que estava algemada a cama no momento e sem muitas opções, uma delas de dizer não a qualquer coisa. Pelo sorriso com que o rapaz saiu do quarto e a promessa de tortura, desconfiava que fosse capaz de implorar por mais. Finalmente ia receber a recompensa por ter sido uma boa menina por todo esse tempo.
“Mas Demi, querida, você só conseguiu o que quis quando ficou malvada.”
Meia hora se passou na mais completa calmaria até que escutou passos se aproximando. Tentou fazer cara de preocupada.
“Droga”. Praguejou em pensamento vendo o filho de Carlos entrar. Ele havia mesmo encontrado as roupas. Uma pena! Estava usando uma camiseta preta e um short de pijama, ao menos tirara a calça. Cabelos molhados. Banho. Lindo, mas preferia-o sem roupas. Trazia uma bandeja. O cheiro de pão quente e café impregnou o ambiente. Ótima hora para seu estômago dá sinal de vida. Há meses sofria com a falta de apetite. Empurrava a comida a muito custo garganta abaixo. Agora, sentia-se faminta.
Muito a vontade, o rapaz depositou a comida no criado mudo e lhe ajudou a sentar. A seguir pegando o prato, colocou ao lado dela, sobre a cama. Pegando um pedaço de pão, aproximou-o de Demi. A moça deu a primeira mordida sem esboçar qualquer reação.
No segundo pedaço sentiu uma mão acariciando de leve sua coxa. Ignorou. No terceiro, a mão escorregou mais um pouco para baixo. Seu primeiro impulso foi pular, mas conseguiu se controlar.
— Você está dolorida aqui? — Perguntou passando o dedo em sua fenda. Ela engasgou.
— Você não espera que eu me concentre na comida fazendo isso, espera?
— Por quê? Não foi você que sequestrou um homem para fins sexuais?
Demi resolveu calar-se. Ele prosseguiu.
— Sei que ontem fui um bruto. E que você pode estar sentindo alguma dor. — sussurrou. Ela arrepiou-se por inteiro, principalmente quando o dedo começou a movimentar-se. — Dói?
— U... um p... pouco. — respondeu manhosa.
— Hum. — colocou mais um dedo. Ela fez um movimento repentino que quase fez o prato entornar sobre a cama.
— Calma, Demi. — pediu retirando os dedos para levá-los a boca — Primeiro, a comida. Depois ser comida.
Sim, ela ia ter um AVC.
Terminaram a comida em silêncio. Enquanto Joseph colocava a bandeja de lado, Demi o observava com cautela.
— Eu não vou te morder. Não precisa me olhar assim. — Ele anunciou. Ela relaxou um pouco — Estou brincando, é claro que vou morder. — Completou debochado — Onde paramos mesmo? Acho que aqui!
A mão masculina encontrou espaço outra vez no seu novo recanto favorito, entre as pernas da sequestradora.
Muito tempo depois, a mulher sentia o corpo pegajoso de suor. Estava trêmula e insatisfeita.
— Você é dura na queda.
— Eu já disse... Não tem como...
Estava ofegante. O homem deitou ao seu lado. Ficou pensativo olhando para ela.
— O que foi?
Joseph adotou uma expressão séria e então indagou:
— Demi, eu sei que é tarde para isso, mas preciso perguntar: você está protegida?
Demetria o olhou, confusa, ele queria conversar agora? Ela estava exausta. Seus braços doíam, apostava que estavam marcados. Ele cumpriu a promessa e abusou dela. Muito. No fim, deixou que ela atingisse o orgasmo duas vezes, mas o processo foi muito lento. Prazerosa e torturantemente lento.
— Demi, quer prestar atenção? A gente não usou camisinha ontem. Eu estou limpo. Fiz exames há pouco tempo, doei sangue... Acho que você também. Mas gravidez...
Ah, isso...
— Eu tomei uma injeção. Sem perigo por três meses. Minha vida sexual é inexistente. Eu também doei sangue para minha mãe pouco antes dela morrer...
A sequestradora e agora refém fechou os olhos. Ainda não podia falar desse assunto sem sentir muita dor. Não queria mostrar fraqueza para seu... Merda, o que ele era mesmo agora? Bem, melhor não querer entender isso. Não tinha condições.
Inspirou profundamente buscando o autocontrole. Primeiro pensou que estava sonhando. Sentiu os lábios em seu rosto de uma forma quase carinhosa. Quis abraçá-lo, mas só pôde projetar o corpo para frente. Quando a boca tocou a sua desencadeou uma urgência incontrolável. As línguas duelavam, se buscando, lambendo, chupando. Acomodando-se entre as pernas femininas, deixou a moça sentir a extensão de seu desejo. O beijo passou a ser mais calmo insinuante. Demi queria desesperadamente ter liberdade de usar as mãos. Era frustrante estar tão limitada.
Seu corpo ainda sensível da noite anterior protestou, mas o prazer se sobrepôs a dor. Os impulsos da mulher para frente faziam seus braços doerem, mas estava desvairada demais para se incomodar com isso. Sentia-o túrgido dentro de si. Avolumando-se cada vez mais. Por mais que ele se aproximasse, ainda estava muito distante e ela não podia suportar isso.
Começou a sussurrar seu nome baixinho. Quanto mais sussurrava, mais profundos eram os impulsos masculinos. Ela não soube por quanto tempo ficaram assim até que o orgasmo os atingiu, mas sabia que foi muito tempo. A única coisa que Demi pensou antes de perder a consciência foi que eles tinham uma sincronia perfeita.
A pressão no braço diminuiu. Sentia-se flutuando. Os braços, pernas e cabelos soltos pelo ar. Queria abrir os olhos mais não conseguia. Eles pesavam. Escutou o barulho da água.
Pouco depois, a sensação morna contra sua pele. E tudo ficou bem. Perfeito. Quando “acordou” estava deitada sobre seu corpo, na banheira. A cabeça em seu peito. Olhou para cima e encontrou os olhos verdes de Joseph. Ele estava sério.
— É a primeira vez que faço uma mulher desmaiar de prazer.
— Eu estou cansada, só fechei os olhos um pouco. Não seja convencido. — Ela resmungou. Ele riu.
— Não estou.
Ela meio que rosnou fechando os olhos novamente. Estava muito cansada.
— Tá bom. Eu estou convencido, mas eu não sou convencido.
— Todo Bolivatto é convencido. — Continuou resmungando de olhos fechados.
Demetria demorou um pouco para entender o que acontecia. A esponja passeava por seu corpo suavemente. Logo era deslocada para que recebesse os cuidados do parceiro. Uns 10 minutos depois ela já estava refeita, banhada, mas era tão bom estar ali, que nem pensava em se mexer. Uma vez mais foi carregada. Teve o corpo enxugado e posto delicadamente na cama. Ele pegou seu braço direito, beijou a mão, pouco antes de colocar a algema e prendê-la na cama por um braço só. Ela ficou confusa.
— Três vezes mais Demi. Essa foi só a primeira rodada. Vou preparar seu almoço. Dorme um pouco.
Demi obedeceu. Dormiu profundamente. Quando acordou Joseph dormia a seu lado. Ela sorriu. Ele era um péssimo carcereiro. Aconchegou a seu corpo da melhor maneira que pôde.
Acordou outra vez quando ele levantou da cama. Assim que a percebeu acordada perguntou:
— Está com fome?
Assentiu, balançando a cabeça. Não demorou muito ele trouxe uma massa cheirosa.
Comeram em silêncio. Sua única queixa foi:
— Você poderia me soltar ao menos para comer.
— Eu poderia...
Concordou com um sorriso deslumbrante, mas não se moveu. Continuaram calados depois disso. Dessa vez não era um silêncio incômodo. Era cúmplice. Quando terminaram
Joseph retirou os pratos.
Demi se acomodou melhor na cama para esperá-lo. Será que teria mais uma sessão vingança? Depois de ter cochilado e comido se sentia completamente pronta para ele.
Estava relaxada, um pouco dolorida, mas não estava preocupada com isso. Sua vida se resumia aquela casa em que estava ilhada com o gostosão Bolivatto. Ao menos uma vez em sua vida algo dava certo. Seu plano doido deu certo!
“O mundo é de quem tem coragem, baby!”
Sim, a centrada e racional Demetria havia cometido uma sandice e se dado bem! Beth ia ter um ataque! E querer matá-la por não ter sido parte do plano.
Logo se pegou devaneando sobre o que futuro próximo lhe reservava.
Sexo. Sexo. Sexo. Quente, intenso, abundante. Era uma mulher de muita sorte. Ainda faltavam 28 dias para aproveitar. Olhou para a algema, presa em um braço só. Pensou em pedir para ser libertada. Mas não. Se pedisse era capaz de ficar ainda mais tempo. Não sabia o que ele tinha em mente.
De repente, lembrou-se do celular. Estava bem escondido, mas se tivesse ligado e tocasse seria um problema. Sabia que por melhor que fosse o sexo, deixá-lo comunicável talvez não fosse um bom negócio. Ela definitivamente não estava pronta para abrir mão dele.
Não agora.
Ouviu passos vindos para o quarto. Mais uma vez escondeu o sorriso. Ela não poderia parecer estar se divertindo.
Assim que Joseph entrou, Demetria soube que havia algo errado. Sua postura era rígida, ele apertava o maxilar. Tinha algo nas mãos. Ela demorou poucos segundos para descobrir o que era. Então a tensão assumiu seu corpo, sua postura também mudou.
A primeira coisa que fez foi tentar controlar as emoções e revestir-se da frieza que usava no trabalho para afastar as pessoas. Esperou. Ele se sentou na cama. Demi se sentiu como um rato de laboratório diante daquele olhar tão examinador. Com muito custo sustentou o seu.
— O que você tem a me dizer sobre isso?
Ela inspirou profundamente antes de responder:

— Sinceramente, Joseph? Não é da sua conta.

~*~

Obrigada pelos comentários <3333


thau ane
: Hahahahaha sério? Nunca tinha ouvido falar nesse livro até que um dia vi em um site e achei a sinopse... diferente, vamos dizer kkkkkk Que bom que esteja gostando haha ;D Bjos

4 comentários:

  1. ei você que gosta de fazer adaptações já leu belo disastre e a trilogia crossfire? notei que as leitoras são bem apimentadas esses livros são otimos.

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